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Brasil e Alemanha buscam firmar cooperação em pesquisa sobre bioeconomia

criado em: 20/11/2017,
última modificação: 20/11/2017 by Martha Ramazotti

Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP – O cenário ambiental está intimamente ligado aos planos econômicos de qualquer país. A demanda por alimento deverá crescer pelo menos 70% até 2050. Junto a isso, há ainda a degradação do solo e as mudanças climáticas que alteram padrões e reduzem a área agrícola e de pastagens. Sem contar com o inevitável esgotamento dos combustíveis fósseis, seja por escassez ou pela liberação de CO2 na atmosfera, impulsionando o aquecimento global. Tendo esse cenário em vista, ganha força a transição do modelo econômico apoiado pela bioeconomia.

Processos e estratégias inovadoras para fazer uso dos recursos naturais existentes de forma mais sustentável e eficiente foram o tema do , realizado nos dias 8 e 9 de novembro no auditório da FAPESP.

“A bioeconomia tem o potencial de resolver os maiores problemas que estamos enfrentando em relação à produção de alimentos, segurança alimentar e segurança energética. A inovação é a chave para o crescimento e a prosperidade, mas para que isso aconteça é preciso colaboração global”, disse Martina Schulze, diretora do Centro Alemão de Ciência e Inovação – São Paulo (DWIH-SP), organizador do evento junto com a FAPESP.

Para José Goldemberg, presidente da FAPESP, o objetivo do evento de fortalecer o diálogo entre pesquisadores alemães e brasileiros será uma grande oportunidade, principalmente tendo em vista a discussão internacional sobre a importância do uso da biomassa para a geração de energia em todo o mundo.

“Hoje, 10% da energia do mundo provém da biomassa e os outros 90% são novas energias. A transformação de novas energias trouxe novos problemas – como poluição nas grandes cidades e o aquecimento global – e a biomassa, que supriu a necessidade da humanidade por séculos, mostra-se hoje ainda mais importante. Há, inclusive, estudos mostrando que sua participação como fonte de energia pode aumentar de 10% para 25% ou 30%”, disse Goldemberg na abertura do evento.

Segundo os participantes, nesse sentido há amplo espaço para a cooperação entre Brasil e Alemanha. “A bioeconomia só funciona em escala global, por isso precisamos de colaboração internacional para atingir nossos objetivos”, disse Andrea Noske, chefe da Divisão de Bioeconomia do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF).

O plano estratégico da Alemanha para a bioeconomia, elaborado em 2010, tem a segurança alimentar como estratégia prioritária. “Estamos buscando primeiro estabelecer segurança nutricional global, uma agricultura sustentável com a produção de alimento saudável e seguro. Depois temos outras possibilidades industriais, como garantir o uso de recursos renováveis e de biomassa”, disse Noske.

Diferente da Alemanha, que tem a segurança alimentar como prioridade, no Brasil, a principal estratégia em bioeconomia é a biomassa.

“Os conceitos-chave do plano estão no uso da biomassa e da biodiversidade nacional. Já existem várias ações no Brasil em bioeconomia – no desenvolvimento de novos bionegócios e bioprodutos, a segurança hídrica-energética e alimentar –, o que falta para avançarmos é a sinergia entre essas ações”, disse Bruno Nunes, coordenador-geral de Bioeconomia do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) do Brasil.

Os painéis do 6º Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação mostraram iniciativas dos dois países em pesquisas científicas tendo a bioeconomia como base.

“A bioeconomia é uma via para superar vários problemas e isso inclui muitos desafios e avanços. Sabemos, por exemplo, que é preciso manter a saúde do solo para que haja plantas (e alimentos) saudáveis. No entanto, não sabemos ainda como ocorre exatamente essa interação entre solo e planta”, disse Georg Backhaus, diretor do Instituto Julius Kühn, Instituto Federal de Pesquisa do Cultivo das Plantas na Alemanha.

Questionado pela plateia sobre a necessidade de inserir transgênicos na produção de alimentos e com isso fazer com que as lavouras se tornem mais resistentes às mudanças climáticas, Backhaus foi taxativo. “É uma ótima solução, mas infelizmente, na Alemanha, a população não apoia. E sabemos que quando a população não quer, os políticos também não querem”, disse.

Paulo Arruda, coordenador do Laboratório de Estudo da Regulação da Expressão Gênica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destacou que novas técnicas como análise genômica (genes), proteômica (proteínas) e metaboloma (metabolismo) podem ser determinantes para a pesquisa em produção alimentar, assim como para pesquisas em saúde.

“Precisamos melhorar em eficiência. As ferramentas são as mesmas para investigar mecanismos de doenças em plantas e em humanos. Não se esqueçam que quando falamos em bioeconomia saúde é um ponto muito importante”, disse.

Os palestrantes também apresentaram pesquisas na área de segurança alimentar com foco em plantas e em animais, uso integrado da terra, prospecção da biodiversidade, tecnologia em biomassa e química renovável.

“O Brasil dispõe de vantagens na área de bioeconomia. Chegou ao topo na agricultura por meio de pesquisa e acredito que possa fazer o mesmo em energia, farmacêutica, cosmética. A Alemanha amparou seu crescimento tendo a pesquisa científica e tecnológica como base. Precisamos converter a diversidade biológica em sucesso econômico. Portanto, uma comparação entre biotecnologia dos dois países é muito sensata, faz sentido”, disse Georg Witschel, embaixador da Alemanha no Brasil.

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