Em visita a Manaus no último domingo (20), onde se reuniu com o governador Omar Aziz, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, e prefeitos de municípios do interior do Estado, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a criação de um plano de contingência, vigente até maio, contra a epidemia de dengue no Amazonas. O plano prevê medidas para conter o avanço da doença atender os doentes, evitando o agravamento dos casos.

O conjunto de medidas potencializa os repasses feitos pelo ministério para a saúde do Amazonas e de seus municípios: de cerca de R$ 49 milhões mensais para assistência e de R$ 11,6 milhões, a cada quadrimestre, para vigilância.

O Estado receberá 10 veículos para aplicação de fumacê e 35 máquinas costais, num valor total de cerca de R$ 1,3 milhão. Também dentro do plano, o departamento de comunicação do ministério elaborará e financiará, em parceria com o governo estadual e as prefeituras, ações de mídia específicas para o Estado, reforçando a campanha de mobilização social eliminar focos de reprodução do mosquito.

Na reunião, ficou acertado reforço ao quadro de profissionais da saúde com o deslocamento dos 140 médicos que compõem as equipes de saúde da família para os centros de saúde e hospitais. Com a medida, o número de centros de saúde funcionando em horário estendido (até as 22h) durante a epidemia passará das oito atuais para 47 até o Carnaval.

Sala de situação – Foi criada uma sala de situação para acompanhar a evolução da epidemia, com participação de dois técnicos do ministério que permanecerão em Manaus durante o surto. “A partir das necessidades apontadas pela sala de situação, o ministério poderá agir com mais eficácia e precisão no apoio ao governo do Estado e aos municípios do Amazonas, inclusive realizando novos repasses de recursos”, enfatizou o ministro Alexandre Padilha. Ele destaca o apoio do ministério para contratar mais médicos plantonistas durante a epidemia.

De imediato, o ministério repassará R$ 3 milhões para auxiliar o Estado em ações como contratação de pessoal, aquisição de insumos e equipamentos para assistência aos doentes, ampliação da campanha preventiva e ações de vigilância. O recurso adicional soma-se ao liberado por uma portaria de 10 de fevereiro, que destinou R$ 3,65 milhões ao Estado, usados na instalação de 60 novos leitos.

O governador Omar Aziz se comprometeu a repassar recursos aos municípios para ações de limpeza pública e promoverá, nesta sexta-feira, grande mobilização conjunta com os municípios para combate à dengue. Durante a epidemia, o Estado poderá solicitar, para pagar pelas ações de limpeza urbana, destinação emergencial de 2% dos recursos disponíveis para ações de infraestrutura social e urbana do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Alerta – O Amazonas é um dos 16 estados com risco muito alto de epidemia de dengue em 2011. O alerta é do “Risco Dengue”, ferramenta que indica a probabilidade de epidemia ao combinar fatores do setor saúde (número de casos, circulação dos sorotipos virais, infestação pelo mosquito), de infraestrutura (saneamento e abastecimento de água) e demográficos (densidade populacional).

O Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), realizado em outubro de 2010, revelou que Manaus estava em situação de alerta, com presença de focos do mosquito transmissor em 2,4% das residências. Humaitá – um dos municípios que enfrentam aumento de casos atualmente no estado – integrava a lista de 24 cidades com risco de surto, em todo o país. Naquele levantamento, Humaitá apresentou larvas do mosquito em 4,8% das residências. O LIRAa considera satisfatório o índice de infestação abaixo de 1%. Entre 1,1% e 3,9%, a situação é de alerta. Acima de 3,9% de infestação, há risco de surto.