{"id":996,"date":"2009-04-30T12:40:08","date_gmt":"2009-04-30T16:40:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=996"},"modified":"2009-04-30T12:40:08","modified_gmt":"2009-04-30T16:40:08","slug":"tendencia-mundial-em-urbanizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/tendencia-mundial-em-urbanizacao\/996","title":{"rendered":"Tend\u00eancia mundial em urbaniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><\/span><strong><span style=\"font-family: Arial;\"><a href=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/\/nestor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-997\" title=\"nestor\" src=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/\/nestor-249x187.jpg\" alt=\"nestor\" width=\"249\" height=\"187\" \/><\/a>Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/strong><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo (FAUUSP), o urbanista Nestor Goulart Reis \u00e9 um dos principais pesquisadores da urbaniza\u00e7\u00e3o dispersa. Trata-se de uma tend\u00eancia mundial, mas, ao mesmo tempo, um fen\u00f4meno que ainda come\u00e7a a ser estudado.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-family: Arial;\">Nesse tipo de urbaniza\u00e7\u00e3o, novos bairros surgem longe do centro da cidade e se espalham em diferentes formas, que v\u00e3o desde condom\u00ednios de luxo at\u00e9 favelas no entorno de estradas. Reis coordenou o Projeto Tem\u00e1tico \u201cUrbaniza\u00e7\u00e3o dispersa e mudan\u00e7as no tecido urbano. Estudo de caso: Estado de S\u00e3o Paulo\u201d, apoiado pela FAPESP e encerrado em 2008.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-family: Arial;\">De acordo com o professor, os estudos demonstraram que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a popula\u00e7\u00e3o brasileira se concentrou em um n\u00famero reduzido de grandes n\u00facleos metropolitanos. Mas, paradoxalmente, a concentra\u00e7\u00e3o nesses polos foi acompanhada de uma dispers\u00e3o no espa\u00e7o intraurbano. \u201cHouve um esgar\u00e7amento do tecido urbano\u201d, disse.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-family: Arial;\">Em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>, o urbanista explica a origem dessa nova forma de ocupa\u00e7\u00e3o do solo e alerta para suas consequ\u00eancias: a dispers\u00e3o urbana como uma \u201cf\u00e1brica de favelas\u201d. Al\u00e9m disso, os estudos constataram que o processo est\u00e1 esvaziando as \u00e1reas centrais das cidades m\u00e9dias e grandes, ocasionando um desperd\u00edcio nos investimentos p\u00fablicos em infraestrutura nesses locais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><span style=\"font-family: Arial;\">Segundo Reis, como o processo ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente conhecido, h\u00e1 um descompasso entre os investimentos do Estado e a realidade urbana. Para ele, \u00e9 fundamental estudar o fen\u00f4meno e gerar dados que possam orientar pol\u00edticas urbanas p\u00fablicas e privadas. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p><strong><em>Ag\u00eancia FAPESP<\/em><\/strong><em> \u2013 Quando se iniciou o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o dispersa?<\/em><br \/>\n<strong>Nestor Goulart Reis<\/strong> \u2013 Apesar de ainda ser pouco estudado, o processo teve in\u00edcio em quase todos os pa\u00edses industrializados ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. No Brasil, ele se acelerou entre 1970 e 1980. No s\u00e9culo 19, em todas as cidades as f\u00e1bricas ficavam \u00e0 beira das ferrovias para ter acesso ao carv\u00e3o. Isso come\u00e7ou a mudar ao longo do s\u00e9culo 20, com o desenvolvimento do uso da eletricidade e a constru\u00e7\u00e3o de grandes rodovias. Entretanto, o processo foi interrompido com a crise econ\u00f4mica de 1929. Quando terminou a guerra, os governos come\u00e7aram a investir em infraestrutura e o processo foi deflagrado. Mas nos \u00faltimos 20 anos ele tomou propor\u00e7\u00f5es globais.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Todo o processo teve in\u00edcio ent\u00e3o com a dispers\u00e3o industrial?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 Sim. Com a mecaniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria havia mais investimentos em equipamentos do que em m\u00e3o-de-obra. Ent\u00e3o, foi preciso instalar as f\u00e1bricas em grandes \u00e1reas e isso foi poss\u00edvel porque n\u00e3o havia mais depend\u00eancia do carv\u00e3o e das ferrovias. A dispers\u00e3o industrial gerou bairros oper\u00e1rios nessas \u00e1reas. Em S\u00e3o Paulo, na primeira gera\u00e7\u00e3o criaram-se as \u00e1reas metropolitanas. Na segunda gera\u00e7\u00e3o desse processo, depois de 1970, as ind\u00fastrias se dispersaram para \u00e1reas mais afastadas \u2013 as cidades m\u00e9dias paulistas a partir da\u00ed passam a crescer mais do que a \u00e1rea metropolitana de S\u00e3o Paulo: Campinas, Vale do Para\u00edba, Cubat\u00e3o e Baixada Santista, Sorocaba, Jundia\u00ed. Nosso sistema metropolitano hoje tem mais de 30 milh\u00f5es de habitantes.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 O mesmo ocorreu em outras regi\u00f5es do pa\u00eds?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 Tivemos dez grandes \u00e1reas metropolitanas se formando na d\u00e9cada de 1970, de Porto Alegre a Bel\u00e9m. Tamb\u00e9m cresceram as cidades m\u00e9dias ao longo das rodovias \u2013 casos como Uberl\u00e2ndia, em Minas Gerais, ou Ribeir\u00e3o Preto, no interior paulista. Al\u00e9m disso, houve nesse per\u00edodo uma concentra\u00e7\u00e3o em cerca de 50 polos em \u00e1reas metropolitanas e n\u00e3o-metropolitanas \u2013 isto \u00e9, aqueles em que a cidade central n\u00e3o chega a 1 milh\u00e3o de habitantes. Mas essa concentra\u00e7\u00e3o populacional, que explodiu o sistema urbano, n\u00e3o se distribuiu por igual pelo territ\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Como foi essa distribui\u00e7\u00e3o?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 Nesses 50 pontos do territ\u00f3rio nacional, por um lado h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o, mas, por outro, h\u00e1 dispers\u00e3o. Quando a popula\u00e7\u00e3o chega, os pre\u00e7os sobem. A tend\u00eancia \u00e9 que os que chegam procurem os munic\u00edpios vizinhos, onde a terra \u00e9 mais barata. Ent\u00e3o, em vez de crescer como uma mancha de \u00f3leo como no tempo das ferrovias \u2013 porque era preciso que todos estivessem colados \u2013 as pessoas usam as rodovias e estradas vicinais e v\u00e3o morar em conjuntos fora da cidade. E entre esses n\u00facleos tamb\u00e9m h\u00e1 mudan\u00e7as, n\u00e3o \u00e9 mais o mundo rural que conhecemos no passado. Nas \u00e1reas extensas, h\u00e1 a agroind\u00fastria. Nas \u00e1reas pequenas, h\u00e1 propriedades muito diferenciadas, que se aproveitam das \u00e1reas urbanas. Quando nos afastamos disso, vemos um Brasil esvaziado. A grande parte da popula\u00e7\u00e3o mora nesses 50 pontos onde h\u00e1, ao mesmo tempo, concentra\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Ent\u00e3o as metr\u00f3poles sofrem um incha\u00e7o, mas de forma descont\u00ednua?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 Exato, h\u00e1 um esgar\u00e7amento do tecido urbano. Alguns ge\u00f3grafos afirmam que n\u00e3o h\u00e1 dispers\u00e3o, que a \u00e1rea metropolitana de S\u00e3o Paulo \u00e9 que cresceu, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade no intraurbano. No intraurbano h\u00e1 dispers\u00e3o. No pa\u00eds, temos concentra\u00e7\u00e3o nos 50 polos e dispers\u00e3o no intraurbano. Por isso, estudamos esse tema em escala: no pa\u00eds, depois nas regi\u00f5es e, em seguida, no intraurbano. E constatamos que o intraurbano explodiu e se dispersou.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Esses novos padr\u00f5es de urbaniza\u00e7\u00e3o ocorrem em todo o mundo?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 Constatamos um processo parecido, em larga escala, em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa e nos Estados Unidos, mas as caracter\u00edsticas diferem muito em cada pa\u00eds. Na Europa a dispers\u00e3o \u00e9 praticamente toda da classe m\u00e9dia. Os problemas sociais est\u00e3o basicamente ligados aos imigrantes. Ao passo que n\u00f3s temos o que chamamos de \u201cdispers\u00e3o dos pobres\u201d, que corresponde a quase metade dos espa\u00e7os de dispers\u00e3o no Brasil, com problemas muito mais graves para serem enfrentados. Nossa dispers\u00e3o se estabelece nas regi\u00f5es rurais de uma s\u00f3 vez. Na Europa h\u00e1 um grande n\u00famero de aldeias e povoados rurais, e uma parte da dispers\u00e3o se fez a partir dessas aldeias. A popula\u00e7\u00e3o ali se transforma e adota padr\u00f5es metropolitanos. No Brasil, a dispers\u00e3o se d\u00e1 em \u00e1reas ainda desocupadas, de uma vez s\u00f3. Em 30 anos passamos por todas as etapas que a Europa passou em dois s\u00e9culos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 No Brasil a tend\u00eancia da dispers\u00e3o urbana se associou, ent\u00e3o, a uma explos\u00e3o demogr\u00e1fica e urbana?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 Vejamos: em 1940 o Brasil tinha 42 milh\u00f5es de habitantes, sendo 13 milh\u00f5es urbanos e 29 milh\u00f5es rurais. Hoje, temos 190 milh\u00f5es de habitantes, sendo 30 milh\u00f5es rurais e 160 milh\u00f5es urbanos. Trata-se de um pa\u00eds urbano. Em pouco mais de 60 anos, a popula\u00e7\u00e3o urbana cresceu mais de 12 vezes. Foi o maior processo migrat\u00f3rio rural-urbano da hist\u00f3ria da humanidade. S\u00f3 foi ultrapassado recentemente pela China. Isso \u00e9 t\u00e3o s\u00e9rio que os dem\u00f3grafos chineses est\u00e3o estudando a forma\u00e7\u00e3o das cidades m\u00e9dias brasileiras. Aqui, a popula\u00e7\u00e3o cresceu rapidamente em n\u00famero, mas esse crescimento n\u00e3o ficou no campo. As pessoas n\u00e3o moram em qualquer cidade. Muitas cidades pequenas perdem popula\u00e7\u00e3o. Algumas at\u00e9 mesmo desaparecem.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Que consequ\u00eancias a dispers\u00e3o urbana pode trazer?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 Um dos aspectos principais \u00e9 que ela tende a tornar obsoletos os padr\u00f5es correntes de controle do Estado sobre o espa\u00e7o urbano. Porque toda a legisla\u00e7\u00e3o est\u00e1 baseada no poder do munic\u00edpio. E todos os problemas que discutimos aqui s\u00e3o intermunicipais. A legisla\u00e7\u00e3o de loteamentos e condom\u00ednios \u00e9 obsoleta, n\u00e3o responde \u00e0s necessidades de hoje. O grosso da urbaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 feito \u00e0 margem da lei.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Tanto no caso dos ricos como no dos pobres?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 Antes, s\u00f3 os bairros populares estavam \u00e0 margem. Agora, a classe m\u00e9dia tamb\u00e9m ocupa irregularmente. Isso porque toda a estrutura administrativa est\u00e1 atrasada em pelo menos meio s\u00e9culo. Mas as pessoas n\u00e3o est\u00e3o dando aten\u00e7\u00e3o aos problemas urbanos no Brasil.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Todo esse processo ainda continua avan\u00e7ando no mesmo ritmo?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 O movimento rural-urbano arrefeceu, porque a popula\u00e7\u00e3o proporcionalmente j\u00e1 \u00e9 muito menor. Mas, por outro lado, as cidades menores permanecem se esvaziando. O mesmo ocorre com o centro das cidades grandes. Bairros nobres de S\u00e3o Paulo, como os Jardins, perdem popula\u00e7\u00e3o h\u00e1 20 anos. Os bairros perif\u00e9ricos ainda crescem, mas a ind\u00fastria saiu da cidade. Bairros que eram altamente industrializados no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, como a Mooca, n\u00e3o t\u00eam mais f\u00e1bricas. Os munic\u00edpios como os do ABC e Osasco, que absorveram essas f\u00e1bricas a partir dos anos 1940, est\u00e3o tamb\u00e9m se desindustrializando. As f\u00e1bricas est\u00e3o indo muito mais para o interior ou para outros estados. As \u00e1reas metropolitanas mudam para centros de servi\u00e7os e com\u00e9rcio. Os servi\u00e7os, por sua vez, organizam-se em escala industrial \u2013 ensino, cursos de ingl\u00eas, laborat\u00f3rios m\u00e9dicos \u2013, tudo padronizado em redes nacionais. Mas os velhos centros est\u00e3o esvaziados, assim como as \u00e1reas portu\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 O que motiva hoje o processo de dispers\u00e3o?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 As pessoas s\u00e3o atra\u00eddas de acordo com a din\u00e2mica do trabalho e dos neg\u00f3cios. \u00c9 um fen\u00f4meno mundial. Isso traz o inconveniente de abandonar \u00e1reas nas quais foram feitos grandes investimentos por um s\u00e9culo ou mais. Os bairros industriais paulistanos abandonados s\u00e3o um desperd\u00edcio gigantesco de infraestrutura formada com investimentos p\u00fablicos. N\u00e3o se pode jogar fora cidades, nem partes delas. O centro de S\u00e3o Paulo tem cerca de 100 edif\u00edcios fechados. \u00c9 um desperd\u00edcio. Por outro lado, parte dos investimentos feitos nos bairros ricos e condom\u00ednios fechados \u00e9 realizada pelos pr\u00f3prios loteadores. Como se constr\u00f3i mais em \u00e1reas novas, mas dispersas, o terreno \u00e9 mais barato e o mercado imobili\u00e1rio contribui com a dispers\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Falamos dos condom\u00ednios de luxo, mas como se d\u00e1 a dispers\u00e3o no caso das favelas?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 Durante a constru\u00e7\u00e3o das rodovias, condom\u00ednios, f\u00e1bricas e refinarias, as construtoras levam os oper\u00e1rios. Os mais pobres, enquanto a constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso, usam sobras de materiais para se instalar. Quando termina a constru\u00e7\u00e3o, apenas a parte da m\u00e3o-de-obra mais qualificada \u00e9 aproveitada nas f\u00e1bricas. Os demais se instalam precariamente. Ent\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o das \u00e1reas dispersas \u00e9 uma f\u00e1brica de favelas. Ela gera bols\u00f5es de mis\u00e9ria. Estamos fabricando monstruosidades urban\u00edsticas porque n\u00e3o h\u00e1 regras claras para esse tipo de processo. Isso acontece porque n\u00e3o damos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o urbana.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family: Arial;\"> \u2013 Os investimentos p\u00fablicos n\u00e3o levam em conta a nova realidade urbana?<\/span><\/em><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<strong>Goulart Reis<\/strong> \u2013 N\u00e3o levam em conta. Porque n\u00e3o temos conhecimento suficiente dessa nova realidade. At\u00e9 1960, havia acompanhamento dos investimentos p\u00fablicos e das mudan\u00e7as urbanas. Hoje, n\u00e3o temos mais. Seria preciso ter no Brasil n\u00facleos de estudos sobre cada uma dessas 50 aglomera\u00e7\u00f5es urbanas, estudando sistematicamente esses processos, com dados anuais que permitissem orientar pol\u00edticas p\u00fablicas e privadas. Isso tamb\u00e9m \u00e9 do interesse do mercado, porque o setor de constru\u00e7\u00e3o civil funciona em escala industrial. Seguindo padr\u00f5es de ind\u00fastria, precisam que as regras sejam fixadas com anteced\u00eancia. Interessa ao grande investidor que haja coleta e organiza\u00e7\u00e3o de dados.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"background: white none repeat scroll 0%;\"><strong><span style=\"font-family: Arial;\">Por F\u00e1bio de Castro<\/span><\/strong><span style=\"font-family: Arial;\"><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo (FAUUSP), o urbanista Nestor Goulart Reis \u00e9 um dos principais pesquisadores da urbaniza\u00e7\u00e3o dispersa. Trata-se de uma tend\u00eancia mundial, mas, ao mesmo tempo, um fen\u00f4meno que ainda come\u00e7a a ser estudado. 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