{"id":99222,"date":"2016-11-09T06:22:25","date_gmt":"2016-11-09T08:22:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=99222"},"modified":"2016-11-08T19:23:24","modified_gmt":"2016-11-08T21:23:24","slug":"pesquisa-investiga-efeito-de-725-farmacos-sobre-o-virus-zika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/pesquisa-investiga-efeito-de-725-farmacos-sobre-o-virus-zika\/99222","title":{"rendered":"Pesquisa investiga efeito de 725 f\u00e1rmacos sobre o v\u00edrus Zika"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em busca de novas armas para combater a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus <strong><em>Zika<\/em><\/strong>, um grupo que re\u00fane pesquisadores do Brasil e da Fran\u00e7a testou a efic\u00e1cia de 725 medicamentos j\u00e1 aprovados para uso humano, com variadas indica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Cinco f\u00e1rmacos foram selecionados como os mais promissores \u2013 com destaque para o antiem\u00e9tico palonosetron. Os resultados da pesquisa, , foram divulgados na plataforma on-line .<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 s\u00f3 um primeiro passo para o desenvolvimento de drogas contra o Zika. A partir deste resultado, podemos usar ferramentas da qu\u00edmica medicinal para modificar a estrutura desses compostos e tornar a a\u00e7\u00e3o antiviral ainda mais potente. Por outro lado, as mol\u00e9culas rec\u00e9m-descobertas podem ser prontamente testadas em modelos animais ou at\u00e9 mesmo em ensaios cl\u00ednicos de efic\u00e1cia contra Zika, porque j\u00e1 s\u00e3o f\u00e1rmacos aprovados para uso em humanos. \u00c9 uma forma de encurtar o tempo e reduzir o custo da pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos\u201d, afirmou Lucio Freitas Junior, do Instituto Butantan.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia conhecida como reposicionamento de f\u00e1rmacos j\u00e1 vem sendo empregada h\u00e1 alguns anos pelo grupo de Freitas Junior \u2013 anteriormente pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) \u2013 na busca de terapias para doen\u00e7as tropicais negligenciadas.<\/p>\n<p>O trabalho mais recente foi desenvolvido durante o p\u00f3s-doutorado de Bruno dos Santos Pascoalino, bolsista da FAPESP, e contou com a colabora\u00e7\u00e3o de Gilles Courtemanche, atualmente diretor do Bioaster Technology Research Institute e ex-colaborador do laborat\u00f3rio franc\u00eas Sanofi.<\/p>\n<p>\u201cGra\u00e7as \u00e0 expertise de Courtemanche, que h\u00e1 mais de 20 anos trabalha na ind\u00fastria farmac\u00eautica, conseguimos selecionar os f\u00e1rmacos com as caracter\u00edsticas mais adequadas em termos de distribui\u00e7\u00e3o e metaboliza\u00e7\u00e3o pelo organismo. Entre os motivos pelos quais o palonosetron foi considerado o composto mais promissor foi a alta biodisponibilidade e a sua capacidade de atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica [estrutura que protege o sistema nervoso central de subst\u00e2ncias potencialmente t\u00f3xicas presentes no sangue], o que \u00e9 muito importante no caso do Zika \u2013 um v\u00edrus com forte atra\u00e7\u00e3o pelo tecido nervoso\u201d, comentou Freitas Junior.<\/p>\n<p>Metodologia<\/p>\n<p>O grupo usou uma tecnologia conhecida como High Content Screening (HCS &#8211; Triagem de Alto Conte\u00fado) para testar quais dos 725 medicamentos aprovados pelo Food and Drud Administration (FDA, a ag\u00eancia que regula medicamentos nos Estados Unidos) eram mais eficazes em barrar a infec\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas humanas pelo v\u00edrus Zika. Nos testes, foi usada uma linhagem viral isolada em Recife (PE), durante a epidemia de 2015.<\/p>\n<p>Como modelo foram usadas culturas de hepat\u00f3citos (c\u00e9lulas do f\u00edgado) humanos, semelhantes \u00e0s empregadas nos estudos voltados a encontrar novas drogas contra hepatite C \u2013 doen\u00e7a causada por um v\u00edrus pertencente ao mesmo g\u00eanero do Zika, o flaviv\u00edrus.<\/p>\n<p>O potencial antiviral dos f\u00e1rmacos foi comparado ao do interferon ? 2A (IFN?2A), prote\u00edna humana produzida por c\u00e9lulas do sistema imune que apresenta alta atividade in vitro contra diversos v\u00edrus, inclusive o Zika.<\/p>\n<p>\u201cPor meio de an\u00e1lise de imagens \u00e9 poss\u00edvel determinar o porcentual de c\u00e9lulas infectadas em cada caso. Desenvolvemos um software que seleciona automaticamente as subst\u00e2ncias que apresentam o desempenho mais semelhante ao do controle [IFN?2A]\u201d, explicou Freitas Junior.<\/p>\n<p>Ao todo, de acordo com o pesquisador, 29 medicamentos apresentaram alguma atividade anti-Zika. Mas o grupo priorizou aqueles com maior potencial para serem usados no tratamento da infec\u00e7\u00e3o segundo os crit\u00e9rios usados na ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>Entre os selecionados est\u00e3o a lovastatina, usada no tratamento de hipercolesterolemia; o quimioter\u00e1pico 5-Fluorouracil, adotado contra diversos tipos de c\u00e2ncer; o 6-Azauridine, antimetab\u00f3lito capaz de inibir a replica\u00e7\u00e3o do RNA viral; a kitasamicina, um antibi\u00f3tico da classe dos macrol\u00eddeos e que possui amplo espectro de atividade antibacteriana; e o palonosetron, um antagonista de receptor de serotonina usado no tratamento de n\u00e1usea induzida por quimioterapia.<\/p>\n<p>Segundo Freitas Junior, o palonosetron tamb\u00e9m j\u00e1 foi usado para tratar o enjoo associado \u00e0 gravidez, por\u00e9m ainda n\u00e3o h\u00e1 estudos conclusivos para atestar sua seguran\u00e7a durante a gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cComo se trata de f\u00e1rmacos que est\u00e3o ou j\u00e1 estiveram no mercado, diversos aspectos da farmacocin\u00e9tica e farmacodin\u00e2mica j\u00e1 s\u00e3o conhecidos. Com essas informa\u00e7\u00f5es, \u00e9 mais f\u00e1cil e r\u00e1pido desenhar protocolos de dosagem e administra\u00e7\u00e3o para testes em modelos animais, ou at\u00e9 mesmo em humanos\u201d, avaliou Freitas Junior.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o grupo j\u00e1 est\u00e1 trabalhando com colaboradores do Brasil e do exterior para criar varia\u00e7\u00f5es das mol\u00e9culas selecionadas. \u201cPodemos, dessa forma, aumentar em 10 ou mais vezes a atividade antiviral. Alguns pesquisadores brasileiros j\u00e1 possuem an\u00e1logos do palonosetron e nos contataram para iniciar os testes contra o Zika. Tamb\u00e9m pretendemos colaborar com as farmac\u00eauticas que j\u00e1 trabalharam com essa classe de mol\u00e9culas\u201d, adiantou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em busca de novas armas para combater a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Zika, um grupo que re\u00fane pesquisadores do Brasil e da Fran\u00e7a testou a efic\u00e1cia de 725 medicamentos j\u00e1 aprovados para uso humano, com variadas indica\u00e7\u00f5es. 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