{"id":98437,"date":"2016-10-28T06:43:48","date_gmt":"2016-10-28T08:43:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=98437"},"modified":"2016-10-27T15:43:57","modified_gmt":"2016-10-27T17:43:57","slug":"universidades-devem-preparar-estudantes-para-tempos-de-incerteza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/universidades-devem-preparar-estudantes-para-tempos-de-incerteza\/98437","title":{"rendered":"Universidades devem preparar estudantes para tempos de incerteza"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Al\u00e9m da miss\u00e3o de educar e de capacitar os milhares de estudantes que forma anualmente para transformar o que aprenderam em algo de valor para a sociedade, as universidades devem prepar\u00e1-los para enfrentar as incertezas do <strong><em>mundo globalizado<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias, contudo, ainda n\u00e3o est\u00e3o suficientemente preparadas para enfrentar esse desafio, avaliou Felipe Gonz\u00e1lez, primeiro-ministro da Espanha entre 1982 e 1996 e titular este ano da c\u00e1tedra Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio do Centro Ibero-Americano (Ciba) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), durante palestra na abertura da confer\u00eancia comemorativa do anivers\u00e1rio da Magna Charta Universitatum, no dia 20\/10, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Realizado pela primeira vez fora da Europa, o evento que ocorre anualmente tem o objetivo de discutir os atuais desafios para as universidades preservarem os valores e princ\u00edpios fundamentais estabelecidos na Magna Charta Universitarium.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em setembro de 1988, no anivers\u00e1rio de 900 anos de funda\u00e7\u00e3o da Universit\u00e0 di Bologna, na It\u00e1lia \u2013 considerada a universidade mais antiga do mundo ocidental, fundada em 1088 \u2013, o documento foi assinado naquela ocasi\u00e3o por 388 reitores. Dentre eles, Jos\u00e9 Goldemberg, ent\u00e3o reitor da USP e atual presidente da FAPESP.<\/p>\n<p>Atualmente, 805 reitores de universidades situadas em 85 pa\u00edses subscrevem o documento. Os tr\u00eas \u00faltimos foram os reitores das Universidades Federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade do Minho, em Portugal, que assinaram a Magna Charta durante uma cerim\u00f4nia realizada no dia 21\/10 na Sala do Conselho Universit\u00e1rio da USP.<\/p>\n<p>Um dos princ\u00edpios fundamentais estabelecidos pelo documento \u00e9 que a universidade \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma que, de modo cr\u00edtico, produz e transmite conhecimento atrav\u00e9s da pesquisa e do ensino. E que, nas universidades, a atividade did\u00e1tica \u00e9 indissoci\u00e1vel da pesquisa.<\/p>\n<p>Essa miss\u00e3o de produzir e transmitir conhecimento por meio da pesquisa e do ensino tem sido cumprida diligentemente pelas melhores universidades no mundo, como a USP, avaliou Gonz\u00e1lez. \u201cO cumprimento dessa miss\u00e3o, inclusive, \u00e9 usado como crit\u00e9rio de qualifica\u00e7\u00e3o das universidades nos rankings internacionais\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>As universidades, contudo, n\u00e3o t\u00eam dado muita aten\u00e7\u00e3o para capacitar os estudantes que coloca no mercado para transformar o conhecimento em algo de valor para a sociedade \u2013 por meio do est\u00edmulo ao empreendedorismo e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, por exemplo \u2013, e ainda n\u00e3o est\u00e3o prontas para prepar\u00e1-los para as incertezas do mundo globalizado, ponderou.<\/p>\n<p>\u201cVivemos uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que rompeu a barreira do tempo e do espa\u00e7o da comunica\u00e7\u00e3o, aumentou a velocidade de circula\u00e7\u00e3o do capital e colocou em crise nossa ideia do Estado-Na\u00e7\u00e3o como o \u00e2mbito de realiza\u00e7\u00e3o da soberania, da identidade da moeda e do mercado, entre outros impactos, que t\u00eam tornado o presente e o futuro cada vez mais incertos\u201d, avaliou Gonz\u00e1lez.<\/p>\n<p>\u201cAs universidades n\u00e3o est\u00e3o preparadas para ajudar os estudantes a lidar com essas incertezas\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es para essa falta de preparo das universidades, na opini\u00e3o dele, \u00e9 que o pensamento dos educadores, a exemplo dos pais, est\u00e1 mais voltado para garantir aos jovens um futuro pr\u00f3spero, de plena realiza\u00e7\u00e3o pessoal e profissional, sem levar em conta o imponder\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cComo dizer ao jovem que estamos educando que a maior certeza que temos hoje \u00e9 que temos que prepar\u00e1-los para incertezas causadas por mudan\u00e7as abruptas, que exigem flexibiliza\u00e7\u00e3o e conhecimento cont\u00ednuo?\u201d, questionou Gonz\u00e1lez.<\/p>\n<p>O advogado e pol\u00edtico espanhol tem se dedicado a estudar e discutir com outros pesquisadores no \u00e2mbito da c\u00e1tedra Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio os desafios da governan\u00e7a na democracia representativa e os impactos da globaliza\u00e7\u00e3o na soberania dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Gonz\u00e1lez , a globaliza\u00e7\u00e3o tem gerado uma desigualdade insustent\u00e1vel na distribui\u00e7\u00e3o de riqueza no mundo e no ingresso \u00e0s universidades.<\/p>\n<p>\u201cMesmo em pa\u00edses que experimentaram um crescimento econ\u00f4mico acelerado nos \u00faltimos anos, como a China, al\u00e9m de outros, como a Dinamarca, Estados Unidos, Espanha e pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, como o Brasil, o acesso \u00e0 universidade ainda \u00e9 muito desigual\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao sistema de educa\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o profissional \u00e9 um componente fundamental para enfrentar a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de riqueza no mundo, avaliou.<\/p>\n<p>\u201cO acesso ao sistema educacional e de forma\u00e7\u00e3o profissional representa um dos mecanismos mais eficazes de distribui\u00e7\u00e3o de renda porque permite a igualdade de oportunidades de melhores sal\u00e1rios\u201d avaliou.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o conjunta<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Sijbolt Noorda, presidente da Magna Charta Observatory \u2013 uma associa\u00e7\u00e3o criada em 2000 com o objetivo de monitorar a situa\u00e7\u00e3o da liberdade acad\u00eamica e autonomia institucional das universidades signat\u00e1rias do documento \u2013, os desafios impostos pela revolu\u00e7\u00e3o na informa\u00e7\u00e3o ter\u00e3o que ser atacados de forma conjunta pelas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e ensino superior no mundo.<\/p>\n<p>\u201cOs desafios n\u00e3o ser\u00e3o solucionados localmente e atacados integralmente. As universidades est\u00e3o sendo pressionadas a unir suas for\u00e7as para buscar solu\u00e7\u00f5es conjuntas. Por isso, viemos pela primeira vez \u00e0 Am\u00e9rica Latina e nos pr\u00f3ximos anos devemos ir para \u00c1frica e \u00c1sia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo encontro anual da entidade ser\u00e1 realizado na University of P\u00e9cs, na Hungria.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o do evento no Brasil teve como principais palestrantes, al\u00e9m de Gonz\u00e1lez, o ex-presidente da Rep\u00fablica Fernando Henrique Cardoso e a embaixadora do M\u00e9xico no Brasil, Beatriz Paredes Rangel.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a Magna Charta Universitatum podem ser obtidas em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Al\u00e9m da miss\u00e3o de educar e de capacitar os milhares de estudantes que forma anualmente para transformar o que aprenderam em algo de valor para a sociedade, as universidades devem prepar\u00e1-los para enfrentar as incertezas do mundo globalizado. 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