{"id":97924,"date":"2016-10-21T14:31:50","date_gmt":"2016-10-21T16:31:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=97924"},"modified":"2016-10-21T14:31:50","modified_gmt":"2016-10-21T16:31:50","slug":"pesquisadores-monitoram-emissoes-de-gases-do-efeito-estufa-na-caatinga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/pesquisadores-monitoram-emissoes-de-gases-do-efeito-estufa-na-caatinga\/97924","title":{"rendered":"Pesquisadores monitoram emiss\u00f5es de gases do efeito estufa na Caatinga"},"content":{"rendered":"<p> Diego Freire \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) monitoraram duas regi\u00f5es da Caatinga, uma de mata nativa e outra de pasto, e conclu\u00edram que as mudan\u00e7as do uso do solo na \u00e1rea de estudo n\u00e3o apresentaram impacto significativo nas emiss\u00f5es de <strong><em>gases do efeito estufa<\/em><\/strong> no bioma.<\/p>\n<p>Verificaram tamb\u00e9m que as emiss\u00f5es na Caatinga s\u00e3o relativamente baixas quando comparadas com as de outros biomas.\u00a0Entretanto, por ser uma regi\u00e3o densamente povoada e, portanto, sujeita a grandes altera\u00e7\u00f5es humanas, \u00e9 dif\u00edcil determinar, segundo os pesquisadores, as tend\u00eancias de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>A pesquisa &#8220;&#8221;, coordenada por Jean Pierre Henry Balbaud Ometto, foi realizada com o apoio da FAPESP no \u00e2mbito do Programa de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de estudos de medi\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa a partir do solo nessa regi\u00e3o. O objetivo foi investigar se o uso da terra e as consequentes mudan\u00e7as na cobertura do solo alteram os ciclos biogeoqu\u00edmicos e as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa na Caatinga, que abrange uma \u00e1rea de 844.453 km\u00b2 do territ\u00f3rio brasileiro: um bioma de grande biodiversidade end\u00eamica e com outras caracter\u00edsticas particulares que o fazem exclusivamente brasileiro\u201d, disse Ometto.<\/p>\n<p>As medi\u00e7\u00f5es foram realizadas em 2013 e 2014 no munic\u00edpio pernambucano de S\u00e3o Jo\u00e3o.\u00a0De acordo com os resultados do monitoramento, as emiss\u00f5es de \u00f3xido nitroso (N2O) e de di\u00f3xido de carbono (CO2) foram significativamente superiores \u00e0s de metano (CH4) na Caatinga durante o per\u00edodo estudado, mas n\u00e3o houve diferen\u00e7as consider\u00e1veis entre as medi\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e naquelas sob cobertura de pasto. Por outro lado, as condi\u00e7\u00f5es de temperatura e de umidade do solo impactaram significativamente as altera\u00e7\u00f5es das emiss\u00f5es de gases.<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es foram significativamente menores durante as esta\u00e7\u00f5es secas. Isso porque a mat\u00e9ria org\u00e2nica, a disponibilidade de nutrientes e a atividade microbiana s\u00e3o minimizadas em condi\u00e7\u00f5es de solo muito seco. J\u00e1 a ocorr\u00eancia de chuva estimula atividades microbiol\u00f3gicas e o aumento das emiss\u00f5es de CO2 e N2O.<\/p>\n<p>\u201cA exposi\u00e7\u00e3o direta da superf\u00edcie do solo \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar altera sua din\u00e2mica microbiol\u00f3gica em virtude das altas temperaturas, o que influencia as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa. A umidade do solo tamb\u00e9m \u00e9 essencial para a emiss\u00e3o desses gases, especialmente do nitrog\u00eanio, pois a atividade microbiana no solo e a decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica dependem da disponibilidade h\u00eddrica\u201d, disse Er\u00e1clito Sousa Neto, do Centro de Ci\u00eancia do Sistema Terrestre do Inpe.<\/p>\n<p>Mas ele alerta para outras vari\u00e1veis que podem impactar as emiss\u00f5es. \u201cAs vari\u00e1veis ambientais de temperatura e umidade do solo s\u00e3o importantes reguladores das emiss\u00f5es de gases; no entanto, a variabilidade elevada do clima e das precipita\u00e7\u00f5es, t\u00edpica da Caatinga, associada a altera\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas dificulta determinar as tend\u00eancias de emiss\u00f5es para o bioma\u201d, disse Sousa Neto.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, os resultados do monitoramento revelaram que as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa na regi\u00e3o estudada s\u00e3o muito baixas, porque se trata de um sistema de din\u00e2mica relativamente lenta, mas nem por isso s\u00e3o menos importantes.<\/p>\n<p>\u201cQuando se comparam as emiss\u00f5es da Caatinga com as de outros biomas, elas s\u00e3o relativamente baixas por conta de fatores como a din\u00e2mica de decomposi\u00e7\u00e3o do solo, a disponibilidade h\u00eddrica e uma cobertura vegetal menos pujante em termos de quantidade de carbono. No entanto, \u00e1reas \u00e1ridas e semi\u00e1ridas est\u00e3o representadas em todos os continentes, cobrindo uma regi\u00e3o importante do planeta e, geralmente, largamente ocupadas por atividades humanas, como o pastoreio e a agricultura de pequena escala, com processos antr\u00f3picos hist\u00f3ricos e intensos\u201d, disse Ometto. \u201cA Caatinga brasileira integra esse cen\u00e1rio, que n\u00e3o deve ser ignorado.\u201d<\/p>\n<p>Dessa forma, as emiss\u00f5es relativas \u00e0 mudan\u00e7a de uso do solo ou \u00e0 din\u00e2mica da decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica podem n\u00e3o ser significativas em termos comparativos, mas a cobertura global da \u00e1rea associada \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o humana evidenciam sua import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cA modelagem atmosf\u00e9rica global indica, com certa consist\u00eancia, que o Nordeste brasileiro deve enfrentar ainda mais per\u00edodos de seca intensa. Estamos falando de um n\u00famero muito grande de pessoas que dependem da atividade agr\u00edcola e da pecu\u00e1ria de pequena escala, com uma perspectiva de sofrer impactos de secas mais frequentes e prolongadas, o que nos exige avan\u00e7os cient\u00edficos sobre as din\u00e2micas do funcionamento dos ecossistemas, dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o e da integra\u00e7\u00e3o de diversos processos ambientais pelos ciclos bioqu\u00edmicos. A Caatinga, em especial, passa por longos per\u00edodos naturais de seca que causam perdas nas colheitas e na produtividade da pecu\u00e1ria, tendo um impacto grave sobre a popula\u00e7\u00e3o\u201d, disse Ometto.<\/p>\n<p>Terras \u00e1ridas e semi\u00e1ridas cobrem aproximadamente 41% da superf\u00edcie da Terra.<\/p>\n<p>Os resultados do monitoramento do bioma pelos pesquisadores do Inpe est\u00e3o no artigo Land cover changes and greenhouse gas emissions in two different soil covers in the Brazilian Caatinga, publicado pela revista Science of the Total Environment e dispon\u00edvel em . Assinam o artigo Kelly Ribeiro, Er\u00e1clito Rodrigues de Sousa Neto, Jo\u00e3o Andrade de Carvalho Junior, Jos\u00e9 Romualdo de Sousa Lima, R\u00f4mulo Sim\u00f5es Cezar Menezes, Paulo Jos\u00e9 Duarte Neto, Glauce da Silva Guerra e Jean Pierre Henry Baulbaud Ometto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) monitoraram duas regi\u00f5es da Caatinga, uma de mata nativa e outra de pasto, e conclu\u00edram que as mudan\u00e7as do uso do solo na \u00e1rea de estudo n\u00e3o apresentaram impacto significativo nas emiss\u00f5es de gases do efeito estufa no bioma. 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