{"id":97470,"date":"2016-10-17T06:44:49","date_gmt":"2016-10-17T08:44:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=97470"},"modified":"2016-10-15T13:46:04","modified_gmt":"2016-10-15T16:46:04","slug":"estudo-estima-impactos-do-planejamento-urbano-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/estudo-estima-impactos-do-planejamento-urbano-na-saude\/97470","title":{"rendered":"Estudo estima impactos do planejamento urbano na sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 <strong><em>Planejamento urbano<\/em><\/strong> tem rela\u00e7\u00e3o direta com a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. A implanta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo de um modelo de cidade compacta \u2013 onde as dist\u00e2ncias entre os locais de moradia, trabalho, com\u00e9rcio e servi\u00e7os fossem mais curtas e as \u00e1reas urbanas tivessem maior densidade populacional e uso mais diversificado \u2013 poderia resultar em um aumento de 24,1% na atividade f\u00edsica pelos paulistanos relacionada ao transporte, como caminhada e ciclismo.<\/p>\n<p>Esse aumento no deslocamento ativo na cidade levaria a uma diminui\u00e7\u00e3o de 4,9% na emiss\u00e3o de material particulado fino na atmosfera pelos ve\u00edculos automotores e, consequentemente, a uma queda de 7% no n\u00famero de casos de doen\u00e7as cardiovasculares e de 5% no de diabetes tipo 2.<\/p>\n<p>As estimativas s\u00e3o de um estudo internacional realizado por pesquisadores da Austr\u00e1lia, Estados Unidos, Inglaterra, China e \u00cdndia, com a participa\u00e7\u00e3o de Thiago H\u00e9rick de S\u00e1, pesquisador do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP-USP), que realizou doutorado com .<\/p>\n<p>Os resultados do estudo foram publicados em uma s\u00e9rie especial da revista Lancet sobre planejamento urbano, transporte e sa\u00fade, lan\u00e7ada durante a Assembleia Geral da ONU, no final de setembro em Nova York, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo da s\u00e9rie foi quantificar os impactos da ado\u00e7\u00e3o de um modelo de cidade mais compacta e de um sistema de transporte mais sustent\u00e1vel sobre a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o de cidades de diferentes regi\u00f5es do mundo\u201d, disse S\u00e1 \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Os pesquisadores fizeram uma s\u00e9rie de estimativas para avaliar os impactos que mudan\u00e7as no uso da terra e no sistema de transporte trariam para a sa\u00fade de popula\u00e7\u00f5es que vivem em cidades, como a diminui\u00e7\u00e3o de mortes e les\u00f5es causadas por acidentes de tr\u00e2nsito e da incid\u00eancia de doen\u00e7as cardiovasculares e respirat\u00f3rias, al\u00e9m de diabetes tipo 2.<\/p>\n<p>Com base nessas estimativas, eles desenvolveram um modelo de cidade compacta, em que que a densidade e a diversidade do uso da terra foram aumentadas em 30% e a dist\u00e2ncia m\u00e9dia dos trajetos foi reduzida tamb\u00e9m em 30%, com o objetivo de estimular a substitui\u00e7\u00e3o do uso de autom\u00f3veis pelo transporte p\u00fablico, bicicleta e caminhada nos deslocamentos na cidade. Al\u00e9m disso, os pesquisadores tamb\u00e9m substitu\u00edram no modelo 10% do transporte por ve\u00edculos automotivos na cidade por deslocamento ativo (caminhada ou bicicleta).<\/p>\n<p>O modelo foi aplicado nas cidades de Melbourne (Austr\u00e1lia), Londres (Inglaterra), Boston (EUA), S\u00e3o Paulo, Copenhagen (Dinamarca) e D\u00e9lhi (\u00cdndia), a fim de projetar os efeitos dessas interven\u00e7\u00f5es no uso da terra, no planejamento urbano e no padr\u00e3o de transporte sobre a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o dessas cidades, que apresentam diferentes n\u00edveis de desenvolvimento socioecon\u00f4mico e de motoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A cidade de Melbourne, por exemplo, apresenta alta renda e \u00e9 extremamente motorizada. J\u00e1 as cidades de Boston, Londres e Copenhagen t\u00eam alta renda e s\u00e3o moderadamente motorizadas. S\u00e3o Paulo, por sua vez, apresenta renda m\u00e9dia e \u00e9 moderadamente motorizada. E D\u00e9lhi possui renda baixa e tem se motorizado rapidamente, segundo os pesquisadores.<\/p>\n<p>Os resultados das proje\u00e7\u00f5es indicaram que a implanta\u00e7\u00e3o do modelo resultou em um aumento da atividade f\u00edsica relacionada com o transporte ativo \u2013 como caminhada e o ciclismo \u2013 em todas as cidades.<\/p>\n<p>Os maiores aumentos foram observados em cidades mais motorizadas, como Melbourne (72,1%) e Boston (55,7%), onde os n\u00edveis de transporte ativo s\u00e3o baixos.<\/p>\n<p>Nas cidades de Londres (39,1%), Copenhagen (28,9%), D\u00e9lhi (18,5%) e S\u00e3o Paulo (24,1%) \u2013 onde os n\u00edveis de transporte ativo s\u00e3o maiores \u2013 o aumento da atividade f\u00edsica relacionada ao transporte foi menor, apontaram os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cA atividade f\u00edsica relacionada ao transporte em S\u00e3o Paulo \u00e9 maior porque a cidade est\u00e1 em desenvolvimento, o n\u00edvel de motoriza\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um pouco menor em compara\u00e7\u00e3o com aquelas cidades e h\u00e1 muitas pessoas que se deslocam ativamente n\u00e3o porque querem, mas porque precisam\u201d, explicou S\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cIsso atenua o impacto que um sistema de mobilidade sustent\u00e1vel teria na cidade em compara\u00e7\u00e3o com as mais motorizadas. Mas, ainda assim, traz muitos ganhos para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o pela diminui\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o do ar pelos autom\u00f3veis, aumento nos n\u00edveis de atividade f\u00edsica e redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mortes e les\u00f5es no tr\u00e2nsito, desde que existam estruturas dedicadas \u00e0 caminhada e \u00e0s bicicletas, como boas cal\u00e7adas e ciclovias\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>O modelo resultou em ganhos de sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o de todas as cidades, com maior efeito na redu\u00e7\u00e3o das taxas de doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>Em Melbourne, o modelo levou a uma redu\u00e7\u00e3o estimada de 19% nos casos de doen\u00e7as cardiovasculares e de 14% nos de diabetes tipo 2. Em Londres, causou uma diminui\u00e7\u00e3o de 13% na incid\u00eancia de doen\u00e7as cardiovasculares e de 7% na de diabetes tipo 2.<\/p>\n<p>Em Boston, as redu\u00e7\u00f5es foram de 15% e 11%, respectivamente. E em S\u00e3o Paulo a queda foi de 7% no n\u00famero de casos de doen\u00e7as cardiovasculares e de 5% na ocorr\u00eancia de diabetes tipo 2 \u2013 \u00edndices semelhantes aos de Copenhagen.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, todas as cidades participantes do estudo obtiveram redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o do ar pelas emiss\u00f5es de part\u00edculas finas pelos ve\u00edculos automotivos.<\/p>\n<p>Embora a diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es tenha sido maior em cidades mais motorizadas, como Melbourne (-12,4%), Boston (-11,8%), Londres (-10,1%) e Copenhagen (-10,9%), S\u00e3o Paulo (-4,9%) e D\u00e9lhi (-3,2%) tamb\u00e9m registraram queda em menor grau, indicaram os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cGrosso modo, as conclus\u00f5es do estudo sobre as outras cidades tamb\u00e9m valem para S\u00e3o Paulo\u201d, avaliou S\u00e1. \u201cSe tiv\u00e9ssemos uma cidade mais adensada, onde as pessoas morassem mais pr\u00f3ximas uma das outras, com um uso de solo mais diversificado e um sistema de mobilidade mais sustent\u00e1vel, isso resultaria em grandes ganhos para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o\u201d, estimou.<\/p>\n<p>Deslocamento ativo<\/p>\n<p>Em outro estudo recente, o pesquisador, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da University of Cambridge e do Imperial College London no Reino Unido, da University of Zurich, da Su\u00ed\u00e7a, da University of Edinburgh, na Esc\u00f3cia, e do Center for Research in Environmental Epidemiology, da Espanha, avaliaram se os riscos da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar poderiam anular os benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade proporcionados pela atividade f\u00edsica durante deslocamentos ativos nas cidades.<\/p>\n<p>Para isso, eles compararam os riscos da polui\u00e7\u00e3o do ar \u00e0 sa\u00fade com os benef\u00edcios relacionados \u00e0 atividade f\u00edsica durante deslocamentos ativos usando uma ampla gama de poss\u00edveis concentra\u00e7\u00f5es de polui\u00e7\u00e3o do ar e de dura\u00e7\u00e3o das viagens, a fim de estimar em que momento os preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade causados pela exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar poderiam superar os benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo, publicado na revista Preventive Medicine, indicaram que os benef\u00edcios de caminhar e pedalar para se deslocar superam os malef\u00edcios da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar na maioria das cidades no mundo, mesmo com muitas horas de deslocamento e em n\u00edveis elevados de polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A exce\u00e7\u00e3o fica por conta de poucas cidades onde os n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o s\u00e3o extremos, apontou o estudo.<\/p>\n<p>\u201cConstatamos que, em 98% das cidades no mundo, os benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade proporcionados pela caminhada ou por andar de bicicleta s\u00f3 come\u00e7am a ser superados pelos malef\u00edcios da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar depois de muitas horas\u201d, afirmou S\u00e1.<\/p>\n<p>Em cidades como S\u00e3o Paulo, onde a concentra\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de material particulado com 2,5 microns de di\u00e2metro na atmosfera \u00e9 de 22 microgramas por metro c\u00fabico (ug\/m3), esse ponto de inflex\u00e3o s\u00f3 seria atingido ap\u00f3s sete horas de pedalada ou 16 horas de caminhada por dia, apontaram os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cEsses percursos s\u00f3 poderiam ser feitos hipoteticamente por uma quantidade muito pequena de pessoas, como entregadores de postagens e encomendas\u201d, avaliou S\u00e1.<\/p>\n<p>O artigo \u201cLand use, transport, and population health: estimating the health benefits of compact cities\u201d (doi: 10.1016\/S0140-6736(16)30067-8), de S\u00e1 e outros, publicado na  especial da revista Lancet sobre planejamento urbano, transporte e sa\u00fade, pode ser lido em .<\/p>\n<p>E o artigo \u201cCan air pollution negate the health benefits of cycling and walking?&#8221; (doi: 10.1016\/j.ypmed.2016.02.002), tamb\u00e9m de S\u00e1 e outros, pode ser lido na revista Preventive Medicine em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Planejamento urbano tem rela\u00e7\u00e3o direta com a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. 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