{"id":97130,"date":"2016-10-11T06:25:11","date_gmt":"2016-10-11T09:25:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=97130"},"modified":"2016-10-10T17:26:27","modified_gmt":"2016-10-10T20:26:27","slug":"mudancas-no-uso-da-terra-afetam-a-biodiversidade-e-o-solo-afirma-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/mudancas-no-uso-da-terra-afetam-a-biodiversidade-e-o-solo-afirma-estudo\/97130","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as no uso da terra afetam a biodiversidade e o solo, afirma estudo"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisa realizada no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de S\u00e3o Paulo, em Piracicaba, acaba de mensurar o impacto da transforma\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de floresta em pastagens e de pastagens em canaviais\u00a0sobre a <strong><em>biodiversidade do solo<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 que esse impacto \u00e9 devastador sobre a macrofauna original do solo: 90% dela \u2013 formada por cupins, formigas, minhocas, besouros, aranhas e escorpi\u00f5es \u2013 desapareceu por completo.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada por Andr\u00e9 Luiz Custodio Franco, durante o seu  e realizados com bolsas da FAPESP, com orienta\u00e7\u00e3o do professor .<\/p>\n<p>Os resultados do trabalho foram  no peri\u00f3dico Science of the Total Environment .<\/p>\n<p>\u201cNossa inten\u00e7\u00e3o foi verificar como a mudan\u00e7a no uso da terra interfere na emiss\u00e3o de gases e no armazenamento de carbono no solo e, em consequ\u00eancia, na composi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica, \u201d diz Franco.<\/p>\n<p>Invertebrados, microrganismos e fungos desenvolvem um grande papel na reciclagem do solo, gra\u00e7as \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o na decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica. Eles comp\u00f5em a microfauna do solo. Formigas e cupins \u2013 que integram a macrofauna do solo \u2013 s\u00e3o os principais agentes estabilizadores, evitando a eros\u00e3o gra\u00e7as \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de seus ninhos.<\/p>\n<p>Para verificar o que acontece com a biodiversidade com a mudan\u00e7a no uso da terra, os pesquisadores retiraram blocos de solo na forma de cubos com 30 cent\u00edmetros de profundidade. Essas amostras foram coletadas em tr\u00eas canaviais localizados em Jata\u00ed, Goi\u00e1s, Ipaussu e Valpara\u00edso, S\u00e3o Paulo. Nessas \u00e1reas uma parte do pasto foi convertida em cana. A equipe tamb\u00e9m coletou blocos de \u00e1reas nativa, de mata, para demonstrar a biodiversidade do solo em um sistema est\u00e1vel, antes do desmatamento para pastagem.<\/p>\n<p>\u201cQuando a mata nativa \u00e9 convertida em pasto, todos os predadores de topo do solo, como as aranhas e os escorpi\u00f5es, desaparecem\u201d, diz Franco. \u201cNa aus\u00eancia de predadores, as popula\u00e7\u00f5es de cupins e minhocas explodem. A quantidade de cupins no solo aumenta nove vezes. J\u00e1 a de minhocas cresce 14 vezes.\u201d<\/p>\n<p>Por outro lado, quando o pasto \u00e9 convertido em canavial, as popula\u00e7\u00f5es de cupim e minhocas tamb\u00e9m s\u00e3o eliminadasa, em decorr\u00eancia da corre\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do solo.<\/p>\n<p>O solo nativo \u00e9 ligeiramente \u00e1cido e os invertebrados e microrganismos est\u00e3o adaptados para viver num ambiente de leve acidez. Como a cana precisa de um solo mais alcalino, a agroind\u00fastria introduz quantidades maci\u00e7as de calc\u00e1rio \u2013 al\u00e9m de fertilizantes, herbicidas e pesticidas. \u201cIsto torna o solo t\u00f3xico, especialmente para as minhocas\u201d, diz Franco.<\/p>\n<p>O resultado da corre\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do solo e, posteriormente, da aduba\u00e7\u00e3o qu\u00edmica \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o quase completa de toda a sua biodiversidade. Os poucos animais e microrganismos que poderiam se adaptar a um solo levemente alcalino s\u00e3o eliminados pelos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 90% da macrofauna do solo desapareceu. Em termos de grupos animais, perdeu-se 40%\u201d, diz Franco. Ou seja, o solo dos canaviais \u00e9 um solo extirpado de biodiversidade \u2013 e, em consequ\u00eancia, inst\u00e1vel.<\/p>\n<p>Cupins e formigas s\u00e3o os \u201cengenheiros do solo\u201d, observa Franco. Eles s\u00e3o importantes para manter sua estabilidade. Onde h\u00e1 mais animais a estabilidade do solo \u00e9 maior. Decorre da\u00ed que menos animais significa menor estabilidade e, por conseguinte, maior risco de eros\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o a ser contabilizada \u00e9 a perda de carbono do solo. A a\u00e7\u00e3o de cupins e formigas faz com que part\u00edculas de carbono sejam encapsuladas em microagregados de argila ou areia e permane\u00e7am protegidas da decomposi\u00e7\u00e3o por microrganismos. J\u00e1 as minhocas estabilizam as part\u00edculas de carbono que passam pelo seu trato digestivo e que ficam igualmente encapsuladas, fora do alcance dos microrganismos.<\/p>\n<p>A perda da macrofauna coloca em risco a estabilidade do solo e a sua capacidade de armazenar carbono, al\u00e9m de contribuir para a libera\u00e7\u00e3o de carbono na atmosfera.<\/p>\n<p>O artigo de Andr\u00e9 L.C. Franco, Marie L.C. Bartz, Maur\u00edcio R. Cherubin, Dilmar Baretta, Carlos E.P. Cerri, Brigitte J. Feigl, Diana H. Wall, Christian A. Davies Carlos C. Cerri, Loss of soil (macro)fauna due to the expansion of Brazilian sugarcane acreage, publicado em\u00a0\u00a0Science of the Total Environment\u00a0, pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisa realizada no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de S\u00e3o Paulo, em Piracicaba, acaba de mensurar o impacto da transforma\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de floresta em pastagens e de pastagens em canaviais\u00a0sobre a biodiversidade do solo. 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