{"id":95815,"date":"2016-09-22T06:06:02","date_gmt":"2016-09-22T09:06:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=95815"},"modified":"2016-09-21T21:02:55","modified_gmt":"2016-09-22T00:02:55","slug":"idosos-sao-mais-afetados-pela-atual-onda-de-desemprego-aponta-ipea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/idosos-sao-mais-afetados-pela-atual-onda-de-desemprego-aponta-ipea\/95815","title":{"rendered":"Idosos s\u00e3o mais afetados pela atual onda de desemprego, aponta Ipea"},"content":{"rendered":"<p> A Carta de Conjuntura 32, divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), revela <strong><em>acelera\u00e7\u00e3o do desemprego<\/em><\/strong> no pa\u00eds. Comparando o segundo trimestre deste ano com o \u00faltimo trimestre de 2014, que foi o \u00faltimo per\u00edodo antes da piora registrada no mercado de trabalho, verifica-se que as perdas acumuladas na taxa de desemprego, em termos de pontos percentuais, s\u00e3o piores entre os jovens do que na faixa et\u00e1ria acima de 59 anos.<\/p>\n<p>No entanto, segundo o coordenador da publica\u00e7\u00e3o do Ipea, Jos\u00e9 Ronaldo Souza Jr., a maior varia\u00e7\u00e3o da taxa de desemprego foi entre os maiores de 59 anos, equivalente a 132% no per\u00edodo compreendido entre o \u00faltimo trimestre de 2014 e o segundo trimestre de 2016, enquanto entre os jovens, a perda alcan\u00e7ou 75,3%.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre na compara\u00e7\u00e3o entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano: \u201cA maior piora \u00e9 no grupo dos idosos, tanto em termos de taxa de varia\u00e7\u00e3o, como em termos de pontos percentuais\u201d. Entre os mais jovens, com destaque para a faixa entre 14 e 24 anos, a taxa de varia\u00e7\u00e3o do primeiro para o segundo trimestre de 2016 foi 1,39%, enquanto a dos mais velhos atingiu 44,4%.<\/p>\n<p>Em termos de pontos percentuais, a taxa de varia\u00e7\u00e3o do desemprego mostrou alta de 0,37 ponto, no caso dos jovens, e 1,46 ponto para os mais velhos. Jos\u00e9 Ronaldo Souza Jr. lembrou que a varia\u00e7\u00e3o incide sobre uma taxa muito mais alta dos jovens em rela\u00e7\u00e3o aos maiores de 59 anos. Com isso, pode-se ver que a varia\u00e7\u00e3o, em termos de pontos percentuais, foi de 11,49 pontos, no caso dos mais novos, passando de 15,25% para 26,73%, e foi de apenas 2,7 pontos, no caso dos mais velhos, evoluindo de 2,05% para 4,75% no acumulado do quarto trimestre de 2014 para o segundo trimestre de 2016.<\/p>\n<p>A taxa de desemprego \u201cmais do que dobrou, no caso dos mais velhos, e dos mais jovens n\u00e3o, mas a taxa dos mais jovens j\u00e1 era muito mais alta\u201d, avaliou Souza Jr.<\/p>\n<p>Popula\u00e7\u00e3o ocupada<\/p>\n<p>A Carta do Ipea informa que o aumento do desemprego foi provocado, principalmente, pela redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ocupada. \u201cE, especialmente, porque reduziu o n\u00famero de contrata\u00e7\u00f5es. N\u00e3o foi nem por um aumento no n\u00famero de demiss\u00f5es. Caiu o n\u00famero de pessoas contratadas com emprego formal e informal tamb\u00e9m\u201d. A queda n\u00e3o foi ainda maior porque muitos dos demitidos decidiram abrir o pr\u00f3prio neg\u00f3cio, tornando-se aut\u00f4nomos e trabalhando por conta pr\u00f3pria. Embora n\u00e3o sejam considerados informais, Souza Jr. admitiu que \u00e9 uma forma mais prec\u00e1ria de trabalho.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, o rendimento real m\u00e9dio caiu 1,5%. A queda aumenta para mais de 4% quando se compara o segundo trimestre de 2016 com o mesmo per\u00edodo do ano anterior: \u201cJ\u00e1 se esperava uma desacelera\u00e7\u00e3o nessa queda. A gente est\u00e1 com uma perda acumulada significativa, mas h\u00e1 uma mostra que est\u00e1 desacelerando essa perda, com o arrefecimento da crise\u201d,<\/p>\n<p>De acordo com a publica\u00e7\u00e3o do Ipea, os rendimentos reais para quem recebe menos que o sal\u00e1rio-m\u00ednimo ca\u00edram em torno de 9% nos \u00faltimos 12 meses. Apesar disso, a distribui\u00e7\u00e3o de renda entre as pessoas ocupadas n\u00e3o piorou. Segundo o pesquisador, o \u00edndice de Gini (instrumento usado para medir o grau de concentra\u00e7\u00e3o de renda em determinado grupo) calculado entre as pessoas que est\u00e3o trabalhando n\u00e3o piorou, porque esse movimento do pessoal que ganha menos foi compensado por outras faixas de rendimento. Citou, como exemplo, quem recebe um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, \u201cporque teve aumento real\u201d. Para as pessoas que est\u00e3o na faixa superior de distribui\u00e7\u00e3o de renda, o rendimento real subiu 2,4% no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Saldo<\/p>\n<p>Com base no saldo l\u00edquido do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Minist\u00e9rio do Trabalho (Caged), o Ipea conseguiu apurar que ele come\u00e7a a se desacelerar, mas o acumulado em termos de perda de emprego \u00e9 bastante elevado. O saldo negativo de vagas registrou o 16\u00ba m\u00eas consecutivo de queda. Desde o in\u00edcio da crise, em 2014, j\u00e1 acumula perda de 2,85 milh\u00f5es de vagas perdidas com carteira de trabalho.<\/p>\n<p>Os segmentos que mais demitiram foram a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil. J\u00e1 nas atividades do com\u00e9rcio e servi\u00e7os, as demiss\u00f5es s\u00e3o mais recentes. Olhando o acumulado dos \u00faltimos 12 meses, a perda para a ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou 526.517 empregos. Na constru\u00e7\u00e3o civil, esse n\u00famero \u00e9 de 405.932 postos perdidos. Na \u00e1rea de servi\u00e7os, os empregos perdidos somam 453.786. \u201cD\u00e1 para ver que a piora \u00e9 generalizada. Antes, era mais focada na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e se espalhou para outros segmentos\u201d.<\/p>\n<p>O economista Souza Jr. a valiaque o retorno de contrata\u00e7\u00f5es deve demorar um pouco a acontecer no Brasil porque, em geral, isso ocorre depois da recupera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, que costuma suceder mais rapidamente que o emprego. \u201cO emprego demorou mais para aparecer na crise e vai demorar mais para se recuperar tamb\u00e9m\u201d. A perspectiva, sustentou o economista, \u00e9 de arrefecimento da crise, por enquanto, porque, a princ\u00edpio, as contrata\u00e7\u00f5es tendem a esperar a recupera\u00e7\u00e3o da economia ficar mais clara. \u201cElas s\u00f3 acontecem quando a situa\u00e7\u00e3o da economia ficar mais definitiva, quando se reduzem as incertezas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Jorge Wamburg<br \/>\n22\/09\/2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Carta de Conjuntura 32, divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), revela acelera\u00e7\u00e3o do desemprego no pa\u00eds. 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