{"id":95726,"date":"2016-09-21T06:15:18","date_gmt":"2016-09-21T09:15:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=95726"},"modified":"2016-09-20T19:16:45","modified_gmt":"2016-09-20T22:16:45","slug":"projecoes-sugerem-que-estiagem-no-nordeste-podera-ser-mais-severa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/projecoes-sugerem-que-estiagem-no-nordeste-podera-ser-mais-severa\/95726","title":{"rendered":"Proje\u00e7\u00f5es sugerem que estiagem no Nordeste poder\u00e1 ser mais severa"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A <strong><em>seca atual que aflige o Nordeste<\/em><\/strong> iniciou em 2012 e se intensificou desde ent\u00e3o. Ela j\u00e1 dura cinco anos e \u00e9 considerada a mais severa em v\u00e1rias d\u00e9cadas. A intensidade e a persist\u00eancia da atual estiagem podem ser ind\u00edcios de que os extremos da variabilidade clim\u00e1tica j\u00e1 come\u00e7aram a cobrar a sua fatura no Nordeste brasileiro. E a conta pode aumentar se esses extremos passarem a ser mais frequentes e intensos em cen\u00e1rios de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201cAs proje\u00e7\u00f5es de clima geradas pelos modelos clim\u00e1ticos sugerem que, daqui para a frente, as estiagens mais severas e prolongadas tender\u00e3o a ser a regra, n\u00e3o mais a exce\u00e7\u00e3o, por\u00e9m a incertezas de ter este cen\u00e1rio futuro ainda existe\u201d, afirma o hidrologista e meteorologista , do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em Cachoeira Paulista, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o algumas das conclus\u00f5es do artigo \u201cDrought in Northeast Brazil &#8211; past, present, and future\u201d,  em Theoretical and Applied Climatology, assinado por Marengo e pelos meteorologistas Roger Rodrigues Torres, da Universidade Federal de Itajub\u00e1, e Lincoln Muniz Alves, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>A pesquisa utilizou a ferramenta PULSE-Brazil (Platform for Understanding Long-term Sustainability of Ecosystems), desenvolvida no \u00e2mbito do projeto Impact of climate extremes on ecosystem and human health in Brazil (), apoiado pela FAPESP e pelo Natural Environment Research Council (NERC), do Reino Unido (Leia mais sobre a pesquisa em ).<\/p>\n<p>Os pesquisadores basearam o estudo em proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas estimadas a partir da aplica\u00e7\u00e3o ao Nordeste dos modelos clim\u00e1ticos globais do 5\u00ba Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), de 2014.<\/p>\n<p>A seca \u00e9 um fen\u00f4meno natural no Nordeste. H\u00e1 relatos da sua incid\u00eancia desde o s\u00e9culo 16, ou seja, desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O clima hoje \u00e9 semi\u00e1rido, mas no futuro poder\u00e1 n\u00e3o ser mais. Em outras palavras, o sert\u00e3o pode se tornar uma zona \u00e1rida e favorecer um processo de desertifica\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, afirma Marengo.<\/p>\n<p>A \u00e9poca das chuvas no Nordeste acontece entre os meses de mar\u00e7o e maio. \u00c9 nesse per\u00edodo que a precipita\u00e7\u00e3o fornece a \u00e1gua que ir\u00e1 ser armazenada nos milhares de cisternas espalhadas pela regi\u00e3o, \u00e1gua guardada pelos pequenos agricultores para os meses de estiagem.<\/p>\n<p>Atualmente, durante os meses chuvosos n\u00e3o chove todos os dias. H\u00e1 intervalos sem precipita\u00e7\u00e3o que duram de cinco a seis dias. O que as proje\u00e7\u00f5es indicam \u00e9 que, durante o per\u00edodo chuvoso, esses intervalos \u201csecos\u201d tender\u00e3o a ser mais numerosos e mais longos. No futuro, os \u201cveranicos\u201d poder\u00e3o se estender por at\u00e9 40 dias. Ou seja, a quantidade de precipita\u00e7\u00e3o nos meses chuvosos tender\u00e1 a ser menor do que a atual.<\/p>\n<p>Isso ir\u00e1 impactar diretamente na quantidade de \u00e1gua que poder\u00e1 ser armazenada no solo e nas cisternas. Menos dias de chuva se traduzem em menos \u00e1gua nas cisternas e no solo que tende a ressecar, com preju\u00edzo para a vegeta\u00e7\u00e3o do semi-\u00e1rido, adaptada a um volume sazonal de chuvas que se torna mais deficiente.<\/p>\n<p>De acordo com as proje\u00e7\u00f5es, menos chuva significa tamb\u00e9m dias mais quentes. Esse \u00e9 um processo que j\u00e1 vem acontecendo h\u00e1 muito tempo. De acordo com Marengo, as proje\u00e7\u00f5es passadas indicam que a temperatura m\u00e9dia no Nordeste j\u00e1 aumentou 0,8 grau cent\u00edgrado entre 1900 e 2000.<\/p>\n<p>Foram feitas proje\u00e7\u00f5es para estimar as altera\u00e7\u00f5es no \u00edndice de chuvas e nas temperaturas m\u00e9dias do Nordeste tanto ao longo do s\u00e9culo 20 quanto at\u00e9 o final do s\u00e9culo 21. O aquecimento vai aumentar. Na melhor das hip\u00f3teses, as proje\u00e7\u00f5es apontam para uma eleva\u00e7\u00e3o nas temperaturas m\u00e9dias de outros 2 graus cent\u00edgrados at\u00e9 2040, o que poderia tamb\u00e9m estar acompanhado de per\u00edodos secos mais intensos e longos.<\/p>\n<p>No pior dos cen\u00e1rios, o aumento das temperaturas prosseguir\u00e1 at\u00e9 pelo menos o fim do s\u00e9culo 21. Isso far\u00e1 com que, em 2100, as temperaturas nordestinas sejam em m\u00e9dia at\u00e9 4,4 graus superiores \u00e0s atuais. Nestas condi\u00e7\u00f5es, se medidas governamentais s\u00e9rias e imediatas n\u00e3o forem tomadas para, por exemplo, conter os desmatamentos, o sert\u00e3o pode virar um grande deserto, alerta Marengo.<\/p>\n<p>\u201cAs decis\u00f5es da COP-21 de Paris em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em todo o mundo poderiam ajudar a reduzir o aquecimentos a n\u00edveis inferiores a 2 C nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, e isso poderia amenizar os impactos do aquecimento global, pois com aquecimento projeto de 4.4 C ate 2100 na regi\u00e3o podem trazer consequ\u00eancias desastrosas para a populacao do Nordeste\u201d, diz Marengo.<\/p>\n<p>Com menos chuvas e mais calor ao longo do ano, a vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica da caatinga tender\u00e1 a ser gradualmente substitu\u00edda pelas cact\u00e1ceas, que s\u00e3o vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica de desertos. O impacto disso para a agricultura, principalmente a familiar e de subsist\u00eancia, ser\u00e1 incomensur\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Nordeste ocupa18% do territ\u00f3rio nacional. Ali vivem 53 milh\u00f5es de pessoas. Segundo Marengo, o semi\u00e1rido nordestino j\u00e1 \u00e9 a regi\u00e3o seca mais densamente povoada do planeta, com 34 habitantes por quil\u00f4metro quadrado. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas cobrar\u00e3o do Nordeste um pre\u00e7o salgado. Sera inevit\u00e1vel? \u201cHoje s\u00f3 temos uma certeza\u201d, diz o pesquisador. \u201cA de que no futuro os per\u00edodos de seca ser\u00e3o mais longos e mais quentes.\u201d<\/p>\n<p>O artigo Drought in Northeast Brazil &#8211; past, present, and future, assinado por Marengo, Roger Rodrigues Torres, Lincoln Muniz Alves e publicado em Theoretical and Applied Climatology pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A seca atual que aflige o Nordeste iniciou em 2012 e se intensificou desde ent\u00e3o. Ela j\u00e1 dura cinco anos e \u00e9 considerada a mais severa em v\u00e1rias d\u00e9cadas. 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