{"id":9449,"date":"2009-08-22T20:12:08","date_gmt":"2009-08-23T00:12:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=9449"},"modified":"2009-08-22T20:12:08","modified_gmt":"2009-08-23T00:12:08","slug":"pesquisa-unifesp-aponta-que-28-dos-atletas-sao-viciados-em-exercicios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/pesquisa-unifesp-aponta-que-28-dos-atletas-sao-viciados-em-exercicios\/9449","title":{"rendered":"Pesquisa Unifesp aponta que 28% dos atletas s\u00e3o viciados em exerc\u00edcios"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa do Centro de Estudo em Psicobiologia do Exerc\u00edcio, da UNIFESP (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo), apoiada pela FAPESP (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo), identificou que 28% dos atletas brasileiros profissionais ou recreacionistas s\u00e3o viciados na pr\u00e1tica de exerc\u00edcios. Assim como pessoas com outros v\u00edcios, os dependentes em exerc\u00edcios, quando privados desta pr\u00e1tica, tamb\u00e9m apresentam crises de abstin\u00eancia, aumento da toler\u00e2ncia \u00e0 atividade para obter o mesmo resultado, ansiedade, problemas psicol\u00f3gicos, de sono, de humor e fadiga cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Foram analisados os comportamentos de 400 atletas brasileiros, sendo 200 deles de elite, com n\u00edvel internacional em diversas modalidades, incluindo atletas de futebol, v\u00f4lei, judocas e ginastas, comparados a 200 praticantes amadores de atividade f\u00edsica. Por meio de aplica\u00e7\u00e3o de question\u00e1rios psicol\u00f3gicos e observa\u00e7\u00e3o, foi poss\u00edvel identificar que quase 30% dos volunt\u00e1rios apresentavam um comportamento excessivo que caracteriza o dist\u00farbio. &#8220;A pessoa \u00e9 considerada viciada quando aquela pr\u00e1tica interfere no desenvolvimento de outras atividades, sejam elas profissionais, sociais, familiares ou psicol\u00f3gicas&#8221;, explica o pesquisador Vladimir Modolo.<\/p>\n<p>Entre os que apresentaram a depend\u00eancia, h\u00e1 uma grande incid\u00eancia de indiv\u00edduos que sofrem de transtornos de imagem corporal, como anorexia ou vigorexia (excesso de preocupa\u00e7\u00e3o com o crescimento dos m\u00fasculos), al\u00e9m de outros fatores. O percentual de homens e mulheres \u00e9 semelhante, mas as motiva\u00e7\u00f5es femininas est\u00e3o mais comumente associadas \u00e0 depress\u00e3o e \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com a imagem corporal, enquanto os homens tamb\u00e9m apresentam fatores como afirma\u00e7\u00e3o social, excesso de competitividade e outros. Tamb\u00e9m houve proporcionalidade entre os atletas profissionais e os amadores, o que elimina a hip\u00f3tese da vari\u00e1vel financeira eliminar a caracter\u00edstica de v\u00edcio.<\/p>\n<p>Embora a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos seja recomendada, a depend\u00eancia e o excesso s\u00e3o prejudiciais \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 qualidade de vida. &#8220;Quanto mais exerc\u00edcio a pessoa faz, mais ela precisa fazer e pode chegar a um est\u00e1gio de overtrainning, que \u00e9 uma s\u00edndrome neuro-end\u00f3crina que resulta em modifica\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas e\/ou psicol\u00f3gicas. \u00c0s vezes, o atleta treina mesmo impedido clinicamente por estar com uma les\u00e3o ou fratura grave. O dependente tamb\u00e9m tem n\u00edveis altos de ansiedade ou crises de depress\u00e3o&#8221;, detalha Modolo. Segundo o pesquisador, a busca pela qualidade de vida que \u00e9 proporcionada pelo exerc\u00edcio praticado de forma adequada se transforma em um transtorno compulsivo. &#8220;O que deveria ser positivo, se torna negativo, caso executado de forma exagerada&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Outro elemento que impacta negativamente o viciado \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o de atividades do cotidiano pelo treinamento f\u00edsico. &#8220;H\u00e1 casos de pessoas que perdem compromissos profissionais para ir treinar. Temos o exemplo de um pai que deixou de ir \u00e0 formatura de pr\u00e9-escola da filha porque era no mesmo hor\u00e1rio de seus treinamentos. Uma pessoa viciada \u00e9 incapaz de modificar ou deixar de fazer um treino, por motivo algum&#8221;, conta a coordenadora da pesquisa, Hanna Karen Antunes.<\/p>\n<p>A primeira descri\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia de exerc\u00edcio f\u00edsico na literatura m\u00e9dica data da d\u00e9cada de 70 e o estudo da UNIFESP \u00e9 o primeiro realizado com atletas brasileiros profissionais. O tratamento recomendado \u00e9 o mesmo indicado para pessoas com v\u00edcios variados, de forma a retomar o equil\u00edbrio e o controle sobre a atividade.<\/p>\n<p>\u00a0Principais ind\u00edcios de que o exerc\u00edcio se tornou um v\u00edcio:<\/p>\n<p>&#8211; Estreitamento de repert\u00f3rio, preocupa\u00e7\u00e3o excessiva com o corpo ou alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Perda de interesse social por causa do treino.<\/p>\n<p>&#8211; Op\u00e7\u00e3o de treinar mesmo com ambiente desfavor\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00a0&#8211; Comportamento compulsivo.<\/p>\n<p>Caracter\u00edsticas:<\/p>\n<p>Sintomas psicol\u00f3gicos: aumento da ansiedade, crises de depress\u00e3o, irritabilidade, diminui\u00e7\u00e3o do tempo de sono, diminui\u00e7\u00e3o do vigor.<\/p>\n<p>Sintomas Fisiol\u00f3gicos: aumento da fadiga, baixa do sistema imunol\u00f3gico, altera\u00e7\u00f5es hormonais, aumento da toler\u00e2ncia (necessidade de mais sess\u00f5es de treino para obter o mesmo resultado) e crises de abstin\u00eancia.<\/p>\n<p>Sobre a UNIFESP<\/p>\n<p>Criada em 1933 por um grupo de m\u00e9dicos reunidos em uma sociedade sem fins lucrativos, a Escola Paulista de Medicina (EPM) foi federalizada em 1956 e, em 1994, transformada em Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (UNIFESP), primeira universidade especializada em sa\u00fade no Pa\u00eds. Atualmente, com 18 mil alunos matriculados nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e demais programas de p\u00f3s, a UNIFESP conta com 874 docentes, sendo que 93% possuem t\u00edtulo de doutor, um percentual que marca a qualidade de ensino oferecida por uma das universidades que mais cresce no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Escola, que possu\u00eda um \u00fanico pr\u00e9dio no in\u00edcio de suas atividades, inaugurou em 1940 o Hospital S\u00e3o Paulo, primeiro hospital-escola do Pa\u00eds, e atualmente o campus na capital &#8211; Campus S\u00e3o Paulo &#8211; ocupa 251 propriedades, com 138 mil m2. Em 2006, a UNIFESP iniciou o mais ambicioso processo de expans\u00e3o universit\u00e1ria do Pa\u00eds, saltando de um para cinco campi e de cinco para 25 cursos de gradua\u00e7\u00e3o. Com os novos campi na Baixada Santista, Diadema, Guarulhos e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, a institui\u00e7\u00e3o deixou de atuar exclusivamente no campo da sa\u00fade, inaugurando cursos nas \u00e1reas de humanas (Guarulhos) e exatas (Diadema e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos). At\u00e9 2014, a UNIFESP planeja criar mais sete cursos, fazendo com que o n\u00famero total de vagas oferecidas a cada ano no vestibular evolua das atuais 1.812 vagas para 2.598.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa do Centro de Estudo em Psicobiologia do Exerc\u00edcio, da UNIFESP (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo), apoiada pela FAPESP (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo), identificou que 28% dos atletas brasileiros profissionais ou recreacionistas s\u00e3o viciados na pr\u00e1tica de exerc\u00edcios. 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