{"id":94023,"date":"2016-08-30T05:49:25","date_gmt":"2016-08-30T08:49:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=94023"},"modified":"2016-08-29T22:50:43","modified_gmt":"2016-08-30T01:50:43","slug":"oleo-de-peixe-previne-prejuizos-de-dieta-rica-em-gordura-indica-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/oleo-de-peixe-previne-prejuizos-de-dieta-rica-em-gordura-indica-estudo\/94023","title":{"rendered":"\u00d3leo de peixe previne preju\u00edzos de dieta rica em gordura, indica estudo"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A suplementa\u00e7\u00e3o com <strong><em>\u00f3leo de peixe<\/em><\/strong> \u2013 rico em \u00e1cidos graxos da fam\u00edlia \u00f4mega 3 \u2013 pode ajudar a prevenir problemas de sa\u00fade induzidos por uma dieta rica em gordura, entre eles diabetes e dislipidemia.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo feito com camundongos na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). Os resultados da pesquisa, , foram \u00a0no The Journal of Physiology.<\/p>\n<p>\u201cImportante ressaltar que nosso modelo foi de preven\u00e7\u00e3o, pois iniciamos a suplementa\u00e7\u00e3o quando os animais estavam sadios. Atualmente, estamos investigando o efeito do \u00f3leo de peixe em animais j\u00e1 obesos e os resultados parecem ser diferentes\u201d, contou Maria Isabel Cardoso Alonso-Vale, professora do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Unifesp.<\/p>\n<p>Os experimentos foram conduzidos durante o mestrado e o doutorado de, sob orienta\u00e7\u00e3o de Alonso-Vale.<\/p>\n<p>Os animais foram suplementados com \u00f3leo de peixe ao longo de 12 semanas. A partir da quarta, passaram a receber uma dieta considerada hiperlip\u00eddica: com 59% de gordura, contra 9% da dieta ingerida pelo grupo-controle.<\/p>\n<p>\u201cOs animais recebiam dois gramas de \u00f3leo de peixe por quilo corporal, tr\u00eas vezes por semana. Cada grama do \u00f3leo usado no estudo tem 540 miligramas de EPA (\u00e1cido eicosapentaenoico) e 100 miligramas de DHA (\u00e1cido docosahexaenoico). A propor\u00e7\u00e3o desses \u00e1cidos graxos poli-insaturados deve ser considerada para a obten\u00e7\u00e3o do resultado\u201d, comentou Alonso-Vale.<\/p>\n<p>De acordo com dados da literatura cient\u00edfica, o EPA tem a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria no organismo, induzindo a produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias conhecidas como prostaglandinas E3. J\u00e1 o DHA \u00e9 conhecido por sua a\u00e7\u00e3o antioxidante.<\/p>\n<p>Resultados<\/p>\n<p>No final das 12 semanas, o peso dos camundongos que receberam a dieta hiperlip\u00eddica e n\u00e3o foram suplementados havia aumentado em m\u00e9dia 12 vezes. Al\u00e9m disso, os animais apresentavam intoler\u00e2ncia \u00e0 glicose, resist\u00eancia \u00e0 insulina, aumento nas taxas de glicemia e insulinemia de jejum e aumento nos n\u00edveis de colesterol total e de LDL (lipoprote\u00edna de baixa densidade, conhecida como \u201ccolesterol ruim\u201d). Para piorar, os roedores obesos estavam comendo mais do que os outros animais e gastando um porcentual menor da energia ingerida.<\/p>\n<p>J\u00e1 no grupo que recebeu o \u00f3leo de peixe antes e durante o per\u00edodo de dieta hiperlip\u00eddica, o peso aumentou em m\u00e9dia oito vezes \u2013 30% menos \u2013 e n\u00e3o foram observadas altera\u00e7\u00f5es no metabolismo de glicose ou dislipidemia.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi avaliar, in vitro, par\u00e2metros metab\u00f3licos associados ao desenvolvimento de resist\u00eancia \u00e0 insulina nas c\u00e9lulas adiposas oriundas do tecido adiposo visceral e subcut\u00e2neo. Cada tipo de adip\u00f3cito (provenientes do tecido adiposo visceral e subcut\u00e2neo) foi avaliado.<\/p>\n<p>Os resultados mostram que o alto consumo de gordura afeta esses dois dep\u00f3sitos corporais de maneira diferente \u2013 embora nos dois casos tenha sido observada a hipertrofia da c\u00e9lula adiposa, aumento no volume destas c\u00e9lulas e a perda de suas fun\u00e7\u00f5es originais.<\/p>\n<p>O adip\u00f3cito do tecido subcut\u00e2neo, por exemplo, tem um importante papel na capta\u00e7\u00e3o da glicose circulante. Essa capacidade foi reduzida pela dieta hiperlip\u00eddica em consequ\u00eancia de queda na express\u00e3o da prote\u00edna GLUT4, encontrada na membrana celular com a fun\u00e7\u00e3o de captar a glicose da circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foi observado no adip\u00f3cito subcut\u00e2neo um aumento na express\u00e3o das citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias TNF-? (fator de necrose tumoral alfa) e IL-6 (interleucina 6). Por outro lado, houve queda na produ\u00e7\u00e3o de adiponectina, mol\u00e9cula com a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria e com importante papel na regula\u00e7\u00e3o do metabolismo de glicose e lip\u00eddeos.<\/p>\n<p>J\u00e1 no adip\u00f3cito do tecido visceral foi observado um aumento na lip\u00f3lise, ou seja, na quebra da gordura armazenada em mol\u00e9culas de \u00e1cidos graxos, que podem cair na circula\u00e7\u00e3o e contribuir para o desenvolvimento de dislipidemia. Diminuiu, por outro lado, a chamada lipog\u00eanese de novo \u2013 s\u00edntese end\u00f3gena de \u00e1cidos graxos feita a partir de carboidratos. Esse mecanismo, que ajuda a evitar um excesso de glicose no organismo, ficou prejudicado. Houve ainda aumento na secre\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas inflamat\u00f3rias TNF-?, IL-6 e resistina.<\/p>\n<p>\u201cDados da literatura sugerem que a inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica observada no tecido adiposo de indiv\u00edduos obesos estaria relacionada \u00e0 infiltra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas do sistema imune, principalmente macr\u00f3fagos, o grande respons\u00e1vel pela secre\u00e7\u00e3o das citocinas inflamat\u00f3rias. Olhando para o adip\u00f3cito isolado, nosso estudo mostrou que h\u00e1 inflama\u00e7\u00e3o independentemente da presen\u00e7a destas c\u00e9lulas no tecido\u201d, disse Alonso-Vale.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos adip\u00f3citos dos animais que receberam dieta hiperlip\u00eddica e \u00f3leo de peixe concomitantemente mostrou que a suplementa\u00e7\u00e3o foi capaz de prevenir todas as altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas \u2013 tanto no tecido adiposo subcut\u00e2neo quanto no visceral.<\/p>\n<p>\u201cA suplementa\u00e7\u00e3o com \u00f3leo de peixe, em conjunto com outras estrat\u00e9gias, pode ser uma boa medida de sa\u00fade p\u00fablica para prevenir resist\u00eancia \u00e0 insulina e diabetes do tipo 2. Mas, claro, antes de um amplo uso em humanos seriam necess\u00e1rios outros estudos. \u00c9 preciso estabelecer, por exemplo, a dose e a periodicidade mais adequadas, bem como o momento de se introduzir a suplementa\u00e7\u00e3o\u201d, avaliou Alonso-Vale.<\/p>\n<p>O artigo Fish oil prevents changes induced by a high-fat diet on metabolism and adipokine secretion in mice subcutaneous and visceral adipocytes publicado em The Journal of Physiology pode ser lido em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A suplementa\u00e7\u00e3o com \u00f3leo de peixe \u2013 rico em \u00e1cidos graxos da fam\u00edlia \u00f4mega 3 \u2013 pode ajudar a prevenir problemas de sa\u00fade induzidos por uma dieta rica em gordura, entre eles diabetes e dislipidemia. 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