{"id":93653,"date":"2016-08-25T06:42:33","date_gmt":"2016-08-25T09:42:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=93653"},"modified":"2016-08-24T18:43:47","modified_gmt":"2016-08-24T21:43:47","slug":"composto-da-pariparoba-murta-se-mostra-eficaz-contra-parasitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/composto-da-pariparoba-murta-se-mostra-eficaz-contra-parasitas\/93653","title":{"rendered":"Composto da pariparoba-murta se mostra eficaz contra parasitas"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 An\u00e1logos sint\u00e9ticos de uma mol\u00e9cula encontrada nas plantas da esp\u00e9cie Piper malacophyllum \u2013 popularmente conhecida como pariparoba-murta \u2013 apresentaram em ensaios in vitro atividade <strong><em>antiparasit\u00e1ria<\/em><\/strong> at\u00e9 40 vezes maior do que as drogas mais usadas atualmente contra os protozo\u00e1rios causadores da doen\u00e7a de Chagas e da leishmaniose visceral.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa realizada na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), com apoio da FAPESP, foram divulgados no in\u00edcio de agosto durante o workshop \u201cThe momentum and perspectives of Drug Discovery and Development in Brazil\u201d. O evento foi organizado no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP) pelo Centro de Espectrometria de Massas Aplicada (Cemsa).<\/p>\n<p>Os dados tamb\u00e9m foram \u00a0na revista Bioorganic &amp; Medicinal Chemistry Letters.<\/p>\n<p>\u201cFoi identificado nessa planta um composto com a\u00e7\u00e3o antiparasit\u00e1ria chamado gibilimbol e nosso grupo j\u00e1 sintetizou mais de 15 an\u00e1logos. Fizemos pequenas modifica\u00e7\u00f5es na estrutura da mol\u00e9cula com o objetivo de aumentar sua efic\u00e1cia\u201d, contou Jo\u00e3o Paulo dos Santos Fernandes, professor do Instituto de Ci\u00eancias Ambientais, Qu\u00edmicas e Farmac\u00eauticas (ICAQF) da Unifesp.<\/p>\n<p>Duas vers\u00f5es da mol\u00e9cula de gibilimbol \u2013 nomeadas como \u201cA\u201d e \u201cB\u201d \u2013 foram originalmente extra\u00eddas da pariparoba-murta e caracterizadas no \u00e2mbito de um \u00a0coordenado pelo professor Jo\u00e3o Henrique Ghilardi Lago, tamb\u00e9m do ICAQF-Unifesp, cujo objetivo \u00e9 procurar compostos com a\u00e7\u00e3o antiparasit\u00e1ria em plantas da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>O desenvolvimento de an\u00e1logos sint\u00e9ticos com atividade potencializada vem sendo feito, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Fernandes, durante os projetos de \u00a0e \u00a0de Marina Themoteo Varela.<\/p>\n<p>J\u00e1 os ensaios in vitro para avaliar a efici\u00eancia dos compostos sobre os parasitas s\u00e3o coordenados por Andre Gustavo Tempone Cardoso, no Instituto Adolfo Lutz (IAL), e tamb\u00e9m contam com .<\/p>\n<p>Design de mol\u00e9culas<\/p>\n<p>Os primeiros ensaios in vitro, feitos ainda com os compostos naturais, indicaram que o gibilimbol B era mais eficaz contra os parasitas do que o gibilimbol A.<\/p>\n<p>\u201cQuando estudamos a estrutura qu\u00edmica das duas mol\u00e9culas, observamos que a \u00fanica diferen\u00e7a entre elas era a posi\u00e7\u00e3o de uma dupla liga\u00e7\u00e3o \u2013 que na mol\u00e9cula B fica mais pr\u00f3xima do anel arom\u00e1tico. Ent\u00e3o sintetizamos an\u00e1logos buscando inserir outros substituintes pr\u00f3ximos do anel e grupos funcionais adicionais que pudessem realizar intera\u00e7\u00f5es espec\u00edficas com as c\u00e9lulas dos parasitas e, assim, aumentar a atividade\u201d, contou Fernandes.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, muitos dos an\u00e1logos sint\u00e9ticos j\u00e1 feitos se mostraram mais eficazes para matar os parasitas do que os compostos naturais, nos testes in vitro. A mol\u00e9cula mais promissora tem sido chamada pelos pesquisadores de LINS03003.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de comparar com os prot\u00f3tipos naturais, os pesquisadores tamb\u00e9m fizeram ensaios para avaliar o desempenho dos an\u00e1logos sint\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o ao das drogas hoje mais usadas contra o Trypanossoma cruzi, causador de Chagas, e o Leishmania infantum, causador de leishmaniose visceral. \u201cUsamos um m\u00e9todo que fornece valores conhecidos como IC50. Esse teste avalia a quantidade do composto necess\u00e1ria para matar 50% dos parasitas. De maneira geral, valores abaixo de 10 micromolar (?M) s\u00e3o considerados promissores\u201d, explicou Fernandes.<\/p>\n<p>Contra a forma amastigota do T. cruzi (que \u00e9 intracelular e \u00e9 considerada a mais importante de ser combatida para o controle da doen\u00e7a na fase cr\u00f4nica), o LINS03003 se mostrou 40 vezes mais eficaz que o benznidazol, a droga utilizada no tratamento. Com apenas 5,5 ?M foi poss\u00edvel eliminar 50% dos parasitas. J\u00e1 contra a forma tripomastigota (encontrada apenas quando o protozo\u00e1rio migra de uma c\u00e9lula para outra), o composto foi 26 vezes mais eficaz que o benznidazol.<\/p>\n<p>\u201cOutra grande vantagem observada foi a baixa toxicidade relativa. O nosso composto se mostrou quatro vezes mais t\u00f3xico para a forma amastigota do T. cruzi do que para as c\u00e9lulas humanas, ou seja, \u00e9 necess\u00e1ria uma dose quatro vezes maior do que a usada contra os parasitas para matar 50% das c\u00e9lulas humanas. J\u00e1 no caso do benznidazol essa seletividade \u00e9 igual ou menor\u201d, comentou Fernandes.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos testes contra o L. infantum a droga de compara\u00e7\u00e3o foi a miltefosina, usada principalmente na \u00cdndia para tratar leishmaniose visceral. Contra a forma amastigota (intracelular), o LINS03003 se mostrou 10 vezes mais potente, eliminando 50% dos parasitas com apenas 1,8 ?M. J\u00e1 contra a forma promastigota (encontrada no mosquito transmissor e na circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea do hospedeiro humano ap\u00f3s a inocula\u00e7\u00e3o) sua efic\u00e1cia foi compar\u00e1vel \u00e0 da miltefosina, com um IC50 de 28 ?M.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a, o LINS03003 foi 13 vezes mais t\u00f3xico para a forma amastigota de L. infantum que para as c\u00e9lulas humanas em cultura. O valor \u00e9 compar\u00e1vel ao da miltefosina \u2013 14 vezes mais t\u00f3xica para o parasita que para os humanos.<\/p>\n<p>Atualmente, durante o mestrado, Varela est\u00e1 criando novas varia\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas do gibilimbol, mexendo em outras partes da mol\u00e9cula, para buscar um composto ainda mais eficiente e menos t\u00f3xico. Os an\u00e1logos ser\u00e3o usados em novos testes in vitro e, posteriormente in vivo.<\/p>\n<p>\u201cOs compostos parecem bem promissores, pois s\u00e3o pequenos, f\u00e1ceis de sintetizar e sua estrutura qu\u00edmica indica baixa toxicidade. Mas somente ap\u00f3s os primeiros testes em animais poderemos ter certeza de como eles se comportam no organismo, ou seja, como s\u00e3o metabolizados, se conseguem chegar at\u00e9 o parasita, entre outros fatores\u201d, ponderou Fernandes.<\/p>\n<p>O artigo Gibbilimbol analogues as antiparasitic agents\u2014Synthesis and biological activity against Trypanosoma cruzi and Leishmania (L.) infantum (doi: 10.1016\/j.bmcl.2016.01.040) pode ser lido em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 An\u00e1logos sint\u00e9ticos de uma mol\u00e9cula encontrada nas plantas da esp\u00e9cie Piper malacophyllum \u2013 popularmente conhecida como pariparoba-murta \u2013 apresentaram em ensaios in vitro atividade antiparasit\u00e1ria at\u00e9 40 vezes maior do que as drogas mais usadas atualmente contra os protozo\u00e1rios causadores da doen\u00e7a de Chagas e da leishmaniose visceral. 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