{"id":93354,"date":"2016-08-22T06:08:20","date_gmt":"2016-08-22T09:08:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=93354"},"modified":"2016-08-22T19:40:38","modified_gmt":"2016-08-22T22:40:38","slug":"contra-infarto-e-avc-uma-dose-de-acido-acetilsalicilico-a-cada-tres-dias-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/contra-infarto-e-avc-uma-dose-de-acido-acetilsalicilico-a-cada-tres-dias-diz-estudo\/93354","title":{"rendered":"Contra infarto e AVC, uma dose de \u00e1cido acetilsalic\u00edlico a cada tr\u00eas dias, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Para pacientes de risco, a ingest\u00e3o de uma dose de \u00e1cido acetilsalic\u00edlico (AAS) a cada tr\u00eas dias pode ser t\u00e3o eficiente na <strong><em>preven\u00e7\u00e3o de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doen\u00e7a vascular perif\u00e9rica<\/em><\/strong> quanto consumir o medicamento diariamente. E com uma vantagem: a probabilidade de complica\u00e7\u00e3o gastrointestinal diminui.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo brasileiro  e pela Biolab Farmac\u00eautica. Os resultados foram \u00a0no The Journal of Clinical Pharmacology e o artigo foi destacado como \u201cescolha do editor\u201d.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 50 anos o AAS tem sido adotada na preven\u00e7\u00e3o de eventos cardiovasculares, mas seu uso constante pode causar irrita\u00e7\u00e3o e sangramento g\u00e1strico \u2013 muitas vezes sem sintomas pr\u00e9vios. Por isso, nos \u00faltimos anos, vem se tentando reduzir a dose. Neste estudo, propomos um esquema terap\u00eautico diferente\u201d, disse Gilberto De Nucci, professor da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp) e do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP), coordenador do  ao qual est\u00e1 vinculado o estudo.<\/p>\n<p>Conforme explicou De Nucci, o \u00e1cido acetilsalic\u00edlico inibe a a\u00e7\u00e3o da enzima cicloxigenase (COX). Nas plaquetas, isso diminui a produ\u00e7\u00e3o de tromboxano, um tipo de lip\u00eddeo que favorece a agrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria. Por essa raz\u00e3o, na linguagem popular, costuma se dizer que o AAS \u201cafina\u201d o sangue, ou seja, diminui a probabilidade de forma\u00e7\u00e3o de co\u00e1gulos que podem obstruir o fluxo sangu\u00edneo.<\/p>\n<p>Por outro lado, na mucosa g\u00e1strica, a inibi\u00e7\u00e3o da enzima COX diminui a produ\u00e7\u00e3o de prostaglandinas \u2013 subst\u00e2ncias lip\u00eddicas que protegem o est\u00f4mago e o intestino.<\/p>\n<p>\u201cOriginalmente, o AAS americano tinha 325 miligramas (mg) do princ\u00edpio ativo. Na tentativa de diminuir os efeitos adversos, a dose foi reduzida para 162 mg e, depois, para 81 mg. Tamb\u00e9m h\u00e1 comprimidos de 75 mg. Mas a verdade \u00e9 que, at\u00e9 hoje, ainda n\u00e3o se sabe ao certo qual \u00e9 a dose necess\u00e1ria para obter o benef\u00edcio cardiovascular\u201d, comentou De Nucci.<\/p>\n<p>No ensaio cl\u00ednico realizado durante o doutorado de Plinio Minghin Freitas Ferreira, na USP, sob orienta\u00e7\u00e3o de De Nucci, foi adotada a dose de 81 mg. Vinte e quatro volunt\u00e1rios sadios foram divididos em dois grupos. Metade recebeu AAS todos os dias durante um m\u00eas. Os demais receberam o f\u00e1rmaco a cada tr\u00eas dias e, no intervalo, apenas placebo.<\/p>\n<p>Antes e ao final do tratamento, todos os volunt\u00e1rios passaram por diversos exames, entre eles endoscopia, bi\u00f3psia g\u00e1strica e teste de agrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria. Tamb\u00e9m foi medido no sangue o n\u00edvel de tromboxano e, no est\u00f4mago, o de prostaglandina do tipo 2 (PGE2).<\/p>\n<p>\u201cNo grupo que tomou AAS todos os dias, houve uma redu\u00e7\u00e3o de 50% na s\u00edntese de PGE2, enquanto nos volunt\u00e1rios que tomaram a cada tr\u00eas dias n\u00e3o foi observada diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis basais. Por outro lado, em ambos os grupos, a inibi\u00e7\u00e3o de tromboxano foi superior a 95% e o resultado no teste de agrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria foi equivalente\u201d, contou De Nucci.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Ferreira, os dados permitem concluir que o uso de AAS a cada 72 horas \u00e9 t\u00e3o eficaz quanto \u2013 e mais seguro \u2013 do que seu uso di\u00e1rio. Essa descoberta, segundo o pesquisador, abre a possibilidade de adotar o f\u00e1rmaco tamb\u00e9m na preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de eventos cardiovasculares.<\/p>\n<p>Atualmente, o Food and Drug Administration (FDA) \u2013 \u00f3rg\u00e3o que regulamenta o consumo de alimentos e de medicamentos nos Estados Unidos \u2013 recomenda que o AAS seja usado apenas na preven\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria de doen\u00e7as cardiovasculares, ou seja, em pacientes diagnosticados com doen\u00e7a vascular perif\u00e9rica e os que j\u00e1 tiveram algum epis\u00f3dio de infarto ou AVC e correm risco de um segundo evento. Somente nessa situa\u00e7\u00e3o, segundo o FDA, os benef\u00edcios da terapia suplantariam os riscos de efeitos adversos.<\/p>\n<p>\u201cCom esse novo esquema terap\u00eautico, o AAS tamb\u00e9m poderia ser usado no tratamento de pacientes que nunca tiveram um evento cardiovascular, mas apresentam alto risco, como os diab\u00e9ticos\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>Patente<\/p>\n<p>Os dois grupos de volunt\u00e1rios que participaram do ensaio cl\u00ednico receberam, al\u00e9m de AAS, o anti-hipertensivo losartan. Conforme explicou De Nucci, o objetivo foi mostrar que uma droga n\u00e3o influencia a a\u00e7\u00e3o da outra.<\/p>\n<p>Em um estudo anterior,  no Journal of Bioequivalence &amp; Bioavailability, o grupo j\u00e1 havia mostrado que o AAS n\u00e3o diminui a biodisponibilidade do losartan. As duas drogas s\u00e3o frequentemente associadas no tratamento de pessoas com insufici\u00eancia card\u00edaca, hipertens\u00e3o e doen\u00e7as isqu\u00eamicas.<\/p>\n<p>\u201cEm parceria com a Biolab, n\u00f3s solicitamos nos Estados Unidos a patente do esquema terap\u00eautico adotado no estudo. Umas das possibilidades em estudo \u00e9 lan\u00e7ar um produto que associe, na mesma cartela, o AAS e o losartan ou algum outro medicamento. No primeiro dia, o paciente tomaria os dois f\u00e1rmacos, no segundo e no terceiro, apenas o anti-hipertensivo e placebo e assim por diante. Isso ajudaria as pessoas a tomar os medicamentos corretamente\u201d, afirmou De Nucci.<\/p>\n<p>O artigo Acetylsalicylic Acid Daily vs Acetylsalicylic Acid Every 3 Days in Healthy Volunteers: Effect on Platelet Aggregation, Gastric Mucosa, and Prostaglandin E2 Synthesis (doi: 10.1002\/jcph.685) pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Para pacientes de risco, a ingest\u00e3o de uma dose de \u00e1cido acetilsalic\u00edlico (AAS) a cada tr\u00eas dias pode ser t\u00e3o eficiente na preven\u00e7\u00e3o de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doen\u00e7a vascular perif\u00e9rica quanto consumir o medicamento diariamente. E com uma vantagem: a probabilidade de complica\u00e7\u00e3o gastrointestinal diminui. 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