{"id":92702,"date":"2016-08-12T06:11:09","date_gmt":"2016-08-12T09:11:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=92702"},"modified":"2016-08-11T20:12:50","modified_gmt":"2016-08-11T23:12:50","slug":"emissoes-de-nitrogenio-na-america-latina-devem-ser-monitoradas-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/emissoes-de-nitrogenio-na-america-latina-devem-ser-monitoradas-dizem-especialistas\/92702","title":{"rendered":"Emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio na Am\u00e9rica Latina devem ser monitoradas, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, juntamente com a China, a R\u00fassia, a \u00cdndia e a \u00c1frica do Sul \u2013 que, com o Brasil, formam o BRICS \u2013, s\u00e3o os maiores emissores atualmente de <strong><em>nitrog\u00eanio<\/em><\/strong> reativo, como am\u00f4nia e \u00f3xido de nitrog\u00eanio.<\/p>\n<p>Os impactos no ambiente, no clima e na sa\u00fade humana das emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio nessas e outras formas reativas pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, uso de fertilizantes nitrogenados e esgoto n\u00e3o tratado nesses pa\u00edses, contudo, n\u00e3o t\u00eam sido monitorados.<\/p>\n<p>O alerta foi feito por especialistas durante a , financiada pela FAPESP, por meio do programa Escola S\u00e3o Paulo de Ci\u00eancia Avan\u00e7ada (), que ocorreu entre os dias 31 de julho e 10 de agosto em S\u00e3o Pedro, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Realizado pelo Cena-USP e o Inter-American Institute for Global Change Research (IAI), o evento reuniu 100 estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, sendo 50 do Brasil e 50 do exterior, para discutir a distribui\u00e7\u00e3o desigual de nitrog\u00eanio no mundo e seu impacto na sustentabilidade ambiental em um cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso estabelecer uma rede de monitoramento cont\u00ednuo, com s\u00e9ries temporais de 20 anos, por exemplo, para avaliar como o aumento da urbaniza\u00e7\u00e3o e o uso de fertilizantes nitrogenados em larga escala t\u00eam impactado os ecossistemas na Am\u00e9rica Latina e nos pa\u00edses do BRICS\u201d, disse Tibisay P\u00e9rez, professora do Centro de Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas e Biogeoqu\u00edmica do Instituto Venezuelano de Investiga\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas (IVIC), \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cCom isso, seria poss\u00edvel estabelecer pol\u00edticas p\u00fablicas mais direcionadas \u00e0s necessidades dos pa\u00edses desses dois blocos\u201d, avaliou P\u00e9rez.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, os pa\u00edses-membros da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), por exemplo, onde j\u00e1 existe esse monitoramento, atingiram o limite m\u00e1ximo de uso de fertilizantes nitrogenados em sua agricultura.<\/p>\n<p>Por meio de uma combina\u00e7\u00e3o de tecnologias com pol\u00edticas p\u00fablicas, como o fim dos subs\u00eddios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes na d\u00e9cada de 1990, os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia \u2013 onde cerca de 60% das emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio reativo s\u00e3o provenientes da agricultura \u2013 conseguiram reduzir suas emiss\u00f5es de \u00f3xido de nitrog\u00eanio em 49% em 2009 em compara\u00e7\u00e3o com 1990, segundo dados apresentados por Jan Willem Erisman, professor da Vrije Universiteit Amsterdam, da Holanda, durante o evento.<\/p>\n<p>Atualmente, os pa\u00edses europeus t\u00eam discutido estrat\u00e9gias para diminuir as emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio reativo e v\u00eam trabalhando com conceitos como o de \u201cpegada de nitrog\u00eanio\u201d \u2013 a quantidade de nitrog\u00eanio reativo liberada para o meio ambiente como resultado do consumo de recursos como alimentos e combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>J\u00e1 os pa\u00edses do BRICS e da Am\u00e9rica Latina, os maiores usu\u00e1rios atualmente de fertilizantes nitrogenados, passam por um processo de urbaniza\u00e7\u00e3o descontrolado, que tem impacto no aumento das emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio reativo pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e por efluentes nessas regi\u00f5es urbanas.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, por exemplo, apenas 20% do esgoto dom\u00e9stico \u00e9 tratado e 17% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso a saneamento b\u00e1sico, apontou Jean Pierre Ometto, chefe do Centro de Ci\u00eancia do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em palestra no evento.<\/p>\n<p>Como os pa\u00edses latino-americanos est\u00e3o situados em regi\u00f5es tropicais e subtropicais, que concentram hotspots de biodiversidade, seus ecossistemas podem estar fortemente amea\u00e7ados pelos impactos da deposi\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio, suspeitam os pesquisadores participantes da Escola.<\/p>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina tem passado por um r\u00e1pido processo de urbaniza\u00e7\u00e3o e de substitui\u00e7\u00e3o de sistemas tradicionais de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para uma agricultura mecanizada e com alto uso de fertilizantes nitrogenados, sem levar em conta a quest\u00e3o das emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio reativo\u201d, disse Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB).<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, o aumento da deposi\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio reativo na atmosfera \u00e9 reconhecido hoje como um dos principais fatores contribuintes para redu\u00e7\u00e3o da diversidade de plantas em ecossistemas naturais e seminaturais por acidificar e tornar o solo t\u00f3xico, entre outros impactos.<\/p>\n<p>Os dados dispon\u00edveis sobre os impactos da deposi\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio na diversidade de plantas, contudo, foram obtidos quase que exclusivamente a partir de estudos realizados no norte da Europa e na Am\u00e9rica do Norte, ponderou.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito importante obter dados de regi\u00f5es onde esse problema come\u00e7ou a aumentar recentemente ou dever\u00e1 crescer em um futuro pr\u00f3ximo, como a Am\u00e9rica Latina e os pa\u00edses do BRICS\u201d, apontou.<\/p>\n<p>A China, por exemplo, utiliza em algumas \u00e1reas voltadas \u00e0 horticultura 400 quilogramas de nitrog\u00eanio por hectare. J\u00e1 o Brasil e a \u00c1frica do Sul costumam fertilizar culturas como o milho com 120 quilogramas por hectare.<\/p>\n<p>No outro extremo, na \u00c1frica Subsaariana, costuma-se fertilizar culturas com 8 quilogramas por hectare, comparou Bustamante. \u201cEnquanto h\u00e1 regi\u00f5es no mundo onde h\u00e1 um excesso de uso de fertilizantes, em outras h\u00e1 um problema de d\u00e9ficit\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 diferen\u00e7as regionais marcantes. E os pa\u00edses que precisam aumentar o n\u00edvel de fertilizantes nitrogenados devem evitar seguir os caminhos das na\u00e7\u00f5es poluidoras e buscar formas mais sustent\u00e1veis de incrementar a fertilidade do solo\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Segundo ela, essa recomenda\u00e7\u00e3o vale tamb\u00e9m para o carbono. Os especialistas t\u00eam sugerido aos pa\u00edses em desenvolvimento ou menos desenvolvidos que optem por rotas de desenvolvimento de baixo carbono e n\u00e3o sigam a trajet\u00f3ria convencional de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Alian\u00e7a internacional<\/p>\n<p>Com base na constata\u00e7\u00e3o de que as emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio reativo representam hoje um problema global, mas apresentam disparidades regionais, a pesquisadora e um grupo de cientistas de diversos pa\u00edses come\u00e7aram a articular, no in\u00edcio dos anos 2000, a cria\u00e7\u00e3o de uma iniciativa internacional para evidenciar o problema.<\/p>\n<p>Batizada de International Initiative Nitrogen (INI), a rede global de cientistas foi fundada formalmente no in\u00edcio de 2003, patrocinada pelo Comit\u00ea Cient\u00edfico para Problemas do Ambiente (Scope, da sigla em ingl\u00eas) \u2013 ag\u00eancia intergovernamental associada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) \u2013 e pelo International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP).<\/p>\n<p>A INI interage com tomadores de decis\u00e3o a fim de identificar alternativas para otimizar o uso de fertilizantes nitrogenados e minimizar os efeitos negativos das emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio reativo. A rede possui centros regionais na Europa, Am\u00e9ricas do Norte e Latina, \u00c1frica do Sul e Leste da \u00c1sia, contou Bustamante.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 alertar os tomadores de decis\u00e3o sobre os impactos ambientais, no clima e na sa\u00fade causados pelo aumento das emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio reativo na atmosfera, como tamb\u00e9m chamar a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de se criar uma rede de monitoramento e estimular a realiza\u00e7\u00e3o de mais estudos em determinadas regi\u00f5es do mundo, como a Am\u00e9rica Latina\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Os efeitos da deposi\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio reativo nos ecossistemas s\u00e3o cumulativos e ocorrem ao longo do tempo, podendo demorar d\u00e9cadas para se manifestarem. Al\u00e9m disso, os n\u00edveis cr\u00edticos de deposi\u00e7\u00e3o para diferentes biomas variam, ponderou Bustamante.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00edvel cr\u00edtico para a Mata Atl\u00e2ntica, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 o mesmo para a Amaz\u00f4nia, o Cerrado ou a Caatinga. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio monitor\u00e1-los\u201d, justificou.<\/p>\n<p>Fertilizantes sint\u00e9ticos<\/p>\n<p>Nutriente essencial, vital para a sobreviv\u00eancia dos humanos e todos os outros organismos vivos, o nitrog\u00eanio est\u00e1 presente abundantemente na atmosfera, por\u00e9m de forma n\u00e3o-reativa ou inerte, que a maioria dos organismos, como as plantas, s\u00e3o incapazes de utiliz\u00e1-lo quimicamente como nutriente.<\/p>\n<p>Em 1909, entretanto, o qu\u00edmico alem\u00e3o Fritz Haber (1868-1934) desenvolveu um m\u00e9todo de transformar esse g\u00e1s n\u00e3o-reativo em uma forma reativa \u2013 a am\u00f4nia, ingrediente ativo dos fertilizantes sint\u00e9ticos, que \u00e9 um recurso relativamente escasso na maioria dos ecossistemas naturais e em lavouras no mundo.<\/p>\n<p>O desenvolvimento e ado\u00e7\u00e3o de processos de produ\u00e7\u00e3o e uso de fertilizantes sint\u00e9ticos levou a um aumento dram\u00e1tico da produtividade agr\u00edcola, e estima-se que hoje 48% da popula\u00e7\u00e3o mundial se alimente por causa dos fertilizantes.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 baixa efici\u00eancia na utiliza\u00e7\u00e3o dos fertilizantes sint\u00e9ticos nitrogenados na agricultura, contudo, grandes quantidades de nitrog\u00eanio reativo s\u00e3o liberados na biosfera atualmente, explicou Bustamante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, juntamente com a China, a R\u00fassia, a \u00cdndia e a \u00c1frica do Sul \u2013 que, com o Brasil, formam o BRICS \u2013, s\u00e3o os maiores emissores atualmente de nitrog\u00eanio reativo, como am\u00f4nia e \u00f3xido de nitrog\u00eanio. 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