{"id":90490,"date":"2016-07-18T10:04:37","date_gmt":"2016-07-18T13:04:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=90490"},"modified":"2016-07-15T13:53:32","modified_gmt":"2016-07-15T16:53:32","slug":"estudo-avalia-efeitos-distintos-do-manejo-florestal-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/estudo-avalia-efeitos-distintos-do-manejo-florestal-sustentavel\/90490","title":{"rendered":"Estudo avalia efeitos distintos do manejo florestal sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O <strong><em>Manejo Florestal Sustent\u00e1vel<\/em><\/strong> \u00e9 um dos pontos basilares da Lei de Gest\u00e3o de Florestas P\u00fablicas, aprovada pelo Congresso Nacional em 2006 como resposta ao desmatamento crescente que ocorria \u00e0 \u00e9poca no Cerrado e, principalmente, na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A nova legisla\u00e7\u00e3o contribuiu decisivamente para a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal, que caiu dos 27.700 km2 de floresta derrubada em 2004 para a m\u00ednima hist\u00f3rica de 5.000 km2 em 2014, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) \u2013 embora, em 2015, o desmatamento tenha voltado a subir, atingindo 5.800 km2.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente define o Manejo Florestal Sustent\u00e1vel como \u201ca administra\u00e7\u00e3o da floresta para obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios econ\u00f4micos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustenta\u00e7\u00e3o do ecossistema objeto do manejo\u201d.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia prev\u00ea a retirada seletiva de esp\u00e9cies de valor comercial em quantidade limitada, preservando as \u00e1rvores jovens, por exemplo. Tamb\u00e9m \u00e9 obrigat\u00f3ria a retirada pr\u00e9via das lianas, os cip\u00f3s e a vegeta\u00e7\u00e3o a\u00e9rea que crescem entre as \u00e1rvores, evitando assim que a derrubada de um indiv\u00edduo arraste outras \u00e1rvores consigo.<\/p>\n<p>Estas e outras medidas buscam reduzir ao m\u00e1ximo o impacto da atividade madeireira nas florestas nacionais. Assim mesmo, o impacto existe. Como fazer para quantific\u00e1-lo e qualific\u00e1-lo? Esta foi a tarefa de um grupo de ecologistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os primeiros resultados foram  noForest Ecology and Management. O estudo tem .<\/p>\n<p>\u201cQuer\u00edamos entender como o manejo sustent\u00e1vel agia sobre esp\u00e9cies arb\u00f3reas de uso comercial e tamb\u00e9m aquelas n\u00e3o madeireiras\u201d, disse Flavio Antonio Ma\u00ebs dos Santos, do Departamento de Biologia Vegetal da Unicamp. O estudo foi levado a cabo por sua ent\u00e3o doutoranda, Maria Rosa Darrigo.<\/p>\n<p>Para entender a a\u00e7\u00e3o do manejo florestal no m\u00e9dio e no longo prazo, os pesquisadores selecionaram glebas de floresta em Itacoatiara, no Amazonas, a 250 km de Manaus. A \u00e1rea, uma reserva florestal com 506 mil hectares, \u00e9 explorada por empresa desde 1995 de acordo com diretrizes da Forest Stewardship Council (FSC), organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que estabelece padr\u00f5es internacionais de manejo florestal sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>As glebas florestais estudadas foram exploradas em 1996, 2002 e 2005. Os dados dos efeitos do manejo sobre as esp\u00e9cies vegetais e o solo foram coletados entre 2007 e 2009, fornecendo um painel de regenera\u00e7\u00e3o florestal efetiva de dois, cinco e 11 anos desde o manejo. Todos os dados foram comparados aos de uma \u00e1rea de controle n\u00e3o explorada.<\/p>\n<p>Foram estudadas sete esp\u00e9cies arb\u00f3reas. Elas s\u00e3o comuns em todas as \u00e1reas estudadas: acariquara (Minquartia guianensis), cupi\u00faba (Goupia glabra), maparajuba (Manilkara bidentata), ma\u00e7aranduba (Manilkara huberi), Pouteria anomala, Protium hebetatume angelim-rajado (Zygia racemosa). Essas esp\u00e9cies representam um amplo conjunto de caracter\u00edsticas, incluindo tamanho, densidade da madeira e estrat\u00e9gias reprodutivas.<\/p>\n<p>\u201cA partir de todos esses dados conseguimos comparar o que estava acontecendo com os indiv\u00edduos daquelas sete esp\u00e9cies nas \u00e1reas investigadas\u201d, disse Santos. Um exemplo \u00e9 a abertura de clareiras na mata. Mesmo depois de 11 anos, n\u00e3o se observou uma recupera\u00e7\u00e3o total da cobertura vegetal nas \u00e1reas onde a derrubada manejada de \u00e1rvores abriu clareiras.<\/p>\n<p>Da\u00ed decorre uma segunda evid\u00eancia: a quantidade de luz que incide sobre a vegeta\u00e7\u00e3o na clareira. As plantas pequenas mostraram uma taxa de crescimento maior do que as demais, pois o acesso \u00e0 luz \u00e9 um fator determinante de crescimento.<\/p>\n<p>Por outro lado, se a taxa de crescimento das plantas pequenas aumentou, sua mortalidade seguiu o mesmo rumo. E de forma acelerada. \u201cA taxa de mortalidade das plantas pequenas subiu de duas a tr\u00eas vezes, quando comparada \u00e0s mesmas plantas na \u00e1rea de controle\u201d, disse Santos. A resposta a essa disparidade pode estar nas altera\u00e7\u00f5es sofridas no ambiente ap\u00f3s o manejo, com a mudan\u00e7a na frequ\u00eancia de indiv\u00edduos de determinadas esp\u00e9cies em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras.<\/p>\n<p>Uma outra causa de mortalidade observada foi a queda de \u00e1rvores. Segundo Santos, \u201cnas \u00e1reas manejadas quem cresce mais s\u00e3o as esp\u00e9cies com densidade de madeira menor, portanto mais sujeitas \u00e0 queda. Em princ\u00edpio, o que pareceria ben\u00e9fico \u00e0s plantas menores, o aumento do acesso \u00e0 luz, na verdade n\u00e3o ocorre\u201d.<\/p>\n<p>Composi\u00e7\u00e3o do solo<\/p>\n<p>Outra constata\u00e7\u00e3o dos pesquisadores foi a altera\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o do solo nas \u00e1reas manejadas em compara\u00e7\u00e3o com a \u00e1rea de controle. Nos primeiros dois anos ap\u00f3s o manejo, a fertilidade do solo se manteve compar\u00e1vel \u00e0 da \u00e1rea de controle. Depois desse per\u00edodo, a fertilidade caiu cerca de 30%. Boa parte da manuten\u00e7\u00e3o da fertilidade nas \u00e1reas de manejo se deve \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores derrubadas para a abertura de trilhas por onde s\u00e3o transportadas as toras comercializ\u00e1veis, por exemplo. Ap\u00f3s dois anos do manejo, quando a decomposi\u00e7\u00e3o dessa mata derrubada se completa, a fertilidade das \u00e1reas manejadas declina.<\/p>\n<p>Uma das conclus\u00f5es do trabalho \u00e9 que os efeitos do manejo florestal sustent\u00e1vel n\u00e3o s\u00e3o iguais para todas as esp\u00e9cies. Algumas s\u00e3o mais afetadas do que as outras. Algumas crescem mais do que as outras. Essa constata\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 \u00e9 extremamente importante para entendermos as limita\u00e7\u00f5es da efic\u00e1cia das diretrizes e dos certificados internacionais de manejo florestal.<\/p>\n<p>\u201cSe essas estrat\u00e9gias fossem de fato sustent\u00e1veis, seria de se esperar a manuten\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de todas as esp\u00e9cies ao longo do tempo. Mas n\u00e3o \u00e9 isso o que acontece\u201d, disse Santos. \u201cO que constatamos foi que, tanto na \u00e1rea manejada h\u00e1 11 anos, quanto na \u00e1rea manejada h\u00e1 cinco anos, ocorreu uma redu\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es no tempo.\u201d<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel resposta \u00e9 a retirada das \u00e1rvores adultas, que s\u00e3o justamente as fontes de sementes para a germina\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores. \u201cManejo sustent\u00e1vel \u00e9, sem d\u00favida, muito melhor do que a terra arrasada pelo desmatamento generalizado\u201d, afirmou Santos. \u201cS\u00f3 que dizer que isso \u00e9 sustent\u00e1vel, n\u00e3o d\u00e1 para afirmar.\u201d<\/p>\n<p>Maria Rosa Darrigo \u00e9 mais espec\u00edfica. \u201cA explora\u00e7\u00e3o manejada, no caso deste estudo, realmente causou mudan\u00e7as na trajet\u00f3ria de recomposi\u00e7\u00e3o da floresta, que n\u00e3o s\u00e3o consideradas nos planos de manejo florestal sustent\u00e1vel. O que temos, de fato, \u00e9 uma explora\u00e7\u00e3o de baixo impacto. Da forma que estamos fazendo, ainda n\u00e3o podemos cham\u00e1-la de sustent\u00e1vel, mas isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o houve avan\u00e7os na forma de se explorar as esp\u00e9cies madeireiras, uma vez que o impacto \u00e9 comparativamente menor do que o causado pelos m\u00e9todos tradicionais. O que precisamos entender e aceitar \u00e9 que a floresta tem o seu pr\u00f3prio tempo de desenvolvimento, e o mercado precisa se adaptar a esse tempo natural.\u201d<\/p>\n<p>O artigo Effects of reduced impact logging on the forest regeneration in the central Amazonia (doi: 10.1016\/j.foreco.2015.10.012), publicado por Santos, Darrigo e Eduardo Martins Venticinque em Forest Ecology and Management, pode ser lido em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O Manejo Florestal Sustent\u00e1vel \u00e9 um dos pontos basilares da Lei de Gest\u00e3o de Florestas P\u00fablicas, aprovada pelo Congresso Nacional em 2006 como resposta ao desmatamento crescente que ocorria \u00e0 \u00e9poca no Cerrado e, principalmente, na Amaz\u00f4nia. 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