{"id":89897,"date":"2016-07-08T10:02:16","date_gmt":"2016-07-08T13:02:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=89897"},"modified":"2016-07-07T20:58:41","modified_gmt":"2016-07-07T23:58:41","slug":"brasil-tera-sexta-maior-populacao-de-idosos-no-mundo-ate-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/brasil-tera-sexta-maior-populacao-de-idosos-no-mundo-ate-2025\/89897","title":{"rendered":"Brasil ter\u00e1 sexta maior popula\u00e7\u00e3o de idosos no mundo at\u00e9 2025"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson, de Porto Seguro (BA) \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A popula\u00e7\u00e3o brasileira tem passado nas \u00faltimas d\u00e9cadas por um r\u00e1pido processo de <strong><em>envelhecimento<\/em><\/strong>, devendo somar, at\u00e9 2025, 31,8 milh\u00f5es de pessoas com mais de 60 anos. Isso dever\u00e1 causar impacto direto nos sistemas de sa\u00fade p\u00fablica e previdenci\u00e1rio do pa\u00eds, e na forma de cuidar dessas pessoas.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por pesquisadores durante uma mesa-redonda sobre o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses em desenvolvimento, realizada durante a 68\u00aa Reuni\u00e3o da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC).<\/p>\n<p>\u201cEm 1950, o Brasil tinha 2 milh\u00f5es de pessoas com mais de 60 anos. Em 1965 esse n\u00famero saltou para 6,2 milh\u00f5es. Na virada do s\u00e9culo chegou a 13,9 milh\u00f5es e, em 2025, chegar\u00e1 a 31,8 milh\u00f5es\u201d, disse Luiz Roberto Ramos, professor da Escola Paulista de Medicina (UPM) da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), durante o evento.<\/p>\n<p>\u201cTeremos uma das seis maiores popula\u00e7\u00f5es de idosos no mundo em 2025\u201d, estimou Ramos, que coordenou um  sobre a efetividade de a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade em idosos com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a velocidade do processo de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira tem sido mais r\u00e1pida do que a verificada na Europa, por exemplo.<\/p>\n<p>At\u00e9 1800, o continente europeu registrava uma alta mortalidade e elevada fecundidade \u2013 uma combina\u00e7\u00e3o de fatores que possibilita manter a popula\u00e7\u00e3o jovem.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ou a mudar entre 1800 e 1900, durante a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, quando a mortalidade come\u00e7ou a cair na regi\u00e3o, causando um aumento da expectativa de vida, at\u00e9 chegar ao n\u00edvel atual. \u201cForam necess\u00e1rios 100 anos para cair a taxa de mortalidade na Europa\u201d, disse Ramos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a taxa de fecundidade no \u201cvelho mundo\u201d s\u00f3 come\u00e7ou a cair entre 1900 e 1950 e deve se manter est\u00e1vel nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, provocando um aumento na propor\u00e7\u00e3o de idosos.<\/p>\n<p>Em contrapartida, no Brasil, a taxa de mortalidade come\u00e7ou a cair entre 1950 e 1980 e a de fecundidade iniciou um processo de redu\u00e7\u00e3o a partir de 1970, chegando a dois filhos por casal hoje, que significa uma taxa de reposi\u00e7\u00e3o e que a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 crescendo, afirmou Ramos.<\/p>\n<p>\u201cTodo o processo de transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica que na Europa levou 180 anos deve acontecer em metade desse tempo no Brasil\u201d, comparou Ramos.<\/p>\n<p>Esse aumento da propor\u00e7\u00e3o de idosos \u2013 que cresce a taxas muito mais elevadas do que as de outros grupos et\u00e1rios e tem causado o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 tem mudado as prioridades na sa\u00fade p\u00fablica no Brasil hoje, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>At\u00e9 1950, quando as taxas de fecundidade e mortalidade no pa\u00eds eram altas, 40% das mortes no Brasil eram causadas por doen\u00e7as infecciosas e pouco mais de 10% por doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>Entre 1950 e 1970, quando come\u00e7ou a ocorrer o processo de transi\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica no Brasil, os casos de doen\u00e7as infecciosas foram diminuindo e hoje representam apenas 5% das causas de mortes no pa\u00eds, enquanto as doen\u00e7as cardiovasculares passaram a representar mais de 40%.<\/p>\n<p>\u201cNo velho paradigma da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil, a popula\u00e7\u00e3o de risco era composta por crian\u00e7as, a prioridade era o tratamento de doen\u00e7as infecciosas, as medidas preventivas \u2013 simbolizadas pelas vacinas \u2013 eram eficazes e os tratamentos eram simples, definitivos e baratos \u2013 era o famoso antibi\u00f3tico por uma semana\u201d, disse Ramos.<\/p>\n<p>\u201cNo novo paradigma, a popula\u00e7\u00e3o de risco \u00e9 formada por idosos, a prioridade \u00e9 o tratamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis que causam incapacidade, as medidas preventivas s\u00e3o pouco eficazes e os tratamentos s\u00e3o complexos, cr\u00f4nicos e caros\u201d, comparou.<\/p>\n<p>O sistema de sa\u00fade brasileiro, contundo, ainda n\u00e3o est\u00e1 preparado para atender essa nova realidade, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>Um estudo realizado pelo Conselho Federal de Medicina, que acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de m\u00e9dicos formados no Brasil desde 1910, apontou que, em 2010, 38% dos m\u00e9dicos no pa\u00eds eram pediatras, ginecologistas ou anestesiologistas. A geriatria era a 41\u00aa colocada entre as especialidades dos m\u00e9dicos brasileiros, apontou a pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um longo caminho para dotar nosso sistema de sa\u00fade com profissionais especializados para cuidar dessa popula\u00e7\u00e3o de idosos\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Cuidado com os idosos<\/p>\n<p>De acordo com dados apresentados por Ana Am\u00e9lia Camarano, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), a popula\u00e7\u00e3o que mais cresce no pa\u00eds hoje \u00e9 a de pessoas com 80 anos ou mais.<\/p>\n<p>E as pessoas que devem chegar a essa idade s\u00e3o as nascidas durante o baby boom, ocorrido no pa\u00eds entre 1950 e 1960, quando as taxas de fecundidade foram mais altas, estimou a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cEsses idosos se beneficiaram da redu\u00e7\u00e3o das mortalidades infantil, jovem e adulta nas \u00faltimas d\u00e9cadas no pa\u00eds e, agora, da diminui\u00e7\u00e3o da mortalidade nas idades mais avan\u00e7adas em raz\u00e3o dos avan\u00e7os na Medicina\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Essa guinada no n\u00famero de \u201cidosos muito idosos\u201d no pa\u00eds, contudo, demandar\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 mais cuidados, mas tamb\u00e9m mais tempo para cuidar deles, indicou.<\/p>\n<p>O n\u00famero de idosos que dever\u00e3o receber mais cuidados no Brasil poder\u00e1 aumentar entre 30% e 50% at\u00e9 2020, estimou Camarano.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso avaliar se as fam\u00edlias est\u00e3o prontas para cuidar dessa popula\u00e7\u00e3o de idosos. Elas devem estar preparadas para isso\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Os homens passam, em m\u00e9dia, 4,2 anos necessitando de cuidados prolongados no Brasil, e as mulheres, 4,7 anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os homens morrem mais cedo do que as mulheres no pa\u00eds. \u201cPor isso falamos que o envelhecimento \u00e9 uma quest\u00e3o de g\u00eanero\u201d, disse Camarano. \u201cH\u00e1 mais mulheres idosas, elas s\u00e3o as principais cuidadoras de seus maridos, que morrem primeiro. Mas quem ir\u00e1 cuidar delas?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o, segundo a pesquisadora, ser\u00e1 com o sistema de previd\u00eancia. Com a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de nascimentos no Brasil, consequentemente, a for\u00e7a de trabalho no pa\u00eds vem caindo.\u00a0\u201cQuem ir\u00e1 trabalhar para contribuir com a seguridade social e cuidar dessas pessoas?&#8221;<\/p>\n<p>Impacto na previd\u00eancia<\/p>\n<p>De acordo com Camarano, o Brasil dissociou envelhecimento de pobreza com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que universalizou a seguridade social no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com isso, a popula\u00e7\u00e3o idosa passou a ter rendimentos garantidos e, hoje, 82% das pessoas com mais de 65 anos no pa\u00eds recebem benef\u00edcios da previd\u00eancia social.<\/p>\n<p>O envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira, entretanto, que pode ser formada por 20% de pessoas com 65 anos ou mais em 2050, levar\u00e1 a um aumento nos gastos previdenci\u00e1rios com essa parcela da popula\u00e7\u00e3o, aumentando o rombo na previd\u00eancia, apontou Bernardo Lanza Queiroz, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>\u201cHoje aproximadamente 12% dos gastos p\u00fablicos no Brasil j\u00e1 s\u00e3o direcionados para a popula\u00e7\u00e3o idosa\u201d, afirmou o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a aposentadoria precoce no pa\u00eds tamb\u00e9m contribui para ampliar o problema.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1990, quando o direito \u00e0 previd\u00eancia social foi universalizado, de acordo com ele, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o acima dos 65 anos de idade no pa\u00eds trabalhava.<\/p>\n<p>Atualmente, a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o das pessoas com essa idade no Brasil est\u00e1 ao redor de 20%, entre outras raz\u00f5es pela pr\u00f3pria emerg\u00eancia do sistema previdenci\u00e1rio, apontou.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem um n\u00famero de pessoas que recebe benef\u00edcios da previd\u00eancia social em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o com 65 anos ou mais que \u00e9 bastante elevado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cEm 2010, havia 1,6 pessoas recebendo benef\u00edcios de aposentadoria da previd\u00eancia social para cada pessoa com 65 anos ou mais no pa\u00eds. Isso indica que essas pessoas est\u00e3o se aposentando relativamente cedo\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>O fato de as pessoas se aposentarem cedo n\u00e3o seria um problema se o sistema previdenci\u00e1rio estivesse funcionando bem e h\u00e1 uma norma que permite isso no pa\u00eds, ponderou Queiroz.<\/p>\n<p>\u201cEssa norma tinha uma motiva\u00e7\u00e3o muito boa, que era permitir que as pessoas mais pobres pudessem se aposentar com 30 anos de servi\u00e7o. Mas o que aconteceu foi exatamente o contr\u00e1rio: a popula\u00e7\u00e3o mais educada, com melhor inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, \u00e9 que come\u00e7ou a se aposentar com 30 anos de contribui\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Quanto mais adiada for a reforma da previd\u00eancia, maiores ser\u00e3o os custos fiscais e para as pessoas, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo dados apresentados por ele, hoje h\u00e1 4 pensionistas para cada 10 pessoas contribuindo para o sistema de previd\u00eancia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se nenhuma mudan\u00e7a ocorrer at\u00e9 2050, em termos de aumento da oferta de emprego e do tempo de contribui\u00e7\u00e3o, por exemplo, haver\u00e1 1,2 pessoas recebendo benef\u00edcios para cada pessoa contribuindo com o sistema, projetou. \u201cA conta n\u00e3o fechar\u00e1 mais\u201d, avaliou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson, de Porto Seguro (BA) \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A popula\u00e7\u00e3o brasileira tem passado nas \u00faltimas d\u00e9cadas por um r\u00e1pido processo de envelhecimento, devendo somar, at\u00e9 2025, 31,8 milh\u00f5es de pessoas com mais de 60 anos. 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