{"id":89481,"date":"2016-07-04T10:04:04","date_gmt":"2016-07-04T13:04:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=89481"},"modified":"2016-07-01T22:05:44","modified_gmt":"2016-07-02T01:05:44","slug":"queima-de-lenha-e-carvao-pode-contribuir-para-piora-da-qualidade-do-ar-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/queima-de-lenha-e-carvao-pode-contribuir-para-piora-da-qualidade-do-ar-em-sp\/89481","title":{"rendered":"Queima de lenha e carv\u00e3o pode contribuir para piora da qualidade do ar em SP"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A <strong><em>qualidade do ar<\/em><\/strong> na Grande S\u00e3o Paulo poder\u00e1 ser melhorada por meio do controle de emiss\u00f5es de poluentes por fontes ainda n\u00e3o reguladas e subestimadas, como a queima de lenha por pizzarias e de carv\u00e3o vegetal por churrascarias, entre outras medidas.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG-USP), em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da University of Surrey, na Inglaterra, da North Carolina State University, dos Estados Unidos, e das Universidades Federal de Minas Gerais (UFMG) e Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 (UTFPR).<\/p>\n<p>Resultado de um projeto realizado no \u00e2mbito da University Global Partnership Network (UGPN) \u2013 uma rede de pesquisa que re\u00fane algumas das principais universidades do mundo para trabalhar em conjunto sobre quest\u00f5es de import\u00e2ncia global \u2013 e de um vinculado ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais (), o estudo foi publicado na revista Atmospheric Environment.<\/p>\n<p>\u201cApesar de a maioria das emiss\u00f5es de poluentes na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo ser proveniente da frota veicular, h\u00e1 outras fontes que devem ser consideradas, como a contribui\u00e7\u00e3o de queimadas oriundas dos processos agr\u00edcolas em S\u00e3o Paulo e de florestas da Amaz\u00f4nia, e outras mais locais de queima de biomassa, como a de lenha por pizzarias e de carv\u00e3o vegetal por churrascarias\u201d, disse Maria de F\u00e1tima Andrade, professora do IAG-USP e coautora do estudo, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cMas \u00e9 importante ressaltar que o controle das emiss\u00f5es veiculares tanto por programas de melhoria das emiss\u00f5es quanto pela redu\u00e7\u00e3o da frota de ve\u00edculos \u00e9 que resultar\u00e1 em melhora efetiva da qualidade do ar na Grande S\u00e3o Paulo\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, a atual frota de autom\u00f3veis em circula\u00e7\u00e3o representa a principal fonte de poluentes do ar na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, especialmente de material particulado \u2013 part\u00edculas muito finas de s\u00f3lidos ou l\u00edquidos suspensos no ar.<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es de poluentes por ve\u00edculos novos que entram em circula\u00e7\u00e3o hoje na metr\u00f3pole, contudo, t\u00eam diminu\u00eddo nos \u00faltimos anos devido a uma s\u00e9rie de medidas voltadas a controlar as emiss\u00f5es de acordo com padr\u00f5es mais restritivos.<\/p>\n<p>H\u00e1, entretanto, outras fontes de emiss\u00f5es que envolvem processos de queima da biomassa \u2013 que incluem a queima de lenha, carv\u00e3o vegetal e res\u00edduos \u2013 sobre as quais ainda n\u00e3o h\u00e1 muitos dados sobre sua contribui\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es totais de poluente e seus impactos na sa\u00fade, ponderou Andrade.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o sabemos qual a real contribui\u00e7\u00e3o dessas fontes de emiss\u00f5es de poluentes e at\u00e9 mesmo de outras muito maiores, como as industriais, que ainda carecem de uma melhor descri\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de seus impactos atmosf\u00e9ricos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Emiss\u00f5es por pizzarias<\/p>\n<p>A fim de estimar a participa\u00e7\u00e3o de diferentes fontes no total de emiss\u00f5es de poluentes gerados pela queima de biomassa na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, os pesquisadores do IAG-USP, em colabora\u00e7\u00e3o com diversos grupos de pesquisa no Brasil e no exterior, levantaram uma s\u00e9rie de dados durante o Projeto Tem\u00e1tico apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>J\u00e1 por meio do projeto realizado no \u00e2mbito da UGPN, eles estudaram o transporte qu\u00edmico para a metr\u00f3pole de aeross\u00f3is gerados pela queima de floresta na Amaz\u00f4nia e da palha da cana, no Estado de S\u00e3o Paulo, com o objetivo de distingui-los dos decorrentes de emiss\u00f5es locais, como as geradas pela queima de lenha e de carv\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando se medem as emiss\u00f5es de poluentes por queima de biomassa na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo sempre se sup\u00f5e que \u00e9 resultado do transporte de part\u00edculas emitidas pela queima da folhagem da cana-de-a\u00e7\u00facar fora da metr\u00f3pole, por exemplo, que percorre longas dist\u00e2ncias\u201d, disse Andrade.<\/p>\n<p>\u201cMas, na verdade, pode ser que boa parte da massa de part\u00edculas com compostos carbon\u00e1ceos [de carbono] seja proveniente da queima de biomassa dentro da cidade, como a proveniente da queima de lenha em pizzarias e de carv\u00e3o vegetal em churrascarias\u201d, indicou.<\/p>\n<p>Um trabalho de mestrado, realizado pelo estudante Francisco Daniel Mota Lima no programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sustentabilidade da Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades (EACH) da USP, orientado pela professora Regina Miranda, confirmou essa hip\u00f3tese dos pesquisadores.<\/p>\n<p>O  apontou que a queima de biomassa em fornos de pizzaria na cidade de S\u00e3o Paulo representa uma fonte de polui\u00e7\u00e3o do ar.<\/p>\n<p>De acordo com estimativas do estudo, h\u00e1 11 mil pizzarias s\u00f3 em S\u00e3o Paulo \u2013 a segunda cidade que mais consome pizza no mundo, atr\u00e1s apenas de Nova York, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Aproximadamente 80% desses estabelecimentos queimam lenha, principalmente eucalipto, para produzir cerca de 1 milh\u00e3o de pizzas por dia.<\/p>\n<p>A quantidade m\u00e9dia de lenha usada pelas pizzarias na cidade \u00e9 de 48 toneladas por ano. Esse n\u00famero perfaz um total de 7,5 hectares de floresta de eucalipto queimados por m\u00eas e 307,2 mil toneladas de madeira incineradas por ano, que resultam na emiss\u00e3o para a atmosfera de cerca de 321 quilos (kg) por dia de material particulado com di\u00e2metro menor do que 2,5 m\u00edcrons (\u00b5m) \u2013 considerado o mais relevante em termos de impactos \u00e0 sa\u00fade, al\u00e9m de poder interferir no balan\u00e7o radioativo.<\/p>\n<p>\u201cApesar de toda essa quantidade de queima de lenha por pizzarias, ela representa, aproximadamente, 3% das emiss\u00f5es di\u00e1rias do total de poluentes gerados por ve\u00edculos e ind\u00fastrias, o que relativamente \u00e9 muito pouco\u201d, comparou Andrade.<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es de poluentes pela queima de lenha em pizzarias e de carv\u00e3o vegetal por churrascarias e sua participa\u00e7\u00e3o no total das emiss\u00f5es pela queima de biomassa na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, contudo, n\u00e3o est\u00e3o quantificadas e, consequentemente, n\u00e3o t\u00eam sido consideradas nos invent\u00e1rios de emiss\u00f5es de poluentes na metr\u00f3pole, apontam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Nos relat\u00f3rios do , por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre lenha e carv\u00e3o vegetal, e os maiores consumidores dos dois produtos s\u00e3o pizzarias e churrascarias.<\/p>\n<p>Uma vez que as emiss\u00f5es ocorrem no come\u00e7o da noite \u2013 quando as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas est\u00e3o mais est\u00e1veis e as part\u00edculas dispersam menos \u2013, e as chamin\u00e9s das pizzarias e churrascarias est\u00e3o situadas no n\u00edvel do solo, o efeito pode ser muito maior, especialmente durante os meses frios, quando as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas tamb\u00e9m ficam menos favor\u00e1veis \u00e0 dispers\u00e3o de poluentes.<\/p>\n<p>\u201cNa m\u00e9dia, talvez a contribui\u00e7\u00e3o dessas emiss\u00f5es n\u00e3o seja t\u00e3o significativa no total das emiss\u00f5es pela queima de biomassa na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, porque est\u00e1 mais dilu\u00edda. Mas, se olharmos para hor\u00e1rios espec\u00edficos, como o come\u00e7o da noite e durante os meses frios, a contribui\u00e7\u00e3o pode ser maior, porque estar\u00e1 um pouco mais concentrada\u201d, avaliou Andrade.<\/p>\n<p>Outras fontes<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o dos pesquisadores s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos para quantificar e calcular a contribui\u00e7\u00e3o exata n\u00e3o s\u00f3 das emiss\u00f5es de part\u00edculas pela queima de lenha nas pizzarias e churrascarias na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, mas tamb\u00e9m de outras fontes n\u00e3o regulamentadas e contabilizadas nos invent\u00e1rios de emiss\u00f5es totais.<\/p>\n<p>Entre elas est\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o e demoli\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis; a recupera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do asfalto de estradas de rodagem; a queima de lixo dom\u00e9stico; o transporte de poluentes provenientes de atividades industriais fora da Grande S\u00e3o Paulo; a queima de biomassa na \u00e1rea urbana perif\u00e9rica, e o transporte de fuma\u00e7a de queima da cana-de-a\u00e7\u00facar e de \u00e1reas de floresta, especialmente da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de poluentes por essas fontes pode se traduzir em melhoria da qualidade do ar e, consequentemente, da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, indicam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Em Nova D\u00e9li, na \u00cdndia, por exemplo, onde se queima muita lenha, foi proposto recentemente que todos os restaurantes da cidade com capacidade de atender mais de 10 pessoas sentadas devem substituir a queima de carv\u00e3o por aparelhos el\u00e9tricos ou a g\u00e1s natural para o preparo das refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As medidas devem resultar em uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de 67% nas emiss\u00f5es de material particulado com 10 e 2.5 \u00b5m de di\u00e2metro, estimam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, que \u00e9 a quinta regi\u00e3o urbana mais populosa do mundo e a segunda mais povoada da Am\u00e9rica Latina, com 21 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 preciso avaliar os impactos de todas as fontes que podem afetar a qualidade do ar, inclusive das emiss\u00f5es por processos de queima de biomassa, sugerem os autores do estudo.<\/p>\n<p>\u201cQualquer ganho em termos de redu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de poluentes representa muito, porque tem um impacto muito grande sobre a popula\u00e7\u00e3o de 21 milh\u00f5es de pessoas\u201d, avaliou Andrade.<\/p>\n<p>O estudo \u201cNew directions: from biofuels to wood stoves: The modern and ancient air quality challenges in the megacity of S\u00e3o Paulo\u201d (doi: 10.1016\/j.atmosenv.2016.05.059), de Kumar e outros, pode ser lido por assinantes da revista Atmospheric Environmentem .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A qualidade do ar na Grande S\u00e3o Paulo poder\u00e1 ser melhorada por meio do controle de emiss\u00f5es de poluentes por fontes ainda n\u00e3o reguladas e subestimadas, como a queima de lenha por pizzarias e de carv\u00e3o vegetal por churrascarias, entre outras medidas. 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