{"id":88223,"date":"2016-06-15T10:09:56","date_gmt":"2016-06-15T13:09:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=88223"},"modified":"2016-06-14T19:11:07","modified_gmt":"2016-06-14T22:11:07","slug":"atual-geracao-de-adolescentes-podera-ter-surdez-precoce-alerta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/atual-geracao-de-adolescentes-podera-ter-surdez-precoce-alerta-estudo\/88223","title":{"rendered":"Atual gera\u00e7\u00e3o de adolescentes poder\u00e1 ter surdez precoce, alerta estudo"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os h\u00e1bitos de usar diariamente fones de ouvido para escutar m\u00fasica e de frequentar ambientes muito barulhentos, como os de danceterias e shows, t\u00eam causado um aumento na preval\u00eancia de zumbido nos ouvidos em adolescentes, considerado um <strong><em>sintoma de perda auditiva<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de um estudo realizado por pesquisadores da Associa\u00e7\u00e3o de Pesquisa Interdisciplinar e Divulga\u00e7\u00e3o do Zumbido (APIDIZ).<\/p>\n<p>Resultado do projeto , realizado com apoio da FAPESP, o estudo foi publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.<\/p>\n<p>\u201cConstatamos que h\u00e1 uma preval\u00eancia muito alta em adolescentes de zumbido nos ouvidos, que \u00e9 um primeiro sinal de alerta de risco para desenvolver perda de audi\u00e7\u00e3o\u201d, disse Tanit Ganz Sanchez, professora de otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP) e coordenadora do estudo, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cSe essa gera\u00e7\u00e3o de adolescentes continuar se expondo a n\u00edveis muito elevados de ru\u00eddo, provavelmente apresentar\u00e1 perda de audi\u00e7\u00e3o entre 30 e 40 anos\u201d, estimou Sanchez, que preside o Instituto Ganz Sanchez, a atual denomina\u00e7\u00e3o da APIDIZ.<\/p>\n<p>Os pesquisadores realizaram exames de ouvido (otoscopia) em 170 adolescentes na faixa et\u00e1ria de 11 a 17 anos, matriculados em um col\u00e9gio particular tradicional em S\u00e3o Paulo, e solicitaram que respondessem um question\u00e1rio com perguntas como se tinham percebido zumbido nos ouvidos nos \u00faltimos 12 meses e, caso positivo, com qual intensidade, dura\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Mais da metade dos adolescentes (54,7%) respondeu que tinha sentido zumbido nos ouvidos nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p>\u201cA preval\u00eancia de zumbido nos ouvidos em adolescentes \u00e9 alarmante. Havia a ideia de que zumbido nos ouvidos era um problema da terceira idade, e estamos observando que tem se tornado mais prevalente em outros grupos et\u00e1rios, como crian\u00e7as e adolescentes, pela exposi\u00e7\u00e3o cada vez maior a n\u00edveis elevados de ru\u00eddo, entre outros fatores\u201d, afirmou Sanchez.<\/p>\n<p>Os adolescentes que responderam ter percebido zumbido nos ouvidos nos \u00faltimos 12 meses foram submetidos a testes, realizados dentro de uma c\u00e2mara ac\u00fastica, em que foram avaliadas a audi\u00e7\u00e3o por audiometria convencional e de alta frequ\u00eancia \u2013 entre 250 e 16 mil hertz (Hz) \u2013, n\u00edvel de frequ\u00eancia e intensidade do zumbido nos ouvidos e limiar de desconforto a sons.<\/p>\n<p>Os resultados dos testes revelaram que 28,8% dos adolescentes ouviram zumbido nos ouvidos dentro da cabine ac\u00fastica em n\u00edveis comparados aos de adultos.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos que os adolescentes t\u00eam sentido zumbido nos ouvidos com muita frequ\u00eancia, mas, diferentemente dos adultos, eles n\u00e3o se incomodam e n\u00e3o se queixam para os pais e professores, por exemplo. Com isso, deixam de contar com ajuda m\u00e9dica e o problema pode se tornar cr\u00f4nico\u201d, disse Sanchez.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m observaram que, embora a maioria dos adolescentes participantes do estudo relatou ter h\u00e1bitos arriscados de escuta, como o uso cont\u00ednuo de fones de ouvido e a exposi\u00e7\u00e3o a ambientes muito barulhentos, os que afirmaram sofrer de zumbido nos ouvidos manifestaram menor toler\u00e2ncia a n\u00edveis elevados de som.<\/p>\n<p>Do total de 54,7% dos adolescentes que afirmaram ter sentido zumbido nos ouvidos nos \u00faltimos 12 meses, 51% disseram que perceberam o problema logo depois de usar fone de ouvido por muito tempo ou ap\u00f3s sair de um ambiente muito barulhento, como o de uma casa noturna ou de um show.<\/p>\n<p>\u201cSe os ouvidos dos adolescentes com zumbido s\u00e3o mais sens\u00edveis a altos n\u00edveis de som dos que os dos estudantes sem zumbido, \u00e9 natural esperar que sejam lesados antes. O zumbido nos ouvidos seria o primeiro sinal dessa les\u00e3o, aparecendo mais precocemente que qualquer perda auditiva\u201d, comparou Sanchez.<\/p>\n<p>Efeitos do zumbido<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, o zumbido nos ouvidos \u00e9 causado pela les\u00e3o tempor\u00e1ria ou definitiva das c\u00e9lulas ciliadas.<\/p>\n<p>Localizadas no ouvido interno (c\u00f3clea), essas c\u00e9lulas alongam e encurtam repetidamente quando estimuladas por vibra\u00e7\u00f5es sonoras.<\/p>\n<p>Ao serem estimuladas por altos n\u00edveis de vibra\u00e7\u00f5es sonoras, como os causados por uma explos\u00e3o, fogos de artif\u00edcios, o som alto de um fone de ouvido ou em um show, por exemplo, essas c\u00e9lulas ciliadas ficam sobrecarregadas e podem sofrer les\u00f5es tempor\u00e1rias ou definitivas.<\/p>\n<p>A fim de compensar a perda de fun\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas ciliadas lesionadas ou mortas, as regi\u00f5es vizinhas passam a trabalhar em um ritmo mais acelerado do que o normal, o que d\u00e1 origem ao zumbido nos ouvidos, explicou Sanchez.<\/p>\n<p>\u201cO zumbido nos ouvidos costuma ser consequ\u00eancia de les\u00e3o dessas c\u00e9lulas auditivas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Estudos recentes em neuroci\u00eancia realizados com animais tamb\u00e9m sugerem que o zumbido nos ouvidos pode ser um reflexo da perda de sinapses (comunica\u00e7\u00e3o) das c\u00e9lulas ciliadas com o nervo coclear e, posteriormente, com o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>A perda dessas sinapses, causada pela exposi\u00e7\u00e3o a altos n\u00edveis de ru\u00eddo, pode provocar, al\u00e9m da diminui\u00e7\u00e3o da capacidade auditiva, altera\u00e7\u00f5es neurais em vias auditivas que reduzem a toler\u00e2ncia ao n\u00edvel de som, como se observou nos adolescentes participantes do estudo, apontaram os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cO zumbido nos ouvidos e a menor toler\u00e2ncia a n\u00edveis de som manifestadas pelos adolescentes participantes do estudo podem ser ind\u00edcios de perdas de sinapses das c\u00e9lulas ciliadas que n\u00e3o s\u00e3o detectadas em exames audiom\u00e9tricos\u201d, afirmou Sanchez. \u201cPor isso, pode parecer que n\u00e3o h\u00e1 les\u00e3o na via auditiva, mas, na verdade, a les\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o aparece na audiometria, dificultando o diagn\u00f3stico\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Se esses adolescentes continuarem a usar frequentemente fones de ouvido e se expuserem a ambientes barulhentos at\u00e9 os 20, 25 anos, por exemplo, a perda de sinapses tende a continuar progredindo e eles podem ter problemas de surdez enquanto ainda s\u00e3o jovens, estimou Sanchez.<\/p>\n<p>Formas de preven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, o zumbido nos ouvidos \u00e9 trat\u00e1vel e pass\u00edvel de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Algumas das formas de se proteger do problema \u00e9 usar protetor auricular e fazer intervalos de dez minutos a cada hora de exposi\u00e7\u00e3o a ambientes barulhentos, indicou.<\/p>\n<p>\u201cAo fazer um intervalo de dez minutos a cada hora de exposi\u00e7\u00e3o a altos n\u00edveis de ru\u00eddo \u00e9 poss\u00edvel aumentar a chance de os ouvidos se recuperarem e n\u00e3o terem les\u00f5es definitivas\u201d, explicou Sanchez.<\/p>\n<p>Segundo ela, al\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o a altos n\u00edveis de ru\u00eddo, outras causas de zumbido nos ouvidos identificadas em adolescentes s\u00e3o jejum prolongado, abuso no consumo de doces \u2013 principalmente chocolate \u2013 e de cafe\u00edna, presente n\u00e3o s\u00f3 no caf\u00e9, ch\u00e1 e chocolate, como tamb\u00e9m em bebidas energ\u00e9ticas.<\/p>\n<p>O artigo \u201cTinnitus is associated with reduced sound level tolerance in adolescentes with normal audiograms and otoacoustic emissions\u201d (doi: 10.1038\/srep27109), de Sanchez e outros, pode ser lido na revista Scientific Reports em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os h\u00e1bitos de usar diariamente fones de ouvido para escutar m\u00fasica e de frequentar ambientes muito barulhentos, como os de danceterias e shows, t\u00eam causado um aumento na preval\u00eancia de zumbido nos ouvidos em adolescentes, considerado um sintoma de perda auditiva. 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