{"id":87897,"date":"2016-06-10T10:03:19","date_gmt":"2016-06-10T13:03:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=87897"},"modified":"2016-06-09T16:55:42","modified_gmt":"2016-06-09T19:55:42","slug":"estimativa-de-areas-queimadas-no-brasil-ganha-maior-precisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/estimativa-de-areas-queimadas-no-brasil-ganha-maior-precisao\/87897","title":{"rendered":"Estimativa de \u00e1reas queimadas no Brasil ganha maior precis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A estimativa de \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o natural no Brasil afetadas por <strong><em>queimadas<\/em><\/strong> passou a ser mais precisa. Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desenvolveram um algoritmo automatizado \u2013 sequ\u00eancias de comandos passadas a um computador a fim de realizar uma tarefa \u2013 para detectar mensalmente \u00e1reas queimadas no pa\u00eds com base em dados de sensoriamento remoto obtidos pelo sensor orbital Modis (sigla de Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer), da Nasa, ag\u00eancia espacial norte-americana.<\/p>\n<p>Resultado de uma pesquisa de p\u00f3s-doutorado realizada com  da FAPESP, o algoritmo est\u00e1 implementado e usado pelo Grupo de Monitoramento de Queimadas e Inc\u00eandios do Inpe para gerar estimativas nacionais de \u00e1reas queimadas com periodicidade mensal e retroativamente, de 2005 at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos por meio desse novo algoritmo melhorar as estimativas e gerar mapas de \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o queimadas no Brasil com uma qualidade superior \u00e0 que existia\u201d, disse Renata Libonati, que desenvolveu o algoritmo durante seu p\u00f3s-doutorado no Inpe, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A pesquisa de p\u00f3s-doutorado foi supervisionada por Alberto Setzer, coordenador do Grupo de Monitoramento de Queimadas e Inc\u00eandios do Inpe.<\/p>\n<p>De acordo com Libonati, que atualmente \u00e9 professora do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), at\u00e9 ent\u00e3o o mapeamento de \u00e1reas queimadas no Brasil era feito com base em algoritmos desenvolvidos pela Nasa que fazem o sensoriamento remoto em escala global.<\/p>\n<p>Apesar da vantagem de permitir observar a evolu\u00e7\u00e3o das queimadas em todo o planeta, o sensoriamento remoto em escala global apresenta problemas e limita\u00e7\u00f5es para ser usado regionalmente, ponderou a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cComo o sensoriamento remoto global \u00e9 feito de forma generalizada, para v\u00e1rios biomas, n\u00e3o s\u00e3o levadas em conta as caracter\u00edsticas regionais, como o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o, solo e clima\u201d, explicou. \u201cE v\u00e1rios estudos demonstraram que h\u00e1 grandes diverg\u00eancias na quantifica\u00e7\u00e3o de queimadas por esses sistemas de sensoriamento remoto em escala global, tanto em termos de extens\u00e3o anual como de localiza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas queimadas\u201d, apontou.<\/p>\n<p>A fim de superar essas limita\u00e7\u00f5es dos sistemas de sensoriamento remoto em escala global, a pesquisadora desenvolveu um algoritmo regional, batizado de AQM, com resolu\u00e7\u00e3o espacial de 1 quil\u00f4metro quadrado (km<sup>2<\/sup>).<\/p>\n<p>O algoritmo baseia-se em um \u00edndice de vegeta\u00e7\u00e3o sens\u00edvel \u00e0 queimada, obtido a partir de valores di\u00e1rios da propor\u00e7\u00e3o entre o fluxo de radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica incidente numa superf\u00edcie e o fluxo que \u00e9 refletido (reflect\u00e2ncia), fornecidos pelo sensor orbital Modis nos intervalos espectrais do infravermelho pr\u00f3ximo e m\u00e9dio, al\u00e9m de dados de diversos sensores de detec\u00e7\u00e3o de inc\u00eandio.<\/p>\n<p>Para validar o algoritmo, os pesquisadores realizaram um estudo, publicado na revista Remote Sensing, em que avaliaram sua capacidade de detectar e quantificar \u00e1reas queimadas no Jalap\u00e3o, no Tocantins, situado no Cerrado brasileiro, usando como refer\u00eancia mapas derivados de imagens obtidas pelo sistema orbital Landsat.<\/p>\n<p>Os resultados foram comparados com os dos algoritmos usados pela Nasa para quantificar \u00e1reas queimadas em escala global.<\/p>\n<p>As compara\u00e7\u00f5es indicaram que o algoritmo regional conseguiu estimar as \u00e1reas queimadas na regi\u00e3o com muito maior precis\u00e3o que os algoritmos usados pela Nasa.<\/p>\n<p>\u201cOs algoritmos usados pela Nasa apresentam muitos erros de omiss\u00e3o da localiza\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o de \u00e1reas queimadas. Por meio do algoritmo que desenvolvemos conseguimos diminuir esses erros e aumentar a detec\u00e7\u00e3o das \u00e1reas queimadas\u201d, comparou Libonati.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m desenvolveram por meio do algoritmo um banco de dados mensais de queimadas para todo o territ\u00f3rio brasileiro que cobre o per\u00edodo de 2005 a 2014.<\/p>\n<p>A ideia, contudo, \u00e9 melhorar cada vez mais as estimativas de \u00e1reas queimadas para o pa\u00eds, utilizando sensores orbitais mais refinados, como o VIIRS (sigla de Visible Infrared Imaging Radiometer Suite), embarcado no sat\u00e9lite S-NPP (sigla de Suomi National Polar-orbiting Partnership), da Nasa, que entrou em opera\u00e7\u00e3o em outubro de 2011 e come\u00e7ou a fazer aquisi\u00e7\u00f5es de imagens sobre a Terra.<\/p>\n<p>\u201cEmbora os resultados do algoritmo desenvolvido para o sensor MODIS sejam satisfat\u00f3rios, ainda \u00e9 necess\u00e1rio aperfei\u00e7oar o m\u00e9todo por meio de novas valida\u00e7\u00f5es em outros biomas. Al\u00e9m disso, j\u00e1 est\u00e1 sendo desenvolvida a adapta\u00e7\u00e3o deste algoritmo para o novo sensor VIIRS, que possui informa\u00e7\u00e3o mais refinada, de 375 metros\u201d, afirmou Libonati.<\/p>\n<p>Censo de queimadas<\/p>\n<p>Os pesquisadores pretendem aperfei\u00e7oar o algoritmo para obter dados de queimadas de todos os biomas brasileiros.<\/p>\n<p>De acordo com Libonati, essas informa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o \u00fateis n\u00e3o s\u00f3 para avaliar os efeitos ambientais e melhorar as incertezas no c\u00e1lculo de emiss\u00e3o e dispers\u00e3o de poluentes gerados pela queima de vegeta\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m para analisar os impactos da emiss\u00e3o de queimadas nos cen\u00e1rios futuros de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cAs queimadas est\u00e3o associadas com a degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, doen\u00e7as respirat\u00f3rias entre as comunidades locais e, ao mesmo tempo, contribuem para emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, aeross\u00f3is e gases tra\u00e7o. Qualquer tentativa de caracterizar e mitigar o impacto clim\u00e1tico das queimadas pressup\u00f5e uma base de dados confi\u00e1vel contendo informa\u00e7\u00f5es sobre a localiza\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o das \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o afetadas pelo fogo\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>A convers\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o natural em \u00e1reas de pastagem ou para plantio de culturas agr\u00edcolas por meio do uso de fogo \u00e9 considerada a principal fonte de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, al\u00e9m de aeross\u00f3is (material particulado) e gases tra\u00e7o \u2013 como o g\u00e1s carb\u00f4nico e o metano \u2013 no Brasil, indicam especialistas na \u00e1rea.<\/p>\n<p>E as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas associadas a altera\u00e7\u00f5es no uso da terra t\u00eam o potencial de aumentar dramaticamente a incid\u00eancia, extens\u00e3o e gravidade das queimadas.<\/p>\n<p>Essas preocupa\u00e7\u00f5es apontam para a necessidade de informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis sobre queimadas para tomadores de decis\u00e3o, cientistas e gestores de recursos, apontam os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cEspera-se que os resultados obtidos com o algoritmo sejam aplicados, por exemplo, na quantifica\u00e7\u00e3o brasileira das metas REDD [sigla, em ingl\u00eas, de Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation, que designa um conjunto de incentivos econ\u00f4micos voltados a reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa resultantes do desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o ambiental], de modo a atender demandas do governo brasileiro\u201d, disse Libonati.<\/p>\n<p>O artigo \u201cAn algorithm for burned area detection in the brazilian Cerrado using 4 \u00b5m MODIS imagery\u201d (doi: 10.3390\/rs71115782), de Libonati e outros, pode ser lido na revista Remote Sensing em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A estimativa de \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o natural no Brasil afetadas por queimadas passou a ser mais precisa. 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