{"id":86934,"date":"2016-05-27T10:10:36","date_gmt":"2016-05-27T13:10:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=86934"},"modified":"2016-05-25T14:12:32","modified_gmt":"2016-05-25T17:12:32","slug":"numero-de-turistas-contaminados-por-dengue-durante-olimpiadas-sera-baixo-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/numero-de-turistas-contaminados-por-dengue-durante-olimpiadas-sera-baixo-diz-estudo\/86934","title":{"rendered":"N\u00famero de turistas contaminados por dengue durante Olimp\u00edadas ser\u00e1 baixo, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em 2014, antes do in\u00edcio da Copa do Mundo no Brasil, havia um temor de que muitos entre os 600 mil turistas estrangeiros aguardados para o maior evento futebol\u00edstico do planeta pudessem contrair <strong><em>dengue<\/em><\/strong>. Seriam centenas ou mesmo milhares, de acordo com algumas previs\u00f5es.<\/p>\n<p>Tal temor n\u00e3o era infundado uma vez que h\u00e1 dois anos, como hoje, a infesta\u00e7\u00e3o do mosquito transmissor da doen\u00e7a, o Aedes aegypti, j\u00e1 estava espalhada pelo pa\u00eds. Mas, em maio de 2014, um m\u00eas antes do in\u00edcio do campeonato mundial, um estudo epidemiol\u00f3gico surpreendeu ao se contrapor \u00e0quele panorama de maus press\u00e1gios, indicando que a total de infec\u00e7\u00f5es por dengue entre os turistas na Copa seria m\u00ednimo. E a previs\u00e3o se mostrou correta.<\/p>\n<p>Resultado do emprego de m\u00e9todos sofisticados de modelagem matem\u00e1tica, o artigo \u201c\u201d, do professor Eduardo Massad e colaboradores da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP), estimava que o n\u00famero total de casos de dengue notificados entre turistas estaria entre tr\u00eas e 59.<\/p>\n<p>\u201cSabe quantos casos foram?\u201d, pergunta Massad com um sorriso. \u201cApenas tr\u00eas: dois de turistas dos Estados Unidos e um do Jap\u00e3o. Acertamos na m\u00ednima.\u201d<\/p>\n<p>Em 2016, a tr\u00eas meses do in\u00edcio dos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro, a mesma equipe voltou a utilizar seus modelos matem\u00e1ticos para calcular o risco de infec\u00e7\u00e3o por dengue entre os cerca de 400 mil visitantes internacionais esperados \u2013 segundo estima o Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur). Os dados utilizados s\u00e3o do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A exemplo do que ocorreu na Copa, os c\u00e1lculos da equipe de epidemiologistas apontam para um n\u00famero muito baixo de infec\u00e7\u00f5es por dengue entre os turistas estrangeiros nas Olimp\u00edadas, explica o doutorando Raphael Ximenes, l\u00edder da nova pesquisa, e orientando do professor Massad.<\/p>\n<p>Os resultados foram publicados em novo artigo, \u201c\u201d, na revista BMC Infectious Diseases, em estudo .<\/p>\n<p>O pior cen\u00e1rio<\/p>\n<p>Caso a epidemia de dengue em 2016 siga o mesmo padr\u00e3o verificado em agosto de 2007 \u2013 m\u00eas com maior total de casos desde o in\u00edcio da epidemia no Brasil \u2013, a modelagem matem\u00e1tica estima que haver\u00e1, entre os 400 mil turistas estrangeiros aguardados, apenas 23 casos sintom\u00e1ticos. S\u00e3o aqueles casos em que se registra febre e demais sintomas e que podem vir (ou n\u00e3o) a resultar em interna\u00e7\u00f5es hospitalares.<\/p>\n<p>J\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o aos casos assintom\u00e1ticos \u2013 em que, picados pelo Aedes, os turistas contrair\u00e3o o v\u00edrus da dengue, mas n\u00e3o desenvolver\u00e3o sintomas nem ficar\u00e3o doentes \u2013, o n\u00famero de casos esperados \u00e9 de 206.<\/p>\n<p>A epidemia anual de dengue no Brasil costuma ocorrer nos meses chuvosos, quando aumenta a prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito. Atinge seu \u00e1pice geralmente em abril e declina a partir de maio, gra\u00e7as \u00e0 progressiva redu\u00e7\u00e3o do \u00edndice pluviom\u00e9trico e \u00e0 consequente aproxima\u00e7\u00e3o da estiagem de inverno. Quando se instala o tempo seco e frio, a multiplica\u00e7\u00e3o do mosquito \u00e9 interrompida e o total de infec\u00e7\u00f5es por dengue desaba.<\/p>\n<p>Em 2007 n\u00e3o foi assim. Por conta de um inverno com temperaturas m\u00ednimas particularmente altas, a prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito n\u00e3o cessou por completo. O resultado \u00e9 que n\u00e3o ocorreu uma pausa entre a epidemia de dengue do in\u00edcio de 2007 e aquela que iniciaria no per\u00edodo chuvoso de 2008. Os casos de dengue em agosto de 2007 foram elevados por conta disso.<\/p>\n<p>Perspectivas para 2016<\/p>\n<p>Mas 2007 foi a exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra. Caso o inverno de 2016 seja frio como foram os de outros anos desde 2002, a prolifera\u00e7\u00e3o doAedes dever\u00e1 cessar. Nessas condi\u00e7\u00f5es, qual \u00e9 a estimativa de casos sintom\u00e1ticos de dengue entre os turistas dos jogos Ol\u00edmpicos? Zero. Isso mesmo, pelo menos \u00e9 o que indicam os c\u00e1lculos da equipe. J\u00e1 entre os casos assintom\u00e1ticos pode-se esperar at\u00e9 duas ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cA dengue n\u00e3o vai acabar nem ser\u00e1 resolvida enquanto n\u00e3o existir uma vacina eficiente\u201d, disse Massad. Segundo o pesquisador, na falta de uma vacina, s\u00f3 resta combater o mosquito Aedes, outra tarefa muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhei em Cingapura, onde a epidemia de dengue existe desde 1974. Apesar dos esfor\u00e7os do governo e da sociedade, os n\u00fameros da doen\u00e7a no pa\u00eds s\u00f3 aumentam ano a ano. As estat\u00edsticas da epidemia acompanham o aumento na quantidade de mosquitos, que est\u00e1 diretamente associado ao aumento da popula\u00e7\u00e3o. Dengue \u00e9 um problema urbano. Aedes \u00e9 como rato e barata. Onde tiver gente, vai ter Aedes e vai ter dengue\u201d, disse Massad.<\/p>\n<p>Lastreada pela experi\u00eancia com os estudos sobre a dengue, a equipe da FMUSP trata agora de tentar estimar o risco de infec\u00e7\u00e3o dos turistas pelo v\u00edrus Zika. \u00c9 um c\u00e1lculo bem mais complicado e impreciso, pois a notifica\u00e7\u00e3o dos casos de Zika no Brasil s\u00f3 se tornou compuls\u00f3ria em janeiro de 2016.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o conseguimos fazer uma previs\u00e3o de risco sem conhecer o passado da doen\u00e7a. Felizmente, no caso da dengue, o banco de dados do Sinan \u00e9 um dos mais completos do mundo\u201d, disse Ximenes.<\/p>\n<p>O artigo \u201cThe risk of dengue for non-immune foreign visitors to the 2016 summer olympic games in Rio de Janeiro, Brazil\u201d (doi: 10.1186\/s12879-016-1517-z), de Raphael Ximenes, Marcos Amaku, Luis Fernandez Lopez, Francisco Antonio Bezerra Coutinho, Marcelo Nascimento Burattini, David Greenhalgh, Annelies Wilder-Smith, Claudio Jos\u00e9 Struchiner e Eduardo Massad, publicado naBMC Infectious Diseases, pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em 2014, antes do in\u00edcio da Copa do Mundo no Brasil, havia um temor de que muitos entre os 600 mil turistas estrangeiros aguardados para o maior evento futebol\u00edstico do planeta pudessem contrair dengue. Seriam centenas ou mesmo milhares, de acordo com algumas previs\u00f5es. 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