{"id":85216,"date":"2016-04-28T10:17:40","date_gmt":"2016-04-28T13:17:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=85216"},"modified":"2016-04-27T19:19:31","modified_gmt":"2016-04-27T22:19:31","slug":"dispositivo-eletronico-detecta-moleculas-ligadas-a-cancer-alzheimer-e-parkinson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/dispositivo-eletronico-detecta-moleculas-ligadas-a-cancer-alzheimer-e-parkinson\/85216","title":{"rendered":"Dispositivo eletr\u00f4nico detecta mol\u00e9culas ligadas a c\u00e2ncer, Alzheimer e Parkinson"},"content":{"rendered":"<p> Diego Freire \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um biosensor desenvolvido por pesquisadores do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano), em Campinas, mostrou-se capaz de detectar mol\u00e9culas relacionadas a <strong><em>doen\u00e7as neurodegenerativas<\/em><\/strong> e alguns tipos de c\u00e2ncer. Trata-se de um dispositivo eletr\u00f4nico manufaturado sobre uma plataforma de vidro. Nele, um transistor \u00e9 formado por uma camada org\u00e2nica em escala nanom\u00e9trica, contendo o pept\u00eddeo glutationa reduzida (GSH), que reage de maneira espec\u00edfica quando em contato com a enzima glutationa S-transferase (GST), relacionada a doen\u00e7as como Parkinson, Alzheimer e c\u00e2ncer de mama, entre outras. A rea\u00e7\u00e3o GSH-GST \u00e9 detectada pelo transistor e pode ser utilizada no diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>O biossensor foi desenvolvido no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico , realizado com o apoio da FAPESP, que re\u00fane pesquisadores de diferentes \u00e1reas do conhecimento em torno da tecnologia dos dispositivos point of care, sistemas de teste simples executados junto ao paciente.<\/p>\n<p>\u201cUtilizando plataformas como esta, doen\u00e7as complexas poder\u00e3o ser diagnosticadas de forma r\u00e1pida, segura e relativamente barata, uma vez que a tecnologia utiliza sistemas em escala nanom\u00e9trica para identificar as mol\u00e9culas de interesse no material analisado\u201d, explica Carlos Cesar Bof Bufon, coordenador do Laborat\u00f3rio de Dispositivos e Sistemas Funcionais (DSF) do LNNano e pesquisador associado ao projeto coordenado pelo professor\u00a0Lauro Kubota, do Instituto de Qu\u00edmica da Unicamp.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da portabilidade e do baixo custo, Bufon destaca como vantagem do biossensor em escala nanom\u00e9trica a sensibilidade com que o dispositivo detecta as mol\u00e9culas.<\/p>\n<p>\u201cPela primeira vez a tecnologia de um transistor org\u00e2nico \u00e9 utilizada para detec\u00e7\u00e3o do par GSH-GST, visando diagnosticar doen\u00e7as degenerativas, por exemplo. Isso possibilitar\u00e1 a detec\u00e7\u00e3o de tais mol\u00e9culas mesmo presentes em baixas concentra\u00e7\u00f5es no material examinado, uma vez que as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o detectadas em escala nanom\u00e9trica, ou seja, de milion\u00e9simos de mil\u00edmetros.\u201d<\/p>\n<p>O sistema pode ser adaptado para detec\u00e7\u00e3o de outras subst\u00e2ncias, como mol\u00e9culas relacionadas a diferentes doen\u00e7as e elementos presentes em material contaminado, entre outras aplica\u00e7\u00f5es. Para isso, alteram-se as mol\u00e9culas incorporadas no sensor, que reagir\u00e3o na presen\u00e7a dos componentes qu\u00edmicos que s\u00e3o alvo de an\u00e1lise no ensaio, chamados de analitos.<\/p>\n<p>\u201cO DSF do LNNano tem desenvolvido uma variedade de plataformas para sensoriamento qu\u00edmico, f\u00edsico e biol\u00f3gico voltadas a setores estrat\u00e9gicos nacionais e internacionais, incluindo sa\u00fade, meio ambiente e energia\u201d, diz Bufon.<\/p>\n<p>O objetivo, conta o pesquisador, \u00e9 \u201cter em m\u00e3os uma s\u00e9rie de solu\u00e7\u00f5es em dispositivos point of care para responder com agilidade a uma s\u00e9rie de demandas\u201d. Por exemplo, surtos de doen\u00e7as ou an\u00e1lise de analitos contaminantes, como o chumbo e toxinas em amostras de \u00e1gua.<\/p>\n<p>A pesquisa que levou ao desenvolvimento do biossensor para detec\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas relacionadas a doen\u00e7as neurodegenerativas e a alguns tipos de c\u00e2ncer foi relatada no artigo Water-gated phthalocyanine transistors: Operation and transduction of the peptide\u2013enzyme interaction, publicado na revista Organic Electronics, e est\u00e1 dispon\u00edvel no endere\u00e7o em.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 de autoria dos pesquisadores Rafael Furlan de Oliveira, Leandro das Merc\u00eas Silva e Tatiana Parra Vello, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Bufon, todos do DSF do LNNano.<\/p>\n<p>Do vidro ao papel<\/p>\n<p>Com o objetivo de reduzir ainda mais os custos, melhorar a portabilidade dos biossensores desenvolvidos e facilitar seu processo de manufatura e descarte, o grupo vem trabalhando em sistemas de detec\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias em plataformas de papel.<\/p>\n<p>\u201cO papel, enquanto plataforma para a fabrica\u00e7\u00e3o de dispositivos anal\u00edticos, apresenta uma s\u00e9rie de vantagens por se tratar de um pol\u00edmero natural, amplamente dispon\u00edvel em todo o mundo, leve, biodegrad\u00e1vel, port\u00e1til e dobr\u00e1vel\u201d, diz Bufon.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 converter um material isolante, caso do papel, em condutor. Para isso, o pesquisador desenvolveu uma t\u00e9cnica que possibilita impregnar nas fibras de celulose pol\u00edmeros com propriedades condutoras, tornando-o capaz de conduzir eletricidade e transmitir informa\u00e7\u00f5es de um ponto a outro e permitindo atribuir a ele a fun\u00e7\u00e3o de um sistema para sensoriamento.<\/p>\n<p>\u201cA t\u00e9cnica \u00e9 baseada na s\u00edntese in situ de pol\u00edmeros condutores. Para que esses pol\u00edmeros n\u00e3o fiquem retidos na superf\u00edcie do papel, \u00e9 necess\u00e1rio que eles sejam sintetizados dentro dos poros da fibra de celulose e entre eles. Para isso, o processo \u00e9 feito por meio de uma rota de polimeriza\u00e7\u00e3o qu\u00edmica a vapor: um agente oxidante l\u00edquido \u00e9 incorporado ao papel, que, em seguida, \u00e9 exposto aos mon\u00f4meros (pequenas mol\u00e9culas capazes de se ligarem a outras) na fase de vapor. Ao evaporarem sob o papel, os mon\u00f4meros entram na fibra em escala submicrom\u00e9trica, penetrando entre os poros, onde encontram o agente oxidante e iniciam o processo de polimeriza\u00e7\u00e3o ali mesmo, impregnando todo o material\u201d, explica.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o pesquisador, \u201c\u00e9 como tentar encher uma sala com bal\u00f5es; se eles n\u00e3o passam pela porta cheios de ar, uma alternativa \u00e9 ench\u00ea-los l\u00e1 dentro\u201d.<\/p>\n<p>Uma vez impregnado pelos pol\u00edmeros, o papel passa a ter as propriedades condutoras deles. Essa condutividade pode ser ajustada dependendo da aplica\u00e7\u00e3o que se queira dar ao papel, manipulando-se o elemento que \u00e9 incorporado \u00e0 fibra de celulose. Dessa forma, o dispositivo pode ser condutor de corrente el\u00e9trica, levando-a de um ponto a outro sem grandes perdas (imagine antenas de papel, por exemplo), ou semicondutor, interagindo com mol\u00e9culas espec\u00edficas e funcionando como sensor f\u00edsico, qu\u00edmico ou eletroqu\u00edmico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire \u00a0| \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um biosensor desenvolvido por pesquisadores do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano), em Campinas, mostrou-se capaz de detectar mol\u00e9culas relacionadas a doen\u00e7as neurodegenerativas e alguns tipos de c\u00e2ncer. Trata-se de um dispositivo eletr\u00f4nico manufaturado sobre uma plataforma de vidro. Nele, um transistor \u00e9 formado por uma camada org\u00e2nica em escala [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35093,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-85216","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude2.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85216\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}