{"id":83950,"date":"2016-04-08T10:48:42","date_gmt":"2016-04-08T13:48:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=83950"},"modified":"2016-04-07T16:50:55","modified_gmt":"2016-04-07T19:50:55","slug":"pantanal-pode-ter-temperaturas-elevadas-em-7o-c-ate-2100-indica-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/pantanal-pode-ter-temperaturas-elevadas-em-7o-c-ate-2100-indica-estudo\/83950","title":{"rendered":"Pantanal pode ter temperaturas elevadas em 7\u00ba C at\u00e9 2100, indica estudo"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O <strong><em>Pantanal<\/em><\/strong>, a maior plan\u00edcie alagada do mundo, corre o risco de, em 2100, ver as suas temperaturas m\u00e9dias anuais elevadas em at\u00e9 7 \u00b0C. Tamanho aumento de temperatura implicaria uma redu\u00e7\u00e3o sens\u00edvel no regime de chuvas da regi\u00e3o, principalmente no inverno. Tais mudan\u00e7as clim\u00e1ticas teriam impacto sobre a evapora\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e a pr\u00f3pria exist\u00eancia do Pantanal como o conhecemos.<\/p>\n<p>Essas proje\u00e7\u00f5es foram estimadas a partir da aplica\u00e7\u00e3o ao Pantanal dos modelos clim\u00e1ticos globais do 5\u00ba Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), de 2014.<\/p>\n<p>O trabalho \u201c\u201d, publicado no livro , \u00e9 de autoria da equipe do hidrologista e meteorologista Jos\u00e9 Antonio Marengo Orsini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em Cachoeira Paulista, e tem \u00a0e do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u00a0\u2013 que, por sua vez, \u00e9 apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n<p>O Pantanal tem uma \u00e1rea de 140 mil km\u00b2, 80% da qual fica no Brasil, nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. \u00c9 uma regi\u00e3o semi\u00e1rida. N\u00e3o fosse o enorme fluxo anual de \u00e1gua para a regi\u00e3o, o bioma seria t\u00e3o seco quanto a caatinga nordestina. Isso n\u00e3o ocorre porque o Pantanal \u00e9 um grande reservat\u00f3rio que armazena as \u00e1guas que escoam dos planaltos circundantes.<\/p>\n<p>Nos meses de novembro a mar\u00e7o, na esta\u00e7\u00e3o chuvosa, os rios transbordam, inundando at\u00e9 70% da plan\u00edcie. \u00c9 quando se formam os banhados, os lagos rasos e quando os p\u00e2ntanos incham. Tudo isso faz com que, nas \u00e1reas mais elevadas, surjam ilhas de vegeta\u00e7\u00e3o, um ref\u00fagio para os animais. Grandes \u00e1reas permanecem inundadas por quatro a oito meses no ano, com uma cobertura de \u00e1gua que varia de uns poucos cent\u00edmetros at\u00e9 2 metros.<\/p>\n<p>Durante a esta\u00e7\u00e3o seca, de abril a setembro, as \u00e1guas refluem para a calha dos rios e os banhados s\u00e3o parcialmente drenados. As \u00e1guas antes represadas seguem seu curso atrav\u00e9s das bacias dos rios Paraguai e Paran\u00e1, em dire\u00e7\u00e3o ao rio da Prata e ao Atl\u00e2ntico Sul. Deixam em seu lugar uma camada de sedimentos f\u00e9rteis que impulsionam o crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o e das pastagens.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o retrato do Pantanal hoje. Nele caem anualmente entre 1.000 e 1.250 mil\u00edmetros de chuva. A temperatura m\u00e9dia anual \u00e9 24 \u00b0C \u2013 sendo que a temperatura m\u00e1xima, alguns dias no ano, atinge os 41 graus. O que as proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas de Marengo indicam para o futuro?<\/p>\n<p>O 5\u00ba Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC projeta um aumento na temperatura m\u00e9dia global em 2100 de 3,7\u00ba C a 4,8\u00b0C. Quando seus par\u00e2metros s\u00e3o usados para analisar as vari\u00e1veis clim\u00e1ticas espec\u00edficas do Pantanal, o resultado impressiona. At\u00e9 2040, as temperaturas m\u00e9dias devem subir de 2\u00ba C a 3 \u00b0C. Em 2070, o aumento poder\u00e1 ser de 4\u00baC a 5\u00b0C, atingindo em 2100 uma temperatura m\u00e9dia 6 \u00b0C mais elevada do que a atual.<\/p>\n<p>Embora haja muita incerteza com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s proje\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas, os modelos sugerem que, durante o inverno no hemisf\u00e9rio Sul, o Pantanal poder\u00e1 experimentar uma redu\u00e7\u00e3o na quantidade de chuva de 30% a 40%.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o entre temperaturas mais elevadas e menos chuva implicar\u00e1 um aumento da evapora\u00e7\u00e3o no Pantanal. Dependendo da temperatura, volumes consider\u00e1veis de \u00e1gua represada poder\u00e3o desaparecer, o que reduzir\u00e1 a \u00e1rea total alagada e a quantidade de \u00e1gua nas por\u00e7\u00f5es de terra que permanecer\u00e3o alagadas. \u201cUm aumento da temperatura m\u00e9dia de 5\u00ba C a 6 \u00b0C implicaria em defici\u00eancia h\u00eddrica, o que afetaria a biodiversidade e a popula\u00e7\u00e3o\u201d, observa Marengo.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias para a fauna e a flora poder\u00e3o ser severas. Esp\u00e9cies vegetais pouco adapt\u00e1veis a um grau de umidade inferior ao atual poder\u00e3o desaparecer ou migrar para outras regi\u00f5es. Em seu lugar, germinariam outras esp\u00e9cies, que preferem climas mais secos.<\/p>\n<p>A altera\u00e7\u00e3o na vegeta\u00e7\u00e3o implicaria diretamente as popula\u00e7\u00f5es de invertebrados e de vertebrados herb\u00edvoros \u2013 capivaras, antas que delas dependem (mas tamb\u00e9m o gado das fazendas) \u2013 , numa rea\u00e7\u00e3o em cadeia que afetaria todos os nichos da cadeia alimentar, at\u00e9 atingir os predadores de topo, como os felinos, os jacar\u00e9s e as aves de rapina.<\/p>\n<p>Muito embora Marengo fa\u00e7a quest\u00e3o de salientar que as incertezas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ainda s\u00e3o elevadas, especialmente no quesito do regime pluviom\u00e9trico, um coisa \u00e9 certa: as temperaturas globais est\u00e3o aumentando e o mesmo acontecer\u00e1 no Pantanal.<\/p>\n<p>Como aquela plan\u00edcie alagada fica no centro da Am\u00e9rica do Sul, portanto longe da influ\u00eancia mar\u00edtima que poderia ajudar a amenizar o clima, o aumento das temperaturas no Pantanal tende a ser mais dram\u00e1tico. \u201cO dia mais quente do ano pode vir a ser at\u00e9 10 \u00b0C mais quente do que hoje\u201d, diz Marengo.<\/p>\n<p>Se atualmente, nos dias mais quentes do ver\u00e3o, a temperatura no Pantanal passa f\u00e1cil dos 40 \u00b0C, estamos falando em temperaturas m\u00e1ximas em torno ou superiores aos 50 \u00b0C. \u00c9 temperatura de deserto. A maioria das plantas suporta pontualmente um calor\u00e3o desses. Pontualmente.<\/p>\n<p>O artigo Climate Change Scenarios in the Pantanal, de Jose A. Marengo e outros, publicado no Dynamics of the Pantanal Wetland in South America,\u00a0Springer International Publishing Switzerland, (doi: 10.1007\/698_2015_357), pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O Pantanal, a maior plan\u00edcie alagada do mundo, corre o risco de, em 2100, ver as suas temperaturas m\u00e9dias anuais elevadas em at\u00e9 7 \u00b0C. Tamanho aumento de temperatura implicaria uma redu\u00e7\u00e3o sens\u00edvel no regime de chuvas da regi\u00e3o, principalmente no inverno. 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