{"id":83299,"date":"2016-03-30T10:05:12","date_gmt":"2016-03-30T13:05:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=83299"},"modified":"2016-03-29T16:03:49","modified_gmt":"2016-03-29T19:03:49","slug":"tecnicas-de-neuromodulacao-auxiliam-reabilitacao-apos-avc-ou-lesao-medular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/tecnicas-de-neuromodulacao-auxiliam-reabilitacao-apos-avc-ou-lesao-medular\/83299","title":{"rendered":"T\u00e9cnicas de neuromodula\u00e7\u00e3o auxiliam reabilita\u00e7\u00e3o ap\u00f3s AVC ou les\u00e3o medular"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo, de Michigan | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um conjunto de t\u00e9cnicas inovadoras \u2013 que inclui exoesqueleto rob\u00f3tico, estimula\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica transcraniana (EMTr) e eletroencefalograma de alta densidade (HD-EEG) \u2013 vem sendo empregado com sucesso por pesquisadores do Instituto de Medicina F\u00edsica e Reabilita\u00e7\u00e3o (IMREA) da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP) no tratamento de pacientes que sofreram <strong><em>acidente vascular cerebral (AVC) ou les\u00e3o medular<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa foram apresentados pela professora Linamara Rizzo Battistella no dia 28 de mar\u00e7o, nos Estados Unidos, durante a programa\u00e7\u00e3o da FAPESP Week Michigan-Ohio. O evento, que vai at\u00e9 1\u00ba de abril, foi organizado pela FAPESP em parceria com a University of Michigan (UM) e a Ohio State University (OSU) com o objetivo de fomentar novas colabora\u00e7\u00f5es entre pesquisadores paulistas e norte-americanos.<\/p>\n<p>Parte dos dados tamb\u00e9m foi publicada recentemente em  na revista Restorative Neurology and Neuroscience.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o dois os objetivos principais do nosso grupo: identificar o potencial de recupera\u00e7\u00e3o motora de cada paciente e, quando este potencial tiver sido alcan\u00e7ado, buscar meios para que essa pessoa possa realizar as atividades do dia a dia com as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, como, por exemplo, o uso de andador ou de cadeira de rodas&#8221;, explicou Battistella em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>No atendimento de pacientes que sofreram AVC, um dos pontos principais \u00e9 identificar os preditores da resposta motora \u2013 sinais captados a partir do registro da atividade el\u00e9trica do c\u00e9rebro que indicam a capacidade de recupera\u00e7\u00e3o de movimentos de cada paciente.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 feito com a associa\u00e7\u00e3o de duas t\u00e9cnicas: reconhecimento do potencial evocado motor (MEP, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 teste que aplica um estimulo magn\u00e9tico no c\u00e9rebro e avalia a resposta motora \u2013 e a medida da atividade el\u00e9trica cerebral com HD-EEG.<\/p>\n<p>&#8220;O MEP identifica o que chamamos de limiar motor, uma medida objetiva da possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o motora&#8221;, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>A abordagem neurofisiol\u00f3gica tamb\u00e9m inclui o uso da estimula\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica transcraniana com finalidade diagn\u00f3stica, exame que indica quais \u00e1reas do c\u00e9rebro precisam ser estimuladas e quais devem ser inibidas para induzir a neuroplasticidade e melhorar o controle motor.<\/p>\n<p>Segundo Battistella, tanto a estimula\u00e7\u00e3o quanto a inibi\u00e7\u00e3o cerebral s\u00e3o feitas com um aparelho de estimula\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica de pulsos repetidos (EMTr), diferente do usado para mapear a atividade cerebral. O objetivo do m\u00e9todo \u00e9 promover o equil\u00edbrio na atividade dos dois hemisf\u00e9rios cerebrais.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o neurofisiol\u00f3gica, s\u00e3o feitos testes cl\u00ednicos, nos quais os pacientes devem realizar uma s\u00e9rie de movimentos predeterminados em escalas, como, por exemplo, a de Fugl-Meyer. Ao final, de acordo com o que conseguiu cumprir, cada paciente recebe um escore.<\/p>\n<p>Os dados das avalia\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e neurofisiol\u00f3gicas s\u00e3o analisados estatisticamente. \u201cDessa forma, conseguimos determinar objetivamente qual \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o do hemisf\u00e9rio lesionado e planejar o tratamento\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s comparamos um grupo de pacientes submetido apenas ao programa de reabilita\u00e7\u00e3o convencional com outro que, al\u00e9m dos exerc\u00edcios, recebeu a estimula\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica para promover o equil\u00edbrio cortical. Esse segundo grupo apresentou uma melhora sensivelmente maior. Dessa maneira, podemos afirmar que a t\u00e9cnica pode influenciar indiretamente os processos de neuroplasticidade e, portanto, a melhora do controle motor&#8221;, afirmou Battistella.<\/p>\n<p>J\u00e1 o exoesqueleto rob\u00f3tico, al\u00e9m de ajudar na pr\u00e1tica da marcha ou na movimenta\u00e7\u00e3o dos bra\u00e7os, tamb\u00e9m fornece aos pesquisadores medidas objetivas da performance funcional de cada paciente. Por meio de sensores distribu\u00eddos nos membros superiores e inferiores, o aparelho calcula o quanto de for\u00e7a o indiv\u00edduo efetivamente fez durante a realiza\u00e7\u00e3o dos movimentos. Os dados s\u00e3o enviados a um computador e exibidos em forma de gr\u00e1fico.<\/p>\n<p>\u201cO paciente consegue visualizar a melhora em cada sess\u00e3o e percebe que depende cada vez menos da ajuda do aparelho para andar ou mexer os bra\u00e7os. Isso serve como um est\u00edmulo positivo, melhora o desempenho e aumenta a ades\u00e3o ao tratamento\u201d, disse Battistella.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, todos esses diversos m\u00e9todos associados permitem reconhecer os biomarcadores de plasticidade cerebral nos pacientes com les\u00f5es encef\u00e1licas, ou seja, entender como o c\u00e9rebro est\u00e1 funcionando ap\u00f3s a les\u00e3o e como est\u00e1 ocorrendo sua reorganiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A neuroplasticidade \u00e9 a capacidade do c\u00e9rebro de se reorganizar ap\u00f3s uma les\u00e3o, fortalecendo as redes neurais que n\u00e3o foram afetadas e garantindo um bom n\u00edvel de funcionalidade. O bom resultado da reabilita\u00e7\u00e3o depende desse processo de reorganiza\u00e7\u00e3o. Nossa pretens\u00e3o \u00e9, com base nos resultados dos testes, tornar o tratamento mais eficaz e reduzir o tempo de reabilita\u00e7\u00e3o&#8221;, explicou Battistella.<\/p>\n<p>O grupo conta com a colabora\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio de Neuromodula\u00e7\u00e3o da Harvard Medical School, sob a lideran\u00e7a do professor Felipe Fregni. Um dos investigadores principais no IMREA-FMUSP \u00e9 o professor Marcel Simis.<\/p>\n<p>Les\u00e3o medular<\/p>\n<p>Entre os casos de paraplegia e tetraplegia tratados no Hospital das Cl\u00ednicas da FMUSP predominam pessoas jovens, entre 17 e 30 anos, e do sexo masculino.<\/p>\n<p>\u201cEsse grupo apresenta desde o in\u00edcio um progn\u00f3stico mais bem definido. A capacidade de reabilita\u00e7\u00e3o motora est\u00e1 diretamente relacionada com a gravidade e a localiza\u00e7\u00e3o da les\u00e3o. Neste caso, nosso papel \u00e9, al\u00e9m de identificar e desenvolver o potencial motor no limite de cada indiv\u00edduo, evitar complica\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias a essa condi\u00e7\u00e3o\u201d, disse Battistella.<\/p>\n<p>Nas pessoas com defici\u00eancia devido a les\u00e3o medular, contou a pesquisadora, \u00e9 comum a ocorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias, insufici\u00eancia renal, osteoporose e escaras, al\u00e9m de sarcopenia (perda de massa e for\u00e7a muscular) e deformidades articulares, que podem agravar as condi\u00e7\u00f5es funcionais destes pacientes ao longo dos anos.<\/p>\n<p>\u201cA marcha rob\u00f3tica, por exemplo, pode ajudar a evitar a osteoporose, pois estimula o metabolismo \u00f3sseo. A estimula\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica e tamb\u00e9m com corrente el\u00e9trica evita a atrofia das regi\u00f5es cerebrais que deixaram de receber o est\u00edmulo motor em decorr\u00eancia da les\u00e3o. J\u00e1 o est\u00edmulo em outras regi\u00f5es cerebrais pode oferecer ganho na fun\u00e7\u00e3o motora\u201d, contou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Neuromodula\u00e7\u00e3o: outras aplica\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Outra vertente dentro do IMREA, tamb\u00e9m em colabora\u00e7\u00e3o com Harvard, combina a estimula\u00e7\u00e3o transcraniana por corrente cont\u00ednua (TDCS, na sigla em ingl\u00eas) com exerc\u00edcios aer\u00f3bicos para tratar de forma potencializada a dor cr\u00f4nica em pessoas com fibromialgia. O m\u00e9todo tamb\u00e9m pode ser aplicado em pacientes com les\u00e3o medular incompleta com queixa de dor cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>&#8220;Usamos, durante a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio, um aparelho que produz est\u00edmulos el\u00e9tricos bem tolerados pelo c\u00e9rebro e com capacidade de controlar a dor. A corrente inibe a \u00e1rea que modula o fen\u00f4meno doloroso. \u00c9 como se estiv\u00e9ssemos dando um analg\u00e9sico&#8221;, contou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo, de Michigan | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um conjunto de t\u00e9cnicas inovadoras \u2013 que inclui exoesqueleto rob\u00f3tico, estimula\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica transcraniana (EMTr) e eletroencefalograma de alta densidade (HD-EEG) \u2013 vem sendo empregado com sucesso por pesquisadores do Instituto de Medicina F\u00edsica e Reabilita\u00e7\u00e3o (IMREA) da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP) no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37376,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-83299","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-doutor.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83299\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}