{"id":82339,"date":"2016-03-14T10:39:19","date_gmt":"2016-03-14T13:39:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=82339"},"modified":"2016-03-13T19:40:20","modified_gmt":"2016-03-13T22:40:20","slug":"mau-uso-da-agua-subterranea-agrava-a-crise-hidrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/mau-uso-da-agua-subterranea-agrava-a-crise-hidrica\/82339","title":{"rendered":"Mau uso da \u00e1gua subterr\u00e2nea agrava a crise h\u00eddrica"},"content":{"rendered":"<p> Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Se utilizadas com crit\u00e9rio, as <strong><em>\u00e1guas subterr\u00e2neas<\/em><\/strong> podem ser um importante recurso complementar para o enfrentamento da crise h\u00eddrica. No entanto, a perfura\u00e7\u00e3o indiscriminada de po\u00e7os e o consumo excessivo est\u00e3o levando os aqu\u00edferos da Regi\u00e3o Metropolitana de Recife ao limite de uma saliniza\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel. Ao mesmo tempo, os aqu\u00edferos da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo \u2013 que poderiam, com baixo investimento e em prazo relativamente curto, proporcionar um aporte adicional de 1 metro c\u00fabico de \u00e1gua boa por segundo \u2013 encontram-se subutilizados. O duplo alerta foi feito pelo pesquisador Ricardo Hirata, do Centro de Pesquisas de \u00c1guas Subterr\u00e2neas (Cepas-USP) do Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O estudo sobre a situa\u00e7\u00e3o de Recife foi coordenado por Hirata em Projeto Tem\u00e1tico apoiado pela FAPESP: \u201c\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o estudo sobre a situa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo foi  por ele e colaboradores na Revista DAE, mantida pela Sabesp (Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo): \u201c\u00c1gua subterr\u00e2nea para abastecimento p\u00fablico na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo: \u00e9 poss\u00edvel utiliz\u00e1-la em larga escala?\u201d.<\/p>\n<p>Aqu\u00edferos de Recife: consumo e saliniza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u201cNa contabilidade oficial, a \u00e1gua subterr\u00e2nea atende a 13% do abastecimento p\u00fablico da Regi\u00e3o Metropolitana de Recife. Mas, quando consideramos os 14 mil po\u00e7os existentes na regi\u00e3o, que cobrem as falhas no fornecimento p\u00fablico, descobrimos que esse n\u00famero est\u00e1 subestimado. A \u00e1gua subterr\u00e2nea atende de fato a 28% do consumo\u201d, disse Hirata \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cMilhares de po\u00e7os foram perfurados sem respeito aos crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e sem controle por parte administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. N\u00e3o me refiro apenas po\u00e7os de pouca profundidade nos bairros pobres, mas tamb\u00e9m a po\u00e7os tubulares de mais de 100 metros, os chamados \u2018artesianos\u2019, em condom\u00ednios ricos como os dos bairros de Boa Viagem e Pina. Em consequ\u00eancia disso, os aqu\u00edferos encontram-se agora seriamente amea\u00e7ados, com intrus\u00e3o de \u00e1gua do mar e in\u00edcio de saliniza\u00e7\u00e3o. Se persistir o ritmo atual de bombeamento, os aqu\u00edferos poder\u00e3o estar irremediavelmente perdidos por volta de 2035\u201d, prosseguiu o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo dados levantados pelo Projeto Coqueiral, 70% dos po\u00e7os de Recife s\u00e3o ilegais. E a zona sul da regi\u00e3o metropolitana, onde reside a popula\u00e7\u00e3o de alta renda, concentra o maior n\u00famero de po\u00e7os tubulares privados do pa\u00eds. Houve um aumento dram\u00e1tico da perfura\u00e7\u00e3o durante a grande estiagem de 1997\/98. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada pelo com\u00e9rcio de \u00e1gua por meio de carros-pipa, que se tornou um neg\u00f3cio altamente rent\u00e1vel na cidade. Os propriet\u00e1rios dos ve\u00edculos enchem os tanques com \u00e1gua de po\u00e7o e saem vendendo nos condom\u00ednios. \u201cRecife vive a t\u00edpica \u2018trag\u00e9dia dos comuns\u2019, quando a soma das solu\u00e7\u00f5es individuais [perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os] acarreta um problema para todos [superexplora\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos]\u201d, comentou Hirata.<\/p>\n<p>O bombeamento desmedido amea\u00e7a fazer agora aquilo que uma eleva\u00e7\u00e3o de quatro metros do n\u00edvel do mar, ocorrida h\u00e1 cerca de 5 mil anos, n\u00e3o conseguiu fazer: salinizar os aqu\u00edferos. \u201cFizemos a data\u00e7\u00e3o da \u00e1gua dos aqu\u00edferos profundos por meio do teste do carbono 14 [que estabelece a data do material pela propor\u00e7\u00e3o entre os is\u00f3topos 14 e 12 do carbono presentes na amostra]. E descobrimos que essa \u00e1gua \u00e9 doce e pura h\u00e1 mais de 18 mil anos. Sabemos que, h\u00e1 cerca de 7 mil anos, o mar come\u00e7ou a subir. E atingiu seu n\u00edvel m\u00e1ximo, quatro metros acima do atual, por volta de 5 mil anos atr\u00e1s. Mas o decorrente avan\u00e7o do oceano para o interior da \u00e1rea continental n\u00e3o foi suficiente para alcan\u00e7ar a \u00e1rea de recarga dos aqu\u00edferos. Por isso, eles n\u00e3o foram salinizados\u201d, informou o pesquisador.<\/p>\n<p>Essa \u00e1rea de recarga \u00e9 uma eleva\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica, de rochas do embasamento cristalino, existente na regi\u00e3o serrana que fica a oeste de Recife. \u00c9 por ela que as \u00e1guas das chuvas, que se infiltram no solo, entram nos aqu\u00edferos. Se, no \u00faltimo grande avan\u00e7o, o mar tivesse chegado at\u00e9 essa regi\u00e3o, os aqu\u00edferos teriam sido salinizados. Mas isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>De fato, houve uma saliniza\u00e7\u00e3o em \u00e9poca anterior, h\u00e1 cerca de 120 mil anos, quanto o n\u00edvel do oceano esteve muito mais alto. Mas, com a continuidade do processo de recarga, novas \u00e1guas doces despejadas pelas chuvas foram se infiltrando nos aqu\u00edferos ao longo de mil\u00eanios, empurrando a \u00e1gua salgada atrav\u00e9s do aquitarde (rochas de baixa permeabilidade, associadas \u00e0s forma\u00e7\u00f5es Para\u00edso e Estiva), at\u00e9 a \u00e1rea de descarga no fundo do mar.<\/p>\n<p>\u201cExiste um movimento natural de oeste para leste. As \u00e1guas novas entram nos aqu\u00edferos na \u00e1rea de recarga, e saem no mar. Esse mecanismo faz com que a idade das \u00e1guas subterr\u00e2neas seja crescente de oeste para leste. Elas s\u00e3o mais jovens perto da serra e mais velhas perto da costa. Mas esse ciclo est\u00e1 sendo comprometido agora pelo bombeamento excessivo, que diminui as cargas hidr\u00e1ulicas da \u00e1gua doce no interior dos aqu\u00edferos e possibilita a intrus\u00e3o da \u00e1gua salgada\u201d, explicou Hirata.<\/p>\n<p>Projeto Coqueiral<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, conduzir o Projeto Coqueiral foi como montar um grande quebra-cabe\u00e7as. A pesquisa integrou estudos nas \u00e1reas de geologia, hidrogeologia, macrossociologia (urbaniza\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica institucional de gest\u00e3o da \u00e1gua), mesossociologia (percep\u00e7\u00f5es e participa\u00e7\u00f5es coletivas no manejo da \u00e1gua) e microssociologia (pr\u00e1ticas individuais relativas ao uso da \u00e1gua). Muitas informa\u00e7\u00f5es sobre o passado remoto, relativas \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar ou \u00e0s varia\u00e7\u00f5es do clima regional, ficaram registradas nas \u00e1guas subterr\u00e2neas. E foram recuperadas por meio de mir\u00edades de an\u00e1lises.<\/p>\n<p>Por exemplo, o conhecimento de que houve uma intrus\u00e3o de \u00e1gua salgada no passado remoto foi poss\u00edvel porque se sabe que, nos processos de saliniza\u00e7\u00e3o e dessaliniza\u00e7\u00e3o, muito frequentes em aqu\u00edferos, existe uma troca de c\u00e1tions, que fica registrada na \u00e1gua. Foi esse registro que permitiu constatar a ocorr\u00eancia de uma saliniza\u00e7\u00e3o do aqu\u00edfero e de uma posterior \u201clavagem\u201d (freshening) com \u00e1gua doce. \u201cComo a \u00faltima grande ingress\u00e3o do mar no continente capaz de causar tal saliniza\u00e7\u00e3o aconteceu h\u00e1 120 mil anos, acreditamos que, desde ent\u00e3o, o aqu\u00edfero est\u00e1 sendo dessalinizado. E, como as \u00e1guas atuais s\u00e3o doces, e foram datadas pelo carbono 14 com idades variando de 8 a 18 mil anos \u2013 portanto, muito anteriores \u00e0 \u00e9poca da mais recente eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar \u2013, pudemos deduzir que, nessa segunda ocorr\u00eancia, n\u00e3o houve saliniza\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 consistente com outro dado, que \u00e9 o fato de que uma eleva\u00e7\u00e3o de quatro metros n\u00e3o \u00e9 suficiente para que o avan\u00e7o do mar terra adentro chegue at\u00e9 a \u00e1rea de recarga\u201d, detalhou Hirata.<\/p>\n<p>Pela medi\u00e7\u00e3o da quantidade de gases nobres dissolvidos na \u00e1gua atual, foi poss\u00edvel determinar tamb\u00e9m qual era a temperatura da \u00e1gua na \u00e9poca da recarga, isto \u00e9, a temperatura da \u00e1gua h\u00e1 cerca de 18 mil anos. \u201cAtualmente, a temperatura m\u00e9dia de Recife \u00e9 de 25,5\u00ba C. A temperatura m\u00e9dia na \u00e9poca da recarga era 15\u00ba C. Ou seja, a regi\u00e3o encontrava-se, ent\u00e3o, 10 graus mais fria \u2013 o que corroborou outras estimativas sobre o clima da \u00e9poca, associado ao final de uma glacia\u00e7\u00e3o. J\u00e1 as idades recentes das \u00e1guas de aqu\u00edferos mais rasos foram confirmadas pela an\u00e1lise de gases CFCs e SF6, presentes somente em \u00e1guas com menos de 60 anos. Foram muitas vari\u00e1veis que, medidas, ajudaram a montar o quebra-cabe\u00e7as\u201d, afirmou o pesquisador.<\/p>\n<p>As \u00e1guas subterr\u00e2neas de Recife est\u00e3o distribu\u00eddas em tr\u00eas grandes estoques: Boa Viagem, um aqu\u00edfero pouco profundo e livre, vulner\u00e1vel \u00e0 saliniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o, amplamente utilizado pela popula\u00e7\u00e3o pobre; Beberibe, um aqu\u00edfero profundo e confinado, usado no abastecimento p\u00fablico e industrial; e Cabo, outro aqu\u00edfero profundo e confinado, usado no abastecimento privado residencial da popula\u00e7\u00e3o de maior poder econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O sobreconsumo atual est\u00e1 salinizando n\u00e3o apenas o aqu\u00edfero superficial, mas tamb\u00e9m os aqu\u00edferos profundos. \u201cO bombeamento intensivo tem mudado a dire\u00e7\u00e3o e o sentido dos fluxos de \u00e1gua subterr\u00e2neos. Uma parte da \u00e1gua que chega agora aos aqu\u00edferos profundos vem de unidades mais rasas, pela indu\u00e7\u00e3o da recarga por meio de fluxos verticais descendentes atrav\u00e9s do aquitarde, e tamb\u00e9m do oceano, pelo deslocamento horizontal de leste para oeste\u201d, explicou Hirata.<\/p>\n<p>A quantifica\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno e rela\u00e7\u00e3o precisa entre a taxa de extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e a taxa de recarga com \u00e1gua doce s\u00e3o as vari\u00e1veis que os pesquisadores pretendem agora determinar, com o aperfei\u00e7oamento da modelagem num\u00e9rica.<\/p>\n<p>Aqu\u00edferos de S\u00e3o Paulo: potencial subutilizado<\/p>\n<p>Assim como em Recife, tamb\u00e9m na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo existem dois tipos de estoques de \u00e1gua subterr\u00e2nea: o aqu\u00edfero sedimentar, localizado em \u00e1reas em que o relevo \u00e9 mais suave; e o aqu\u00edfero cristalino, que se estende abaixo do aqu\u00edfero sedimentar e aflora em locais onde o relevo \u00e9 mais acidentado. \u201c\u00c9 essa \u00e1gua subterr\u00e2nea que tamb\u00e9m dilui os esgotos lan\u00e7ados nos rios, sustenta a vida aqu\u00e1tica e recarrega os reservat\u00f3rios superficiais de abastecimento p\u00fablico em \u00e9pocas de estiagem\u201d, informou Hirata.<\/p>\n<p>\u201cNas \u00e1reas de baixa ocupa\u00e7\u00e3o urbana, mais perme\u00e1veis, predomina a recarga natural por chuvas; nas \u00e1reas mais impermeabilizadas e de forte urbaniza\u00e7\u00e3o, as fugas das redes p\u00fablicas de distribui\u00e7\u00e3o, da coletora de esgotos e das galerias pluviais podem representar mais de 50% da recarga dos aqu\u00edferos\u201d, escreveram os pesquisadores no artigo publicado na Revista DAE.<\/p>\n<p>O volume de \u00e1gua de recarga que se infiltra anualmente nos aqu\u00edferos da Bacia do Alto Tiet\u00ea \u00e9 estimado em 53 m<sup>3<\/sup>\/s. Desse montante, 33 m<sup>3<\/sup>\/s poderiam ser captados de forma segura por meio de po\u00e7os profundos, sem interferir no fluxo de base dos rios. Tal n\u00famero \u00e9 quase a metade da atual capacidade instalada do sistema produtor metropolitano, computada em 67,7 m<sup>3<\/sup>\/s.<\/p>\n<p>A \u00e1gua subterr\u00e2nea j\u00e1 \u00e9 intensamente utilizada em algumas \u00e1reas, mas sem cumprimento de crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e gest\u00e3o centralizada. \u201cO \u00faltimo levantamento, realizado em 2009, estimou a exist\u00eancia de 12 mil po\u00e7os profundos, retirando dos aqu\u00edferos cerca de 10 m<sup>3<\/sup>\/s. Desse total, apenas 4.931 po\u00e7os encontravam-se cadastrados no Departamento de \u00c1guas e Energia El\u00e9trica (DAEE). Em fun\u00e7\u00e3o da estiagem dos anos 2013, 2014 e 2015, o ritmo de perfura\u00e7\u00f5es foi intenso, especialmente de po\u00e7os irregulares. E h\u00e1 v\u00e1rias zonas aqu\u00edferas com sintomas de superexplora\u00e7\u00e3o, o que ocorre quando a taxa de bombeamento \u00e9 maior do que a capacidade do aqu\u00edfero, criando preju\u00edzos ao recurso, aumentos intoler\u00e1veis aos custos da extra\u00e7\u00e3o ou impactos ecol\u00f3gicos\u201d, afirmou Hirata.<\/p>\n<p>Apesar disso, a maior parte dos aqu\u00edferos da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo ainda apresenta capacidade de maior extra\u00e7\u00e3o. E, no artigo citado, o pesquisador e seus colaboradores recomendaram ao \u00f3rg\u00e3o gestor que novos po\u00e7os para abastecimento p\u00fablico fossem constru\u00eddos em \u00e1reas subutilizadas, em especial onde j\u00e1 existe estrutura de adu\u00e7\u00e3o e estocagem de \u00e1gua tratada, como uma estrat\u00e9gia para minimizar os impactos da crise h\u00eddrica.<\/p>\n<p>\u201cEvidentemente, o plano de constru\u00e7\u00e3o deveria valer-se dos melhores recursos t\u00e9cnicos dispon\u00edveis, com a utiliza\u00e7\u00e3o de modelos digitais do terreno, imageamentos \u00f3ptico e ac\u00fastico das fraturas em po\u00e7os, medi\u00e7\u00f5es de velocidades de fluxos etc., resultando em sucesso na loca\u00e7\u00e3o de po\u00e7os produtivos. Al\u00e9m disso, uma vez constru\u00eddo, cada po\u00e7o precisaria ser monitorado continuamente, para se obter a melhor rela\u00e7\u00e3o entre as vaz\u00f5es necess\u00e1rias, a explora\u00e7\u00e3o segura dos aqu\u00edferos e o consumo de energia el\u00e9trica, al\u00e9m da identifica\u00e7\u00e3o de problemas que eventualmente exigissem manuten\u00e7\u00e3o. E o gerenciamento de um conjunto de po\u00e7os estrat\u00e9gicos teria que ser integrado por um sistema autom\u00e1tico de opera\u00e7\u00e3o e controle por telemetria\u201d, sublinhou Hirata.<\/p>\n<p>Qualidade da \u00e1gua<\/p>\n<p>Segundo as contas dos pesquisadores, 180 po\u00e7os p\u00fablicos permitiriam oferecer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o um aporte adicional de um metro c\u00fabico de \u00e1gua por segundo, a um custo para constru\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o competitivo em rela\u00e7\u00e3o ao custo de obten\u00e7\u00e3o de novas fontes de \u00e1gua superficial.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma falsa percep\u00e7\u00e3o de que a \u00e1gua subterr\u00e2nea da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo \u00e9 de baixa qualidade devido \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por esgotos, vazamentos de tanques de combust\u00edveis em postos de servi\u00e7os e infiltra\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas em zonas industriais. Mas tais situa\u00e7\u00f5es restringem-se apenas a determinadas \u00e1reas. Milhares de po\u00e7os tubulares profundos legais existentes receberam outorga de uso porque as an\u00e1lises qu\u00edmicas requeridas demonstraram que a \u00e1gua era pot\u00e1vel. De fato, a \u00e1gua subterr\u00e2nea, especialmente quando captada nas por\u00e7\u00f5es mais profundas do aqu\u00edfero, \u00e9 melhor protegida da polui\u00e7\u00e3o do que a \u00e1gua dos reservat\u00f3rios superficiais\u201d, ponderou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, quando bem captadas, as \u00e1guas subterr\u00e2neas dispensam tratamento qu\u00edmico, obrigatoriamente utilizado no tratamento de \u00e1guas superficiais. E n\u00e3o geram res\u00edduos s\u00f3lidos \u2013 o que torna sua gest\u00e3o muito menos custosa\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Se utilizadas com crit\u00e9rio, as \u00e1guas subterr\u00e2neas podem ser um importante recurso complementar para o enfrentamento da crise h\u00eddrica. No entanto, a perfura\u00e7\u00e3o indiscriminada de po\u00e7os e o consumo excessivo est\u00e3o levando os aqu\u00edferos da Regi\u00e3o Metropolitana de Recife ao limite de uma saliniza\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel. 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