{"id":82075,"date":"2016-03-10T10:07:49","date_gmt":"2016-03-10T13:07:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=82075"},"modified":"2016-03-09T15:22:57","modified_gmt":"2016-03-09T18:22:57","slug":"centro-de-inovacao-aberta-da-unicamp-completa-um-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/centro-de-inovacao-aberta-da-unicamp-completa-um-ano\/82075","title":{"rendered":"Centro de inova\u00e7\u00e3o aberta da Unicamp completa um ano"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Respons\u00e1veis por regular processos importantes do organismo, como divis\u00e3o, prolifera\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o celular, as enzimas quinases s\u00e3o consideradas alvos priorit\u00e1rios para o <strong><em>desenvolvimento de f\u00e1rmacos<\/em><\/strong>. No entanto, estima-se que apenas 40 das cerca de 500 prote\u00ednas desse tipo identificadas no genoma humano j\u00e1 tenham sido bem estudadas.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 31 compostos capazes de inibir a a\u00e7\u00e3o de enzimas quinases aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) \u2013 a ag\u00eancia regulamentadora de alimentos e rem\u00e9dios dos Estados Unidos \u2013, sendo 27 para o tratamento de c\u00e2ncer, um para s\u00edndrome mielodispl\u00e1sica, um para artrite reumatoide e um para fibrose pulmonar idiop\u00e1tica.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, h\u00e1 ainda muitos alvos terap\u00eauticos potenciais a serem explorados e, com a miss\u00e3o de fazer avan\u00e7ar o conhecimento na \u00e1rea em um modelo de inova\u00e7\u00e3o aberta, foi inaugurado h\u00e1 cerca de um ano o Centro de Biologia Qu\u00edmica de Prote\u00ednas Quinases, da Universidade Estadual de Campinas (SGC-Unicamp).<\/p>\n<p> pela FAPESP por meio do Programa Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (PITE), o centro integra o Structural Genomics Consortium (SGC), uma parceria p\u00fablico-privada que re\u00fane cientistas de universidades, ind\u00fastrias farmac\u00eauticas e entidades sem fins lucrativos de apoio \u00e0 pesquisa.<\/p>\n<p>O SGC tamb\u00e9m conta com centros em Oxford (Inglaterra), Toronto (Canad\u00e1) e, mais recentemente, abriu unidades na Carolina do Norte (Estados Unidos), Estocolmo (Su\u00e9cia) e Frankfurt (Alemanha).<\/p>\n<p>Todas as equipes que integram o cons\u00f3rcio estiveram reunidas pela primeira vez no Brasil, no dia 7 de mar\u00e7o, para participar do workshop New Horizons in Medicinal Chemistry of Protein Kinases (Novos Horizontes em Qu\u00edmica Medicinal de Prote\u00ednas Quinases). O encontro reuniu pesquisadores j\u00e1 vinculados ao SGC e tamb\u00e9m potenciais colaboradores para a apresenta\u00e7\u00e3o de estudos voltados a desvendar a estrutura cristalogr\u00e1fica e desenvolver inibidores para um grupo de 27 prote\u00ednas quinases humanas sobre as quais muito pouco se conhece.<\/p>\n<p>\u201cOs centros de Oxford, Frankfurt e da Carolina do Norte trabalham em parceria com a Unicamp. O objetivo \u00e9 desenvolver, dentro de cinco anos, sondas qu\u00edmicas para 27 quinases. Certamente, at\u00e9 o fim do pr\u00f3ximo ano estaremos vendo os primeiros resultados pr\u00e1ticos desse trabalho, ou seja, a descoberta de como essas quinases participam de mecanismos causadores de doen\u00e7as\u201d, afirmou Aled Edwards, fundador e presidente do cons\u00f3rcio.<\/p>\n<p>Sonda qu\u00edmica \u00e9 uma pequena mol\u00e9cula capaz de se ligar de maneira espec\u00edfica a uma enzima-alvo e inibir o seu funcionamento. Ao fazer isso em culturas celulares ou modelos animais, os pesquisadores podem descobrir quais s\u00e3o os processos regulados pela quinase nas c\u00e9lulas e entender como isso est\u00e1 relacionado com o surgimento de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Segundos dados do SGC, o desenvolvimento de uma sonda qu\u00edmica pode levar entre 18 meses e 2 anos e custar somas muitas vezes proibitivas para o meio acad\u00eamico. Para a ind\u00fastria farmac\u00eautica, por outro lado, investir no estudo de quinases sobre as quais nada se sabe \u2013 sem nenhuma garantia de que a pesquisa poder\u00e1 resultar em algo lucrativo \u2013 representaria um risco grande. Por isso surgiu a ideia de unir esfor\u00e7os em um modelo de inova\u00e7\u00e3o aberta, no qual todos os resultados de pesquisas ficam dispon\u00edveis \u00e0 comunidade cient\u00edfica mundial, sem o obst\u00e1culo imposto por patentes ou qualquer outro acordo de propriedade intelectual.<\/p>\n<p>As farmac\u00eauticas parceiras do SGC, entre elas GlaxoSmithKline (GSK), Novartis, Pfizer e Bayer, se comprometeram a disponibilizar algumas sondas qu\u00edmicas j\u00e1 existentes em sua biblioteca de compostos e ajudar no desenvolvimento de pelo menos 15 novas mol\u00e9culas voltadas a investigar o funcionamento de quinases ainda pouco conhecidas pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A empreitada deve contar em breve com um novo parceiro 100% nacional: o laborat\u00f3rio Ach\u00e9, conforme anunciado durante o workshop realizado na \u00faltima segunda-feira.<\/p>\n<p>\u201cNeste primeiro ano de funcionamento do centro da Unicamp conseguimos equipar o laborat\u00f3rio, contratar os pesquisadores e come\u00e7amos a colher os primeiros resultados. O mais importante \u00e9 que estamos come\u00e7ando a formar uma rede de colaboradores aqui no Brasil, incluindo o laborat\u00f3rio Ach\u00e9. Eles ficar\u00e3o respons\u00e1veis pelo desenvolvimento de sondas qu\u00edmicas e n\u00f3s pela parte de biologia estrutural\u201d, contou Paulo Arruda, pesquisador da Unicamp respons\u00e1vel pelo centro do SGC no Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com Cristiano Guimar\u00e3es, diretor da \u00c1rea de Inova\u00e7\u00e3o Radical do Ach\u00e9, a empresa vem investindo no desenvolvimento de novos ativos farmac\u00eauticos h\u00e1 alguns anos, por\u00e9m, at\u00e9 o ano passado, a s\u00edntese de mol\u00e9culas com potencial terap\u00eautico era feita por terceirizados.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s desenh\u00e1vamos as mol\u00e9culas, contrat\u00e1vamos empresas para sintetiz\u00e1-las e faz\u00edamos o gerenciamento dos projetos. Mas, nos \u00faltimos anos, temos buscado internalizar as etapas de execu\u00e7\u00e3o e para isso foi criado o Laborat\u00f3rio de Design e S\u00edntese Molecular dentro do Ach\u00e9\u201d, contou.<\/p>\n<p>A unidade foi inaugurada em novembro de 2015 e, segundo Guimar\u00e3es, abriu a possibilidade de a empresa ingressar no SGC.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o fazemos inova\u00e7\u00e3o em biologia no Ach\u00e9. Temos um laborat\u00f3rio para sintetizar mol\u00e9culas capazes de interagir com alvos que j\u00e1 est\u00e3o estabelecidos. Participar desse cons\u00f3rcio \u00e9 uma maneira de acessar novos alvos terap\u00eauticos, ficar nesse v\u00f3rtice de inova\u00e7\u00e3o que permite colher informa\u00e7\u00f5es, trocar ideias e novos projetos nascem\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Medicina de Precis\u00e3o<\/p>\n<p>Na abertura do workshop, o vice-presidente da FAPESP, Eduardo Moacyr Krieger, disse que a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 orgulhosa de colaborar com a iniciativa \u2013 um bom exemplo de como a academia pode interagir com a ind\u00fastria para consolidar a pesquisa e o desenvolvimento em diferentes \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201cEstamos na era da Medicina de Precis\u00e3o e, para que ela possa ser viabilizada, \u00e9 essencial conhecer os mecanismos biol\u00f3gicos envolvidos nas diferentes doen\u00e7as que acometem os humanos. Somente assim \u00e9 poss\u00edvel desenhar drogas capazes de interferir nesses mecanismos\u201d, disse Krieger.<\/p>\n<p>O pesquisador da Universidade de Oxford Opher Gileadi, que no \u00faltimo ano esteve no Brasil para ajudar a organizar o funcionamento do centro da Unicamp, destacou que o apoio da FAPESP permitiu montar um laborat\u00f3rio compat\u00edvel com os demais centros do SGC.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um ano t\u00ednhamos o dinheiro aprovado, mas uma sala vazia e apenas duas pessoas. Hoje temos um verdadeiro centro do SGC\u201d, comemorou.<\/p>\n<p>O centro da Unicamp tamb\u00e9m tem a miss\u00e3o de investigar o papel de quinases importantes na biologia de plantas para, por exemplo, descobrir como tornar plantas importantes para a agricultura mais resistentes \u00e0 seca. No entanto, segundo Arruda, as atividades neste primeiro ano estiveram voltadas principalmente \u00e0 parte de qu\u00edmica medicinal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Respons\u00e1veis por regular processos importantes do organismo, como divis\u00e3o, prolifera\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o celular, as enzimas quinases s\u00e3o consideradas alvos priorit\u00e1rios para o desenvolvimento de f\u00e1rmacos. No entanto, estima-se que apenas 40 das cerca de 500 prote\u00ednas desse tipo identificadas no genoma humano j\u00e1 tenham sido bem estudadas. 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