{"id":81813,"date":"2016-03-04T10:07:51","date_gmt":"2016-03-04T13:07:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=81813"},"modified":"2016-03-03T16:09:21","modified_gmt":"2016-03-03T19:09:21","slug":"estudo-aponta-possivel-uso-terapeutico-da-carnosina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/estudo-aponta-possivel-uso-terapeutico-da-carnosina\/81813","title":{"rendered":"Estudo aponta poss\u00edvel uso terap\u00eautico da carnosina"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Situa\u00e7\u00f5es como abuso de \u00e1lcool, consumo de tabaco, atividade f\u00edsica intensa, exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o veicular e envelhecimento podem causar no organismo uma eleva\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de mol\u00e9culas t\u00f3xicas conhecidas como <strong><em>alde\u00eddos<\/em><\/strong>. Por serem altamente reativos, os alde\u00eddos em excesso danificam prote\u00ednas, \u00e1cidos nucleicos e outras estruturas importantes para o funcionamento das c\u00e9lulas. Algumas dessas les\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis vias para o desenvolvimento de patologias relacionadas ao estresse oxidativo, como inflama\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as neurodegenerativas, doen\u00e7as cardiovasculares, diabetes e c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Em um  divulgado recentemente na revista Scientific Reports, pesquisadores brasileiros demonstraram que uma importante aliada no processo de elimina\u00e7\u00e3o de alde\u00eddos reativos \u00e9 a carnosina \u2013 um dipept\u00eddeo formado a partir da combina\u00e7\u00e3o entre os amino\u00e1cidos ?-alanina e L-histidina.<\/p>\n<p>No trabalho,  pela FAPESP e coordenado por Marisa H. G. Medeiros, professora do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IQ-USP), os pesquisadores elucidaram a estrutura do composto resultante da rea\u00e7\u00e3o entre a carnosina e o alde\u00eddo insaturado acrole\u00edna. Esse aduto (produto da rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica) foi nomeado 3-metilpirid\u00edneo carnosina.<\/p>\n<p>O grupo tamb\u00e9m desenvolveu um m\u00e9todo de alta sensibilidade para detectar e quantificar esse produto da rea\u00e7\u00e3o carnosina-acrole\u00edna em tecidos e em fluidos biol\u00f3gicos, como urina e sangue.<\/p>\n<p>\u201cDesenvolvemos um m\u00e9todo altamente espec\u00edfico e detectamos concentra\u00e7\u00f5es bastante significativas de 3-metilpirid\u00edneo carnosina na urina de adultos n\u00e3o fumantes. Acreditamos que esse aduto pode ser usado como biomarcador da exposi\u00e7\u00e3o a alde\u00eddos end\u00f3genos [naturalmente produzidos pelo corpo, por exemplo, ap\u00f3s exerc\u00edcios intensos]\u00a0e ex\u00f3genos [por exemplo, aqueles inalados com a fuma\u00e7a do cigarro ou de escapamentos]\u201d, disse Medeiros.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada no \u00e2mbito do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o () financiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Medeiros, os resultados apontam para um poss\u00edvel uso terap\u00eautico da carnosina em patologias relacionadas com o aumento da produ\u00e7\u00e3o de alde\u00eddos reativos, como, por exemplo, a esclerose lateral amiotr\u00f3fica.<\/p>\n<p>Suplementa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A carnosina \u00e9 encontrada naturalmente em tecidos como m\u00fasculos, cora\u00e7\u00e3o, c\u00e9rebro, f\u00edgado, rins, entre outros. Suas concentra\u00e7\u00f5es podem ser elevadas por meio da ingest\u00e3o de carnes ou de suplementos de ?-alanina, amino\u00e1cido precursor da carnosina.<\/p>\n<p>Atualmente, a suplementa\u00e7\u00e3o com ?-alanina \u00e9 bastante usada por atletas com o objetivo de melhorar o desempenho durante os treinos, especialmente em pr\u00e1ticas anaer\u00f3bicas como muscula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o \u00e9 totalmente compreendida a a\u00e7\u00e3o da carnosina nos m\u00fasculos. J\u00e1 se sabe que ela ajuda a equilibrar o pH do tecido, que tende a diminuir com a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica intensa, pois esta induz a libera\u00e7\u00e3o de \u00e1cido l\u00e1ctico. Acreditamos que o efeito ben\u00e9fico tamb\u00e9m esteja relacionado ao fato de a carnosina se ligar a alde\u00eddos insaturados, ajudando a elimin\u00e1-los do organismo\u201d, explicou Medeiros.<\/p>\n<p>De acordo com Medeiros, diversas vias end\u00f3genas para elimina\u00e7\u00e3o de alde\u00eddos insaturados j\u00e1 foram descritas na literatura cient\u00edfica, sendo as principais a conjuga\u00e7\u00e3o dessas mol\u00e9culas com a enzima glutationa (GSH) e as rea\u00e7\u00f5es de redu\u00e7\u00e3o ou oxida\u00e7\u00e3o catalisadas pelas enzimas \u00e1lcool desidrogenase, aldo-ceto redutase e alde\u00eddo desidrogenase.<\/p>\n<p>Dipept\u00eddeos contendo histidina, como \u00e9 o caso da carnosina e tamb\u00e9m da homocarnosina e da anserina, s\u00e3o reconhecidos como agentes capazes de eliminar compostos carbon\u00edlicos insaturados, como os alde\u00eddos. Alguns produtos resultantes da rea\u00e7\u00e3o entre a carnosina e os alde\u00eddos insaturados j\u00e1 haviam sido caracterizados e descritos na literatura.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo inicial era desenvolver um m\u00e9todo n\u00e3o invasivo para detec\u00e7\u00e3o desses compostos j\u00e1 caracterizados, que poderiam servir de biomarcadores de estresse oxidativo em modelos pesquisados no \u00e2mbito do CEPID Redoxoma, como, por exemplo, o envelhecimento e a esclerose lateral amiotr\u00f3fica. Mas, quando analisamos o aduto da rea\u00e7\u00e3o carnosina-acrole\u00edna por resson\u00e2ncia magn\u00e9tica nuclear, descobrimos que sua estrutura era diferente da que havia sido descrita anteriormente e, desta forma, percebemos que hav\u00edamos caracterizado um produto in\u00e9dito\u201d, contou Medeiros.<\/p>\n<p>Os pesquisadores detectaram e quantificaram o aduto em amostras de urina humana com aux\u00edlio de uma metodologia baseada em cromatografia l\u00edquida acoplada a espectrometria de massas. Nas amostras analisadas, a subst\u00e2ncia 3-metilpirid\u00edneo carnosina foi o mais abundante metab\u00f3lito de acrole\u00edna na urina.<\/p>\n<p>Para Medeiros, o m\u00e9todo de detec\u00e7\u00e3o representa uma ferramenta importante para identificar o aumento da produ\u00e7\u00e3o e o ac\u00famulo de alde\u00eddos reativos em tecidos, bem como para desvendar o papel da carnosina na desintoxica\u00e7\u00e3o desses alde\u00eddos, possibilitando o desenvolvimento de estrat\u00e9gias terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>\u201cTemos um modelo de camundongo geneticamente modificado para desenvolver uma condi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 esclerose lateral amiotr\u00f3fica. Nossa proposta \u00e9 acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a por meio da observa\u00e7\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o desses adutos na urina dos animais\u201d, contou Medeiros<\/p>\n<p>O grupo do Redoxoma tamb\u00e9m inicia uma colabora\u00e7\u00e3o com dois professores da Escola de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Esporte (EEFE) da USP, Guilherme Giannini Artioli e Bruno Gualano, que desenvolvem estudos com atletas suplementados com ?-alanina.<\/p>\n<p>\u201cVamos monitorar a libera\u00e7\u00e3o desses adutos na urina dos atletas antes e depois da pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica para ver se os n\u00edveis desse poss\u00edvel biomarcador aumentam. Se realmente a carnosina estiver ajudando na elimina\u00e7\u00e3o dos alde\u00eddos, o n\u00edvel desses adutos dever\u00e1 aumentar ap\u00f3s o treino\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Situa\u00e7\u00f5es como abuso de \u00e1lcool, consumo de tabaco, atividade f\u00edsica intensa, exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o veicular e envelhecimento podem causar no organismo uma eleva\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de mol\u00e9culas t\u00f3xicas conhecidas como alde\u00eddos. 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