{"id":80917,"date":"2016-02-12T10:05:04","date_gmt":"2016-02-12T12:05:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=80917"},"modified":"2016-02-11T18:05:49","modified_gmt":"2016-02-11T20:05:49","slug":"cerebro-induz-a-escolha-de-alimentos-caloricos-para-armazenar-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/cerebro-induz-a-escolha-de-alimentos-caloricos-para-armazenar-energia\/80917","title":{"rendered":"C\u00e9rebro induz \u00e0 escolha de alimentos cal\u00f3ricos para armazenar energia"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A sensa\u00e7\u00e3o de prazer proporcionada pelo consumo de um doce e o valor cal\u00f3rico desse <strong><em>tipo de alimento<\/em><\/strong> evocam vias diferentes do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Por isso, ao ter que escolher entre comer algo com sabor desagrad\u00e1vel, mas cal\u00f3rico, e um alimento mais palat\u00e1vel, por\u00e9m sem calorias, alguns animais vertebrados podem fazer a primeira escolha, priorizando energia para assegurar sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de um estudo realizado por pesquisadores da Yale University, nos Estados Unidos, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP) e do Centro de Matem\u00e1tica, Computa\u00e7\u00e3o e Cogni\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do ABC (CMCC-UFABC).<\/p>\n<p>O estudo, publicado na edi\u00e7\u00e3o on-line da revista Nature Neuroscience e  pelo jornal ingl\u00eas The Telegraph, teve participa\u00e7\u00e3o de Tatiana Lima Ferreira, pesquisadora do CMCC-UFABC.<\/p>\n<p>A pesquisadora obteve uma  da FAPESP para realizar pesquisa de p\u00f3s-doutorado em Yale, no laborat\u00f3rio coordenado pelo brasileiro Ivan Eid Tavares de Ara\u00fajo, respons\u00e1vel pelo estudo.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que h\u00e1 diferentes circuitos neuronais em uma mesma regi\u00e3o cerebral envolvidos na percep\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o de prazer proporcionada pela ingest\u00e3o de um alimento doce que s\u00e3o diferentes, por exemplo, daqueles que codificam a caloria desses alimentos\u201d, disse Ferreira \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Por meio de uma s\u00e9rie de experimentos com camundongos, os pesquisadores identificaram que a sensa\u00e7\u00e3o de prazer da ingest\u00e3o e o valor cal\u00f3rico e nutricional dos alimentos evocam circuitos neuronais do estriado \u2013 uma regi\u00e3o do sistema subcortical, no interior do c\u00e9rebro, pertencente aos g\u00e2nglios de base.<\/p>\n<p>Os circuitos neuronais dessa regi\u00e3o do c\u00e9rebro envolvidos na percep\u00e7\u00e3o dessas duas caracter\u00edsticas, contudo, s\u00e3o distintos.<\/p>\n<p>Enquanto os circuitos neuronais da parte ventral do estriado s\u00e3o os respons\u00e1veis pela percep\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o de prazer (hedonia) proporcionada pelo sabor doce, os neur\u00f4nios da parte dorsal s\u00e3o encarregados de reconhecer o valor cal\u00f3rico e nutricional dos alimentos adocicados.<\/p>\n<p>\u201cEstudos anteriores do grupo de pesquisadores em Yale com o qual eu colaboro j\u00e1 haviam relatado que circuitos do estriado e os neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos [que produzem o neurotransmissor dopamina, associado ao prazer e \u00e0 recompensa] que enervam essa regi\u00e3o cerebral poderiam estar envolvidos com o reconhecimento dessas caracter\u00edsticas dos alimentos: a do valor nutricional e o gustativo\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>\u201cMas ainda n\u00e3o se sabia se os circuitos da parte dorsal e os do lado ventral do estriado estariam ou n\u00e3o envolvidos igualmente na percep\u00e7\u00e3o dessas duas caracter\u00edsticas\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Circuitos distintos<\/p>\n<p>A fim de identificar quais circuitos neuronais do estriado est\u00e3o envolvidos na percep\u00e7\u00e3o espec\u00edfica desses atributos dos alimentos, os pesquisadores realizaram um experimento para quantificar a libera\u00e7\u00e3o de dopamina na regi\u00e3o do estriado de camundongos ap\u00f3s serem expostos a subst\u00e2ncias doce com e sem caloria.<\/p>\n<p>Para isso, os animais lambiam o bico de um bebedouro com ado\u00e7ante e recebiam doses de solu\u00e7\u00f5es contendo a\u00e7\u00facar (D-glicose) ou um ado\u00e7ante tamb\u00e9m n\u00e3o cal\u00f3rico (sucralose), injetadas diretamente no est\u00f4mago.<\/p>\n<p>Os resultados do experimento indicaram que houve um aumento da libera\u00e7\u00e3o de dopamina no estriado ventral durante a ingest\u00e3o do ado\u00e7ante independentemente de qual solu\u00e7\u00e3o estava sendo administrada no sistema digestivo dos animais \u2013 se era a\u00e7\u00facar ou ado\u00e7ante.<\/p>\n<p>\u201cOs circuitos neuronais dessa regi\u00e3o do c\u00e9rebro n\u00e3o discriminam se o alimento que est\u00e1 sendo ingerido tem ou n\u00e3o caloria. Basta que o alimento seja palat\u00e1vel para a dopamina ser ativada nessa regi\u00e3o cerebral\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>Em contrapartida, houve um aumento da libera\u00e7\u00e3o de dopamina na regi\u00e3o do estriado dorsal somente quando a ingest\u00e3o do ado\u00e7ante foi acompanhada por infus\u00e3o intrag\u00e1strica de a\u00e7\u00facar \u2013 o que sugere que os circuitos neuronais dessa regi\u00e3o do c\u00e9rebro s\u00e3o sens\u00edveis seletivamente \u00e0 caloria do alimento, ponderou a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cApesar de o ado\u00e7ante ser palat\u00e1vel, n\u00e3o houve um aumento da libera\u00e7\u00e3o de dopamina nessa regi\u00e3o do c\u00e9rebro dos animais quando foram expostos a esse alimento. Isso pode estar relacionado ao fato de que, ao contr\u00e1rio do a\u00e7\u00facar, o ado\u00e7ante n\u00e3o possui caloria, apesar de ser bastante doce e palat\u00e1vel\u201d, comparou Ferreira.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m avaliaram o efeito da diminui\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o de prazer proporcionada pela ingest\u00e3o de uma subst\u00e2ncia n\u00e3o palat\u00e1vel, mas cal\u00f3rica, na libera\u00e7\u00e3o de dopamina nessas regi\u00f5es do c\u00e9rebro dos camundongos.<\/p>\n<p>Para isso, eles alteraram o sabor do ado\u00e7ante que os animais lambiam no bico do bebedouro ao adicionar um pouco de benzoato de denat\u00f4nio \u2013 um composto que confere sabor amargo \u00e0s formula\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, os camundongos receberam infus\u00f5es intrag\u00e1stricas de a\u00e7\u00facar (glicose).<\/p>\n<p>Embora a altera\u00e7\u00e3o do sabor do ado\u00e7ante tenha suprimido a libera\u00e7\u00e3o de dopamina no estriado ventral induzida pelo a\u00e7\u00facar injetado no est\u00f4mago dos animais, houve um aumento da libera\u00e7\u00e3o do neurotransmissor no estriado dorsal, constataram os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cNossos dados indicam que o a\u00e7\u00facar recruta neur\u00f4nios da via dopamin\u00e9rgica ao estriado, que, em geral, priorizam a ingest\u00e3o de caloria, mesmo em uma situa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel com rela\u00e7\u00e3o ao sabor do alimento\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>\u201cIsso sugere que \u00e9 o desejo do c\u00e9rebro por calorias, e n\u00e3o pelo sabor doce dos alimentos, que controlaria nossa \u2018necessidade\u2019 e, em alguns casos, compuls\u00e3o por subst\u00e2ncias doces\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O artigo Separate circuitries encode the hedonic and nutritional values of sugar\u00a0(doi: 10.1038\/nn.4224), de Ara\u00fajo e outros, pode ser lido por assinantes da revista Nature Neuroscience em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A sensa\u00e7\u00e3o de prazer proporcionada pelo consumo de um doce e o valor cal\u00f3rico desse tipo de alimento evocam vias diferentes do c\u00e9rebro. 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