{"id":80039,"date":"2016-01-22T07:52:41","date_gmt":"2016-01-22T09:52:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=80039"},"modified":"2016-01-21T16:54:44","modified_gmt":"2016-01-21T18:54:44","slug":"sistema-de-bioretencao-de-agua-de-chuva-pode-ajudar-a-combater-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/sistema-de-bioretencao-de-agua-de-chuva-pode-ajudar-a-combater-enchentes\/80039","title":{"rendered":"Sistema de bioreten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva pode ajudar a combater enchentes"},"content":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos, da Universidade de S\u00e3o Paulo (EESC-USP), est\u00e3o estudando um sistema de <strong><em>drenagem de \u00e1gua de chuva<\/em><\/strong> alternativo aos utilizados hoje no Brasil, que pode contribuir para minimizar o problema de enchentes em cidades.<\/p>\n<p>Alguns resultados do estudo, realizado no \u00e2mbito de um  apoiado pela FAPESP, foram apresentados na confer\u00eancia \u201cWater, megacities and global change\u201d, realizada no in\u00edcio de dezembro na Unesco, em Paris, paralelamente \u00e0 21\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP21).<\/p>\n<p>\u201cO sistema permite captar a \u00e1gua da chuva antes de ser lan\u00e7ada diretamente em um rio ou c\u00f3rrego de uma cidade, por exemplo, para que possa ser tratada previamente e infiltre no solo com velocidade e volume adequados, diminuindo o risco de inunda\u00e7\u00f5es. Por isso, pode ser \u00fatil para a preven\u00e7\u00e3o de enchentes\u201d, disse Altair Rosa, participante do projeto, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o de drenagem consiste na constru\u00e7\u00e3o em \u00e1reas que costumam sofrer com alagamentos de filtros subterr\u00e2neos perme\u00e1veis, compostos por camadas sobrepostas de grama, areia, brita e manta geot\u00eaxtil, que permitem reter poluentes e deter temporariamente volumes excessivos de \u00e1gua de chuva que escoa dentro deles.<\/p>\n<p>As estruturas, chamadas tecnicamente de sistemas de biorreten\u00e7\u00e3o, funcionam como um reservat\u00f3rio para o amortecimento da \u00e1gua da chuva, armazenando-a por um determinado per\u00edodo de tempo de modo que possa posteriormente infiltrar ou ser absorvida naturalmente pelo solo.<\/p>\n<p>Dessa forma, elas ajudam a reduzir o volume de \u00e1gua de chuva e a retardar os picos de cheias em bacias ou microbacias, como rios e c\u00f3rregos, de regi\u00f5es urbanizadas, explicou Altair, que participa do projeto por meio de uma  concedida pela FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cO sistema pode colaborar bastante nesse sentido porque faz com que a \u00e1gua da chuva que recebe ajude no abastecimento do len\u00e7ol fre\u00e1tico, sem ter que passar por uma tubula\u00e7\u00e3o, por exemplo, at\u00e9 chegar ao seu destino final. Ele possibilita reter e tratar \u00e1gua de chuva que poderia ser desperdi\u00e7ada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A camada superficial do sistema, composta por vegeta\u00e7\u00e3o, permite reter a \u00e1gua da chuva de modo a n\u00e3o causar problemas de eros\u00e3o.<\/p>\n<p>Em conjunto com as camadas de areia, brita e a manta geot\u00eaxtil, a camada de vegeta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m auxilia na reten\u00e7\u00e3o de poluentes carreados pela \u00e1gua da chuva, detalhou Altair.<\/p>\n<p>\u201cAo passar por essa s\u00e9rie de filtros, a \u00e1gua da chuva torna-se cada vez mais tratada antes de chegar ao len\u00e7ol fre\u00e1tico\u201d, disse.<\/p>\n<p>Desempenho do sistema<\/p>\n<p>A fim de avaliar o desempenho do sistema, os pesquisadores mapearam oito \u00e1reas cr\u00edticas para enchentes no campus 2 da USP em S\u00e3o Carlos, no interior paulista, e selecionaram uma delas para implant\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Para tentar prever se o sistema teria capacidade de armazenar a quantidade de \u00e1gua de chuva prevista para cair na \u00e1rea onde foi instalado, eles usaram um novo m\u00e9todo de dimensionamento de sistemas de drenagem que desenvolveram no \u00e2mbito do projeto em colabora\u00e7\u00e3o com grupos de outras universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa.<\/p>\n<p>Um dos diferenciais do m\u00e9todo \u00e9 usar simula\u00e7\u00f5es de cen\u00e1rios clim\u00e1ticos futuros e dados como a extens\u00e3o, o grau de urbaniza\u00e7\u00e3o e de vegeta\u00e7\u00e3o e a previs\u00e3o de novas constru\u00e7\u00f5es na \u00e1rea onde a t\u00e9cnica de drenagem ser\u00e1 implementada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, integra indicadores de qualidade e quantidade de \u00e1gua de chuva e estimativas de riscos de contamina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, que, de acordo com os pesquisadores, \u00e9 um aspecto n\u00e3o abordado pelos m\u00e9todos tradicionais de dimensionamento de sistemas de drenagem.<\/p>\n<p>Com isso, o m\u00e9todo de dimensionamento possibilita construir sistemas de drenagem de forma modular e escalonada ao longo do tempo e que a obra seja executada progressivamente, permitindo maior flexibilidade no custeio e efici\u00eancia no funcionamento.<\/p>\n<p>\u201cEsse m\u00e9todo de dimensionamento de sistemas de drenagem modulares e escalon\u00e1veis \u00e9 fundamental para pa\u00edses como o Brasil, onde h\u00e1 uma taxa crescente de urbaniza\u00e7\u00e3o e um regime de chuvas muito superior ao de outros pa\u00edses\u201d, apontou Eduardo Mario Mendiondo, professor da EESC-USP e pesquisador respons\u00e1vel pelo projeto.<\/p>\n<p>Resultados preliminares indicaram que o novo modelo de dimensionamento foi capaz de prever os volumes de \u00e1gua de chuva que o sistema de biorreten\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de armazenar com uma boa margem de seguran\u00e7a e mesmo em picos de cheia.<\/p>\n<p>Por sua vez, o sistema implementado no campus da USP de S\u00e3o Carlos tamb\u00e9m se mostrou capaz de reter toda a quantidade de \u00e1gua de chuva que recebeu nas \u00faltimas semanas, incluindo a do final de dezembro, quando foram registradas na cidade do interior paulista chuvas com volume superior a 60 mil\u00edmetros, superando a m\u00e9dia dos \u00faltimos 80 anos.<\/p>\n<p>\u201cVimos que mesmo com um volume de chuva inesperado o sistema funcionou e foi capaz de reter toda a quantidade de \u00e1gua que recebeu\u201d, afirmou Altair.<\/p>\n<p>Para monitorar a qualidade e quantidade da \u00e1gua escoada, os pesquisadores instalaram sensores na entrada e na sa\u00edda do sistema de biorreten\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de um sistema de transmiss\u00e3o de dados em tempo real a fim de possibilitar o controle do funcionamento.<\/p>\n<p>\u201cA ideia do uso desses sensores \u00e9 que, com o advento de tecnologias voltadas a tornar as cidades inteligentes, no futuro pr\u00f3ximo seja poss\u00edvel que os pr\u00f3prios cidad\u00e3os ou moradores de um edif\u00edcio, por exemplo, controlem o tratamento da polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua por esses sistemas de biorreten\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Mendiondo, que tamb\u00e9m \u00e9 coordenador de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres (Cemaden), do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI).<\/p>\n<p>Algumas an\u00e1lises preliminares indicaram que os sensores de monitoramento foram capazes de medir com bastante acur\u00e1cia os n\u00edveis de metais e subst\u00e2ncias, como nitrito, nitrato e f\u00f3sforo, na \u00e1gua recebida pelo sistema.<\/p>\n<p>\u201cComo o sistema foi constru\u00eddo recentemente, estimamos que, com o passar do tempo, a qualidade da \u00e1gua e a infiltra\u00e7\u00e3o no solo ir\u00e3o melhorar progressivamente\u201d, disse Altair.<\/p>\n<p>Vantagens<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, algumas das vantagens do sistema alternativo de drenagem de \u00e1gua s\u00e3o o fato de pode ser modificado e expandido de acordo com o grau de urbaniza\u00e7\u00e3o de uma determinada \u00e1rea, \u00e9 barato, n\u00e3o interfere na paisagem local e ajuda a controlar a polui\u00e7\u00e3o em \u00e1reas com tr\u00e1fego intenso de ve\u00edculos, uma vez que os poluentes s\u00e3o carreados pela \u00e1gua da chuva escoada para o sistema.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m pode servir para outros finalidades, como tratamento de efluentes, e ser usado em conjunto com os sistemas de drenagem urbana usados hoje nas cidades, baseados em canaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEm vez de colocar s\u00f3 um bueiro em uma via, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel associ\u00e1-lo a esse sistema de drenagem alternativo, que permite n\u00e3o somente escoar essa \u00e1gua da chuva, como tamb\u00e9m fazer com que se infiltre ou seja absorvida pelo solo e retenha parte da polui\u00e7\u00e3o que \u00e9 gerada na bacia em raz\u00e3o da constante urbaniza\u00e7\u00e3o\u201d, disse Mendiondo.<\/p>\n<p>Segundo ele, essas solu\u00e7\u00f5es de drenagem sustent\u00e1vel, que aliam t\u00e9cnicas da Engenharia, Arquitetura, Paisagismo e Qu\u00edmica, entre outras \u00e1reas, s\u00e3o conhecidas e usadas desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 em pa\u00edses como Fran\u00e7a, Austr\u00e1lia e Estados Unidos.<\/p>\n<p>No Brasil ainda s\u00e3o novas e v\u00eam sendo estudadas por seu grupo na EESC-USP nos \u00faltimos dez anos a partir de experimentos-piloto, como o que est\u00e3o sendo realizados agora no campus 2 da USP de S\u00e3o Carlos.<\/p>\n<p>\u201cEssas t\u00e9cnicas compensat\u00f3rias podem contribuir como elementos vi\u00e1veis em planos de adapta\u00e7\u00e3o que est\u00e3o sendo cada vez mais realizados em pa\u00edses que j\u00e1 est\u00e3o lidando com a gest\u00e3o de riscos potenciais de desastres oriundos da urbaniza\u00e7\u00e3o excessiva e os impactos das cheias nas cidades\u201d, avaliou Mendiondo.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a ideia \u00e9 que essas t\u00e9cnicas possam, por um lado, oferecer subs\u00eddios para novas pesquisas e, por outro, promover mudan\u00e7as no longo prazo nos sistemas de drenagem urbana usados no Brasil que, de acordo com ele, t\u00eam gerado conflitos pela falta de manuten\u00e7\u00e3o, obsolesc\u00eancia e incapacidade de evitar desastres e impactos causados por enchentes e inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAs enchentes e inunda\u00e7\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis por perdas econ\u00f4micas e humanas. Por isso, a Pol\u00edtica Nacional de Defesa e Prote\u00e7\u00e3o Civil e o Marco Internacional de Redu\u00e7\u00e3o de Riscos de Desastres, que orientou as discuss\u00f5es da COP21, estabeleceu como priorit\u00e1rias a\u00e7\u00f5es para mitigar seus impactos\u201d, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos, da Universidade de S\u00e3o Paulo (EESC-USP), est\u00e3o estudando um sistema de drenagem de \u00e1gua de chuva alternativo aos utilizados hoje no Brasil, que pode contribuir para minimizar o problema de enchentes em cidades. 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