{"id":79876,"date":"2016-01-18T07:20:22","date_gmt":"2016-01-18T09:20:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=79876"},"modified":"2016-01-17T18:23:01","modified_gmt":"2016-01-17T20:23:01","slug":"com-crise-mais-brasileiros-passaram-a-trabalhar-por-conta-propria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/com-crise-mais-brasileiros-passaram-a-trabalhar-por-conta-propria\/79876","title":{"rendered":"Com crise, mais brasileiros passaram a trabalhar por conta pr\u00f3pria"},"content":{"rendered":"<p> A propor\u00e7\u00e3o de pessoas que trabalham por conta pr\u00f3pria entre o total de ocupados aumentou de 17,9%, em janeiro de 2013, para 19,8% em novembro de 2015, segundo c\u00e1lculos do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), com base na <strong><em>Pesquisa Mensal de Emprego<\/em><\/strong> (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>O levantamento cobre as seis principais regi\u00f5es metropolitanas brasileiras (Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador). Na avalia\u00e7\u00e3o do economista e pesquisador do Ipea Miguel Foguel, o aumento do trabalho por conta pr\u00f3pria est\u00e1 relacionado \u00e0 crise econ\u00f4mica e \u00e0 consequente redu\u00e7\u00e3o dos empregos formais.<\/p>\n<p>Segundo Foguel, os trabalhadores por conta pr\u00f3pria podem ser divididos em dois grupos: os que contribuem para a Previd\u00eancia Social e os que n\u00e3o contribuem. Em 2013, os aut\u00f4nomos do primeiro grupo eram 5,2% do total de ocupados nessas seis regi\u00f5es. Esse percentual subiu para 7,4%, em novembro de 2015. J\u00e1 os trabalhadores por conta pr\u00f3pria n\u00e3o contribuintes permaneceram est\u00e1veis: 12,8%, em janeiro de 2013; e 12,4%, em novembro de 2015.<\/p>\n<p>De acordo com o economista do Ipea, provavelmente, esse fen\u00f4meno tem a ver com a rea\u00e7\u00e3o defensiva do trabalhador diante de um mercado de trabalho em crise, em que as empresas est\u00e3o demitindo e deixando de contratar. \u201cA\u00ed, a rea\u00e7\u00e3o deles ante a dificuldade de encontrar emprego \u00e9 buscar algum tipo de renda por meio de um microempreendimento ou alguma atividade que se configura como por conta pr\u00f3pria, e continuar contribuindo para a Previd\u00eancia Social, mas agora n\u00e3o mais como um empregado formal\u201d. <\/p>\n<p>No entanto, segundo Foguel, dependendo da restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e da oferta de trabalho na nova fase profissional, alguns deixam de pagar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) porque n\u00e3o podem ou n\u00e3o querem bancar essa despesa.<\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo Fernando Azevedo, do Rio de Janeiro, \u00e9 um desses trabalhadores. Depois de atuar por 18 anos em v\u00e1rias editoras e assessorias de imprensa, resolveu dar uma guinada total na vida. Ele se tornou criador de m\u00f3veis, s\u00f3 fotografa suas cria\u00e7\u00f5es e h\u00e1 cerca de um m\u00eas abriu uma loja em Maric\u00e1, na Regi\u00e3o dos Lagos, para venda de seus produtos.<\/p>\n<p>O empreendimento est\u00e1 dando t\u00e3o certo que Azevedo est\u00e1 se preparando para contratar uma funcion\u00e1ria para a loja, al\u00e9m dos dois marceneiros que j\u00e1 trabalham com ele. O fot\u00f3grafo e agora designer de m\u00f3veis atualmente n\u00e3o contribui para a Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>J\u00e1 o professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica Pedro Copelli, tamb\u00e9m aut\u00f4nomo, come\u00e7ou recentemente a contribuir para o INSS como forma de se preparar para a aposentadoria. Embora tenha curso superior e n\u00e3o enfrente dificuldades em arranjar emprego, ele preferiu trabalhar por conta pr\u00f3pria, mas n\u00e3o descarta a possibilidade de retorno ao mercado formal. \u201cSe aparecer algum emprego legal com carteira assinada eu pego porque, na nossa \u00e1rea, \u00e9 dif\u00edcil voc\u00ea trabalhar em um s\u00f3 lugar\u201d, disse.<\/p>\n<p>Copelli d\u00e1 cursos de exerc\u00edcios funcionais e aulas de futebol feminino h\u00e1 seis anos em um clube em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. No mesmo bairro, d\u00e1 aulas de futsal em um col\u00e9gio e est\u00e1 pensando em ampliar o trabalho, com a abertura de turmas de futev\u00f4lei, na praia. Segundo ele,  trabalhar por conta pr\u00f3pria est\u00e1 sendo compensador e, at\u00e9 agora, a crise econ\u00f4mica n\u00e3o afetou suas atividades.<\/p>\n<p>\u201cTenho um n\u00famero razo\u00e1vel de alunos porque n\u00e3o tenho muito concorrente. Com o fechamento das escolas de futebol feminino do Fluminense e do Flamengo, muitas meninas migraram para n\u00f3s\u201d, disse o professor. <\/p>\n<p>Informalidade<br \/>\nO avan\u00e7o do trabalho por conta pr\u00f3pria tamb\u00e9m pode ter impacto sobre os n\u00fameros da informalidade no Brasil, de acordo com o economista do Ipea.<\/p>\n<p>Segundo ele, considerando que os trabalhadores por conta pr\u00f3pria se subdividem entre os que contribuem para a Previd\u00eancia Social e os que n\u00e3o contribuem, alguns analistas associam o aumento desse tipo de trabalho como um indicador de crescimento da informalidade, j\u00e1 que nem todos pagam o INSS.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente considerar que esse trabalhador por conta pr\u00f3pria que contribui para a Previd\u00eancia Social n\u00e3o \u00e9 informal, n\u00e3o est\u00e1 havendo um crescimento da informalidade. Mas se eles forem incorporados como informais, ent\u00e3o, sim, h\u00e1 um aumento da informalidade. Vai depender de como cada um define [esse conceito], ponderou o economista.<\/p>\n<p>Crise entre os aut\u00f4nomos<br \/>\nSe a crise est\u00e1 levando mais gente a trabalhar por conta pr\u00f3pria, comerciantes que j\u00e1 est\u00e3o nessa modalidade h\u00e1 muito tempo tamb\u00e9m est\u00e3o sentindo os efeitos da desacelera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>O vendedor de frutas Celso Nunes, de Bras\u00edlia, disse que esse janeiro tem se mostrado o mais fraco desde que ele come\u00e7ou a vender salada de frutas numa barraca que monta no Setor Banc\u00e1rio Norte, no centro da capital, h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>\u201cJaneiro \u00e9 mais fraco mesmo, mas esse tem sido o pior desde que eu cheguei aqui\u201d, calculou.  Pelas contas que faz de cabe\u00e7a, ele diz que seu faturamento caiu em torno de 70% na compara\u00e7\u00e3o como mesmo m\u00eas do ano passado. Para compensar a queda nas vendas e o aumento nos custos devido \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, desde o in\u00edcio do ano, Nunes resolveu subir o pre\u00e7o da bandeja de salada de frutas, de R$ 5 para R$ 6.<\/p>\n<p>Outros comerciantes informais entrevistados pela Ag\u00eancia Brasil tamb\u00e9m relataram dificuldades com as vendas recentemente. Sob nuvens negras no c\u00e9u, o vendedor ambulante Obede Suzarte disse \u00e0 reportagem que costumava vender de 15 a 20 guarda-chuvas e sombrinhas em dias de chuva no ponto onde monta a sua barraca h\u00e1 cinco anos, na avenida W3 Norte. &#8220;Mas neste m\u00eas de janeiro, quando costuma chover muito por aqui, tenho vendido umas tr\u00eas ou quatro por dia&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Ele diz que se sente ainda mais prejudicado pela crise porque seu tipo de mercadoria \u2013 rel\u00f3gios, barbeadores, carregadores de celular, \u00f3culos de sol e radinhos de pilha \u2013 n\u00e3o ser de primeira necessidade. &#8220;O cliente at\u00e9 vem e olha, mas se n\u00e3o \u00e9 essencial pra ele, n\u00e3o compra mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;T\u00e1 dif\u00edcil geral, essa crise financeira chegou para todo mundo&#8221;, disse a vendedora de churrasquinho Raimunda Nonato da Silva. Ela, que chegou em Bras\u00edlia vinda do Maranh\u00e3o em 1979, come\u00e7ou no ano passado a vender espetinhos de carne em uma parada de \u00f4nibus da avenida W3, depois de perder o emprego como dom\u00e9stica. Apesar da redu\u00e7\u00e3o nas vendas, Raimunda ainda resiste a subir o pre\u00e7o do espetinho, vendido a R$ 3. &#8220;Se n\u00e3o, n\u00e3o vendo \u00e9 nada, meu filho\u201d.<\/p>\n<p>Diante do aumento significativo do n\u00famero de ambulantes por causa da crise, o governo do Distrito Federal deflagrou desde dezembro uma opera\u00e7\u00e3o de repress\u00e3o aos comerciantes informais, agravando a situa\u00e7\u00e3o dos vendedores de rua.<\/p>\n<p>Desde 11 de janeiro, por exemplo, policias militares e agentes da Ag\u00eancia de Fiscaliza\u00e7\u00e3o do Distrito Federal ocupam cada esquina do Setor Comercial Sul, na regi\u00e3o central de Bras\u00edlia. A justificativa dada pelo administrador regional do Plano Piloto, Marcos Pacco, \u00e9 &#8220;revitalizar o espa\u00e7o e coibir atividades ilegais&#8221;. O mesmo tipo de opera\u00e7\u00e3o ocorre nos arredores da rodovi\u00e1ria do Plano Piloto.<\/p>\n<p> Alana Gandra e Felipe Pontes &#8211; Rep\u00f3rteres da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Luana Louren\u00e7o<br \/>\n18\/01\/2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A propor\u00e7\u00e3o de pessoas que trabalham por conta pr\u00f3pria entre o total de ocupados aumentou de 17,9%, em janeiro de 2013, para 19,8% em novembro de 2015, segundo c\u00e1lculos do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). 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