{"id":79395,"date":"2016-01-05T17:45:38","date_gmt":"2016-01-05T19:45:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=79395"},"modified":"2016-01-05T17:45:38","modified_gmt":"2016-01-05T19:45:38","slug":"astronomos-brasileiros-terao-acesso-a-telescopio-que-mapeara-metade-do-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2016\/astronomos-brasileiros-terao-acesso-a-telescopio-que-mapeara-metade-do-ceu\/79395","title":{"rendered":"Astr\u00f4nomos brasileiros ter\u00e3o acesso a telesc\u00f3pio que mapear\u00e1 metade do c\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os <strong><em>astr\u00f4nomos<\/em><\/strong> brasileiros ter\u00e3o acesso ao Large Synoptic Survey Telescope (LSST), em constru\u00e7\u00e3o em Cerro Pach\u00f3n, no Chile, previsto para entrar em opera\u00e7\u00e3o em 2022, com o qual se pretende fazer um mapeamento de quase a metade do c\u00e9u por um per\u00edodo de dez anos.<\/p>\n<p>O ingresso do Brasil no projeto foi assegurado por meio de um acordo firmado entre a Rede ANSP (), apoiada pela FAPESP, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), o Laborat\u00f3rio Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA) e o Laborat\u00f3rio Nacional de Astrof\u00edsica (LNA) com o cons\u00f3rcio norte-americano que financia o projeto.<\/p>\n<p>O memorando de entendimento assinado pelas institui\u00e7\u00f5es permitir\u00e1 que astr\u00f4nomos dos Estados Unidos e de outros pa\u00edses tenham acesso aos dados obtidos pelo telesc\u00f3pio por meio de uma rede de fibra \u00f3ptica, operada pela ANSP e RNP, que interliga S\u00e3o Paulo, Miami e Santiago, no Chile, por meio de cabos submarinos com mais de 20 mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa contribui\u00e7\u00e3o da ANSP e da RNP foi reconhecida pelo Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do LSST como contrapartida para a participa\u00e7\u00e3o de dez pesquisadores s\u00eaniores e quatro jovens pesquisadores a eles associados \u2013 totalizando 50 pesquisadores \u2013, que ter\u00e3o acesso irrestrito aos dados obtidos pelo telesc\u00f3pio.<\/p>\n<p>Pelos termos do acordo, o LNA e o LIneA ser\u00e3o respons\u00e1veis por organizar o processo de sele\u00e7\u00e3o desse grupo de pesquisadores brasileiros, denominado Brazilian Participation Group (BPG-LSST).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que a participa\u00e7\u00e3o brasileira no LSST se d\u00ea em n\u00edvel nacional. Por isso, o LNA, que assinou o memorando de entendimento juntamente com o LIneA, a ANSP e a RNP, tem um papel fundamental na interface do LSST com a comunidade astron\u00f4mica brasileira, no sentido de elencar pesquisadores e os projetos que utilizar\u00e3o os dados do telesc\u00f3pio\u201d, disse Marcos Perez Diaz, professor do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG-USP) e presidente da Sociedade Astron\u00f4mica Brasileira, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com Diaz, o LSST ir\u00e1 operar de forma diferente dos observat\u00f3rios astron\u00f4micos em funcionamento no mundo, nos quais os astr\u00f4nomos participantes disp\u00f5em de uma quantidade estabelecida de tempo para fazer observa\u00e7\u00f5es de uma determinada \u00e1rea do c\u00e9u prevista no seu projeto de pesquisa.<\/p>\n<p>No caso do LSST, o telesc\u00f3pio ir\u00e1 realizar o monitoramento cont\u00ednuo de sua \u00e1rea planejada de observa\u00e7\u00e3o e os pesquisadores participantes selecionar\u00e3o os dados de seu interesse.<\/p>\n<p>A frequ\u00eancia de observa\u00e7\u00e3o do telesc\u00f3pio permitir\u00e1 a obten\u00e7\u00e3o de imagens repetidas de cada fra\u00e7\u00e3o do c\u00e9u vis\u00edvel a cada poucas noites, em v\u00e1rias bandas ou segmentos do espectro eletromagn\u00e9tico. E continuar\u00e1 operando nesse modo por dez anos com o objetivo de obter cat\u00e1logos astron\u00f4micos que combinam informa\u00e7\u00e3o angular, espectral e temporal em alta profundidade.<\/p>\n<p>Para isso, o telesc\u00f3pio, com 8,4 metros de di\u00e2metro e or\u00e7ado em R$ 1 milh\u00e3o, ser\u00e1 composto por tr\u00eas espelhos com um campo de vis\u00e3o de quase 10 graus quadrados, podendo inspecionar o c\u00e9u inteiro em apenas tr\u00eas noites.<\/p>\n<p>As imagens ser\u00e3o capturadas por uma c\u00e2mera digital com 3,2 milh\u00f5es de pixels, que ser\u00e1 a maior em opera\u00e7\u00e3o no mundo quando estiver pronta. Cada exposi\u00e7\u00e3o da c\u00e2mera cobrir\u00e1 uma \u00e1rea correspondente a 40 vezes o tamanho da Lua cheia.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 que a cada noite o telesc\u00f3pio gere 30 terabytes (TB) de dados, os quais ser\u00e3o transmitidos para diferentes centros para redu\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p>Ao final de dez anos de observa\u00e7\u00f5es, o levantamento poder\u00e1 gerar um volume de 200 petabytes (PB) de imagens e dados que possibilitar\u00e3o aos astr\u00f4nomos obter respostas para algumas quest\u00f5es prementes sobre a estrutura e a evolu\u00e7\u00e3o do Universo, como a distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura e como suas propriedades afetam a forma\u00e7\u00e3o de estrelas, gal\u00e1xias e estruturas maiores.<\/p>\n<p>Para gerenciar a transfer\u00eancia, o processamento, o armazenamento, a an\u00e1lise e a explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica desse volume de dados gerados de forma ininterrupta, ser\u00e1 preciso novas solu\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o em rede, processamento de alto desempenho e desenho de banco de dados, em que os pesquisadores brasileiros poder\u00e3o participar do desenvolvimento, estimou Diaz.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que o Brasil entre efetivamente agora no projeto LSST e comece a desenvolver uma infraestrutura para se preparar para analisar, fazer a interpreta\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o do volume de dados sem precedentes que ser\u00e3o gerados pelo telesc\u00f3pio\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Nova banda<\/p>\n<p>Pelo acordo, a ANSP e a RNP disponibilizar\u00e3o de uma conex\u00e3o entre Santiago e S\u00e3o Paulo com velocidade de 80 gigabits por segundo (Gbps) em 2019.<\/p>\n<p>A velocidade de comunica\u00e7\u00e3o da rede de fibra \u00f3ptica operada pela ANSP e a RNP, interligando S\u00e3o Paulo e Miami, \u00e9 de 40 Gbps, dos quais s\u00e3o usados hoje menos de 20 Gbps.<\/p>\n<p>\u201cO fato de estar usando menos da metade da velocidade da rede hoje \u00e9 bom porque se perdermos, por exemplo, 10 gigabits pelo rompimento de um cabo ou algum problema t\u00e9cnico, ainda temos 30 gigabits por segundo de velocidade assegurada\u201d, explicou Luis Fernandez Lopez, coordenador-geral da Rede ANSP.<\/p>\n<p>Para atender \u00e0 demanda de velocidade de conex\u00e3o do LSST, contudo, n\u00e3o ser\u00e3o necess\u00e1rios novos investimentos na amplia\u00e7\u00e3o da velocidade da rede acad\u00eamica, al\u00e9m dos j\u00e1 programados para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>\u201cPlanejamos aumentar a velocidade da rede nos pr\u00f3ximos anos, podendo chegar a 400 gigabits por segundo\u201d, disse Lopez.<\/p>\n<p>Por meio do acordo com o LSST, a ANSP e a RNP tamb\u00e9m ir\u00e3o administrar uma nova rede de fibra \u00f3ptica entre Santos, no litoral paulista, e Boca Raton, em Miami, obtida do governo americano pelo cons\u00f3rcio que administra o telesc\u00f3pio.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o da nova rede possibilitar\u00e1 \u00e0 ANSP testar novos protocolos de comunica\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o s\u00e3o usados comercialmente, mas que podem ter aplica\u00e7\u00f5es e ser do interesse de astr\u00f4nomos, astrof\u00edsicos, f\u00edsicos de altas energias e outros cientistas que necessitam de protocolos de comunica\u00e7\u00e3o especiais.<\/p>\n<p>\u201cEssa nova rede possibilitar\u00e1 colocarmos nossa pr\u00f3pria tecnologia e passar qualquer sinal que os cientistas de S\u00e3o Paulo necessitem\u201d, afirmou Lopez.<\/p>\n<p>A Rede ANSP foi criada em 1989, pela FAPESP, com o objetivo de conectar pesquisadores do Estado de S\u00e3o Paulo dentro do pr\u00f3prio estado, com os de outros estados brasileiros e com outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Inicialmente, a rede acad\u00eamica paulista conectou grupos de pesquisadores da \u00e1rea de F\u00edsica de Altas Energias das Universidades de S\u00e3o Paulo (USP), Estadual Paulista (Unesp) e Estadual de Campinas (Unicamp), al\u00e9m do Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT), com o Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab) em Chicago, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Hoje, a Rede ANSP conecta sete universidades p\u00fablicas paulistas e mais de 40 institui\u00e7\u00f5es de pesquisa situadas em S\u00e3o Paulo \u00e0 rede mundial de computadores. E viabiliza grandes projetos de pesquisa colaborativos em \u00e1reas como Gen\u00f4mica, Biodiversidade, Astronomia, F\u00edsica de Altas Energias e Fot\u00f4nica, entre diversas outras.<\/p>\n<p>\u201cTodos os astr\u00f4nomos que recebem dados de telesc\u00f3pios e radiotelesc\u00f3pios situados no Chile, por exemplo, usam a Rede ANSP\u201d, disse Lopez.<\/p>\n<div class=\"wrap-content\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os astr\u00f4nomos brasileiros ter\u00e3o acesso ao Large Synoptic Survey Telescope (LSST), em constru\u00e7\u00e3o em Cerro Pach\u00f3n, no Chile, previsto para entrar em opera\u00e7\u00e3o em 2022, com o qual se pretende fazer um mapeamento de quase a metade do c\u00e9u por um per\u00edodo de dez anos. 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