{"id":78545,"date":"2015-12-09T15:11:39","date_gmt":"2015-12-09T17:11:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=78545"},"modified":"2015-12-09T15:11:39","modified_gmt":"2015-12-09T17:11:39","slug":"estudo-alerta-para-a-presenca-de-malaria-fora-da-regiao-amazonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/estudo-alerta-para-a-presenca-de-malaria-fora-da-regiao-amazonica\/78545","title":{"rendered":"Estudo alerta para a presen\u00e7a de mal\u00e1ria fora da regi\u00e3o amaz\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 De acordo com um levantamento \u00a0por pesquisadores brasileiros no <em><strong>Malaria<\/strong><\/em> Journal, entre os anos de 2007 e 2014 foram registrados 6.092 casos de mal\u00e1ria fora da regi\u00e3o amaz\u00f4nica \u2013 a \u00fanica considerada end\u00eamica para a doen\u00e7a no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo os autores, apenas 19% de todos os casos fora da Amaz\u00f4nia s\u00e3o diagnosticados e tratados em at\u00e9 48 horas ap\u00f3s o in\u00edcio dos sintomas \u2013 enquanto na regi\u00e3o amaz\u00f4nica esse \u00edndice salta para 60%.<\/p>\n<p>\u201cIsso pode explicar a alta propor\u00e7\u00e3o de casos severos de mal\u00e1ria e a maior taxa de mortalidade em regi\u00f5es n\u00e3o end\u00eamicas\u201d, dizem os pesquisadores no artigo.<\/p>\n<p>O levantamento foi feito com  da FAPESP durante o doutorado de Camila Lorenz e de Fl\u00e1via Virginio, orientandas de Lincoln Suesdek no Instituto Butantan. Contou ainda com a participa\u00e7\u00e3o do pesquisador Breno Aguiar e foi coordenado por Francisco Chiaravalloti-Neto, ambos da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>O grupo se baseou nos dados registrados pelo Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan) e pelo Departamento de Inform\u00e1tica do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (DATASUS) \u2013 ambos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Esses bancos de dados trazem informa\u00e7\u00f5es como sexo e idade do paciente, local em que foi registrada a notifica\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m os locais em que o paciente esteve no suposto per\u00edodo da contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsse estudo mostra que, embora a maioria dos casos de mal\u00e1ria ocorra na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia legal, a regi\u00e3o extra-amaz\u00f4nica tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade, pois abriga 87% da popula\u00e7\u00e3o brasileira e tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es para a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a: h\u00e1 presen\u00e7a do vetor (mosquitos do g\u00eanero Anopheles), do agente etiol\u00f3gico (parasitas do g\u00eaneroPlasmodium) e do hospedeiro (humanos)\u201d, comentou Virginio em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Segundo a aluna de Doutorado, muitas vezes os sintomas cl\u00ednicos da doen\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o suficientes para estabelecer um diagn\u00f3stico e podem ser confundidos com dengue ou outras doen\u00e7as virais. H\u00e1, portanto, necessidade de se realizar exames parasitol\u00f3gicos para confirmar. \u201cConfundir doen\u00e7as \u00e9 perigoso, pois os tratamentos s\u00e3o muito diferentes\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Virginio, profissionais de sa\u00fade de todos os estados brasileiros devem estar alertas para o hist\u00f3rico dos pacientes e atentos aos locais visitados recentemente.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1ria maior aten\u00e7\u00e3o tanto do ponto de vista da assist\u00eancia, ou seja, ter m\u00e9dicos aptos a diagnosticar e tratar a doen\u00e7a, como do ponto de vista da vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica. Os olhares est\u00e3o todos voltados para a Amaz\u00f4nia, onde se concentram 99% dos casos, mas, se a vigil\u00e2ncia for esquecida no restante do pa\u00eds, o problema pode voltar em locais onde j\u00e1 foi superado\u201d, disse Virginio.<\/p>\n<p>A demora para diagnosticar e tratar a doen\u00e7a, explicou a pesquisadora, cria condi\u00e7\u00f5es para que o mosquito se contamine com o parasita ao picar o paciente infectado e transmita para outros habitantes locais. Especialistas estimam que um \u00fanico doente sem tratamento pode, em uma semana, dar origem a at\u00e9 50 novos casos, dependendo da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante salientar que a regi\u00e3o extra-amaz\u00f4nica abriga v\u00e1rias esp\u00e9cies de mosquitos com potencial para transmitir mal\u00e1ria. Com as mudan\u00e7as na paisagem e no clima do pa\u00eds \u00e9 poss\u00edvel que esp\u00e9cies antes inofensivas passem a transmitir o Plasmodium, e isso \u00e9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica que precisa ser investigada\u201d, alertou Lorenz.<\/p>\n<p>Diferen\u00e7as regionais<\/p>\n<p>Dos mais de 6 mil casos notificados durante o per\u00edodo avaliado, quase 90% s\u00e3o considerados importados, ou seja, o paciente contraiu a doen\u00e7a durante estada na Amaz\u00f4nia ou no exterior \u2013 principalmente pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00cdndia. Os demais s\u00e3o casos aut\u00f3ctones\/introduzidos, isto \u00e9, nos quais a transmiss\u00e3o ocorreu localmente.<\/p>\n<p>Embora os casos importados tenham predominado em todos os anos, houve um pico em 2007. J\u00e1 o pico de casos aut\u00f3ctones ocorreu em 2010. Os estados com maior incid\u00eancia de casos aut\u00f3ctones foram Esp\u00edrito Santo, Piau\u00ed e Paran\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cFoi poss\u00edvel notar que o ano de 2014 teve o menor n\u00famero de casos, tanto aut\u00f3ctones quanto importados. Isso reflete as medidas que a popula\u00e7\u00e3o vem tomando para se proteger da mal\u00e1ria, mesmo nas \u00e1reas n\u00e3o end\u00eamicas, como: o uso de repelente, telas em portas e janelas e evitar \u00e1reas de banho durante o pico de atividade dos mosquitos\u201d, observou Lorenz.<\/p>\n<p>Embora notifica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a tenham sido registradas em todos os estados brasileiros, em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais e Rio Grande do Sul houve apenas casos importados.<\/p>\n<p>As infec\u00e7\u00f5es por parasitas da esp\u00e9cie Plasmodium vivax predominaram na Regi\u00e3o Sul, enquanto no Nordeste e no Sudeste foram mais comuns os casos de infec\u00e7\u00e3o pelo Plasmodium falciparum. J\u00e1 na Regi\u00e3o Centro-Oeste, que faz fronteira entre a regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia Legal e a regi\u00e3o extra-amaz\u00f4nica, foi observada dupla infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNa regi\u00e3o extra-amaz\u00f4nica, a mal\u00e1ria tornou-se um problema que afeta principalmente subpopula\u00e7\u00f5es isoladas com certas caracter\u00edsticas sociais (por exemplo, tipos de habita\u00e7\u00e3o) ou que desempenham espec\u00edficas atividades profissionais. Portanto, a educa\u00e7\u00e3o adequada dos indiv\u00edduos em risco e profissionais de sa\u00fade \u00e9 necess\u00e1ria. Al\u00e9m disso, meios de diagn\u00f3stico r\u00e1pido devem ser implementados nestas regi\u00f5es para evitar eventos adversos graves ou mortes por mal\u00e1ria\u201d, concluem os autores no artigo.<\/p>\n<p>O artigo Spatial and temporal epidemiology of malaria in extra-Amazonian regions of Brazil (doi: 10.1186\/s12936-015-0934-6), pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 De acordo com um levantamento \u00a0por pesquisadores brasileiros no Malaria Journal, entre os anos de 2007 e 2014 foram registrados 6.092 casos de mal\u00e1ria fora da regi\u00e3o amaz\u00f4nica \u2013 a \u00fanica considerada end\u00eamica para a doen\u00e7a no pa\u00eds. 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