{"id":78358,"date":"2015-12-04T16:14:18","date_gmt":"2015-12-04T18:14:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=78358"},"modified":"2015-12-04T16:14:18","modified_gmt":"2015-12-04T18:14:18","slug":"medidas-de-adaptacao-as-mudancas-climaticas-sao-anunciadas-em-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/medidas-de-adaptacao-as-mudancas-climaticas-sao-anunciadas-em-santos\/78358","title":{"rendered":"Medidas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o anunciadas em Santos"},"content":{"rendered":"<p>Samuel Antenor, de Santos | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um estudo internacional sobre a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar causada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na cidade de <strong><em>Santos<\/em><\/strong>, litoral sul do Estado de S\u00e3o Paulo, resultou em um conjunto de propostas de adapta\u00e7\u00e3o, apresentado na ter\u00e7a-feira (01\/12) na Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Santos.<\/p>\n<p>No encontro, pesquisadores e representantes da sociedade civil, da Marinha e do Ex\u00e9rcito \u00a0discutiram propostas de a\u00e7\u00f5es a serem executadas na cidade nos pr\u00f3ximos anos, a fim de enfrentar a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e suas consequ\u00eancias na maior cidade portu\u00e1ria do Brasil, ante a perspectiva de aumento da temperatura global acima de 2\u00b0C at\u00e9 o final deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>As sugest\u00f5es apresentadas pelo grupo fazem parte da segunda etapa do Projeto  (Metropole, na sigla em ingl\u00eas) que inclui pesquisas sobre a eleva\u00e7\u00e3o da mar\u00e9 em outras duas cidades: Broward, nos Estados Unidos, e Selsey, na Inglaterra. Realizado por pesquisadores do Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto Geol\u00f3gico de S\u00e3o Paulo, o estudo, que contou com apoio de t\u00e9cnicos da Prefeitura Municipal de Santos, foi feito em parceria com pesquisadores da University of South Florida, dos Estados Unidos, e do King\u2019s College London, da Inglaterra \u00e9 apoiado pela FAPESP, no \u00e2mbito de um com o Belmont Forum.<\/p>\n<p>Santos foi escolhida n\u00e3o apenas por suas caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas e import\u00e2ncia estrat\u00e9gica para o Brasil, mas por reunir os mais completos dados sobre eleva\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s no pa\u00eds, registrados desde 1945 por mar\u00e9grafos e desde 1993 tamb\u00e9m por sat\u00e9lite (para saber mais sobre o projeto Metropole leia ).<\/p>\n<p>\u201cFoi elaborada uma estimativa de tend\u00eancias de n\u00edvel m\u00e9dio do mar, com dados de mar\u00e9grafo e de topografia din\u00e2mica por altimetria de sat\u00e9lites, considerando a confiabilidade, estabilidade e consist\u00eancia desses dados\u201d, explicou Luci Hidalgo Nunes, pesquisadora da Unicamp e participante do projeto.<\/p>\n<p>Os dados coletados pelos pesquisadores foram inseridos na plataforma COAST (Coastal Adaptation to Sea Level Rise Tool), desenvolvida por uma empresa norte-americana, que ficou tamb\u00e9m respons\u00e1vel pelo armazenamento dos dados provenientes das tr\u00eas cidades integrantes do Projeto Metropole.<\/p>\n<p>No caso de Santos, al\u00e9m dos dados espaciais georreferenciados e das vari\u00e1veis relacionadas \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, foram consideradas vari\u00e1veis socioecon\u00f4micas.<\/p>\n<p>A partir disso, foram tra\u00e7ados dois n\u00edveis de impacto nas regi\u00f5es sudeste e noroeste da cidade, englobando diferentes \u00e1reas do munic\u00edpio, em um total de 13 km\u00b2, onde vivem 117 mil pessoas, e cujas previs\u00f5es de eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar ficam entre 18 cm e 23 cm em 2050, com proje\u00e7\u00f5es de 36 cm a 45 cm at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>Medidas adaptativas<\/p>\n<p>Considerando os cen\u00e1rios atuais, os dados indicam que o regime de chuvas e as ressacas na regi\u00e3o de Santos tender\u00e3o a ser mais intensos e mais frequentes nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Isso decorre do aumento de temperatura global e da consequente eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, al\u00e9m da possibilidade de eventos extremos.<\/p>\n<p>Em Santos, as sugest\u00f5es para diminuir as vulnerabilidades costeiras, apresentadas ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o de diferentes formas de adapta\u00e7\u00e3o, incluem obras de infraestrutura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de manguezais, foram sugeridas a implanta\u00e7\u00e3o de comportas para controle de mar\u00e9s em rios, a constru\u00e7\u00e3o de canais de drenagem, o aumento da faixa de areia na Ponta da Praia e a constru\u00e7\u00e3o de quebra-mar na orla leste do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Para a zona noroeste do munic\u00edpio, as propostas de medidas adaptativas incluem a dragagem de canais, a cria\u00e7\u00e3o de um sistema de comportas e esta\u00e7\u00f5es de bombeamento e a recupera\u00e7\u00e3o de mangues. Na regi\u00e3o da Ponta da Praia, no sudeste santista, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que sejam adotadas medidas para engordamento\/alimenta\u00e7\u00e3o artificial da praia, a constru\u00e7\u00e3o de um muro de prote\u00e7\u00e3o e de um sistema de bombeamento e de melhoria de comporta de canais.<\/p>\n<p>Para mensurar os custos da ado\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o dessas propostas, foram avaliados dois cen\u00e1rios, com e sem as medidas adaptativas. Para chegar a um custo aproximado das adapta\u00e7\u00f5es, foram projetados cen\u00e1rios de perdas baseados exclusivamente no valor dos im\u00f3veis nas duas regi\u00f5es. Custos relacionados a outras vari\u00e1veis, como sa\u00fade e mobilidade, n\u00e3o foram computados.<\/p>\n<p>Com proje\u00e7\u00f5es de eleva\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s em 45 cm at\u00e9 2100, os danos chegariam a R$ 236 milh\u00f5es na zona noroeste e passariam de R$ 1 bilh\u00e3o na regi\u00e3o sudeste do munic\u00edpio, caso n\u00e3o sejam adotadas as medidas adaptativas. Com a ado\u00e7\u00e3o das medidas, os custos dos danos seriam nulos na orla e cairiam para R$ 64 milh\u00f5es na regi\u00e3o noroeste.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos foram feitos com base em projetos internacionais e na tomada de pre\u00e7os para a execu\u00e7\u00e3o de projetos feita pela pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o municipal.<\/p>\n<p>\u201cBuscamos fornecer aos tomadores de decis\u00e3o a melhor informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para o planejamento urbano futuro, quais seriam as a\u00e7\u00f5es indicadas e seus benef\u00edcios\u201d, explicou Jos\u00e9 Marengo, pesquisador titular do Cemaden e coordenador do projeto no Brasil.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/p>\n<p>Uma das propostas do projeto \u00e9 utilizar o conhecimento resultante dessas pesquisas para subsidiar medidas de enfrentamento de problemas advindos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ajudar na tomada de decis\u00f5es e na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Nesse sentido, a prefeitura de Santos publicou, tamb\u00e9m no dia 1\u00ba de dezembro, um decreto criando uma comiss\u00e3o municipal de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima.<\/p>\n<p>Entre outros pontos, o texto do decreto sugere a cria\u00e7\u00e3o de estrutura organizacional, envolvendo o poder p\u00fablico, o setor produtivo e representantes da sociedade civil, para a execu\u00e7\u00e3o das poss\u00edveis medidas a serem adotadas com base nas pesquisas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se deve esperar por uma cat\u00e1strofe para usar o conhecimento cient\u00edfico sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para formular pol\u00edticas p\u00fablicas, mas agir de forma preventiva\u201d, afirmou Roberto Greco, do Instituto de Geoci\u00eancias da Unicamp e membro do projeto.<\/p>\n<p>Durante o encontro, foram discutidas diferentes formas de financiamento das propostas, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es para conscientizar e sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia do tema. Uma das t\u00f4nicas da discuss\u00e3o foi justamente a necessidade de encontrar meios de garantir a participa\u00e7\u00e3o popular na quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Os participantes do encontro refor\u00e7aram o car\u00e1ter p\u00fablico e participativo das a\u00e7\u00f5es, que precisariam envolver toda a sociedade, permitindo a atua\u00e7\u00e3o p\u00fablica por meio da representa\u00e7\u00e3o social, incluindo pessoas f\u00edsicas, no Conselho proposto em decreto pela atual gest\u00e3o municipal.<\/p>\n<p>\u201cSantos \u00e9 precursora neste n\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o no Brasil, e o projeto s\u00f3 pode ser realizado com a ajuda da prefeitura no fornecimento das informa\u00e7\u00f5es e apoio t\u00e9cnico para utiliza\u00e7\u00e3o dos dados. Seria imposs\u00edvel fazer um projeto como esse sem esse apoio\u201d, afirmou Nunes.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, considerando n\u00e3o apenas a avalia\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar mas tamb\u00e9m aspectos relacionados aos ventos e ao clima, \u00e9 a primeira vez que se faz um estudo desse tipo no Brasil, com uma clara proposta de subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas e a tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima fase da pesquisa ser\u00e1 a elabora\u00e7\u00e3o de comparativos entre aspectos relacionados nas tr\u00eas cidades pesquisadas, a fim de trocar informa\u00e7\u00f5es que reforcem o car\u00e1ter de urg\u00eancia das medidas de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samuel Antenor, de Santos | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Um estudo internacional sobre a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar causada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na cidade de Santos, litoral sul do Estado de S\u00e3o Paulo, resultou em um conjunto de propostas de adapta\u00e7\u00e3o, apresentado na ter\u00e7a-feira (01\/12) na Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Santos. 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