{"id":76330,"date":"2015-10-14T17:02:59","date_gmt":"2015-10-14T20:02:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=76330"},"modified":"2015-10-14T17:02:59","modified_gmt":"2015-10-14T20:02:59","slug":"melatonina-reduz-metastase-em-animais-com-cancer-de-mama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/melatonina-reduz-metastase-em-animais-com-cancer-de-mama\/76330","title":{"rendered":"Melatonina reduz met\u00e1stase em animais com c\u00e2ncer de mama"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Ao tratar com melatonina c\u00e9lulas metast\u00e1ticas de <em><strong>c\u00e2ncer de mama<\/strong><\/em> cultivadas in vitro, pesquisadores da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp) observaram uma redu\u00e7\u00e3o em torno de 55% na capacidade de migra\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o celular. Experimentos feitos com camundongos mostraram que o tratamento tamb\u00e9m \u00e9 capaz de diminuir a progress\u00e3o da doen\u00e7a in vivo.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa,  pela FAPESP, foram \u00a0no Journal of Pineal Research.<\/p>\n<p>\u201cEsses dados refor\u00e7am a hip\u00f3tese, j\u00e1 apontada em estudos anteriores do grupo, de que doses terap\u00eauticas de melatonina \u2013 acima do que normalmente \u00e9 encontrado no organismo humano \u2013 poderiam funcionar como adjuvante no tratamento do c\u00e2ncer\u201d, afirmou Thaiz Ferraz Borin, que desenvolveu o trabalho durante seu p\u00f3s-doutorado, realizado no Laborat\u00f3rio de Investiga\u00e7\u00e3o Molecular do C\u00e2ncer (LIMC-Famerp) sob supervis\u00e3o da professora Debora Zuccari.<\/p>\n<p>A melatonina \u00e9 um horm\u00f4nio secretado naturalmente pela gl\u00e2ndula pineal, localizada no c\u00e9rebro, e participa da regula\u00e7\u00e3o do ciclo de sono e vig\u00edlia em todos os mam\u00edferos. Estudos recentes t\u00eam mostrado que ela tamb\u00e9m ajuda a regular outros importantes processos, como press\u00e3o arterial, ingest\u00e3o alimentar, gasto energ\u00e9tico, s\u00edntese e a\u00e7\u00e3o da insulina nas c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>O grupo coordenado por Zuccari na Famerp vem h\u00e1 alguns anos estudando, com  da FAPESP, o efeito da melatonina sobre o c\u00e2ncer \u2013 particularmente sobre um tipo agressivo de tumor de mama conhecido como triplo negativo, que n\u00e3o responde nem ao tratamento antiestrog\u00eanico, nem \u00e0 quimioterapia, nem \u00e0 radioterapia e tem maior tend\u00eancia a formar met\u00e1stase (Leia mais em\u00a0).<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos estudado como a melatonina afeta a angiog\u00eanese (forma\u00e7\u00e3o de novos vasos que v\u00e3o nutrir o tumor), o microambiente tumoral (que pode favorecer ou dificultar a passagem das c\u00e9lulas malignas para a circula\u00e7\u00e3o), a forma\u00e7\u00e3o de met\u00e1stase e a express\u00e3o de prote\u00ednas e de microRNAs importantes para a progress\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, contou Zuccari.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, o objetivo \u00e9 entender por meio de quais mecanismos a melatonina atua, pois isso pode favorecer novas abordagens terap\u00eauticas contra o c\u00e2ncer. \u201cJ\u00e1 havia alguns trabalhos mostrando que ela inibia a met\u00e1stase, por exemplo, mas n\u00e3o mostravam como isso acontecia\u201d, disse Zuccari.<\/p>\n<p>Esse foi o tema explorado durante o p\u00f3s-doutorado de Borin. Os experimentos in vivo foram feitos nos Estados Unidos, gra\u00e7as a uma parceria com o pesquisador Ali Syed Arbab, atualmente na Georgia Regents University.<\/p>\n<p>O grupo focou as aten\u00e7\u00f5es no efeito da melatonina sobre a express\u00e3o de ROCK-1 (prote\u00edna quinase associada a Rho, na sigla em ingl\u00eas), mol\u00e9cula respons\u00e1vel por fornecer ATP (adenosina trifosfato, mol\u00e9cula que armazena energia) para a contra\u00e7\u00e3o do citoesqueleto da c\u00e9lula, algo necess\u00e1rio para o processo de migra\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o celular. Estudos anteriores j\u00e1 haviam mostrado que a express\u00e3o dessa prote\u00edna frequentemente est\u00e1 aumentada em c\u00e9lulas metast\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cNos trabalhos anteriores, um tumor prim\u00e1rio de mama era induzido em animais e depois era observado se o tratamento com melatonina impedia ou n\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o de met\u00e1stase. No nosso caso, injetamos sistemicamente c\u00e9lulas metast\u00e1ticas em animais imunossuprimidos. Dessa forma, todos desenvolviam met\u00e1stase pulmonar e n\u00f3s pudemos observar o efeito do tratamento com melatonina\u201d, disse Borin.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas metast\u00e1ticas de c\u00e2ncer de mama humano foram injetadas na veia caudal de camundongos, que ent\u00e3o foram divididos em tr\u00eas grupos. O primeiro recebeu durante duas semanas inje\u00e7\u00f5es intraperitoneais de melatonina. O segundo recebeu durante o mesmo per\u00edodo inje\u00e7\u00f5es de uma subst\u00e2ncia chamada Y27632, capaz de inibir a s\u00edntese da prote\u00edna ROCK-1. O \u00faltimo grupo recebeu apenas placebo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o t\u00e9rmino do tratamento os animais foram avaliados por uma metodologia conhecida como tomografia por emiss\u00e3o de p\u00f3sitrons (SPECT, na sigla em ingl\u00eas), na qual \u00e9 administrado um radiof\u00e1rmaco que \u00e9 mais absorvido por c\u00e9lulas com alta atividade mitocondrial, como as tumorais, que ent\u00e3o tornam-se cintilantes no exame de imagem.<\/p>\n<p>O grupo tratado com melatonina apresentou 40% menos met\u00e1stase que o grupo placebo. Nos animais que receberam o inibidor de ROCK-1 a redu\u00e7\u00e3o foi de 58%.<\/p>\n<p>Em um outro experimento, animais tratados com melatonina durante cinco semanas apresentaram 25% menos met\u00e1stase que o grupo que recebeu placebo. Neste caso n\u00e3o foi usado inibidor de ROCK-1.<\/p>\n<p>\u201cEssa subst\u00e2ncia Y27632 n\u00e3o pode ser usada como um medicamento, pois pode induzir morte celular se administrada por um per\u00edodo prolongado. N\u00f3s a usamos em um dos experimentos apenas para comprovar que o efeito antimetast\u00e1tico da melatonina estava relacionado com a produ\u00e7\u00e3o de ROCK-1\u201d, explicou Borin.<\/p>\n<p>Ainda segundo a pesquisadora, ao comparar o tecido pulmonar dos grupos tratados com melatonina e com Y27632, notou-se que, no primeiro, o tumor estava mais localizado e o tecido pulmonar, mais bem preservado.<\/p>\n<p>Nos experimentos in vitro, observou-se que a melatonina reduz em 50% a express\u00e3o de ROCK-1 e em 55% a capacidade de migra\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o das c\u00e9lulas tumorais. A subst\u00e2ncia tamb\u00e9m inibiu a viabilidade e a prolifera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas em cultura.<\/p>\n<p>Atualmente, a pesquisadora est\u00e1 investigando como a melatonina pode modular a a\u00e7\u00e3o de certos microRNAs \u2013 pequenas mol\u00e9culas de RNA que n\u00e3o codificam prote\u00ednas, mas regulam a express\u00e3o dos genes codificadores \u2013 que normalmente est\u00e3o superexpressos nas c\u00e9lulas metast\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que alguns desses microRNAs degradam genes com papel de suprimir tumores e que a melatonina pode reverter esse processo\u201d, disse Borin.<\/p>\n<p>Segundo Zuccari, tamb\u00e9m est\u00e1 nos planos do grupo a realiza\u00e7\u00e3o de ensaios cl\u00ednicos com pacientes portadores de c\u00e2ncer de mama que n\u00e3o respondem a outros tratamentos.<\/p>\n<p>O artigo Melatonin decreases breast cancer metastasis by modulating ROCK-1 expression (doi: 10.1111\/jpi.12270), pode ser lido em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Ao tratar com melatonina c\u00e9lulas metast\u00e1ticas de c\u00e2ncer de mama cultivadas in vitro, pesquisadores da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp) observaram uma redu\u00e7\u00e3o em torno de 55% na capacidade de migra\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o celular. 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