{"id":75815,"date":"2015-10-01T16:52:07","date_gmt":"2015-10-01T19:52:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=75815"},"modified":"2015-10-01T16:52:07","modified_gmt":"2015-10-01T19:52:07","slug":"brasil-caminha-rumo-a-eliminacao-da-malaria-diz-especialista-da-opas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/brasil-caminha-rumo-a-eliminacao-da-malaria-diz-especialista-da-opas\/75815","title":{"rendered":"Brasil caminha rumo \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria, diz especialista da Opas"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Entre os pa\u00edses americanos, o Brasil tem sido um dos campe\u00f5es no combate \u00e0 <strong><em>mal\u00e1ria<\/em><\/strong> e caminha rumo \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a que ainda mata no mundo cerca de meio milh\u00e3o de pessoas anualmente \u2013 a maioria crian\u00e7as menores de 5 anos.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise foi feita por Keith Carter, conselheiro s\u00eanior sobre mal\u00e1ria e outras doen\u00e7as transmiss\u00edveis da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (Opas) \u2013 vinculada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) \u2013, durante a abertura da .<\/p>\n<p>Realizado com apoio da FAPESP, Bill &amp; Melinda Gates Foundation, Opas e Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), o evento reune 104 estudantes e jovens pesquisadores de 42 pa\u00edses desde o dia 22 de setembro at\u00e9 2 de outubro na Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP-USP).<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem conseguido reduzir significativamente a transmiss\u00e3o de mal\u00e1ria em seu territ\u00f3rio e representa um grande exemplo para o mundo. Claro que ainda h\u00e1 obst\u00e1culos a serem vencidos, especialmente nas \u00e1reas de fronteira. J\u00e1 a Venezuela, onde o n\u00famero de casos cresce a cada ano, \u00e9 hoje o maior desafio do continente\u201d, disse Carter em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, o representante da Opas lembrou que, no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, a enfermidade transmitida pela picada dos mosquitos do g\u00eanero Anopheles estava disseminada em praticamente todo o planeta. Em meados da d\u00e9cada de 1950 \u2013 apenas alguns anos ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da OMS \u2013 teve in\u00edcio a primeira campanha global para erradica\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria, que tinha como principal arma o inseticida DDT (diclorodifeniltricloroetano).<\/p>\n<p>A ideia era dedetizar todas as casas, de todos os pa\u00edses, de modo a reduzir a densidade do mosquito vetor a um ponto que a cadeia de transmiss\u00e3o fosse interrompida.<\/p>\n<p>O programa conseguiu eliminar a doen\u00e7a principalmente na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, bem como reduzir o n\u00famero de casos em outras regi\u00f5es. Mas a erradica\u00e7\u00e3o efetiva n\u00e3o ocorreu t\u00e3o rapidamente quanto se esperava e as fases de consolida\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o se mostraram mais caras e demoradas do que o estimado.<\/p>\n<p>\u201cEm meados dos anos 1960, come\u00e7aram a faltar recursos para dar continuidade aos esfor\u00e7os. Nas duas d\u00e9cadas seguintes o assunto caiu no esquecimento e o n\u00famero de casos voltou a crescer\u201d, contou Carter.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da brasileira Marcia Castro, professora da Harvard T.H. Chan School of Public Health, dos Estados Unidos, v\u00e1rios motivos explicam o fracasso da iniciativa.<\/p>\n<p>\u201cEm primeiro lugar, a cobertura n\u00e3o foi integral e mosquito n\u00e3o respeita barreira geogr\u00e1fica. Se voc\u00ea trata uma \u00e1rea, mas n\u00e3o todas, ele volta ap\u00f3s algum tempo. Ficaram de fora da iniciativa, por exemplo, os pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana, regi\u00e3o onde at\u00e9 hoje concentra-se a maioria dos casos. Em muitos locais o acesso \u00e0s casas era dif\u00edcil por falta de estradas e falta de equipes de sa\u00fade bem estruturadas\u201d, afirmou Castro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, com o passar dos anos, os mosquitos foram adquirindo resist\u00eancia ao inseticida e isso tornou invi\u00e1vel a proposta de reduzir a densidade vetorial a ponto de interromper a transmiss\u00e3o \u2013 meta que se tornou ainda mais dif\u00edcil de ser alcan\u00e7ada uma vez que nem todos os pacientes estavam sendo tratados e, portanto, permaneciam como reservat\u00f3rios do parasita causador da enfermidade.<\/p>\n<p>Erradica\u00e7\u00e3o da pesquisa<\/p>\n<p>De acordo com Castro, a iniciativa da OMS n\u00e3o s\u00f3 falhou em erradicar a mal\u00e1ria como teve um efeito colateral nefasto: erradicou a pesquisa sobre a doen\u00e7a e o treinamento de profissionais de sa\u00fade em praticamente todo o mundo.<\/p>\n<p>\u201cEles achavam que o DDT sozinho resolveria o problema, ent\u00e3o n\u00e3o seria preciso treinar pessoas ou investir na busca de novas estrat\u00e9gias de controle e de novos medicamentos. Pensavam ser desnecess\u00e1rio estudar a ecologia das regi\u00f5es end\u00eamicas ou a biologia do parasita e do mosquito vetor\u201d, disse a professora de Harvard.<\/p>\n<p>A retomada s\u00f3 ocorreu nos anos 1990, disse Castro, quando muitos pa\u00edses se deram conta de que a mal\u00e1ria n\u00e3o era apenas uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, mas um entrave ao desenvolvimento econ\u00f4mico. E era o in\u00edcio da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNos anos 1990, a t\u00f4nica passou a ser o controle do n\u00famero de casos para que a mal\u00e1ria deixasse de ser um problema de sa\u00fade t\u00e3o dram\u00e1tico. J\u00e1 n\u00e3o se falava mais em erradica\u00e7\u00e3o (zero casos no mundo) ou elimina\u00e7\u00e3o (zero casos em uma regi\u00e3o). Foi ent\u00e3o adotada uma combina\u00e7\u00e3o de medidas, que inclui controle vetorial, diagn\u00f3stico e tratamento precoce dos pacientes\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Dois passos \u00e0 frente<\/p>\n<p>Mas, segundo os especialistas, ainda s\u00e3o grandes os desafios a serem superados para, ao menos, manter a mal\u00e1ria sob controle e isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel por meio de investimento em pesquisas.<\/p>\n<p>\u201cA melhor droga antimal\u00e1rica que temos hoje \u00e9 a artemisinina e j\u00e1 h\u00e1 casos de resist\u00eancia no sudeste da \u00c1sia, onde ela foi muito usada. N\u00e3o sabemos ao certo se a resist\u00eancia j\u00e1 chegou \u00e0 \u00c1frica e temos um grande receio de que ela se espalhe, pois n\u00e3o temos outra droga t\u00e3o potente em m\u00e3os\u201d, disse Castro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de novos medicamentos, a professora de Harvard ressalta a necessidade de desenvolver novos produtos para tratar mosquiteiros e borrifar as casas, pois tamb\u00e9m j\u00e1 h\u00e1 resist\u00eancia aos inseticidas atualmente usados.<\/p>\n<p>\u201cO mosquito parece estar sempre dois passos \u00e0 nossa frente. Ele se adapta tanto em termos de desenvolver resist\u00eancia como em termos de comportamento. Os livros sobre mal\u00e1ria dizem que o Anopheles s\u00f3 se reproduz em \u00e1guas limpas, mas larvas j\u00e1 foram encontradas em \u00e1guas polu\u00eddas. Os livros dizem que ele pica dentro de casa, \u00e0 noite, mas na Amaz\u00f4nia ele passou a atacar fora de casa, em dois picos: no in\u00edcio da noite e no in\u00edcio da manh\u00e3, quando as pessoas est\u00e3o indo e voltando do trabalho\u201d, relatou Castro.<\/p>\n<p>Para Carter, tamb\u00e9m s\u00e3o fundamentais pesquisas antropol\u00f3gicas, que permitam entender como vivem e se comportam os moradores de \u00e1reas end\u00eamicas, como usam os medicamentos, o que fazem quando est\u00e3o doentes.<\/p>\n<p>\u201cEssas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para guiar estrat\u00e9gias de sa\u00fade p\u00fablica. E tamb\u00e9m temos de entender como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas v\u00e3o afetar a longevidade do mosquito nas diversas regi\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rios, segundo os especialistas, novos m\u00e9todos de diagn\u00f3stico que permitam identificar portadores assintom\u00e1ticos da doen\u00e7a. Bem como m\u00e9todos que permitam diagnosticar a forma latente da mal\u00e1ria causada pelo parasita da esp\u00e9cie Plasmodium vivax, a mais prevalente na Amaz\u00f4nia brasileira, que pode provocar reca\u00eddas meses ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>Treinando lideran\u00e7as<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da USP Marcelo Urbano Ferreira, organizador do evento, o curso oferecido no \u00e2mbito do programa Escola S\u00e3o Paulo de Ci\u00eancia Avan\u00e7ada (ESPCA-FAPESP) \u00e9 a primeira vers\u00e3o regional do \u201cScience of Eradication: Malaria\u201d, que vem sendo oferecido desde 2012 por tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es l\u00edderes na pesquisa sobre o tema: Barcelona Institute for Global Health (ISGlobal, da Espanha), Harvard University e Swiss Tropical and Public Health Institute (Swiss TPH, da Su\u00ed\u00e7a).<\/p>\n<p>\u201cOriginalmente, \u00e9 um curso avan\u00e7ado de capacita\u00e7\u00e3o, voltado a gestores de servi\u00e7os de sa\u00fade ou pesquisadores s\u00eaniores da \u00e1rea. N\u00f3s adaptamos para o p\u00fablico da ESPCA, que inclui estudantes de gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e jovens pesquisadores \u2013 alguns deles envolvidos em programas de controle da mal\u00e1ria\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da excel\u00eancia acad\u00eamica, a sele\u00e7\u00e3o dos 104 participantes buscou dar representa\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses end\u00eamicos, com destaque para aqueles que j\u00e1 contam com programas de elimina\u00e7\u00e3o ou erradica\u00e7\u00e3o de mal\u00e1ria, como Sri Lanka, But\u00e3o, Eti\u00f3pia e \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos um bom equil\u00edbrio entre pesquisadores de laborat\u00f3rio e acad\u00eamicos que atuam como profissionais de sa\u00fade p\u00fablica. Bem como um equil\u00edbrio entre os envolvidos nas cinco \u00e1reas cobertas pelo curso: Epidemiologia e controle; Estudos dos vetores; Imunologia e vacinas; Tratamento e novas drogas; e Biologia de plasm\u00f3dio\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Entre os pa\u00edses americanos, o Brasil tem sido um dos campe\u00f5es no combate \u00e0 mal\u00e1ria e caminha rumo \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a que ainda mata no mundo cerca de meio milh\u00e3o de pessoas anualmente \u2013 a maioria crian\u00e7as menores de 5 anos. 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