{"id":75578,"date":"2015-09-25T07:48:57","date_gmt":"2015-09-25T10:48:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=75578"},"modified":"2015-09-25T07:48:57","modified_gmt":"2015-09-25T10:48:57","slug":"sistema-preve-a-ocorrencia-de-raios-com-24-horas-de-antecedencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/sistema-preve-a-ocorrencia-de-raios-com-24-horas-de-antecedencia\/75578","title":{"rendered":"Sistema prev\u00ea a ocorr\u00eancia de raios com 24 horas de anteced\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Al\u00e9m de saber por meio dos servi\u00e7os de previs\u00e3o do tempo existentes no Brasil se devem carregar um casaco ou um guarda-chuva ao sair de casa, os moradores de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds tamb\u00e9m poder\u00e3o ser alertados do risco de estarem expostos a <em><strong>raios durante uma tempestade<\/strong><\/em> e tomar medidas de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 que pesquisadores do Grupo de Eletricidade Atmosf\u00e9rica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desenvolveram um sistema capaz de prever a ocorr\u00eancia de raios com 24 horas de anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>Resultado do projeto , apoiado pela FAPESP, o sistema estar\u00e1 dispon\u00edvel no pr\u00f3ximo ver\u00e3o \u2013 esta\u00e7\u00e3o em que s\u00e3o registrados 80% dos raios no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 contribuir para a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mortes e feridos por raios no Brasil, pa\u00eds que apresenta a maior incid\u00eancia de descargas atmosf\u00e9ricas no mundo [com 58 milh\u00f5es por ano]\u201d, disse Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat e do projeto, \u00e0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cAo prever com anteced\u00eancia e razo\u00e1vel margem de acerto em quais regi\u00f5es os raios podem ocorrer, o sistema permitir\u00e1 \u00e0 popula\u00e7\u00e3o tomar medidas de precau\u00e7\u00e3o. Com isso, ser\u00e1 poss\u00edvel diminuir as estat\u00edsticas de cerca de 110 mortes e 500 pessoas feridas, em m\u00e9dia, anualmente por esse fen\u00f4meno no pa\u00eds\u201d, avaliou Pinto Junior.<\/p>\n<p>O sistema se baseia em um modelo meteorol\u00f3gico internacional, chamado Weather Research and Forecasting (WRF), e dados de descargas atmosf\u00e9ricas dentro de nuvens \u2013 que podem resultar em raios \u2013, obtidos por observa\u00e7\u00f5es do solo e registrados pela Rede Brasileira de Detec\u00e7\u00e3o de Descargas Atmosf\u00e9ricas (BrasilDAT).<\/p>\n<p>As vari\u00e1veis meteorol\u00f3gicas que influenciam a forma\u00e7\u00e3o de raios indicadas pelo modelo WRF \u2013 como vento, temperatura, umidade e concentra\u00e7\u00e3o de gelo nas nuvens em diferentes altitudes, entre outras \u2013 s\u00e3o comparadas pelo sistema com dados de descargas atmosf\u00e9ricas dentro de nuvens registradas pela BrasilDAT por meio de modelos matem\u00e1ticos e ferramentas estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>Com isso, o sistema \u00e9 capaz de prever em quais \u00e1reas de uma cidade como S\u00e3o Paulo, por exemplo, h\u00e1 maior probabilidade de forma\u00e7\u00e3o e ocorr\u00eancia de raios no dia seguinte ao da previs\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO sistema n\u00e3o consegue prever onde um raio vai cair exatamente porque ainda apresenta uma margem de incerteza de 10 a 20 quil\u00f4metros entre o local exato onde a descarga atmosf\u00e9rica deve ocorrer e o previsto\u201d, explicou Pinto Junior. \u201cMas permite prever quais munic\u00edpios do pa\u00eds ou regi\u00f5es de S\u00e3o Paulo, por exemplo, podem ser atingidos por raios\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>A fim de validar o sistema, os pesquisadores realizaram um teste durante o ver\u00e3o de 2013, abrangendo inicialmente a regi\u00e3o Sudeste do pa\u00eds. Os resultados do estudo foram publicados na revista Atmospheric Research.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 2014, os testes foram estendidos para, aproximadamente, 80% do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>Os resultados indicaram que o sistema foi capaz de prever um dia antes, com uma margem de 85% de acerto, em quais regi\u00f5es ocorreram os 85 mil raios que atingiram o solo do total de 580 mil descargas atmosf\u00e9ricas registradas pela BrasilDAT em todo o pa\u00eds no dia 14 de janeiro deste ano, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cEssa margem de acerto nos surpreendeu, porque os sistemas de previs\u00e3o de tempo usados atualmente no Brasil tamb\u00e9m t\u00eam uma margem de acerto semelhante\u201d, afirmou Pinto Junior.<\/p>\n<p>\u201cAch\u00e1vamos que, pelo fato de a previs\u00e3o de raios ser mais complexa do que a de tempo, o sistema fosse apresentar uma margem de acerto menor, da ordem de 70%\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Varia\u00e7\u00e3o de raios<\/p>\n<p>Uma das constata\u00e7\u00f5es feitas pelos pesquisadores durante os testes para valida\u00e7\u00e3o do sistema foi que houve uma diminui\u00e7\u00e3o de cerca de 50% no n\u00famero de descargas atmosf\u00e9ricas durante o ver\u00e3o de 2014 no Sudeste \u2013 quando a regi\u00e3o registrou a maior seca das \u00faltimas d\u00e9cadas \u2013 em compara\u00e7\u00e3o com o de 2013.<\/p>\n<p>A principal raz\u00e3o para isso foi que houve um bloqueio atmosf\u00e9rico que impediu a chegada de sistemas frontais \u2013 encontro de duas frentes de ar, como fria e quente \u2013 do Sul do pa\u00eds para o Sudeste, impossibilitando a forma\u00e7\u00e3o de tempestades, explicou Pinto Junior.<\/p>\n<p>\u201cA maior parte das tempestades no ver\u00e3o \u00e9 formada quando os sistemas frontais vindos do Sul do pa\u00eds chegam ao Sudeste, onde se chocam com o ar quente, que \u00e9 mais leve, e o jogam para cima, facilitando a forma\u00e7\u00e3o de tempestades que produzem raios\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>As tempestades que produzem raios s\u00e3o formadas a partir da eleva\u00e7\u00e3o do vapor d\u2019\u00e1gua do solo at\u00e9 altitudes onde ocorre a forma\u00e7\u00e3o de part\u00edculas de gelo, explicou Pinto Junior.<\/p>\n<p>O atrito das part\u00edculas de gelo no interior das nuvens as deixam carregadas, e as cargas el\u00e9tricas podem dar origem a uma fa\u00edsca que evolui para a forma\u00e7\u00e3o de um raio geralmente dentro da pr\u00f3pria nuvem, mas \u00e0s vezes tamb\u00e9m em dire\u00e7\u00e3o ao solo, como os chamados raios descendentes, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m h\u00e1 os denominados raios ascendentes, que partem de estruturas altas na superf\u00edcie e se propagam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nuvens\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Durante as tempestades que aconteceram nos dias 7 e 8 de setembro, em S\u00e3o Paulo, os pesquisadores do Elat registraram 14 raios ascendentes saindo de torres de TV no Pico do Jaragu\u00e1 \u2013 o ponto culminante da cidade, que registra mais raios ascendentes do que a m\u00e9dia mundial.<\/p>\n<p>\u201cEsses 14 raios ascendentes ocorreram em um intervalo de 24 horas e superaram a m\u00e9dia de todo o \u00faltimo ver\u00e3o, quando foram registrados nove raios ascendentes\u201d, disse Marcelo Saba, pesquisador do Elat.<\/p>\n<p>Os raios ascendentes, contudo, s\u00e3o mais dif\u00edceis de serem previstos, mas representam um risco menor por representarem menos de 1% dos raios, ponderam os pesquisadores do Elat.<\/p>\n<p>De acordo com eles, regi\u00f5es quentes e \u00famidas favorecem a forma\u00e7\u00e3o de tempestades e raios.<\/p>\n<p>O Brasil, por ser o maior pa\u00eds tropical do mundo, lidera o ranking de pa\u00edses com maior incid\u00eancia de raios no planeta.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, por\u00e9m, \u00e9 o s\u00e9timo em n\u00famero de mortes causadas por raios no mundo, atr\u00e1s da China (700), \u00cdndia (450), Nig\u00e9ria (400), M\u00e9xico (220), \u00c1frica do Sul e Mal\u00e1sia \u2013 ambos com 150.<\/p>\n<p>\u201cMais de 80% das mortes fatais causadas por raios no Brasil poder\u00e3o ser evitadas se tivermos um sistema eficiente de previs\u00e3o desse fen\u00f4meno e orientar a popula\u00e7\u00e3o para tomar medidas de preven\u00e7\u00e3o\u201d, avaliou Pinto Junior.<\/p>\n<p>As previs\u00f5es feitas pelo novo sistema ser\u00e3o disponibilizadas, em dezembro, no  do Elat.<\/p>\n<p>A pretens\u00e3o dos pesquisadores \u00e9 que o sistema seja usado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o para divulgar a previs\u00e3o de raios, assim como j\u00e1 fazem com a previs\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p>O artigo \u201cLightning forecasting in southeastern Brazil using the WRF model\u201d (doi: 10.1016\/j.atmosres.2013.01.008), de Pinto Junior e outros, pode ser lido na Atmospheric Research em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Al\u00e9m de saber por meio dos servi\u00e7os de previs\u00e3o do tempo existentes no Brasil se devem carregar um casaco ou um guarda-chuva ao 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