{"id":75448,"date":"2015-09-22T19:21:57","date_gmt":"2015-09-22T22:21:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=75448"},"modified":"2015-09-22T19:21:57","modified_gmt":"2015-09-22T22:21:57","slug":"pratica-de-atividade-fisica-pelos-pais-pode-proteger-filhos-da-obesidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/pratica-de-atividade-fisica-pelos-pais-pode-proteger-filhos-da-obesidade\/75448","title":{"rendered":"Pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica pelos pais pode proteger filhos da obesidade"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A pr\u00e1tica de <strong><em>atividade f\u00edsica<\/em><\/strong> regular pelas m\u00e3es antes e durante a gesta\u00e7\u00e3o e pelos pais no per\u00edodo anterior \u00e0 c\u00f3pula pode tornar os filhos menos propensos a desenvolver obesidade na vida adulta.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo feito com camundongos na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), sob a coordena\u00e7\u00e3o do professor Ronaldo de Carvalho Ara\u00fajo e com  da FAPESP. Resultados preliminares foram apresentados no dia 10 de setembro, durante a 30\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia Experimental (), realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP).<\/p>\n<p>\u201cOs resultados indicam que a prole de pais e de m\u00e3es submetidos ao treinamento engorda menos que a de pais e m\u00e3es sedent\u00e1rios quando alimentada com dieta hiperlip\u00eddica. Parece haver uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores que faz com que a ingest\u00e3o alimentar seja menor e o gasto cal\u00f3rico, maior\u201d, contou Ara\u00fajo em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>O trabalho foi feito durante o doutorado dos alunos Frederick Wasinski e Rog\u00e9rio de Oliveira Batista. Tamb\u00e9m contou com a participa\u00e7\u00e3o da estudante de mestrado Aline Midori Arakaki.<\/p>\n<p>Em um primeiro experimento, foi avaliado apenas o impacto da pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica materna nos descendentes. Durante quatro semanas, as f\u00eameas de camundongo foram habituadas a nadar durante uma hora por dia, cinco dias por semanas, com uma carga equivalente a 3% do peso corporal presa \u00e0 cauda. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, as f\u00eameas foram colocadas para cruzar e o treinamento foi mantido com a mesma intensidade durante a gravidez.<\/p>\n<p>\u201cAdotamos esse protocolo porque estudos anteriores j\u00e1 haviam mostrado que ele \u00e9 eficiente para melhorar o funcionamento do sistema cardiovascular de camundongos\u201d, contou Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>No final da gesta\u00e7\u00e3o, os cientistas observaram que as f\u00eameas treinadas apresentavam peso corporal semelhante ao das integrantes do grupo controle, que permaneceram sedent\u00e1rias durante toda a gravidez. No entanto, o porcentual de gordura observado nas m\u00e3es atletas foi aproximadamente 20% menor. O n\u00famero de filhotes nos dois grupos foi equivalente.<\/p>\n<p>J\u00e1 o peso dos filhotes ao nascer foi em m\u00e9dia 7% menor no grupo das m\u00e3es treinadas, ficando abaixo do valor considerado normal. \u201c\u00c9 uma diferen\u00e7a bastante significativa, se pensarmos que cada ninhada pode gerar de cinco a dez descendentes\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>An\u00e1lises feitas com a placenta indicaram que, nas m\u00e3es treinadas, houve queda na express\u00e3o de um gene relacionado com o metabolismo energ\u00e9tico, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio leptina (inibidor do apetite). Tamb\u00e9m estava menos expresso o gene do fator de crescimento placent\u00e1rio (PIGF, na sigla em ingl\u00eas), uma prote\u00edna importante para a forma\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>\u201cEsses dados sugerem que os filhotes das m\u00e3es que treinaram receberam um aporte de nutrientes menor ao longo da gesta\u00e7\u00e3o, o que explicaria o baixo peso ao nascer. \u00c9 poss\u00edvel que parte da energia que deveria estar indo para os beb\u00eas tenha sido usada na pr\u00e1tica de exerc\u00edcios, mas ainda estamos fazendo novas an\u00e1lises para termos certeza. Estamos olhando, entre outros fatores, o n\u00famero e o tamanho dos vasos para avaliar em que medida o exerc\u00edcio f\u00edsico interferiu na placenta\u201d, disse Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Ao comparar os n\u00edveis de adiponectina e leptina no tecido adiposo das f\u00eameas, os pesquisadores n\u00e3o viram diferen\u00e7a significativa entre os dois grupos. As m\u00e3es treinadas, por\u00e9m, apresentaram concentra\u00e7\u00f5es sangu\u00edneas mais altas de corticosterona, o equivalente ao horm\u00f4nio cortisol humano, o que sugere que n\u00e3o estavam bem adaptadas ao exerc\u00edcio.<\/p>\n<p>Resist\u00eancia \u00e0 obesidade<\/p>\n<p>Na literatura cient\u00edfica, de maneira geral, o baixo peso no nascimento tem sido associado com um maior risco de obesidade, resist\u00eancia \u00e0 insulina, diabetes e doen\u00e7as cardiovasculares na vida adulta.<\/p>\n<p>De acordo uma teoria conhecida como \u201cprograma\u00e7\u00e3o fetal\u201d, quando a m\u00e3e passa por priva\u00e7\u00e3o nutricional durante a gesta\u00e7\u00e3o, o organismo do feto se adapta a esse ambiente intrauterino adverso. Ocorre uma reprograma\u00e7\u00e3o na express\u00e3o dos genes que faz com que o metabolismo do beb\u00ea se torne poupador e isso se mant\u00e9m ap\u00f3s o nascimento, podendo contribuir para o ganho de peso caso o padr\u00e3o de ingest\u00e3o cal\u00f3rica melhore ao longo da vida.<\/p>\n<p>H\u00e1 estudos indicando que a administra\u00e7\u00e3o de corticosterona sint\u00e9tica em animais prenhas pode induzir um efeito semelhante \u00e0 priva\u00e7\u00e3o nutricional, ou seja, o estresse durante a gesta\u00e7\u00e3o poderia fazer com que o filho nas\u00e7a com baixo peso e, consequentemente, risco aumentado para doen\u00e7as metab\u00f3licas e neurol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Mas os resultados observados nos experimentos feitos na Unifesp foram completamente opostos ao esperado segundo a l\u00f3gica da programa\u00e7\u00e3o fetal. Os filhotes nascidos com baixo peso se mostraram mais resistentes \u00e0 obesidade e mais sens\u00edveis \u00e0 insulina que aqueles nascidos com peso normal.<\/p>\n<p>Quando as proles dos dois grupos chegaram \u00e0 idade adulta \u2013 ou 3 meses de vida \u2013 j\u00e1 estavam com peso e tamanho equivalentes e foram alimentadas com uma dieta hiperlip\u00eddica durante 16 semanas. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, os filhos de m\u00e3es sedent\u00e1rias estavam em m\u00e9dia 60% mais pesados que no in\u00edcio do experimento. J\u00e1 os filhos de m\u00e3es treinadas n\u00e3o sofreram altera\u00e7\u00e3o no peso. Al\u00e9m de ingerir menor quantidade de alimentos durante as 16 semanas, esse segundo grupo apresentou gasto cal\u00f3rico basal cerca de 5% maior que o controle.<\/p>\n<p>Embora a taxa de glicemia basal dos dois grupos tenha sido semelhante, quando os pesquisadores administraram insulina sint\u00e9tica nos animais observaram que os filhotes das m\u00e3es treinadas conseguiam captar a glicose mais rapidamente, indicando maior sensibilidade ao horm\u00f4nio.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o sabemos ao certo se isso foi uma modifica\u00e7\u00e3o relacionada com o exerc\u00edcio materno ou se os roedores permaneceram mais sens\u00edveis \u00e0 insulina por n\u00e3o terem engordado\u201d, comentou Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Ao analisar os horm\u00f4nios relacionados com o controle da fome, o grupo viu nos filhos de m\u00e3es treinadas um aumento nos n\u00edveis de PYY, que \u00e9 secretado no intestino com o papel de inibir o apetite. Tamb\u00e9m houve aumento de interleucina-6 (IL6), uma citocina cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 estimulada pela pr\u00e1tica de exerc\u00edcios. N\u00e3o foi observada, no entanto, altera\u00e7\u00e3o na leptina e na insulina<\/p>\n<p>\u201cProvavelmente, h\u00e1 v\u00e1rios mecanismos conversando entre si que, ao final, resultam em apetite diminu\u00eddo e gasto cal\u00f3rico aumentado, deixando esse filhote protegido contra a obesidade\u201d, concluiu Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Influ\u00eancia paterna<\/p>\n<p>O grupo decidiu testar em seguida se a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica paterna tamb\u00e9m teria impacto no metabolismo da prole e, para surpresa geral, os resultados foram muito semelhantes aos do experimento com as f\u00eameas.<\/p>\n<p>Assim como no caso anterior, os machos foram habituados ao protocolo de nata\u00e7\u00e3o com carga durante quatro semanas e, em seguida, colocados para cruzar. Nesse caso, foi observada redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de corticosterona entre o grupo treinado e o grupo controle.<\/p>\n<p>Os filhotes dos pais nadadores, embora gerados por m\u00e3es sedent\u00e1rias, tamb\u00e9m nasceram com baixo peso e continuaram menores que os camundongos do grupo controle at\u00e9 a idade adulta. Ao serem desafiados pela dieta hiperlip\u00eddica aos 3 meses de vida, n\u00e3o engordaram. Comiam menos e gastavam mais energia. A sensibilidade \u00e0 insulina ainda n\u00e3o foi avaliada.<\/p>\n<p>Segundo Ara\u00fajo, h\u00e1 estudos recentes sugerindo que pais obesos tendem a ter filhos obesos e n\u00e3o apenas por causa dos maus h\u00e1bitos alimentares compartilhados, mas por altera\u00e7\u00f5es herdadas no padr\u00e3o de express\u00e3o dos genes.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o as chamadas altera\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas, como a metila\u00e7\u00e3o do DNA (adi\u00e7\u00e3o de radicais metila \u00e0 mol\u00e9cula) ou a modifica\u00e7\u00e3o de histonas (prote\u00ednas que modulam a compacta\u00e7\u00e3o do DNA), que podem ser passadas via espermatozoide para a prole. At\u00e9 o momento nenhum estudo mostrou que modifica\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas induzidas pelo exerc\u00edcio f\u00edsico praticado pelo pai tamb\u00e9m podem ser transmitidas para os descendentes, mas acreditamos que foi isso que aconteceu em nosso experimento\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo, contou Ara\u00fajo, \u00e9 comparar o esperma dos machos treinados e n\u00e3o treinados para ver se h\u00e1 diferen\u00e7a na quantidade e na motilidade dos espermatozoides.<\/p>\n<p>\u201cPor meio de t\u00e9cnicas de sequenciamento tamb\u00e9m pretendemos comparar o quanto e onde esse DNA est\u00e1 metilado em cada grupo e tamb\u00e9m se h\u00e1 diferen\u00e7a no padr\u00e3o de express\u00e3o de microRNAs (pequenas mol\u00e9culas de RNA que regulam a express\u00e3o dos genes codificadores de prote\u00ednas)\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Outro projeto futuro \u00e9 avaliar os netos de pais e de m\u00e3es treinados para verificar se a resist\u00eancia \u00e0 obesidade observada nos filhos \u00e9 transmitida para a segunda gera\u00e7\u00e3o, o que refor\u00e7aria a hip\u00f3tese de modifica\u00e7\u00e3o epigen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo ressaltou que ainda \u00e9 preciso aprofundar as an\u00e1lises para confirmar se a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica pelos pais \u00e9 capaz de induzir uma programa\u00e7\u00e3o fetal protetora e ben\u00e9fica na prole. Tamb\u00e9m afirmou que \u00e9 cedo para transpor os resultados observados em camundongos para humanos.<\/p>\n<p>\u201cVale lembrar que o recomendado atualmente pela Academia Americana de Obstetr\u00edcia \u00e9 que durante a gravidez as mulheres pratiquem exerc\u00edcios moderados, com uma intensidade bem menor do que a adotada em nosso experimento\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica regular pelas m\u00e3es antes e durante a gesta\u00e7\u00e3o e pelos pais no per\u00edodo anterior \u00e0 c\u00f3pula pode tornar os filhos menos propensos a desenvolver obesidade na vida adulta. A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo feito com camundongos na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21774,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-75448","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/corpo-em-forma-verao.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75448"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75448\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}