{"id":75169,"date":"2015-09-15T15:11:35","date_gmt":"2015-09-15T18:11:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=75169"},"modified":"2015-09-15T15:11:35","modified_gmt":"2015-09-15T18:11:35","slug":"grupo-descobre-metodo-para-induzir-morte-celular-autofagica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/grupo-descobre-metodo-para-induzir-morte-celular-autofagica\/75169","title":{"rendered":"Grupo descobre m\u00e9todo para induzir morte celular autof\u00e1gica"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Para garantir a sobreviv\u00eancia em situa\u00e7\u00f5es adversas, como priva\u00e7\u00e3o de nutrientes, presen\u00e7a de pat\u00f3genos ou toxinas, as <em><strong>c\u00e9lulas podem ativar um mecanismo de defesa<\/strong><\/em> conhecido como autofagia, que permite degradar e reciclar certos componentes intracelulares, como, por exemplo, organelas danificadas.<\/p>\n<p>Quando esse processo ultrapassa um certo limiar, por\u00e9m, deixa de ser um mecanismo de sobreviv\u00eancia e acaba levando \u00e0 morte autof\u00e1gica ou morte celular com autofagia. Um  publicado recentemente na revista Scientific Reports por pesquisadores brasileiros ajuda a entender por que essa transi\u00e7\u00e3o ocorre.<\/p>\n<p>\u201cMostramos que \u00e9 poss\u00edvel induzir a morte com autofagia de maneira muito eficiente ao causar, simultaneamente, danos na membrana da mitoc\u00f4ndria [organela respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de energia] e do lisossomo [respons\u00e1vel pela digest\u00e3o tanto de part\u00edculas origin\u00e1rias do meio externo como interno]. Essa descoberta pode abrir caminho para o desenvolvimento de novas drogas antitumorais\u201d, disse Maur\u00edcio Baptista, professor do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IQ-USP) e integrante do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) da FAPESP.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a extens\u00e3o do dano causado nas membranas de organelas-chave parece ser um fator decisivo para que o processo de autofagia pr\u00f3-sobreviv\u00eancia se transforme em morte autof\u00e1gica. O grupo chegou a essa conclus\u00e3o ap\u00f3s realizar experimentos in vitro e simula\u00e7\u00f5es computacionais com culturas de queratin\u00f3citos \u2013 c\u00e9lulas do tecido epitelial respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de queratina.<\/p>\n<p>O modelo foi escolhido por apresentar naturalmente o processo de autofagia pr\u00f3-sobreviv\u00eancia bastante ativado, assim como ocorre nas c\u00e9lulas tumorais.<\/p>\n<p>\u201cOs queratin\u00f3citos, em situa\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, precisam se diferenciar muito rapidamente e essa transforma\u00e7\u00e3o depende de autofagia. J\u00e1 as c\u00e9lulas tumorais, como crescem muito r\u00e1pido e de forma desorganizada, precisam de um mecanismo de autofagia robusto e muito ativo para sobreviverem. Quando colocamos um composto que atrapalha o processo, a c\u00e9lula morre\u201d, explicou Baptista.<\/p>\n<p>Iguais, mas diferentes<\/p>\n<p>Nos experimentos in vitro, parte das c\u00e9lulas foi tratada com \u00e1cido olean\u00f3lico e parte, com \u00e1cido betul\u00ednico. Os dois compostos s\u00e3o encontrados nas cascas de frutas e \u00e1rvores e t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de proteg\u00ea-las de pragas e infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O \u00e1cido olean\u00f3lico \u00e9 amplamente usado como agente anti-inflamat\u00f3rio, antiangiog\u00eanico e antioxidante. E o \u00e1cido betul\u00ednico tem a\u00e7\u00e3o antitumoral comprovada e est\u00e1 sendo testado em ensaios cl\u00ednicos contra o melanoma e outros tipos de c\u00e2ncer de dif\u00edcil tratamento.<\/p>\n<p>Embora possuam a mesma f\u00f3rmula qu\u00edmica \u2013 C30H48O3 \u2013, os dois compostos apresentam diferente distribui\u00e7\u00e3o espacial dos \u00e1tomos e, portanto, s\u00e3o considerados is\u00f4meros.<\/p>\n<p>Ao comparar, nas diferentes culturas, vari\u00e1veis como viabilidade celular, prolifera\u00e7\u00e3o e mecanismos de morte celular, os pesquisadores observaram que o \u00e1cido betul\u00ednico apresentou maior citotoxicidade, o que, segundo Baptista, est\u00e1 relacionado a sua maior efici\u00eancia em causar dano na membrana de organelas. J\u00e1 a membrana plasm\u00e1tica, que reveste a c\u00e9lula, foi preservada.<\/p>\n<p>\u201cA mol\u00e9cula de \u00e1cido betul\u00ednico possui uma estrutura mais plana e, por esse motivo, consegue penetrar melhor na membrana da mitoc\u00f4ndria e do lisossomo, induzindo de forma eficiente a morte com autofagia. J\u00e1 a mol\u00e9cula de \u00e1cido olean\u00f3lico, por possuir uma esp\u00e9cie de dobra em sua estrutura, tem mais dificuldade para interagir com a membrana das organelas e n\u00e3o induz morte com autofagia\u201d, contou Baptista.<\/p>\n<p>Por meio de simula\u00e7\u00f5es computacionais feitas em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC), o grupo da USP alterou o arranjo espacial da mol\u00e9cula de \u00e1cido olean\u00f3lico deixando a estrutura mais plana e observou que isso aumentava a intera\u00e7\u00e3o com a membrana das organelas.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Baptista, \u00e9 prov\u00e1vel que outros compostos capazes de causar o mesmo tipo de dano na membrana de organelas sejam eficientes em induzir a morte com autofagia e possam ser usados no combate ao c\u00e2ncer. \u201cO interessante \u00e9 que, por ser um dano f\u00edsico, torna-se mais dif\u00edcil o desenvolvimento de resist\u00eancia celular\u201d, disse.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, a descoberta pode auxiliar no screening de derivados do \u00e1cido betul\u00ednico com o objetivo de identificar qual seria o composto mais eficiente em induzir a morte com autofagia.<\/p>\n<p>\u201cUma possibilidade seria, por meio de simula\u00e7\u00e3o computacional, testar a intera\u00e7\u00e3o do composto com a membrana de organelas\u201d, disse Baptista.<\/p>\n<p>O trabalho publicado na Scientific Reports foi realizado em parceria com a pesquisadora Waleska K. Martins, que desenvolveu o seu p\u00f3s-doutoramento no \u00e2mbito do Redoxoma e de um \u00a0coordenado por Baptista. Contou tamb\u00e9m com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Instituto Ludwig e do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da USP, recebendo apoio parcial da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e da Farma Service Bioextract.<\/p>\n<p>O artigo Parallel damage in mitochondrial and lysosomal compartments promotes efficient cell death with autophagy: The case of the pentacyclic triterpenoids (DOI:10.1038\/srep12425), de Waleska Martins, Maur\u00edcio Baptista e outros, pode ser lido em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Para garantir a sobreviv\u00eancia em situa\u00e7\u00f5es adversas, como priva\u00e7\u00e3o de nutrientes, presen\u00e7a de pat\u00f3genos ou toxinas, as c\u00e9lulas podem ativar um mecanismo de defesa conhecido como autofagia, que permite degradar e reciclar certos componentes intracelulares, como, por exemplo, organelas danificadas. 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