{"id":75046,"date":"2015-09-11T16:49:22","date_gmt":"2015-09-11T19:49:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=75046"},"modified":"2015-09-11T16:49:22","modified_gmt":"2015-09-11T19:49:22","slug":"projeto-de-estudantes-da-unifesp-ensina-portugues-a-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/projeto-de-estudantes-da-unifesp-ensina-portugues-a-refugiados\/75046","title":{"rendered":"Projeto de estudantes da Unifesp ensina portugu\u00eas a refugiados"},"content":{"rendered":"<p> Estudantes do curso de gradua\u00e7\u00e3o em letras criaram o projeto <strong><em>Memorial Digital do Refugiado<\/em><\/strong> (MemoRef), que promove a inclus\u00e3o de refugiados por meio de aulas de portugu\u00eas e atividades culturais. J\u00e1 na abertura do curso, ocorrida no final de agosto, os estrangeiros puderam conhecer e curtir uma roda de samba.<\/p>\n<p>Uma das idealizadoras do projeto, a estudante Marina Reinoldes, de 20 anos, disse que, ao final do curso, previsto para dezembro, um banco de dados estar\u00e1 dispon\u00edvel em um portal na internet, apresentando resultados dessa experi\u00eancia pedag\u00f3gica e social, al\u00e9m de hist\u00f3rias de vida dos refugiados.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio n\u00e3o \u00e9 uma escolha, ressaltou a estudante. \u201cTemos consci\u00eancia de que eles n\u00e3o t\u00eam escolha, mas n\u00f3s temos. E \u00e9 com esse direito de escolha, que n\u00f3s, enquanto estudantes da universidade, enquanto entendedores dessa miss\u00e3o social do ambiente acad\u00eamico, decidimos fazer esse projeto para ajud\u00e1-los\u201d, afirmou. Ela explicou que as universidades t\u00eam a miss\u00e3o social de ajudar a desenvolver e mudar a realidade do seu entorno, expandindo a teoria e aplicando conhecimentos com a comunidade.<\/p>\n<p>Em um question\u00e1rio apresentado ao refugiado para se inscrever no curso, o grupo pergunta o motivo da vinda ao Brasil. \u201cUm dos alunos respondeu &#8216;porque eu preciso viver e trabalhar&#8217;. Isso, para mim, mostrou que nosso projeto tem um valor muito maior que o educacional. \u00c9 uma quest\u00e3o social, de poder trazer a universidade para essa realidade tamb\u00e9m\u201d, contou Marina.<\/p>\n<p>Ao todo, sete estudantes da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), do campus de Guarulhos, se revezam e lecionam semanalmente para 20 refugiados, entre s\u00edrios, camaroneses e nigerianos. Marina j\u00e1 ensinava refugiados na organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental O\u00e1sis Solid\u00e1rio e p\u00f4de conhecer as dificuldades que os estrangeiros enfrentavam no Brasil logo que chegavam, sem dominar o idioma, sem emprego e, muitas vezes, sozinhos.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, os s\u00edrios lideram as estat\u00edsticas de refugiados no Brasil. Segundo dados do Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (Conare), \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, 2.077 s\u00edrios receberam asilo do governo brasileiro, de 2011 at\u00e9 agosto deste ano. Os refugiados s\u00edrios ficam \u00e0 frente dos angolanos (1.480), colombianos (1.093), congoleses (844) e libaneses (389).<\/p>\n<p>Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, Marina idealizou o MemoRef no ambiente acad\u00eamico, onde conseguiu agregar os elementos necess\u00e1rios para a execu\u00e7\u00e3o do projeto: espa\u00e7o f\u00edsico, equipamentos, professores orientadores e graduandos volunt\u00e1rios com vontade e disponibilidade para dar as aulas. O grupo desenvolveu ainda o livro did\u00e1tico exclusivo Recome\u00e7ar: l\u00edngua e cultura brasileira para refugiados, que ser\u00e1 disponibilizado para download gratuitamente ainda este m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cA barreira lingu\u00edstica \u00e9 a primeira que eles enfrentam. Sem a l\u00edngua, n\u00e3o conseguem ir ao mercado, comprar comida, n\u00e3o conseguem pedir ajudar, n\u00e3o conseguem trabalhar. Sem trabalhar, n\u00e3o conseguem dinheiro, nem trazer a fam\u00edlia\u201d, explicou Marina.<\/p>\n<p>O camaron\u00eas Luc, 45, est\u00e1 h\u00e1 oito meses no Brasil. Sua fam\u00edlia, que mora nos Estados Unidos, pagou uma passagem de navio para que ele fosse visit\u00e1-la. O navio, por\u00e9m, fez uma parada na Argentina e outra no Brasil, no Rio de Janeiro, onde Luc desembarcou. Do Rio, foi parar na cidade de Guarulhos, onde tem um amigo que o ajuda. Ele n\u00e3o conseguiu emprego at\u00e9 o momento, mas j\u00e1 encaminhou pedido de ref\u00fagio ao governo brasileiro e pretende fazer um curso de soldagem. Sua sobreviv\u00eancia aqui depende do amigo e de uma quantia em dinheiro enviada por sua fam\u00edlia dos EUA. Luc fala franc\u00eas e ingl\u00eas e j\u00e1 entende bem o portugu\u00eas, mas quer se expressar melhor no idioma, por isso procurou a rede C\u00e1ritas, que o encaminhou ao MemoRef. \u201c[A aula] \u00e9 muito formid\u00e1vel, eu gosto muito\u201d, disse Luc.<\/p>\n<p>Sobre as primeiras aulas do curso, Marina ressaltou o sentimento de realiza\u00e7\u00e3o do grupo por pensar, desenvolver e tirar o projeto do papel. Com satisfa\u00e7\u00e3o, ela finalizou: \u201cEu acho que a gente aprende muito mais do que ensina\u201d.<\/p>\n<p>Camila Boehm \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Denise Griesinger<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudantes do curso de gradua\u00e7\u00e3o em letras criaram o projeto Memorial Digital do Refugiado (MemoRef), que promove a inclus\u00e3o de refugiados por meio de aulas de portugu\u00eas e atividades culturais. 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