{"id":74257,"date":"2015-08-21T15:28:51","date_gmt":"2015-08-21T18:28:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=74257"},"modified":"2015-08-21T15:28:51","modified_gmt":"2015-08-21T18:28:51","slug":"estudo-avalia-relacao-entre-padroes-de-sono-e-epilepsia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/estudo-avalia-relacao-entre-padroes-de-sono-e-epilepsia\/74257","title":{"rendered":"Estudo avalia rela\u00e7\u00e3o entre padr\u00f5es de sono e epilepsia"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Com aux\u00edlio de uma t\u00e9cnica que combina simultaneamente exames de eletroencefalograma (EEG) e resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional (RMF), pesquisadores brasileiros e ingleses tentam compreender a rela\u00e7\u00e3o entre os <em><strong>padr\u00f5es de sono e a epilepsia<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Segundo os autores, os resultados dever\u00e3o contribuir para um melhor entendimento da doen\u00e7a, com impactos no diagn\u00f3stico, avalia\u00e7\u00e3o do progn\u00f3stico e na efic\u00e1cia do tratamento.<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o envolve cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Universidade de Nottingham e Universidade de Birmingham, na Inglaterra. Os trabalhos s\u00e3o realizados no \u00e2mbito do Instituto de Pesquisa sobre Neuroci\u00eancias e Neurotecnologia () \u2013 um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o () apoiados pela FAPESP \u2013 e da Coopera\u00e7\u00e3o Interinstitucional de Apoio a Pesquisas sobre o C\u00e9rebro (). A pesquisa tamb\u00e9m \u00e9 financiada por meio de um projeto selecionado em uma \u00a0lan\u00e7ada no \u00e2mbito de um acordo de coopera\u00e7\u00e3o entre a FAPESP e as duas universidades inglesas.<\/p>\n<p>\u201cNosso foco \u00e9 a epilepsia generalizada, antigamente chamada de epilepsia idiop\u00e1tica ou prim\u00e1ria. Nesses casos, as crises muitas vezes se manifestam durante o sono \u2013 principalmente durante a fase de transi\u00e7\u00e3o de sono para vig\u00edlia. Os epis\u00f3dios tamb\u00e9m costumam estar associados \u00e0 priva\u00e7\u00e3o de sono\u201d, contou Fernando Cendes, pesquisador da Unicamp e coordenador do BRAINN.<\/p>\n<p>De acordo com Cendes, essa forma da doen\u00e7a n\u00e3o tem uma causa bem definida e acredita-se que seja resultado de uma associa\u00e7\u00e3o de fatores gen\u00e9ticos e ambientais. N\u00e3o h\u00e1 preju\u00edzos cognitivos e nem altera\u00e7\u00f5es estruturais vis\u00edveis no c\u00e9rebro \u2013 possivelmente apenas em n\u00edvel molecular. O principal sintoma da doen\u00e7a s\u00e3o as convuls\u00f5es, resultantes de altera\u00e7\u00f5es s\u00fabitas na atividade el\u00e9trica do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u201cO exame de EEG pode detectar as chamadas altera\u00e7\u00f5es interictais epileptiformes \u2013 ondas agudas anormais, denominadas complexos do tipo esp\u00edcula-onda lenta, que ocorrem caracteristicamente nessa forma da doen\u00e7a e funcionam como marcadores\u201d, disse Cendes.<\/p>\n<p>Padr\u00f5es de sono<\/p>\n<p>Quando ocorre uma descarga epil\u00e9ptica, os pesquisadores podem avaliar por meio da RMF quais \u00e1reas do c\u00e9rebro est\u00e3o ativadas e quais circuitos neuronais est\u00e3o envolvidos.<\/p>\n<p>\u201cExiste um sinal conhecido como BOLD [do ingl\u00eas Blood Oxigenation Level Dependent], que mede o n\u00edvel de oxigena\u00e7\u00e3o do sangue. Quanto mais ativa est\u00e1 uma determinada regi\u00e3o cerebral, maior \u00e9 a capta\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio e ocorre modifica\u00e7\u00e3o nesse sinal. Tamb\u00e9m podemos estudar os padr\u00f5es fisiol\u00f3gicos do eletroencefalograma e como ele varia quando a pessoa est\u00e1 dormindo, em vig\u00edlia, em repouso, de olhos abertos ou fechados. Fazendo esses exames em pessoas com epilepsia e em volunt\u00e1rios sadios podemos comparar os resultados e ver quais as diferen\u00e7as\u201d, explicou Cendes.<\/p>\n<p>O exame \u00e9 feito com o volunt\u00e1rio dormindo dentro do equipamento de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e com os eletrodos do EEG conectados. Mas como dura somente uma hora, apenas os est\u00e1gios iniciais do sono s\u00e3o avaliados. \u201c\u00c9 poss\u00edvel ver o padr\u00e3o de ondas e de ativa\u00e7\u00e3o cerebral nessa transi\u00e7\u00e3o da vig\u00edlia para o sono e como se encontram os ritmos normais de pessoas com epilepsia e dos volunt\u00e1rios sadios\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Parte dos exames est\u00e1 sendo realizada no Hospital das Cl\u00ednicas da Unicamp, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Cendes, e parte no Birmingham University Imaging Center (BUIC), sob coordena\u00e7\u00e3o do pesquisador Andrew Bagshaw. Em ambos os centros est\u00e1 sendo usado o mesmo modelo de resson\u00e2ncia de 3 Tesla, para que seja poss\u00edvel comparar os dados coletados.<\/p>\n<p>\u201cAo examinar o que acontece no c\u00e9rebro adormecido e ao comparar os padr\u00f5es de sono de cada indiv\u00edduo com os padr\u00f5es de funcionamento cerebral durante a vig\u00edlia, estou interessado em descobrir o que o c\u00e9rebro deveria estar fazendo durante o sono. Podemos usar esses m\u00e9todos para descobrir como esses processos s\u00e3o afetados pela epilepsia e, assim, entender melhor os dois fen\u00f4menos\u201d, afirmou Bagshaw.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 fizemos os exames em cerca de 25 pessoas e agora estamos na fase de analisar os dados. Provavelmente ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer novas coletas, pois o grau de altera\u00e7\u00e3o \u00e9 muito pequeno. Toda vez que temos um sinal pequeno, \u00e9 preciso um maior n\u00famero de observa\u00e7\u00f5es para termos certeza de que n\u00e3o se trata de um evento isolado\u201d, disse Cendes.<\/p>\n<p>De acordo com o coordenador do BRAINN, a colabora\u00e7\u00e3o com a Inglaterra est\u00e1 sendo importante para desenvolver novas t\u00e9cnicas de aquisi\u00e7\u00e3o de imagens de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica que permitam avaliar de forma mais adequada as altera\u00e7\u00f5es cerebrais envolvidas na epilepsia. \u201cCom pequenas adapta\u00e7\u00f5es, essas t\u00e9cnicas poder\u00e3o ser usadas para estudar outras doen\u00e7as do c\u00e9rebro, como depress\u00e3o, dem\u00eancia e esquizofrenia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cTenho estado particularmente interessado no trabalho do professor Cendes na Unicamp h\u00e1 algum tempo. Ele tem usado m\u00e9todos de imagem para determinar tanto o tipo como a gravidade dos casos de epilepsia em seus pacientes e, assim, planejar o tratamento. Embora seja respons\u00e1vel por um n\u00famero relativamente grande de pacientes, Cendes tem usado essas novas abordagens para criar tratamentos personalizados para aqueles sob seus cuidados\u201d, disse Bagshaw.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Com aux\u00edlio de uma t\u00e9cnica que combina simultaneamente exames de eletroencefalograma (EEG) e resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional (RMF), pesquisadores brasileiros e ingleses tentam compreender a rela\u00e7\u00e3o entre os padr\u00f5es de sono e a epilepsia. 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