{"id":73886,"date":"2015-08-12T09:58:49","date_gmt":"2015-08-12T12:58:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=73886"},"modified":"2015-08-12T09:58:49","modified_gmt":"2015-08-12T12:58:49","slug":"grupo-investiga-efeito-da-reposicao-hormonal-no-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/grupo-investiga-efeito-da-reposicao-hormonal-no-cerebro\/73886","title":{"rendered":"Grupo investiga efeito da reposi\u00e7\u00e3o hormonal no c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo, do Rio de Janeiro | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A <strong><em>reposi\u00e7\u00e3o de estrog\u00eanios em mulheres<\/em><\/strong> no per\u00edodo de peri e p\u00f3s-menopausa tem sido associada em estudos observacionais com humanos a uma melhora da concentra\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, humor e sono, bem como a um retardo do decl\u00ednio cognitivo.<\/p>\n<p>Para desvendar os mecanismos moleculares pelos quais esses horm\u00f4nios sexuais afetam o c\u00e9rebro, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) t\u00eam realizado experimentos com ratas, nas quais uma condi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 menopausa \u00e9 induzida com a retirada cir\u00fargica dos ov\u00e1rios \u2013 os \u00f3rg\u00e3os mais importantes para a produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios sexuais femininos.<\/p>\n<p>Dados do estudo foram apresentados pela pesquisadora Grace Schennato Pereira Moraes durante a nona edi\u00e7\u00e3o do Congresso Mundial do C\u00e9rebro (IBRO 2015), realizado no Rio de Janeiro de 7 a 11 de julho.<\/p>\n<p>\u201cAvaliamos os animais por meio de testes comportamentais e somente 12 semanas ap\u00f3s a cirurgia come\u00e7amos a notar um decl\u00ednio na mem\u00f3ria, bem como ind\u00edcios de depress\u00e3o e ansiedade. O tratamento com estradiol, a forma mais ativa de estrog\u00eanio, foi capaz de reverter os sintomas mesmo sendo iniciado ap\u00f3s essas 12 semanas\u201d, contou Moraes em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, os resultados contrariam a corrente te\u00f3rica segundo a qual existiria uma janela de oportunidade para que a terapia hormonal consiga evitar o decl\u00ednio cognitivo causado pela aus\u00eancia de horm\u00f4nio. Aparentemente, os benef\u00edcios seriam obtidos mesmo com uma reposi\u00e7\u00e3o tardia.<\/p>\n<p>\u201cNa pr\u00e1tica, \u00e9 isso que acontece com muitas mulheres, que apenas iniciam o tratamento quando se sentem incomodadas com os sintomas\u201d, disse Moraes.<\/p>\n<p>Um dos testes usados para avaliar a mem\u00f3ria consiste em colocar a rata em uma caixa com dois objetos id\u00eanticos no centro durante cerca de 10 minutos. Os pesquisadores avaliam o tempo que o animal passa explorando os objetos. Alguns dias depois, o roedor \u00e9 colocado no mesmo ambiente com um objeto igual ao existente na sess\u00e3o de treino e outro, diferente.<\/p>\n<p>\u201cSupomos que o animal consegue se lembrar do objeto j\u00e1 conhecido quando ele passa mais tempo explorando o novo. \u00c9 um teste simples, mas bem padronizado na literatura cient\u00edfica\u201d, explicou Moraes.<\/p>\n<p>Para avaliar a mem\u00f3ria de medo condicionado, o animal \u00e9 colocado em uma caixa na qual todas as vezes que um determinado som \u00e9 emitido ele recebe um leve choque nas patas. O roedor ent\u00e3o associa o som ao desconforto e a resposta comportamental t\u00edpica, sempre que o escuta, \u00e9 ficar paralisado (freezing).<\/p>\n<p>\u201cEm seguida n\u00f3s colocamos a rata em uma caixa diferente, na qual ela pode se movimentar normalmente. O animal controle, quando ouve o som, imediatamente fica imobilizado. Nas ratas operadas, n\u00f3s quantificamos a manifesta\u00e7\u00e3o desse comportamento de freezing. Quanto mais parecido for o resultado com o do grupo controle, sinal de que melhor est\u00e1 a mem\u00f3ria\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Os sinais de depress\u00e3o foram avaliados por um teste conhecido como nado for\u00e7ado \u2013 muito usado na triagem de drogas com a\u00e7\u00e3o antidepressiva. O roedor \u00e9 colocado em um recipiente com \u00e1gua e os pesquisadores medem o tempo que ele permanece nadando para tentar escapar. Os animais deprimidos costumam desistir mais rapidamente e come\u00e7am a boiar. Medicamentos com efeito antidepressivo, em geral, aumentam o tempo em que o animal continua nadando.<\/p>\n<p>J\u00e1 a ansiedade foi medida colocando o animal em uma esp\u00e9cie de labirinto com formato de cruz, no qual h\u00e1 duas hastes cobertas e duas descobertas. Quanto mais ansioso estiver o roedor, mais tempo ele tende a passar nos bra\u00e7os fechados, explorando menos as regi\u00f5es abertas.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi medir o desempenho das ratas nos mesmos testes comportamentais ap\u00f3s dois diferentes protocolos de tratamento com estradiol. No primeiro, uma \u00fanica inje\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio foi dada diretamente no hipocampo das ratas na 12\u00aa semana ap\u00f3s a cirurgia. No segundo, o tratamento foi feito por via oral durante cinco semanas, sendo que o in\u00edcio tamb\u00e9m foi na 12\u00aa semana p\u00f3s-cir\u00fargica.<\/p>\n<p>O protocolo agudo melhorou o desempenho das ratas no teste de reconhecimento de objetos e de nado for\u00e7ado, que mede a depress\u00e3o, tornando o resultado equivalente ao do grupo controle. No entanto, n\u00e3o houve melhora no teste de medo condicionado e nem no labirinto em cruz, que avalia ansiedade.<\/p>\n<p>\u201cEsses dois sintomas parecem n\u00e3o estar relacionados com a presen\u00e7a de estradiol, pelo menos n\u00e3o no hipocampo. Agora estamos investigando se teria algum efeito a aplica\u00e7\u00e3o desse horm\u00f4nio na am\u00edgdala\u201d, comentou Moraes.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o tratamento cr\u00f4nico de cinco semanas, os pesquisadores notaram melhora no desempenho da mem\u00f3ria de reconhecimento de objetos. Os outros testes comportamentais ainda n\u00e3o foram aplicados nesse protocolo terap\u00eautico.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do tecido cerebral das ratas feita na 12\u00aa semana ap\u00f3s a cirurgia para retirada dos ov\u00e1rios revelou queda na express\u00e3o dos receptores de estr\u00f3genos no hipocampo. Para Moraes, no entanto, ainda seria precoce afirmar que essa seria a causa do decl\u00ednio cognitivo observado.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos agora avaliar a express\u00e3o desses receptores na sexta semana ap\u00f3s a cirurgia, antes que os sintomas tenham se manifestado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, nessa regi\u00e3o cerebral, existem dois tipos de receptores de estr\u00f3geno: alfa e beta. A melhora observada nos testes de mem\u00f3ria parece estar associada a uma maior ativa\u00e7\u00e3o dos receptores alfa. J\u00e1 a diminui\u00e7\u00e3o dos sintomas depressivos parece associada \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o dos receptores do tipo beta.<\/p>\n<p>\u201cSupomos que a ativa\u00e7\u00e3o dos receptores de estrog\u00eanio no hipocampo teria permitido que os neur\u00f4nios envolvidos na consolida\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria fossem recrutados mais adequadamente. Mas por enquanto isso \u00e9 apenas especula\u00e7\u00e3o. Agora faremos experimentos para tentar comprovar essa teoria\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os resultados mais recentes foram divulgados em julho na revista . Dados dos experimentos tamb\u00e9m foram publicados em dois artigos na Neurobiology of Learning and Memory, em  de 2014 e  de 2013.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora, os achados indicam que a reposi\u00e7\u00e3o hormonal pode ser ben\u00e9fica para o c\u00e9rebro de mulheres na menopausa. Moraes alerta, no entanto, que o tratamento n\u00e3o \u00e9 indicado para todas.<\/p>\n<p>\u201cAntes \u00e9 preciso uma boa avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e o levantamento do hist\u00f3rico familiar. A principal contraindica\u00e7\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia de casos de c\u00e2ncer de mama entre parentes pr\u00f3ximos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Perimenopausa<\/p>\n<p>A cirurgia para retirada dos ov\u00e1rios foi necess\u00e1ria durante a pesquisa porque as ratas, ao contr\u00e1rio das mulheres, n\u00e3o entram naturalmente na menopausa. Uma das limita\u00e7\u00f5es do estudo conduzido na UFMG, portanto, \u00e9 n\u00e3o mimetizar com precis\u00e3o a queda lenta e gradual na produ\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios sexuais durante o per\u00edodo conhecido como perimenopausa.<\/p>\n<p>A perimenopausa tem in\u00edcio por volta de 40 anos e dura cerca de uma d\u00e9cada, at\u00e9 a \u00faltima menstrua\u00e7\u00e3o. \u00c9 durante essa fase que sintomas desagrad\u00e1veis como ondas de calor, depress\u00e3o, ins\u00f4nia, ansiedade e agressividade costumam se manifestar mais fortemente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as ratas submetidas \u00e0 cirurgia para retirada dos ov\u00e1rios ainda possuem o c\u00e9rebro jovem, o que pode criar um vi\u00e9s nos resultados de experimentos que visam identificar a a\u00e7\u00e3o da reposi\u00e7\u00e3o hormonal no sistema nervoso central.<\/p>\n<p>Para contornar essas quest\u00f5es, Moraes inicia uma colabora\u00e7\u00e3o com um grupo da Faculdade de Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FORP-USP), liderado pela professora , que tem desenvolvido trabalhos que visam validar um modelo animal capaz de mimetizar o processo de perimenopausa em ratas.<\/p>\n<p>As pesquisas contam com a participa\u00e7\u00e3o de diversos bolsistas da FAPESP, como , , e .<\/p>\n<p>Segundo Franci, descobriu-se h\u00e1 alguns anos que o composto qu\u00edmico conhecido como diep\u00f3xido de 4-vinilciclohexeno (VCD na sigla em ingl\u00eas), liberado durante a fabrica\u00e7\u00e3o de borracha sint\u00e9tica, inseticidas e alguns tipos de pl\u00e1sticos, destr\u00f3i os fol\u00edculos existentes nos ov\u00e1rios femininos, que s\u00e3o as estruturas onde os \u00f3vulos s\u00e3o armazenados, podendo causar infertilidade.<\/p>\n<p>\u201cQuando as ratas completam 30 dias de idade, come\u00e7amos a trat\u00e1-las com inje\u00e7\u00f5es de VCD durante 15 dias e aguardamos outros 80 dias para que comecem a surgir os sintomas de fal\u00eancia ovariana. Estamos interessados em estudar as altera\u00e7\u00f5es de humor nesses animais durante esse per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, para ver se s\u00e3o parecidos com as observadas nas mulheres\u201d, contou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Os testes comportamentais j\u00e1 feitos, contou Franci, mostraram que as ratas nas quais a perimenopausa foi induzida apresentaram mais sintomas de depress\u00e3o (nado for\u00e7ado) e ansiedade (labirinto em cruz) quando comparadas ao grupo controle.<\/p>\n<p>\u201cAgora estamos fazendo novos testes que sugerem que elas se tornam tamb\u00e9m mais agressivas. Em parceria com o grupo da UFMG pretendemos investigar por que isso acontece. No modelo animal podemos estudar o c\u00e9rebro para descobrir o que mudou, algo que n\u00e3o podemos fazer nos estudos com humanos, e tamb\u00e9m testar que tipo de medicamento pode ser usado para evitar que esses sintomas indesejados apare\u00e7am\u201d, disse Franci.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo, do Rio de Janeiro | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A reposi\u00e7\u00e3o de estrog\u00eanios em mulheres no per\u00edodo de peri e p\u00f3s-menopausa tem sido associada em estudos observacionais com humanos a uma melhora da concentra\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, humor e sono, bem como a um retardo do decl\u00ednio cognitivo. 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