{"id":72105,"date":"2015-07-02T18:01:26","date_gmt":"2015-07-02T21:01:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=72105"},"modified":"2015-07-02T18:01:26","modified_gmt":"2015-07-02T21:01:26","slug":"novo-sistema-em-sp-pode-agilizar-doacao-de-orgaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/novo-sistema-em-sp-pode-agilizar-doacao-de-orgaos\/72105","title":{"rendered":"Novo sistema em SP pode agilizar doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Est\u00e1 em fase de testes na Central de <strong><em>Transplantes<\/em><\/strong> do Estado de S\u00e3o Paulo um software desenvolvido com  que poder\u00e1 encurtar o tempo entre a identifica\u00e7\u00e3o de um potencial doador de \u00f3rg\u00e3os e a escolha de um receptor compat\u00edvel.<\/p>\n<p>O sistema foi desenvolvido por alunos do curso de An\u00e1lise e Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Zona Leste, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Cristina Corr\u00eaa Oliveira. O trabalho est\u00e1 sendo feito em parceria com os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP) Luciana Haddad, Jair Minoro Abe e Alex Cassenote.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente, toda a entrada de dados sobre os candidatos a doadores no sistema \u00e9 feita de modo manual, o que toma muito tempo\u201d, contou Oliveira.<\/p>\n<p>Quando a Central de Transplantes recebe o aviso sobre a exist\u00eancia de um potencial doador, explicou a professora, enfermeiros do Servi\u00e7o de Procura de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos (SPOT) v\u00e3o at\u00e9 o hospital para avaliar a condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade do paciente com morte encef\u00e1lica, fazer exames de sorologia sangu\u00ednea, levantar os antecedentes e o hist\u00f3rico m\u00e9dico e contatar os familiares.<\/p>\n<p>\u201cTodas as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o anotadas em uma prancheta. O enfermeiro volta para o SPOT, digita tudo em um formul\u00e1rio no computador, imprime e envia por fax para a Central de Transplantes. Com o novo sistema ele pode enviar os dados de qualquer lugar usando apenas um tablet. Basta acessar uma p\u00e1gina web\u201d, contou Oliveira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de agilizar a troca de informa\u00e7\u00f5es, o novo sistema permitir\u00e1 incluir dados sobre doadores que antes n\u00e3o constavam nas fichas, como uso de drogas il\u00edcitas, \u00e1lcool ou tabaco.<\/p>\n<p>\u201cDepois que a doa\u00e7\u00e3o \u00e9 efetivada, tem in\u00edcio um processo de sele\u00e7\u00e3o para encontrar receptores compat\u00edveis com cada um dos \u00f3rg\u00e3os vi\u00e1veis. Esse processo \u00e9 feito por um outro software j\u00e1 existente na Central de Transplantes, mas n\u00f3s desenvolvemos um novo aplicativo que poder\u00e1 ajudar na etapa seguinte: a distribui\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os\u201d, contou Oliveira.<\/p>\n<p>Este outro software, o aplicativo para smartphone eTransplante, permite enviar com o apertar de um \u00fanico bot\u00e3o todos os dados do doador para as equipes m\u00e9dicas que acompanham os pacientes na fila de transplante.<\/p>\n<p>\u201cO m\u00e9dico recebe um alerta em seu smartphone e tamb\u00e9m todos os dados, incluindo os exames, antecedentes e hist\u00f3rico m\u00e9dico. No pr\u00f3prio aplicativo ele pode informar se tem interesse ou n\u00e3o no \u00f3rg\u00e3o e, em caso negativo, fazer a justificativa. As equipes t\u00eam at\u00e9 1 hora para dar o retorno e, em seguida, a Central entrar\u00e1 em contato apenas com os interessados, come\u00e7ando pelo primeiro da fila \u201d, contou Oliveira.<\/p>\n<p>Atualmente, esse processo \u00e9 totalmente feito por telefone e pode demorar muito tempo a localiza\u00e7\u00e3o de um paciente compat\u00edvel. O novo sistema ainda est\u00e1 sendo testado e homologado pela Secretaria Estadual da Sa\u00fade. A expectativa \u00e9 que entre em opera\u00e7\u00e3o no Estado de S\u00e3o Paulo at\u00e9 o fim de 2015.<\/p>\n<p>Algoritmo inteligente<\/p>\n<p>A ideia de criar um software para agilizar e enriquecer a entrada de dados sobre doadores no sistema da Central de Transplantes surgiu para atender a demanda de um projeto coordenado por Haddad na FMUSP, cujo objetivo \u00e9 desenvolver uma metodologia brasileira para a classifica\u00e7\u00e3o de pacientes que aguardam por um transplante de f\u00edgado.<\/p>\n<p>Hoje, o sistema adotado no Brasil e na maior parte do mundo \u00e9 o Meld (modelo para doen\u00e7a hep\u00e1tica em fase terminal, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 f\u00f3rmula matem\u00e1tica que, levando em conta resultados de exames e outros indicativos do paciente, permite estimar o risco de morte caso o transplante n\u00e3o ocorra nos tr\u00eas meses seguintes.<\/p>\n<p>\u201cO paciente \u00e9 avaliado periodicamente e, quanto maior o escore obtido, maior a prioridade na fila. Mas o Meld e os outros scores que utilizamos aqui no Brasil foram todos criados e validados em pa\u00edses desenvolvidos, onde o estado do \u00f3rg\u00e3o que chega para doa\u00e7\u00e3o e a condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade do receptor geralmente s\u00e3o muito melhores que no nosso caso\u201d, disse Haddad.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de validar os escores j\u00e1 existentes com base na realidade brasileira, o grupo da FMUSP tem como meta desenvolver um novo algoritmo inteligente para fazer o cruzamento dos dados de doadores e receptores e, assim, reduzir o risco de transplantes de f\u00edgado malsucedidos.<\/p>\n<p>O algoritmo vem sendo desenvolvido pelo Grupo de L\u00f3gica Paraconsistente e Intelig\u00eancia Artificial da Universidade Paulista (Unip) coordenado por Minoro Abe, que tamb\u00e9m orienta Oliveira em seu projeto de doutorado.<\/p>\n<p>\u201cA nossa grande dificuldade era a falta de dados sobre doadores necess\u00e1rios para fazer a valida\u00e7\u00e3o do algoritmo. O software j\u00e1 est\u00e1 pronto, mas precis\u00e1vamos de dados reais para test\u00e1-lo e ver se tem acur\u00e1cia, algo que ainda deve demorar alguns anos\u201d, explicou Haddad.<\/p>\n<p>A equipe de alunos da Fatec que desenvolveu o software e o aplicativo \u00e9 formada por Camila Belo, Caroline Roda, Ingrid Mazoni, Jaqueline Izumi, Lucas Oliveira, Rodrigo Ramos e Rog\u00e9rio Yokomizo.<\/p>\n<p>O eTransplante foi um dos destaques na edi\u00e7\u00e3o de 2014 da Feira Tecnol\u00f3gica do Centro Paula Souza (Feteps), na qual conquistou o primeiro lugar na categoria Inform\u00e1tica e Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m foi premiado no Congresso Nacional de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e foi apresentado no F\u00f3rum Mundial de Educa\u00e7\u00e3o Profissional e Tecnol\u00f3gica, realizado entre 27 e 29 de maio, em Recife.<\/p>\n<p>O sistema chamou a aten\u00e7\u00e3o internacionalmente e foi aprovado para ser apresentado em julho na \u201c6th International Conference on Applied Human Factors and Ergonomics\u201d, em Las Vegas, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A equipe de Oliveira iniciou uma campanha de financiamento coletivo para que pelo menos um integrante do grupo participe do evento. O valor a ser alcan\u00e7ado \u00e9 R$ 15 mil. Mais informa\u00e7\u00f5es: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Est\u00e1 em fase de testes na Central de Transplantes do Estado de S\u00e3o Paulo um software desenvolvido com que poder\u00e1 encurtar o tempo entre a identifica\u00e7\u00e3o de um potencial doador de \u00f3rg\u00e3os e a escolha de um receptor compat\u00edvel. 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