{"id":71477,"date":"2015-06-18T18:19:46","date_gmt":"2015-06-18T21:19:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=71477"},"modified":"2015-06-18T18:19:46","modified_gmt":"2015-06-18T21:19:46","slug":"dengue-e-um-vilao-de-muitas-caras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/dengue-e-um-vilao-de-muitas-caras\/71477","title":{"rendered":"Dengue \u00e9 um vil\u00e3o de muitas caras"},"content":{"rendered":"<p> Maria Guimar\u00e3es e Pablo Nogueira | Revista Pesquisa FAPESP &#8211; N\u00e3o foi a praia que atraiu o virologista Paolo Zanotto, do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP), e o doutorando Julian Villabona-Arenas ao Guaruj\u00e1, no litoral sul de S\u00e3o Paulo, no ver\u00e3o de 2012-2013. Eles estavam acompanhando os casos de <strong><em>dengue<\/em><\/strong> no munic\u00edpio, selecionado pela proximidade com a metr\u00f3pole paulistana, e analisando a gen\u00e9tica dos v\u00edrus para reconstruir a malha de transmiss\u00e3o entre pessoas. As an\u00e1lises mostraram que dois bairros, Pae Car\u00e1 e Enseada, eram os focos principais da doen\u00e7a, que deles se espalhava para outros pontos da cidade.<\/p>\n<p>O trabalho dos pesquisadores chamou a aten\u00e7\u00e3o de uma funcion\u00e1ria do departamento de vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria local, que percebeu a preciosidade de saber onde estavam os casos com v\u00edrus ativos e convocou uma unidade de fumiga\u00e7\u00e3o \u2013 o chamado \u201cfumac\u00ea\u201d \u2013 para matar mosquitos nesses locais. \u201cForam na cabe\u00e7a do drag\u00e3o e deram o tiro\u201d, diz Zanotto.<\/p>\n<p>Depois disso, os mapas mostram uma situa\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil de controlar, com casos isolados. \u201c\u00c9 isso que precisa ser feito em todos os munic\u00edpios\u201d, preconiza, ao mesmo tempo que ressalta a necessidade de combinar vacinas a diferentes formas de controle do mosquito transmissor da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O trabalho do grupo de Zanotto vem apontando caminhos para o combate \u00e0 dengue e sublinhando o risco crescente das epidemias. Um motivo de alerta \u00e9 a presen\u00e7a dos quatro sorotipos do v\u00edrus que eles observaram em Guaruj\u00e1 naquele ver\u00e3o, como mostra artigo de 2014 na PLoS Neglected Tropical Diseases. Provavelmente tem impacto a proximidade do porto de Santos, onde mosquitos e v\u00edrus desembarcam como passageiros clandestinos.<\/p>\n<p>Em Jundia\u00ed, muito pr\u00f3xima \u00e0 Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, os pesquisadores encontraram apenas os sorotipos 1 e 4, mas isso n\u00e3o chega a ser um al\u00edvio. Em conjunto, os dois munic\u00edpios j\u00e1 revelavam que a capital paulista est\u00e1 sujeita a m\u00faltiplos v\u00edrus, criando uma situa\u00e7\u00e3o conhecida como hiperendemicidade, que aumenta o risco de uma pessoa ser infectada v\u00e1rias vezes, com maior risco de casos do tipo hemorr\u00e1gico.<\/p>\n<p>\u201cA presen\u00e7a dos quatro sorotipos em um surto numa das \u00e1reas mais densamente povoadas no Brasil \u00e9 um achado perturbador\u201d, afirma Villabona-Arenas. \u201cEssa cocircula\u00e7\u00e3o s\u00f3 havia sido documentada em pa\u00edses do sudoeste da \u00c1sia h\u00e1 d\u00e9cadas e mais recentemente na \u00cdndia, sempre associada \u00e0 maior gravidade de doen\u00e7a entre crian\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>De fato, os n\u00fameros mais recentes n\u00e3o permitem relaxar, embora o medo imediato do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doen\u00e7a, comece a ficar em segundo plano com a chegada do frio e da seca, que n\u00e3o favorecem o desenvolvimento das larvas.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o Sudeste foi palco de 66% dos quase 746 mil casos registrados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no pa\u00eds inteiro desde o in\u00edcio de 2015 at\u00e9 18 de abril. \u00c9 menos do que foi registrado em 2013, mas bem mais do que em 2014.<\/p>\n<p>Nesse total h\u00e1 uma grada\u00e7\u00e3o de gravidade \u2013 h\u00e1 quem mal sinta sintomas, outros t\u00eam febre alta e persistente e passam longos dias prostrados com fortes dores no corpo e n\u00e1useas que tornam imposs\u00edvel seguir a prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de tomar muito l\u00edquido. Nesse per\u00edodo, foram confirmados 414 casos graves e 5.771 com sinais de alarme, as categorias que exigem aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Bem mais do que no ano anterior, com uma alta propor\u00e7\u00e3o no estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Entre os fatores de gravidade est\u00e3o danos ao f\u00edgado e uma queda alarmante na concentra\u00e7\u00e3o de plaquetas no sangue, que pode transformar qualquer les\u00e3o microsc\u00f3pica em uma hemorragia.<\/p>\n<p>Para Zanotto, os n\u00fameros e a situa\u00e7\u00e3o de hiperendemicidade indicam uma progress\u00e3o alarmante da doen\u00e7a. \u201cA dengue est\u00e1 apenas come\u00e7ando no Brasil\u201d, avalia, com base num gr\u00e1fico do n\u00famero de casos desde 1995, que prev\u00ea uma escalada abrupta a partir de agora. Significa, em sua opini\u00e3o, que os esfor\u00e7os contra as epidemias devem se tornar mais eficazes. \u201cDever\u00edamos fazer como o corpo de bombeiros, que age em focos de inc\u00eandio, visando cont\u00ea-los antes que se espalhem e escapem do controle.\u201d<\/p>\n<p>Os estudos de Zanotto em munic\u00edpios paulistas como Guaruj\u00e1, Jundia\u00ed e S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto localizam focos de dengue em \u00e1reas com indicadores socioecon\u00f4micos mais baixos. Mas concentrar esfor\u00e7os nas favelas n\u00e3o basta, conforme mostra estudo do bi\u00f3logo Ricardo Vieira Araujo, hoje funcion\u00e1rio da Coordena\u00e7\u00e3o de Mudan\u00e7as Globais do Clima do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), publicado este ano na revista Brazilian Journal of Infectious Diseases.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, ele mostrou que em partes da cidade com temperatura superficial do solo significativamente mais alta, onde h\u00e1 baixa umidade, pouca cobertura vegetal e altos n\u00edveis de impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo \u2013 as ilhas de calor \u2013 h\u00e1 maior incid\u00eancia de dengue.<\/p>\n<p>Leia a reportagem completa em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Guimar\u00e3es e Pablo Nogueira | Revista Pesquisa FAPESP &#8211; N\u00e3o foi a praia que atraiu o virologista Paolo Zanotto, do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP), e o doutorando Julian Villabona-Arenas ao Guaruj\u00e1, no litoral sul de S\u00e3o Paulo, no ver\u00e3o de 2012-2013. Eles estavam acompanhando os casos de dengue [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40847,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-71477","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/dengue-combate.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71477\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}