{"id":69588,"date":"2015-04-27T15:07:19","date_gmt":"2015-04-27T18:07:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=69588"},"modified":"2015-04-27T15:07:19","modified_gmt":"2015-04-27T18:07:19","slug":"comportamento-de-animais-sinaliza-dias-antes-a-ocorrencia-de-terremotos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/comportamento-de-animais-sinaliza-dias-antes-a-ocorrencia-de-terremotos\/69588","title":{"rendered":"Comportamento de animais sinaliza, dias antes, a ocorr\u00eancia de terremotos"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O dado de que altera\u00e7\u00f5es no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de anteced\u00eancia, eventos como os <em><strong>terremotos<\/strong><\/em> j\u00e1 era conhecido. Especialmente noticiada foi a disparada dos elefantes asi\u00e1ticos para terras altas por ocasi\u00e3o do terremoto seguido de tsunami de 26 de dezembro de 2004. Muitas vidas humanas foram salvas gra\u00e7as a isso. Mas tais eventos ainda n\u00e3o haviam sido documentados de maneira rigorosa e conclusiva. Nem fora estabelecida uma correla\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre essa modifica\u00e7\u00e3o do comportamento animal e fen\u00f4menos f\u00edsicos mensur\u00e1veis.<\/p>\n<p>Isso ocorreu agora em pesquisa realizada por Rachel Grant, da Anglia Ruskin University (Reino Unido), Friedemann Freund, da ag\u00eancia espacial Nasa (Estados Unidos), e Jean-Pierre Raulin, do Centro de Radioastronomia e Astrof\u00edsica Mackenzie (Brasil). Artigo relatando o estudo, \u201c\u201d, foi publicado na revista Physics and Chemistry of the Earth.<\/p>\n<p>O f\u00edsico Jean-Pierre Raulin, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, participou do estudo no contexto do projeto de pesquisa \u201cMonitoramento da atividade solar e da Anomalia Magn\u00e9tica do Atl\u00e2ntico Sul (AMAS) utilizando uma rede de receptores de ondas de muita baixa frequ\u00eancia (VLF) &#8211; SAVNET &#8211; South Am\u00e9rica VLF network\u201d, .<\/p>\n<p>\u201cNosso estudo correlacionou altera\u00e7\u00f5es no comportamento de aves e pequenos mam\u00edferos do Parque Nacional Yanachaga, no Peru, com dist\u00farbios na ionosfera terrestre, ambos os fen\u00f4menos verificados v\u00e1rios dias antes do terremoto Contamana, de 7,0 graus de magnitude na escala Richter, que ocorreu nos Andes peruanos em 2011\u201d, disse Raulin \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Os animais foram monitorados por um conjunto de c\u00e2meras. \u201cPara n\u00e3o interferir em seu comportamento, essas c\u00e2meras eram acionadas de forma autom\u00e1tica no momento em que o animal passava na sua frente, registrando a passagem por meio de flash de luz infravermelha\u201d, detalhou o pesquisador. Em um dia comum, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Por\u00e9m, no intervalo de 23 dias que antecedeu o terremoto, o n\u00famero de avistamentos por animal caiu para cinco ou menos. E, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento s\u00edsmico, nenhum movimento de animal foi registrado.<\/p>\n<p>Nessa mesma \u00e9poca, por meio do monitoramento das propriedades de propaga\u00e7\u00e3o de ondas de r\u00e1dio de muito baixa frequ\u00eancia (VLF), os pesquisadores detectaram, duas semanas antes do terremoto, perturba\u00e7\u00f5es na ionosfera sobre a \u00e1rea ao redor do epicentro. Um dist\u00farbio especialmente grande da ionosfera foi registrado oito dias antes do terremoto, coincidindo com o segundo decr\u00e9scimo no avistamento dos animais.<\/p>\n<p>Os pesquisadores propuseram uma explica\u00e7\u00e3o capaz de correlacionar os dois fen\u00f4menos. Segundo eles, a forma\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de \u00edons positivos, devido \u00e0 fric\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea das rochas durante o per\u00edodo anterior ao terremoto, teria provocado tanto as perturba\u00e7\u00f5es medidas na ionosfera quanto a altera\u00e7\u00e3o comportamental dos animais. A fric\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado da subduc\u00e7\u00e3o ou deslizamento da placa tect\u00f4nica de Nazca sob a placa tect\u00f4nica continental.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que a maior concentra\u00e7\u00e3o de \u00edons positivos na atmosfera provoca, seja em animais, seja em humanos, um aumento dos n\u00edveis de serotonina na corrente sangu\u00ednea. Isso leva \u00e0 chamada \u201cs\u00edndrome da serotonina\u201d, caracterizada por maior agita\u00e7\u00e3o, hiperatividade e confus\u00e3o. O fen\u00f4meno \u00e9 semelhante \u00e0 inquieta\u00e7\u00e3o, facilmente percept\u00edvel em humanos, que ocorre antes das tempestades, quando a concentra\u00e7\u00e3o de el\u00e9trons nas bases das nuvens tamb\u00e9m provoca um ac\u00famulo de \u00edons positivos na camada da atmosfera pr\u00f3xima ao solo, gerando um intenso campo el\u00e9trico no espa\u00e7o intermedi\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cNo caso dos terremotos, cargas positivas formadas no subsolo devido ao estresse das rochas migram rapidamente para a superf\u00edcie, resultando na ioniza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de mol\u00e9culas do ar. Em algumas horas, os \u00edons positivos assim formados alcan\u00e7am a base da ionosfera, localizada cerca de 70 quil\u00f4metros acima do solo. Esse aporte maci\u00e7o de \u00edons teria provocado as flutua\u00e7\u00f5es da densidade eletr\u00f4nica na baixa ionosfera que detectamos. Por outro lado, durante o tr\u00e2nsito subterr\u00e2neo das cargas positivas, devido a uma esp\u00e9cie de \u2018efeito de ponta\u2019, a ioniza\u00e7\u00e3o tende a se acumular perto das eleva\u00e7\u00f5es topogr\u00e1ficas locais \u2013 exatamente onde estavam localizadas as c\u00e2meras. Nossa hip\u00f3tese foi que, para se livrar dos sintomas indesej\u00e1veis da s\u00edndrome da serotonina, os animais fugiram para \u00e1reas mais baixas, onde a ioniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o expressiva\u201d, explicou Raulin.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que ambas as anomalias surgiram a partir de uma \u00fanica causa: a atividade s\u00edsmica causando estresse na crosta terrestre e levando, entre outras coisas, \u00e0 enorme ioniza\u00e7\u00e3o na interface solo-ar. Esperamos que nosso trabalho possa estimular ainda mais a investiga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, que tem o potencial de auxiliar as previs\u00f5es de curto prazo de riscos s\u00edsmicos\u201d, declarou Rachel Grant, principal autora do artigo.<\/p>\n<p>Independentemente da observa\u00e7\u00e3o do comportamento animal, os resultados obtidos mostram que a previs\u00e3o de terremotos poderia ser feita tamb\u00e9m mediante a detec\u00e7\u00e3o da ioniza\u00e7\u00e3o do ar, com o monitoramento do campo el\u00e9trico atmosf\u00e9rico. \u201cJ\u00e1 temos detectores instalados no Brasil, no Peru e na Argentina. E pretendemos, em breve, instalar sensores de campo el\u00e9trico atmosf\u00e9rico nos lugares prop\u00edcios a atividades s\u00edsmicas importantes. Isso daria uma previsibilidade da ordem de duas semanas ou at\u00e9 mais. Por ocasi\u00e3o do terremoto do Haiti, em janeiro de 2010, a rede SAVNET j\u00e1 tinha detectado flutua\u00e7\u00f5es na ionosfera com 12 dias de anteced\u00eancia, com resultados publicados na revista NHESS \u2013 Natural Hazards and Earth System Sciences\u201d, afirmou Raulin.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O dado de que altera\u00e7\u00f5es no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de anteced\u00eancia, eventos como os terremotos j\u00e1 era conhecido. Especialmente noticiada foi a disparada dos elefantes asi\u00e1ticos para terras altas por ocasi\u00e3o do terremoto seguido de tsunami de 26 de dezembro de 2004. 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