{"id":68819,"date":"2015-04-06T14:09:05","date_gmt":"2015-04-06T17:09:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=68819"},"modified":"2015-04-06T14:09:05","modified_gmt":"2015-04-06T17:09:05","slug":"testes-em-animais-sao-reduzidos-com-novos-ensaios-in-vitro-e-simulacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/testes-em-animais-sao-reduzidos-com-novos-ensaios-in-vitro-e-simulacoes\/68819","title":{"rendered":"Testes em animais s\u00e3o reduzidos com novos ensaios in vitro e simula\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Impulsionada pela opini\u00e3o p\u00fablica e pelo desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico da toxicologia, que estuda os efeitos de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas sobre os organismos, a busca por m\u00e9todos alternativos aos <em><strong>testes de laborat\u00f3rio em animais<\/strong><\/em> j\u00e1 apresenta resultados: simula\u00e7\u00f5es de intera\u00e7\u00f5es moleculares em computador e novas tecnologias para ensaios in vitro minimizam o uso de cobaias e apontam para um futuro livre de testes in vivo.<\/p>\n<p>Esfor\u00e7os de institui\u00e7\u00f5es nacionais e estrangeiras nesse sentido foram apresentados no workshop Challenges and perspectives in research on alternatives to animal testing, realizado na FAPESP no dia 31 de mar\u00e7o. Para os especialistas participantes, \u00e9 preciso desenvolver e adotar alternativas aos testes em animais para a redu\u00e7\u00e3o do uso de cobaias e dos riscos para o pr\u00f3prio ser humano, pois, dadas as particularidades das esp\u00e9cies, os resultados dos experimentos n\u00e3o s\u00e3o suficientemente eficazes.<\/p>\n<p>\u201cOs testes em animais v\u00eam sendo usados h\u00e1 muitas d\u00e9cadas, mas nunca refletiram de maneira adequada os efeitos das subst\u00e2ncias testadas quando aplicadas ao organismo do ser humano. \u00c9 preciso avan\u00e7ar por quest\u00f5es \u00e9ticas e tamb\u00e9m cient\u00edficas, incorporando novas tecnologias e abordagens \u00e0 toxicologia\u201d, disse Thomas Hartung, do Center for Alternatives to Animal Testing do Johns Hopkins University Hospital, em Maryland, nos Estados Unidos, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>No workshop, Hartung tratou da implementa\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio dos tr\u00eas Rs da experimenta\u00e7\u00e3o animal, elaborados em 1959 pelos ingleses William Russel e Rex Burch: refinamento, redu\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o (replacement, em ingl\u00eas), que consistem na diminui\u00e7\u00e3o da quantidade de animais utilizados na pesquisa, na melhora na condu\u00e7\u00e3o dos estudos para minimizar o sofrimento das cobaias e no desenvolvimento de sistemas experimentais que reproduzam as condi\u00e7\u00f5es dos organismos, dispensando modelos vivos.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 utilizar novos m\u00e9todos que, em vez de comprometer a qualidade do trabalho, ampliem a confian\u00e7a nos resultados. O refinamento, por exemplo, ao aprimorar os procedimentos para minimizar a dor e o estresse das cobaias, tem impacto tamb\u00e9m nos resultados por controlar altera\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas nos animais, que aumentam a variabilidade experimental dos resultados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9 Soares Mendes Giannini, pr\u00f3-reitora de Pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenadora do workshop, enfatizou que a busca por alternativas aos testes em animais \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o avan\u00e7o da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m das raz\u00f5es de ordem \u00e9tica, que est\u00e3o no cerne da busca por alternativas aos testes in vivo e de toda a demanda para diminuir e evitar o sofrimento dos animais, \u00e9 urgente a quest\u00e3o do avan\u00e7o cient\u00edfico. Os modelos animais s\u00e3o comprovadamente limitados, n\u00e3o permitem obter respostas de qualidade suficientemente boas\u201d, afirmou Giannini, que tamb\u00e9m \u00e9 membro do Conselho Superior da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cNovos medicamentos muito avan\u00e7ados, como os imunobiol\u00f3gicos, se aplicados em um modelo animal n\u00e3o provocar\u00e3o rea\u00e7\u00f5es compar\u00e1veis \u00e0 maneira como n\u00f3s, humanos, reagir\u00edamos. Os testes toxicol\u00f3gicos precisam acompanhar esse desenvolvimento, avan\u00e7ando para al\u00e9m dos modelos animais\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u00d3rg\u00e3os em chips<\/p>\n<p>Durante o workshop, Wagner Quintilio, do Instituto Butantan, apresentou uma s\u00e9rie de resultados de estudos empregando m\u00e9todos in vitro para substituir o uso de animais no desenvolvimento e controle de qualidade de imunobiol\u00f3gicos produzidos na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Chantra Eskes, da European Society of Toxicol in vitro, a humanidade caminha para dispensar o uso de animais em testes de laborat\u00f3rio especialmente por conta da evolu\u00e7\u00e3o dos testes in vitro.<\/p>\n<p>\u201cA humanidade vive uma grande revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com a possibilidade de retornar c\u00e9lulas ao seu estado inicial e, a partir delas, produzir tecidos e \u00f3rg\u00e3os para aplicar testes com subst\u00e2ncias t\u00f3xicas nas c\u00e9lulas do pr\u00f3prio paciente. Com o conhecimento crescente do genoma, do transcriptoma e do proteoma humanos, o caminho para a substitui\u00e7\u00e3o dos testes in vivo por ensaios in vitro mais avan\u00e7ados est\u00e1 tra\u00e7ado\u201d, disse Eskes.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Silvya Maria-Engler, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), apresentou resultados promissores sobre o modelo tridimensional de epiderme desenvolvido no Brasil.<\/p>\n<p>Empregando c\u00e9lulas prim\u00e1rias de pele humana, o modelo tem sido adotado em estudos de irrita\u00e7\u00e3o e corros\u00e3o cut\u00e2nea em substitui\u00e7\u00e3o aos ensaios em animais e na avalia\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia de mol\u00e9culas candidatas a f\u00e1rmacos antimelanoma, al\u00e9m de estudos de doen\u00e7as de pele e outras pesquisas.<\/p>\n<p>Essa revolu\u00e7\u00e3o, agregada a novas tecnologias aplicadas aos testes in vitro, compensa a defici\u00eancia dos modelos animais na similaridade com o organismo humano, disse Eduardo Pagani, do Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancia (LNBio).<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de culturas celulares, podemos ter tecidos, que s\u00e3o grupos de c\u00e9lulas organizadas e que podem ser cultivados em dimens\u00f5es mais complexas, buscando-se uma maior correspond\u00eancia com a morfologia normal dos tecidos humanos\u201d, explicou Pagani, referindo-se \u00e0s culturas organot\u00edpicas, que combinam diferentes tipos celulares.<\/p>\n<p>O pesquisador apresentou, em sua palestra, o conceito de organs-on-a-chip, tecnologia em fase inicial de desenvolvimento em algumas institui\u00e7\u00f5es estrangeiras que utiliza c\u00e9lulas-tronco para fazer crescer \u00f3rg\u00e3os humanos integrados a microchips capazes de reproduzir o funcionamento de \u00f3rg\u00e3os vivos, como o pulm\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Pagani, o LNBio, junto com a Rede Nacional de M\u00e9todos Alternativos (Renama), est\u00e1 buscando associa\u00e7\u00e3o com grupos que possuem a tecnologia para trabalhar em parceria no desenvolvimento de testes de avalia\u00e7\u00f5es de toxicidade em organs-on-a-chip.<\/p>\n<p>Testes in silico<\/p>\n<p>Outra importante frente de desenvolvimento de alternativas a testes em animais \u00e9 a simula\u00e7\u00e3o em computador, chamada de teste in silico.<\/p>\n<p>\u201cNos testes computacionais, o que se faz \u00e9 acessar bases de dados de drogas j\u00e1 testadas e buscar semelhan\u00e7as com as drogas novas, efeitos semelhantes de toxicidade e absor\u00e7\u00e3o farmacocin\u00e9tica ou at\u00e9 mesmo efic\u00e1cia para determinadas indica\u00e7\u00f5es. Trata-se de predi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas feitas por compara\u00e7\u00f5es da mol\u00e9cula nova com outras j\u00e1 testadas\u201d, disse Pagani.<\/p>\n<p>No entanto, o pesquisador explica que \u201cos testes in silico ainda n\u00e3o eliminam a necessidade de experimenta\u00e7\u00f5es com animais, mas reduzem a quantidade de subst\u00e2ncias a serem testadas in vivo\u201d.<\/p>\n<p>Raymond Tice, do National Institute of Environmental Health Science dos Estados Unidos, apresentou no workshop os resultados do programa norte-americano Toxicologia do S\u00e9culo 21 (Tox 21), que mostra os efeitos de diversas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas sobre diferentes vias de sinaliza\u00e7\u00e3o celular em modelos rob\u00f3ticos de alto desempenho (high throughput screening). A iniciativa apresenta uma nova vis\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o de risco, diferente da toxicologia tradicional, para caracterizar as vias de toxicidade e doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Foram apresentados ainda, nas palestras de Cl\u00e1udia Vianna Maurer Morelli, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Giannini, modelos alternativos ao uso de mam\u00edferos, como o peixe-zebra, popularmente conhecido como paulistinha, e o inseto Galleria mellonella, a tra\u00e7a da cera.<\/p>\n<p>Regula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A comunidade cient\u00edfica internacional adota uma s\u00e9rie de m\u00e9todos alternativos que t\u00eam reduzido e substitu\u00eddo o uso de animais em testes toxicol\u00f3gicos. Os par\u00e2metros variam entre os pa\u00edses. Na Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, desde 2003 nenhum cosm\u00e9tico pode ser vendido se o produto final ou qualquer um de seus ingredientes tiver sido testado em animais \u2013 a n\u00e3o ser que n\u00e3o haja m\u00e9todos alternativos validados.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil caminha para acompanhar o que est\u00e1 acontecendo em pa\u00edses como os Estados Unidos e os da Europa, com importantes avan\u00e7os nessas \u00e1reas, mas \u00e9 preciso acelerar e avan\u00e7ar mais\u201d, disse Giannini.<\/p>\n<p>Ano passado, em resposta a solicita\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal (Concea), a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) deliberou pela aceita\u00e7\u00e3o de 17 m\u00e9todos alternativos ao uso de animais validados internacionalmente.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o testes in vitro que medem o potencial de irrita\u00e7\u00e3o e corros\u00e3o da pele e dos olhos, a absor\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea e outras intera\u00e7\u00f5es. Os laborat\u00f3rios do Brasil t\u00eam at\u00e9 2019 para adotar os 17 m\u00e9todos validados que substituem ou reduzem o uso de animais em testes toxicol\u00f3gicos\u201d, disse Jos\u00e9 Mauro Granjeiro, coordenador do Concea.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, o \u00f3rg\u00e3o abriu consulta p\u00fablica para sugest\u00f5es que aprimorem o cap\u00edtulo sobre primatas n\u00e3o humanos mantidos em cativeiro do Guia Brasileiro de Produ\u00e7\u00e3o e Utiliza\u00e7\u00e3o de Animais para Atividades de Ensino ou Pesquisa Cient\u00edfica. O texto compila informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para garantir boas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o ou utiliza\u00e7\u00e3o dos animais, com foco no bem-estar das esp\u00e9cies e na qualidade das pesquisas e dos procedimentos did\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O workshop contou ainda com palestra de Joel Majerowicz, da Diretoria de Gest\u00e3o Institucional da Anvisa, que apresentou a estrutura da institui\u00e7\u00e3o e demonstrou o interesse em pol\u00edticas para ado\u00e7\u00e3o de novas abordagens de avalia\u00e7\u00e3o toxicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Apresenta\u00e7\u00f5es feitas pelos pesquisadores no workshop est\u00e3o dispon\u00edveis\u00a0em: .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Freire | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Impulsionada pela opini\u00e3o p\u00fablica e pelo desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico da toxicologia, que estuda os efeitos de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas sobre os organismos, a busca por m\u00e9todos alternativos aos testes de laborat\u00f3rio em animais j\u00e1 apresenta resultados: simula\u00e7\u00f5es de intera\u00e7\u00f5es moleculares em computador e novas tecnologias para ensaios in vitro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34864,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-68819","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/pronatec-ensino-tecnico.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68819"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68819\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}