{"id":67482,"date":"2015-03-09T12:02:22","date_gmt":"2015-03-09T15:02:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=67482"},"modified":"2015-03-09T12:02:22","modified_gmt":"2015-03-09T15:02:22","slug":"software-identifica-especies-de-animais-pelos-sons-que-emitem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/software-identifica-especies-de-animais-pelos-sons-que-emitem\/67482","title":{"rendered":"Software identifica esp\u00e9cies de animais pelos sons que emitem"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson |\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013\u00a0Bi\u00f3logos que realizam estudos em campo, voltados \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de animais, poder\u00e3o contar, em breve, com uma nova ferramenta computacional. Pesquisadores da Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard (FNJV) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em colabora\u00e7\u00e3o com colegas dos Laborat\u00f3rios de Hist\u00f3ria Natural de Anf\u00edbios Brasileiros (LaHNAB) e de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o (LIS) da mesma universidade, est\u00e3o desenvolvendo um <strong><em>software para a identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de animais pela vocaliza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>, como o canto de p\u00e1ssaros, o coachar de sapos ou o cricrilar de insetos.<\/p>\n<p>Resultado do projeto de pesquisa \u201c\u201d, realizado com apoio da FAPESP no \u00e2mbito de um\u00a0 com a Microsoft Research, e coordenado por Claudia Maria Bauzer Medeiros, professora do Instituto de Computa\u00e7\u00e3o da Unicamp, a vers\u00e3o beta (em fase de desenvolvimento) do software \u2013 batizado de Wildlife Animal Sound Identification System (WASIS) \u2013 pode ser baixada gratuitamente.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 que o software seja utilizado tanto por pesquisadores, para a identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em campo, como por consultores ambientais, que precisam fazer levantamentos de esp\u00e9cies de animais presentes em uma determinada \u00e1rea, ou ainda pelo p\u00fablico leigo apreciador dos cantos dos animais\u201d, disse Lu\u00eds Felipe Toledo, professor do Instituto de Biologia da Unicamp e um dos participantes do projeto.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, que tamb\u00e9m \u00e9 curador da fonoteca, cada esp\u00e9cie de animal possui uma vocaliza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e \u201ccanta\u201d sempre com um padr\u00e3o de determinadas frequ\u00eancias (do grave ao agudo) e pot\u00eancia (volume) em um tempo determinado.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 resultado da sele\u00e7\u00e3o natural e sexual. H\u00e1 animais que s\u00f3 cantam na faixa de frequ\u00eancia de 2 quilohertz (kHz), enquanto outros emitem sons sempre na faixa de 4 kHz\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Com base nesses dois par\u00e2metros \u2013 pot\u00eancia e frequ\u00eancia \u2013, o software consegue distinguir vocaliza\u00e7\u00f5es de diferentes esp\u00e9cies, como p\u00e1ssaros, anuros e insetos, entre diversos outros.<\/p>\n<p>Compara\u00e7\u00e3o de registros<\/p>\n<p>Para fazer o reconhecimento da esp\u00e9cie, o software carrega um arquivo de \u00e1udio de vocaliza\u00e7\u00e3o de um animal captado por um pesquisador em uma pesquisa em campo, por exemplo.<\/p>\n<p>Em seguida, o sistema computacional seleciona as faixas de frequ\u00eancia do arquivo e verifica o maior pico de pot\u00eancia em cada uma delas.<\/p>\n<p>Por fim, o software armazena essas faixas de frequ\u00eancia selecionadas e as compara com registros de vocaliza\u00e7\u00e3o de animais armazenados um banco de dados que est\u00e1 sendo constru\u00eddo a partir do acervo da FNJV.<\/p>\n<p>Por meio de an\u00e1lises de correla\u00e7\u00e3o, o sistema indica se o arquivo de \u00e1udio analisado tem semelhan\u00e7as com algum registro de vocaliza\u00e7\u00e3o de animal no banco de dados.<\/p>\n<p>\u201cO software indica qual a probabilidade de um registro de \u00e1udio de animal ser semelhante a um registro de vocaliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 catalogado no banco de dados\u201d, explicou Toledo.<\/p>\n<p>A fim de facilitar o trabalho de identifica\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, o usu\u00e1rio pode estabelecer filtros de compara\u00e7\u00e3o. Se o usu\u00e1rio acha que o \u00e1udio registrado \u00e9 de vocaliza\u00e7\u00e3o de um p\u00e1ssaro, por exemplo, ele pode solicitar que o software compare o arquivo apenas com os registros de vocaliza\u00e7\u00f5es de aves presentes no banco de dados.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o tiver ideia do animal que emitiu o som, por\u00e9m, ele pode solicitar que o software compare o arquivo com todos os registros existentes na base de dados.<\/p>\n<p>\u201cO software tamb\u00e9m possui um filtro de local da grava\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 sabido que um animal de uma determinada localidade vocaliza de uma forma diferente de outros animais de outra regi\u00e3o\u201d, disse Leandro Tacioli, t\u00e9cnico da FNJV e participante do projeto de desenvolvimento do software.<\/p>\n<p>\u201cEsse dado pode auxiliar e refinar a busca\u201d, afirmou Tacioli, que realiza treinamento t\u00e9cnico com  da FAPESP.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o beta do software est\u00e1 dispon\u00edvel apenas para o sistema operacional Windows, mas ainda neste semestre os pesquisadores dever\u00e3o lan\u00e7ar uma vers\u00e3o 1.0 final que rodar\u00e1 tamb\u00e9m em Linux e Mac OS. Atualmente, o banco de dados da vers\u00e3o beta do software possui cerca de 200 vocaliza\u00e7\u00f5es do acervo da FNJV.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 adicionar periodicamente novos registros \u00e0 fonoteca. \u201cEstamos em um processo de alimenta\u00e7\u00e3o do banco de dados com novos registros, que \u00e9 um trabalho que demanda muito tempo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos ouvir o \u00e1udio, verificar se a qualidade dele \u00e9 boa, antes de inserir no banco de dados\u201d, contou Tacioli.<\/p>\n<p>Auxilio \u00e0 pesquisa<\/p>\n<p>O software tamb\u00e9m poder\u00e1 auxiliar o trabalho de identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de animais pela vocaliza\u00e7\u00e3o realizado pelo pesquisadores e t\u00e9cnicos da FNJV.<\/p>\n<p>O acervo da FNJV \u2013 a maior fonoteca da Am\u00e9rica do Sul e uma das sete maiores do mundo \u2013 re\u00fane mais de 30 mil arquivos de vocaliza\u00e7\u00f5es de animais j\u00e1 digitalizados e protegidos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses 30 mil registros, feitos em grande parte a partir dos anos 1960 pelo ornit\u00f3logo franc\u00eas Jacques Vielliard \u2013 pioneiro da bioac\u00fastiva no Brasil, falecido em 2010, que era professor da Unicamp e d\u00e1 nome \u00e0 fonoteca \u2013, a FNJV tamb\u00e9m possui mais 10 mil arquivos de \u00e1udio para serem digitalizados e incorporados \u00e0 cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTemos muitos registros de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o dispomos de dados como a esp\u00e9cie, a data, a hora e o lugar onde foram coletados\u201d, disse Tacioli. \u201cO software pode facilitar esse trabalho de identifica\u00e7\u00e3o e auxiliar a identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em grava\u00e7\u00f5es feitas hoje por pesquisadores em trabalho de campo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo ele, h\u00e1 muitos pesquisadores que deixam gravadores aut\u00f4nomos na mata durante a realiza\u00e7\u00e3o de estudos em campo, que ficam ligados durante dias a fio.<\/p>\n<p>Escutar toda a grava\u00e7\u00e3o para tentar identificar vocaliza\u00e7\u00f5es de animais \u00e9 um trabalho que demanda muito tempo. \u201cO software poderia carregar o arquivo de \u00e1udio e varr\u00ea-lo, identificando eventuais vocaliza\u00e7\u00f5es por faixas\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>O software dever\u00e1 ser utilizado em um projeto que os pesquisadores da FNJV est\u00e3o iniciando com o intuito de reunir cantos de anf\u00edbios do mundo inteiro para tentar estabelecer a filogenia (rela\u00e7\u00e3o evolutiva) desse grupo de animais.<\/p>\n<p>\u201cEsse trabalho s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel tendo cole\u00e7\u00f5es ricas e bem diversificadas\u201d, disse Toledo.<\/p>\n<p>Dep\u00f3sito em cole\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>No fim de janeiro, o pesquisador, junto com Cheryl Tipp, curadora de sons de vida selvagem e meio ambiente da British Library, de Londres, e Rafael M\u00e1rquez, pesquisador do Museo Nacional de Ciencias Naturales de Madri, na Espanha, publicaram uma carta na revista Science reivindicando que os registros audiovisuais de animais sejam depositados em cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas a fim de preservar e possibilitar o acesso a eles.<\/p>\n<p>Quando um pesquisador descreve um nova esp\u00e9cie, ele \u00e9 obrigado a coletar o animal na natureza e deposit\u00e1-lo em um museu de zooologia.<\/p>\n<p>Ao publicar trabalhos sobre sequ\u00eancias do DNA de um organismo, como o de um animal ou vegetal, ele precisa publicar os dados on-line, em bases de acesso aberto como o GenBank \u2013 banco de dados de sequ\u00eancias gen\u00e9ticas dos National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Esse tratamento, contudo, n\u00e3o \u00e9 exigido para registros audiovisuais de animais, como grava\u00e7\u00f5es de cantos ou filmes e fotos, que s\u00e3o t\u00e3o importantes como esses outros dados, comparou Toledo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos sugerindo que os editores das revistas cient\u00edficas passem a exigir o dep\u00f3sito de registros audiovisuais realizados durante as pesquisas em fonotecas, museus ou qualquer banco de dados de acesso aberto on-line, para possibilitar o acesso a esses dados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No passado era mais dif\u00edcil armazenar e compartilhar registros audiovisuais porque os arquivos eram pesados e demandavam muitos megabytes para serem mantidos em bancos de dados.<\/p>\n<p>Atualmente, por\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel digitalizar os arquivos e envi\u00e1-los mais facilmente a uma fonoteca, como a FNJV, ou para um museu, a fim de serem catalogados e incorporados \u00e0s cole\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAo ser depositado em uma fonoteca, o registro audiovisual n\u00e3o somente fica preservado como permanece \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para a consulta da comunidade cient\u00edfica\u201d, afirmou Toledo.<\/p>\n<p>\u201cEsses registros audiovisuais geram dados importantes e s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia tanto para a conserva\u00e7\u00e3o como para o avan\u00e7o do conhecimento sobre a biodiversidade\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o beta do software WASIS pode ser baixada do site do LaHNAB em .<\/p>\n<p>A carta The value of audiovisual archives (doi: 10.1126\/science.347.6221.484-b), de Toledo e outros, pode ser lida na revistaScience em <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson |\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013\u00a0Bi\u00f3logos que realizam estudos em campo, voltados \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de animais, poder\u00e3o contar, em breve, com uma nova ferramenta computacional. Pesquisadores da Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard (FNJV) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em colabora\u00e7\u00e3o com colegas dos Laborat\u00f3rios de Hist\u00f3ria Natural de Anf\u00edbios Brasileiros (LaHNAB) e de Sistemas de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57576,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-67482","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/tecnologia1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67482"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67482\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}