{"id":67043,"date":"2015-02-27T21:18:54","date_gmt":"2015-02-28T00:18:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=67043"},"modified":"2015-02-27T21:18:54","modified_gmt":"2015-02-28T00:18:54","slug":"residuos-de-melanina-danificam-dna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/residuos-de-melanina-danificam-dna\/67043","title":{"rendered":"Res\u00edduos de melanina danificam DNA"},"content":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti \u00a0\u2013 Sob a a\u00e7\u00e3o da luz solar, o pigmento da pele, a <em><strong>melanina<\/strong><\/em>, pode se fragmentar e formar compostos qu\u00edmicos muito reativos que podem danificar a estrutura da mol\u00e9cula de DNA, mantida no n\u00facleo das c\u00e9lulas, e facilitar o desenvolvimento de c\u00e2ncer de pele, de acordo com um \u00a0na revista Science da semana de 20 de fevereiro.<\/p>\n<p>O ataque ao DNA pode persistir por mais de tr\u00eas horas ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o direta \u00e0 luz do sol, segundo esse trabalho, indicando mais uma limita\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o dos cremes protetores aplicados \u00e0 pele para proteger contra os efeitos prejudiciais da radia\u00e7\u00e3o ultravioleta da luz solar.<\/p>\n<p>\u201cO protetor solar n\u00e3o vai prevenir totalmente os danos ao DNA, que continuam mesmo depois da exposi\u00e7\u00e3o ao sol\u201d, diz o qu\u00edmico\u00a0, um dos autores do artigo, professor ligado \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e \u00e0 Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p>Com base nesse trabalho, Bechara recomenda ainda mais cuidado com o bronzeamento artificial e alerta para a necessidade urgente de formula\u00e7\u00f5es, na forma de cremes, que possam impedir a forma\u00e7\u00e3o dos compostos lesivos ao DNA mesmo depois da exposi\u00e7\u00e3o ao sol. Uma possibilidade, apresentada no estudo, \u00e9 o uso de \u00e1cido s\u00f3rbico, um aditivo de alimentos, embora sua efic\u00e1cia, dosagem e forma de aplica\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o tenham sido estabelecidos.<\/p>\n<p>Camila Mano, do Instituto de Qu\u00edmica da USP, \u00e9 a outra autora brasileira desse trabalho. Por sugest\u00e3o de Bechara, ela foi \u00e0 Universidade Yale, nos Estados Unidos, integrou-se ao grupo de Douglas Brash e fez parte dos experimentos que revelaram as rea\u00e7\u00f5es que danificam o DNA e podem levar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas anormais, que, se n\u00e3o contidas, podem gerar tumores.<\/p>\n<p>Normalmente, nas c\u00e9lulas produtoras de melanina, a radia\u00e7\u00e3o ultravioleta do sol forma os chamados d\u00edmeros (compostos qu\u00edmicos com duas unidades) de timina e citosina, dois componentes b\u00e1sicos do DNA. Esses componentes, agora unidos (d\u00edmeros) em vez de estarem sozinhos, podem alterar o funcionamento do DNA no momento da multiplica\u00e7\u00e3o celular. As c\u00e9lulas disp\u00f5em de mecanismos de reparo de DNA que desfazem parte dos d\u00edmeros.<\/p>\n<p>A melanina, o pigmento escuro da pele, pode impedir a forma\u00e7\u00e3o dos d\u00edmeros. O que os pesquisadores viram nesse estudo foi um caminho bioqu\u00edmico novo que leva a um efeito oposto, fazendo a melanina formar d\u00edmeros, prejudiciais ao DNA.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram que a melanina poderia induzir a forma\u00e7\u00e3o de d\u00edmeros de pirimidina (timina e citosina) por pelo menos tr\u00eas horas ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o direta \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ultravioleta do sol, desse modo reduzindo a efic\u00e1cia dos mecanismos de reparo da mol\u00e9cula de DNA e facilitando a propaga\u00e7\u00e3o de muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas prejudiciais.<\/p>\n<p>Segundo Bechara, a melanina da pele se fragmenta e gera um composto qu\u00edmico muito reativo, uma cetona triplete (com dois el\u00e9trons desemparelhados). Esse composto transfere energia para o DNA, formando os d\u00edmeros. Nesse experimento, os pesquisadores verificaram que os d\u00edmeros de pirimidina formados na aus\u00eancia de luz formam a maioria dos d\u00edmeros respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o do DNA.<\/p>\n<p>Esse tipo de fen\u00f4meno \u00e9 chamado de fotoqu\u00edmica no escuro e, enfatiza Bechara, havia sido proposto na d\u00e9cada de 1970 por Emil White, da Universidade Johns Hopkins, e por Giuseppe Cilento, do Instituto de Qu\u00edmica da USP.<\/p>\n<p>\u201cA fotoqu\u00edmica no escuro amplia as rea\u00e7\u00f5es lesivas ao DNA iniciadas pela radia\u00e7\u00e3o ultravioleta\u201d, diz ele. Segundo o pesquisador, esse tipo de rea\u00e7\u00e3o tem sido identificado em fen\u00f4menos biol\u00f3gicos, mediados por compostos qu\u00edmicos de alta energia, em ra\u00edzes de plantas e \u00f3rg\u00e3os de animais, como o f\u00edgado.<\/p>\n<p>A melanina pode tamb\u00e9m reagir com a luz vis\u00edvel, absorvendo e depois transferindo parte de sua energia para mol\u00e9culas de oxig\u00eanio, gerando formas altamente reativas, o chamado oxig\u00eanio singlete. O oxig\u00eanio excitado pode reagir como reage com mol\u00e9culas como o DNA, danificando-as, conforme  de pesquisadores de S\u00e3o Paulo e do Paran\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Fioravanti \u00a0\u2013 Sob a a\u00e7\u00e3o da luz solar, o pigmento da pele, a melanina, pode se fragmentar e formar compostos qu\u00edmicos muito reativos que podem danificar a estrutura da mol\u00e9cula de DNA, mantida no n\u00facleo das c\u00e9lulas, e facilitar o desenvolvimento de c\u00e2ncer de pele, de acordo com um \u00a0na revista Science da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37376,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-67043","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-doutor.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67043","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67043"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67043\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}