{"id":66971,"date":"2015-02-26T14:14:58","date_gmt":"2015-02-26T17:14:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=66971"},"modified":"2015-02-26T14:14:58","modified_gmt":"2015-02-26T17:14:58","slug":"extremos-climaticos-devem-ocorrer-com-mais-frequencia-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/extremos-climaticos-devem-ocorrer-com-mais-frequencia-em-sao-paulo\/66971","title":{"rendered":"Extremos clim\u00e1ticos devem ocorrer com mais frequ\u00eancia em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A <strong><em>varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica<\/em><\/strong> observada na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo nos \u00faltimos anos \u2013 caracterizada por chuvas intensas concentradas em poucos dias, espa\u00e7adas entre longos per\u00edodos secos e quentes \u2013 deve se tornar tend\u00eancia ou at\u00e9 mesmo agravar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es s\u00e3o de um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em colabora\u00e7\u00e3o com colegas das Universidades de S\u00e3o Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp), de Taubat\u00e9 (Unitau) e dos Institutos Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA) e de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o (IAE), entre outras institui\u00e7\u00f5es e universidades do Brasil e do exterior, no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico \u201cAssessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option\u201d, apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>Resultados do estudo foram descritos em artigos publicados na revista Climate Research e contribu\u00edram para a elabora\u00e7\u00e3o do Atlas de Proje\u00e7\u00f5es de Temperatura e Precipita\u00e7\u00e3o para o Estado de S\u00e3o Paulo, uma publica\u00e7\u00e3o interna do Inpe lan\u00e7ada em 2014, tamb\u00e9m resultado de projeto.<\/p>\n<p>\u201cEstamos observando na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo um aumento na frequ\u00eancia de chuvas intensas, deflagradoras de enchentes e deslizamentos de terra, distribu\u00eddas entre per\u00edodos secos que podem se estender por meses&#8221;, disse Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Marengo Orsini, pesquisador do Inpe e atualmente no Cemaden.<\/p>\n<p>\u201cOs modelos clim\u00e1ticos projetam que esses eventos clim\u00e1ticos extremos passar\u00e3o a ser cada vez mais comuns em S\u00e3o Paulo e em outras cidades do mundo e podem at\u00e9 mesmo se intensificar, se forem mantidos o atual ritmo de urbaniza\u00e7\u00e3o e de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa\u201d, disse o pesquisador, que coordenou o estudo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram a variabilidade do clima da regi\u00e3o metropolitana nos \u00faltimos 80 anos por meio de dados di\u00e1rios de chuva referentes ao per\u00edodo de 1933 a 2011 fornecidos pela esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica \u00c1gua Funda, do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Do per\u00edodo de 1973-1997, foram utilizados tamb\u00e9m dados de outras 94 esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas espalhadas pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es indicaram um aumento significativo, desde 1961, no volume total de chuva durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa, que pode estar associado \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o na frequ\u00eancia de dias com chuva pesada e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de dias com precipita\u00e7\u00f5es leves na cidade.<\/p>\n<p>Enquanto os dias com chuva pesada \u2013 acima de 50 mil\u00edmetros (mm) \u2013 foram quase nulos nos anos 1950, eles ocorreram entre duas e cinco vezes por ano entre 2000 e 2010 na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ilha de calor<\/p>\n<p>De acordo com Marengo, as altera\u00e7\u00f5es no regime de chuvas em S\u00e3o Paulo podem ser decorrentes da variabilidade clim\u00e1tica natural, mas podem tamb\u00e9m estar relacionadas ao crescimento da urbaniza\u00e7\u00e3o, em especial nos \u00faltimos 40 anos, que contribuiu para agravar os efeitos da \u201cilha de calor\u201d na cidade.<\/p>\n<p>Com o aumento da urbaniza\u00e7\u00e3o, o solo da regi\u00e3o \u2013 antes exposto e com vegeta\u00e7\u00e3o remanescente da Mata Atl\u00e2ntica \u2013 foi sendo cada vez mais coberto por materiais como asfalto e concreto, que absorvem muito calor e n\u00e3o ret\u00eam umidade.<\/p>\n<p>Com isso, durante o dia o clima fica muito quente e, \u00e0 noite, o calor acumulado \u00e9 liberado para a atmosfera. A umidade relativa do ar da cidade \u00e9 reduzida e a evapora\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do solo para a forma\u00e7\u00e3o de nuvens \u00e9 acelerada, segundo explicou Marengo.<\/p>\n<p>\u201cO aumento da taxa de evapora\u00e7\u00e3o faz com que mais \u00e1gua do solo seja extra\u00edda, deixando-o totalmente seco, como tem acontecido nas regi\u00f5es dos reservat\u00f3rios que abastecem a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo\u201d, disse o pesquisador. \u201cIsso pode contribuir para aumentar o deficit h\u00eddrico da cidade\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/p>\n<p>A fim de avaliar poss\u00edveis tend\u00eancias e altera\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o de chuvas extremas at\u00e9 2100, os pesquisadores fizeram proje\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de diferentes regi\u00f5es do Estado de S\u00e3o Paulo, incluindo a regi\u00e3o metropolitana, usando uma t\u00e9cnica chamada downscaling.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica combina o modelo clim\u00e1tico regional Eta-CPTEC, desenvolvido pelo Inpe, com os modelos globais HadCM3 e HadGEM2, criados no Reino Unido e usados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas), para fazer proje\u00e7\u00f5es de curto, m\u00e9dio e longo prazo, com uma resolu\u00e7\u00e3o espacial de 40 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>\u201cEla permite fazer previs\u00f5es clim\u00e1ticas mais detalhadas de regi\u00f5es do Estado de S\u00e3o Paulo, como o Vale do Para\u00edba ou a Serra do Mar, que n\u00e3o aparecem em um modelo clim\u00e1tico global\u201d, explicou Marengo.<\/p>\n<p>O modelo foi rodado pelos pesquisadores com base no cen\u00e1rio 21 SRES A1B de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa at\u00e9 2100, usado pelo IPCC.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio clim\u00e1tico, considerado intermedi\u00e1rio, as emiss\u00f5es de gases-estufa poder\u00e3o atingir 450 partes por milh\u00e3o (ppm) e causar um aumento na temperatura global da ordem de 3 \u00baC at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>Os pesquisadores realizaram simula\u00e7\u00f5es para os per\u00edodos de 2010 a 2040, 2041 a 2070 e 2071 a 2100, tendo como base o per\u00edodo climatol\u00f3gico de 1961 a 1990, adotado como padr\u00e3o para proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Meteorologia.<\/p>\n<p>Os resultados das proje\u00e7\u00f5es indicaram que aumentar\u00e1 a frequ\u00eancia e a intensidade de chuvas extremas na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo e nas regi\u00f5es norte, central e leste do estado nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Por outro lado, as proje\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m sugeriram um aumento significativo na frequ\u00eancia de veranicos nessas mesmas regi\u00f5es, sugerindo que as chuvas extremas ser\u00e3o concentradas em alguns dias e ocorrer\u00e3o entre per\u00edodos de seca mais longos, explicou Marengo.<\/p>\n<p>\u201cAs proje\u00e7\u00f5es mostram que haver\u00e1 um aumento dos riscos de enchentes, inunda\u00e7\u00f5es e de delizamentos de terra na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo e nas regi\u00f5es norte, central e leste do estado\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas que moram nessas regi\u00f5es dever\u00e3o experimentar um aumento maior de temperatura, assim como mudan\u00e7as no regime de chuva e secas mais prolongandas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Vulnerabilidade clim\u00e1tica<\/p>\n<p>Segundo Marengo, uma das raz\u00f5es pelas quais essas regi\u00f5es do estado poder\u00e3o ser mais atingidas pelas varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e9 o fato de terem maior densidade populacional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m delas, as regi\u00f5es do Vale do Para\u00edba, da Serra do Mar, da Baixada Santista e de Campinas tamb\u00e9m dever\u00e3o sentir mais os efeitos das varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, indicou Marengo.<\/p>\n<p>\u201cOs impactos sociais e econ\u00f4micos do aumento da temperatura, secas mais prolongadas e mudan\u00e7as no regime de chuva nesses locais dever\u00e3o ser maiores\u201d, estimou.<\/p>\n<p>\u201cNo caso da regi\u00e3o oeste de S\u00e3o Paulo, por exemplo, onde a densidade populacional \u00e9 menor, os impactos ser\u00e3o relativamente menores, mas tamb\u00e9m ocorrer\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o de aumento da mancha na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo at\u00e9 2030, justamente nas \u00e1reas mais vulner\u00e1veis \u00e0s consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, dever\u00e3o agravar ainda mais o risco de desastres naturais, avaliou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cOs deslocamentos populacionais causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o ser\u00e3o s\u00f3 rurais, porque h\u00e1 mais pessoas vivendo nas cidades do que no campo hoje\u201d, estimou Marengo.<\/p>\n<p>\u201cSe fen\u00f4menos recentes, como a seca em S\u00e3o Paulo, mostram que n\u00e3o estamos preparados para enfrentar os problemas relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, os resultados do estudo refor\u00e7am que esses problemas s\u00f3 tendem a piorar e que \u00e9 preciso considerar poss\u00edveis estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o\u201d, disse Marengo.<\/p>\n<p>O artigo contendo resultados dos estudos Observed and projected changes in rainfall extremes in the Metropolitan Area of S\u00e3o Paulo\u00a0(doi: 10.3354\/cr01160), de Marengo e outros, pode ser lido na revista Climate Research em <\/p>\n<p>E o artigo \u201cRainfall and climate variability: long-term trends in the Metropolitan Area of S\u00e3o Paulo in the 20th century\u201d (doi: 10.3354\/cr01241), de Obreg\u00f3n e outros, pode ser lido na mesma revista em\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica observada na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo nos \u00faltimos anos \u2013 caracterizada por chuvas intensas concentradas em poucos dias, espa\u00e7adas entre longos per\u00edodos secos e quentes \u2013 deve 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