{"id":65368,"date":"2015-01-23T14:46:10","date_gmt":"2015-01-23T16:46:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=65368"},"modified":"2015-01-23T14:46:10","modified_gmt":"2015-01-23T16:46:10","slug":"falta-de-melatonina-causa-obesidade-e-diabetes-aponta-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/falta-de-melatonina-causa-obesidade-e-diabetes-aponta-pesquisa\/65368","title":{"rendered":"Falta de melatonina causa obesidade e diabetes, aponta pesquisa"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Estudos conduzidos no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP) mostram que a <em><strong>melatonina<\/strong><\/em> pode ser uma importante aliada no combate a dist\u00farbios metab\u00f3licos, entre eles diabetes, hipertens\u00e3o e obesidade.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisa coordenado pelo m\u00e9dico Jos\u00e9 Cipolla Neto acaba de concluir o terceiro \u00a0sobre o papel da melatonina no metabolismo energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Os resultados indicam que, muito al\u00e9m de regular o sono, a melatonina controla a ingest\u00e3o alimentar, o gasto de energia \u2013 bem como seu ac\u00famulo no tecido adiposo \u2013, a s\u00edntese e a a\u00e7\u00e3o da insulina nas c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o horm\u00f4nio \u00e9 um importante agente anti-hipertensivo, regula a resposta do organismo \u00e0 atividade f\u00edsica aer\u00f3bica e participa da forma\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios durante o desenvolvimento fetal e p\u00f3s-natal.<\/p>\n<p>Parte dos resultados do \u00faltimo Tem\u00e1tico foi publicada em 2014 no \u00a0e no Journal of Pineal Research, meses de maio\u00a0e agosto.<\/p>\n<p>Em entrevista concedida \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP, Cipolla Neto comentou os principais experimentos realizados, os fatores que podem prejudicar a s\u00edntese de melatonina e como a suplementa\u00e7\u00e3o pode ajudar no tratamento de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Que conclus\u00f5es o senhor destaca nos estudos de seu grupo sobre o papel da melatonina na regula\u00e7\u00e3o do metabolismo energ\u00e9tico?<br \/>\nJos\u00e9 Cipolla Neto \u2013 Nossos dados fundamentaram na literatura cient\u00edfica a import\u00e2ncia da melatonina no controle da ingest\u00e3o alimentar, do disp\u00eandio energ\u00e9tico pelo organismo e do armazenamento de energia nos estoques, como o tecido adiposo e o f\u00edgado. O resultado final desse balan\u00e7o energ\u00e9tico \u00e9 o peso corp\u00f3reo. Podemos afirmar que a melatonina tem papel fundamental na regula\u00e7\u00e3o do peso corp\u00f3reo. Essa \u00e9 a grande conclus\u00e3o desses anos de trabalho financiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 De que maneira essa regula\u00e7\u00e3o ocorre?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 De v\u00e1rias maneiras. Acima de tudo, a melatonina \u00e9 um poderoso regulador da secre\u00e7\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o da insulina. Como horm\u00f4nio pr\u00f3-insul\u00ednico e antidiabetog\u00eanico, desempenha muitas fun\u00e7\u00f5es no organismo. Uma das mais importantes \u00e9 regular o desvio da energia ingerida para os estoques energ\u00e9ticos, bem como a retirada de energia desses estoques para uso nas atividades do dia a dia. Pode ser vista, portanto, como um poss\u00edvel coadjuvante no tratamento do diabetes do tipo 2, decorrente da resist\u00eancia insul\u00ednica. Mesmo no diabetes do tipo 1, no qual h\u00e1 pouca produ\u00e7\u00e3o de insulina, a melatonina poderia melhorar a a\u00e7\u00e3o desse horm\u00f4nio pancre\u00e1tico. Tamb\u00e9m \u00e9 um poderoso agente anti-hipertensivo. Outro aspecto fundamental, j\u00e1 bem conhecido na literatura, \u00e9 que a melatonina \u00e9 um importante cronobi\u00f3tico, ou seja, regulador da ritmicidade do organismo. H\u00e1 um per\u00edodo do dia em que acordamos, gastamos energia interagindo com o ambiente e adquirimos energia pela alimenta\u00e7\u00e3o. Em outro per\u00edodo, n\u00e3o interagimos com o ambiente, ficamos em repouso e consumimos a energia dos estoques. Esse balan\u00e7o di\u00e1rio do metabolismo energ\u00e9tico \u00e9 essencialmente regulado pela melatonina. Quando, em experimentos, a melatonina \u00e9 retirada do animal, observamos redu\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o da insulina e desregula\u00e7\u00e3o no ciclo circadiano. Isso tamb\u00e9m ocorre com qualquer pessoa que, por algum motivo, passa a ter uma produ\u00e7\u00e3o menor de melatonina. Isso leva a um dist\u00farbio metab\u00f3lico cujas consequ\u00eancias s\u00e3o obesidade, resist\u00eancia insul\u00ednica e hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Que tipo de experimentos foram feitos para chegar a essas conclus\u00f5es?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 O experimento b\u00e1sico era realizar a pinealectomia (retirada cir\u00fargica da gl\u00e2ndula pineal, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de melatonina) em ratos e observar os efeitos da falta do horm\u00f4nio nos tecidos metabolicamente importantes, como adiposo, muscular, f\u00edgado, sistema nervoso central e p\u00e2ncreas. Dois ou tr\u00eas meses depois, sem nenhuma outra mudan\u00e7a na rotina ou na dieta, o animal j\u00e1 apresentava resist\u00eancia insul\u00ednica, hipertens\u00e3o e princ\u00edpio de obesidade. Com a reposi\u00e7\u00e3o de melatonina, o quadro era completamente revertido. Nos grupos em que a reposi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou no mesmo dia em que a gl\u00e2ndula foi retirada, os animais nem sequer desenvolveram dist\u00farbios metab\u00f3licos. Em paralelo, fizemos estudos com animais idosos, condi\u00e7\u00e3o em que sabidamente h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o menor de melatonina. A reposi\u00e7\u00e3o eliminava as altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas tipicamente encontradas no idoso. Tamb\u00e9m demonstramos que a melatonina \u00e9 essencial para que o organismo responda aos exerc\u00edcios aer\u00f3bicos. Nos animais em que a gl\u00e2ndula pineal havia sido retirada, as adapta\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas ben\u00e9ficas que o exerc\u00edcio promove desaparecem. Em outro trabalho mostramos, de forma definitiva, que em ratos com diabetes tipo 1 experimental, assim como em pacientes com diabetes do tipo 1 que produzem pouca ou nenhuma insulina, h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o menor de melatonina. Esses indiv\u00edduos sofrem, portanto, todas as consequ\u00eancias metab\u00f3licas relacionadas com a defici\u00eancia desse horm\u00f4nio. Mostramos ainda que o agente causador da queda da produ\u00e7\u00e3o, nesse caso, \u00e9 a hiperglicemia, que altera o funcionamento de algumas enzimas na gl\u00e2ndula pineal que s\u00e3o respons\u00e1veis pela s\u00edntese de melatonina. Diab\u00e9ticos do tipo 1 s\u00e3o, portanto, fortes candidatos \u00e0 reposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Al\u00e9m da hiperglicemia, o que mais pode prejudicar a produ\u00e7\u00e3o de melatonina?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 A principal causa de queda na produ\u00e7\u00e3o noturna de melatonina \u00e9 a fotoestimula\u00e7\u00e3o. A maioria das pessoas come\u00e7a a produzir esse horm\u00f4nio por volta de 20 horas. Quando o indiv\u00edduo se exp\u00f5e \u00e0 luz durante a noite, seja vendo TV ou mexendo no smartphone ou no computador, a s\u00edntese de melatonina que deveria estar ocorrendo nesse per\u00edodo \u00e9 bloqueada. Esse pode ser um dos fatores por tr\u00e1s da epidemia de obesidade da sociedade contempor\u00e2nea. Tamb\u00e9m h\u00e1 fatores relacionados com interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. V\u00e1rias drogas usadas na cl\u00ednica alteram a produ\u00e7\u00e3o de melatonina, como os betabloqueadores, os bloqueadores de canal de c\u00e1lcio e os inibidores da enzima conversora de angiotensina (as tr\u00eas drogas s\u00e3o usadas contra hipertens\u00e3o). Indiscutivelmente, os mais poderosos s\u00e3o a polui\u00e7\u00e3o luminosa noturna e o trabalho no turno da noite.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O hor\u00e1rio em que tem in\u00edcio a s\u00edntese de melatonina varia entre pessoas com ritmos matutinos e vespertinos?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 Em cerca de 75% da popula\u00e7\u00e3o o in\u00edcio se d\u00e1 por volta de 20h. Nos indiv\u00edduos vespertinos, a produ\u00e7\u00e3o de melatonina come\u00e7a mais tarde. Nos matutinos, mais cedo. Existe uma varia\u00e7\u00e3o de acordo com o cronotipo que tamb\u00e9m define o hor\u00e1rio em que os n\u00edveis de melatonina no sangue ficam baixos o suficiente para o indiv\u00edduo acordar.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Mas hoje muitas pessoas s\u00e3o acordadas pelo despertador.<br \/>\nCipolla Neto \u2013 Esse \u00e9 um fator que tamb\u00e9m pode ser prejudicial. Os indiv\u00edduos vespertinos, por terem um perfil de produ\u00e7\u00e3o de melatonina estendido pela manh\u00e3, ficam mais privados desse horm\u00f4nio quando precisam acordar muito cedo e expor-se \u00e0 luz do dia.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Como tornar a rotina menos danosa para quem n\u00e3o tem a possibilidade de dormir cedo ou acordar tarde?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 Uma das coisas que t\u00eam sido sugeridas \u00e9 eliminar o comprimento de onda da luz azul, de 480 nan\u00f4metros, que controla a ritmicidade circadiana e a produ\u00e7\u00e3o de melatonina. As empresas de ilumina\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o trabalhando nesse tema. Estudos mostraram que, se o ambiente noturno estiver com baixas intensidade de luz azul, o indiv\u00edduo pode permanecer trabalhando sem ter a ritmicidade circadiana e a produ\u00e7\u00e3o de melatonina afetadas significativamente. Mas esse \u00e9 justamente o comprimento de onda emitido pelo LED de luz azul presente em computadores, televisores e smartphones. H\u00e1 empresas que vendem pel\u00edculas para colocar na tela e filtrar a luz azul. \u00c9 uma forma de lidar com o problema.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 No caso das crian\u00e7as, qual seria a recomenda\u00e7\u00e3o?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 O perfil da produ\u00e7\u00e3o de melatonina e a ritmicidade circadiana de crian\u00e7as \u00e9 completamente diferente dos adultos, mas os efeitos da ilumina\u00e7\u00e3o noturna s\u00e3o os mesmos e ainda mais graves. Crian\u00e7as com menos melatonina e com dist\u00farbios de sono s\u00e3o fortes candidatos a dist\u00farbios metab\u00f3licos na vida adulta. J\u00e1 tem sido observado em adolescentes o crescimento brutal da resist\u00eancia insul\u00ednica. At\u00e9 a puberdade, o ritmo circadiano est\u00e1 sendo estruturado e qualquer fator que prejudique a s\u00edntese de melatonina vai afetar uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es no organismo, inclusive o desenvolvimento puberal.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em quais casos seria indicada a suplementa\u00e7\u00e3o de melatonina?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 J\u00e1 h\u00e1 respaldo internacional de v\u00e1rias sociedades m\u00e9dicas para o tratamento de alguns tipos de ins\u00f4nia e tamb\u00e9m do jet lag (descompensa\u00e7\u00e3o do ritmo circadiano causada por viagens). Tamb\u00e9m h\u00e1 evid\u00eancias poderosas de que ela pode ser um agente terap\u00eautico importante contra o c\u00e2ncer, hipertens\u00e3o e um regulador do metabolismo energ\u00e9tico. Mas para essas tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es ainda est\u00e1 sendo estudada a forma mais adequada de tratamento.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O senhor acha que em breve os m\u00e9dicos, ao tratarem obesidade, hipertens\u00e3o e diabetes, v\u00e3o prescrever tamb\u00e9m a melatonina ?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 N\u00e3o tenho a menor d\u00favida. O tratamento com betabloqueador, por exemplo, retira do paciente um componente fisiol\u00f3gico importante para o combate \u00e0 hipertens\u00e3o. Nada mais justo que nesses indiv\u00edduos se fa\u00e7a reposi\u00e7\u00e3o terap\u00eautica de melatonina. \u00c9 algo que os cardiologistas est\u00e3o discutindo atualmente.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O consumo cont\u00ednuo de suplemento pode causar diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o end\u00f3gena?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 N\u00e3o. A melatonina ex\u00f3gena que o indiv\u00edduo toma \u00e9 um poderoso sincronizador dos ritmos circadianos e, portanto, ajuda a regularizar a produ\u00e7\u00e3o end\u00f3gena. Mas \u00e9 crucial observar que, em qualquer circunst\u00e2ncia, o consumo de melatonina deve ocorrer somente \u00e0 noite, cerca de uma hora ou 30 minutos antes de dormir.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Se tomado corretamente o suplemento n\u00e3o teria efeitos colaterais?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 Segundo a literatura, a melatonina \u00e9 um agente sem qualquer efeito t\u00f3xico. O \u00fanico poss\u00edvel problema \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o da ritmicidade circadiana caso o indiv\u00edduo tome no hor\u00e1rio ou na dose inadequada. Em crian\u00e7as, os cuidados precisam ser maiores. Dependendo do uso, da quantidade, pode provocar um retardo pubert\u00e1rio. Mas a subst\u00e2ncia \u00e9 prescrita para tratar v\u00e1rias doen\u00e7as infantis com dist\u00farbio de sono associado, como s\u00edndrome das pernas inquietas, s\u00edndrome de Smith-Magenis e at\u00e9 autismo. Ao consolidar o sono, a melatonina faz com que a vig\u00edlia seja mais eficiente e atua como um agente neuroprotetor.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A dose \u00e9 calculada de acordo com o peso?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 N\u00e3o. A melatonina \u00e9 um horm\u00f4nio caprichoso. Cada indiv\u00edduo tem uma produ\u00e7\u00e3o diferente. O ideal seria fazer uma avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos n\u00edveis produzidos, mas nem sempre isso \u00e9 poss\u00edvel. O que se aconselha \u00e9 fazer uma esp\u00e9cie de trial cl\u00ednico. Administrar na menor dose poss\u00edvel e acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o do quadro, aumentando, se necess\u00e1rio. Deve-se parar quando chegar no ponto em que o indiv\u00edduo se sente bem e os sinais e sintomas tiverem sido eliminados.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Se a melatonina n\u00e3o oferece riscos, por que foi proibida no Brasil?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 A Anvisa [Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria] proibiu h\u00e1 cerca de 20 anos porque estava sendo feito uso inadequado. Na \u00e9poca, havia propagandas na televis\u00e3o com pessoas famosas dizendo \u201cj\u00e1 tomei minha melatonina hoje\u201d. Isso s\u00f3 traz danos. Melatonina \u00e9 um horm\u00f4nio e tem de haver normas de administra\u00e7\u00e3o muito bem controladas. A literatura mundial hoje conta com evid\u00eancias suficientes para liberar a venda no Brasil, mas para uso sob prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O senhor pretende continuar estudando a a\u00e7\u00e3o da melatonina?<br \/>\nCipolla Neto \u2013 Submetemos um novo projeto para avalia\u00e7\u00e3o no qual pretendemos estudar as consequ\u00eancias de tudo que descobrimos at\u00e9 o momento. Do ponto de vista experimental, vamos investigar como a melatonina regula o disp\u00eandio energ\u00e9tico promovido pelo tecido adiposo marrom \u2013 algo que ficou muito evidente nos trabalhos anteriores. Observamos que o animal que n\u00e3o produz melatonina gasta menos energia. Tamb\u00e9m demonstramos que a melatonina durante a gesta\u00e7\u00e3o regula a programa\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica do feto. Filhotes de m\u00e3es privadas de melatonina durante a gesta\u00e7\u00e3o desenvolvem um quadro metab\u00f3lico com resist\u00eancia insul\u00ednica e defici\u00eancia na secre\u00e7\u00e3o de insulina. Queremos descobrir como exatamente a melatonina interfere nessa programa\u00e7\u00e3o. Existe uma quantidade enorme de trabalhos mostrando que a melatonina \u00e9 importante na neurog\u00eanese do sistema nervoso central. Pretendemos avaliar como est\u00e3o os circuitos hipotal\u00e2micos que regulam fome, saciedade, disp\u00eandio energ\u00e9tico e em que fase do desenvolvimento fetal e p\u00f3s-natal a melatonina \u00e9 mais importante para a neurog\u00eanese. A segunda grande parte do projeto abrange os estudos cl\u00ednicos. Pretendemos iniciar um grande estudo multic\u00eantrico \u2013 envolvendo pesquisadores da USP, Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Hospital Albert Einstein \u2013 sobre o papel da melatonina na regula\u00e7\u00e3o do metabolismo energ\u00e9tico humano. Em uma terceira parte do trabalho, pretendemos estudar a repercuss\u00e3o social de se mexer com a produ\u00e7\u00e3o de melatonina. Para isso, vamos estudar o perfil metab\u00f3lico de filhos de mulheres que trabalharam \u00e0 noite durante a gesta\u00e7\u00e3o. Nesse novo Projeto Tem\u00e1tico proposto temos como supervisor externo o professor Russel J. Reiter, da Universidade do Texas (Estados Unidos), que acabou de ser inclu\u00eddo na Thomson Reuters list of The World\u2019s Most Influential Scientific Minds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Estudos conduzidos no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP) mostram que a melatonina pode ser uma importante aliada no combate a dist\u00farbios metab\u00f3licos, entre eles diabetes, hipertens\u00e3o e obesidade. 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