{"id":65047,"date":"2015-01-16T15:38:01","date_gmt":"2015-01-16T17:38:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=65047"},"modified":"2015-01-16T15:38:01","modified_gmt":"2015-01-16T17:38:01","slug":"estudo-traca-perfil-dos-consumidores-de-alcool-na-grande-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/estudo-traca-perfil-dos-consumidores-de-alcool-na-grande-sao-paulo\/65047","title":{"rendered":"Estudo tra\u00e7a perfil dos consumidores de \u00e1lcool na Grande S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p> Por Diego Freire Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Dos moradores da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo que consomem <strong><em>bebidas alco\u00f3licas<\/em><\/strong>, 29% t\u00eam um padr\u00e3o de consumo pesado, caracterizado, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), pela ingest\u00e3o de cinco doses ou mais por homens e de pelo menos quatro por mulheres em uma \u00fanica ocasi\u00e3o, no m\u00ednimo uma vez por semana.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e evidencia os riscos a que boa parte da popula\u00e7\u00e3o se exp\u00f5e ao exceder os n\u00edveis considerados moderados de consumo de \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Foram analisados dados de entrevistas com 5.037 homens e mulheres maiores de 18 anos que vivem nos 39 munic\u00edpios da Grande S\u00e3o Paulo, feitas para o S\u00e3o Paulo Megacity Mental Health Survey, levantamento realizado com o apoio da FAPESP para integrar a Pesquisa Mundial sobre Sa\u00fade Mental da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>As an\u00e1lises foram feitas no \u00e2mbito da pesquisa , conduzida, tamb\u00e9m com apoio da FAPESP, por Laura Helena Silveira Guerra de Andrade, coordenadora do N\u00facleo de Epidemiologia Psiqui\u00e1trica do IPq.<\/p>\n<p>O objetivo, de acordo com Andrade, foi aprofundar o conhecimento sobre os usu\u00e1rios de \u00e1lcool na regi\u00e3o para direcionar pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas aos preju\u00edzos do consumo excessivo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma s\u00e9rie de comorbidades ligadas ao consumo de bebidas alco\u00f3licas, como ansiedade, depress\u00e3o, mortalidade por doen\u00e7as card\u00edacas e c\u00e2ncer, e para que as medidas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o e controle do problema sejam eficientes \u00e9 necess\u00e1ria uma profunda compreens\u00e3o sobre quais fatores sociodemogr\u00e1ficos est\u00e3o associados\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Os pesquisadores identificaram que, dos indiv\u00edduos considerados usu\u00e1rios regulares de \u00e1lcool, que consomem pelo menos uma dose por m\u00eas, 20% bebem pesado e com frequ\u00eancia \u2013 mais que tr\u00eas vezes por m\u00eas. Apenas 9% bebem pesado e de forma epis\u00f3dica.<\/p>\n<p>\u201cConsiderar a frequ\u00eancia \u00e9 importante porque quanto mais vezes se bebe pesado, mais se est\u00e1 exposto aos riscos relacionados a esse padr\u00e3o de consumo\u201d, alertou Andrade.<\/p>\n<p>Mulheres<\/p>\n<p>No caso das mulheres os riscos s\u00e3o ainda maiores, alertam os pesquisadores. \u201cA grande surpresa foi constatar que as mulheres bebem pesado tanto quanto os homens\u201d, disse Camila Magalh\u00e3es Silveira, tamb\u00e9m do N\u00facleo de Epidemiologia Psiqui\u00e1trica.<\/p>\n<p>Entre aqueles que consomem \u00e1lcool regularmente, a porcentagem de homens e mulheres que bebem pesado e de forma epis\u00f3dica \u00e9 a mesma: 9%.<\/p>\n<p>\u201cA diferen\u00e7a entre os g\u00eaneros aparece entre os que bebem pesado com frequ\u00eancia, mas, ainda assim, muito pequena: 22% dos homens e 16% das mulheres. Ambos bebem, igualmente, numa frequ\u00eancia de duas vezes por semana, em m\u00e9dia, e de seis a sete doses por ocasi\u00e3o\u201d, contou Silveira.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, os dados revelam uma mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o da mulher com a bebida. \u201cTrata-se de uma realidade mais recente, decorrente da maior aceita\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1lcool entre as mulheres. O aumento da renda da mulher e a redefini\u00e7\u00e3o dos seus pap\u00e9is na sociedade tamb\u00e9m diminu\u00edram o preconceito, num fen\u00f4meno de converg\u00eancia do beber entre os g\u00eaneros.\u201d<\/p>\n<p>Outro agravante do h\u00e1bito de beber pesado entre as mulheres diz respeito \u00e0 faixa et\u00e1ria, muito mais ampla se comparada \u00e0 dos homens que bebem com a mesma intensidade \u2013 os usu\u00e1rios do sexo masculino que bebem de forma pesada t\u00eam entre 18 e 34 anos, enquanto a idade das mulheres com o mesmo padr\u00e3o de consumo vai at\u00e9 os 54 anos.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 um agravante porque exp\u00f5e mulheres de v\u00e1rias idades aos preju\u00edzos do consumo excessivo enquanto o entendimento da sociedade e das pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e9 de que o \u00e1lcool \u00e9 um problema da juventude\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com Silveira, as mulheres s\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos riscos do consumo excessivo porque seu corpo tem mais dificuldade em metabolizar o \u00e1lcool, com menos enzimas que atuam nesse processo, menos l\u00edquido corporal e musculatura que os homens, entre outros fatores. \u201cO h\u00e1bito de beber pode ser mais danoso \u00e0s mulheres e esse entendimento pode auxiliar no cuidado com a sa\u00fade e o bem-estar feminino\u201d, disse.<\/p>\n<p>A pesquisa identificou tamb\u00e9m que o beber pesado epis\u00f3dico est\u00e1 mais associado a mulheres desempregadas ou trabalhando e menos a donas de casa ou aposentadas. As chances de uma mulher desempregada beber pesado s\u00e3o duas vezes maiores.<\/p>\n<p>Priva\u00e7\u00e3o social<\/p>\n<p>Al\u00e9m de fatores como g\u00eanero e idade, a pesquisa considerou a regi\u00e3o de resid\u00eancia dos consumidores de \u00e1lcool para identificar padr\u00f5es sociodemogr\u00e1ficos no consumo. Para isso foi tra\u00e7ado, em parceria com o Centro de Estudos da Metr\u00f3pole (CEM), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) da FAPESP, um mapa de \u00edndices de priva\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>O mapa combina indicadores de priva\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica \u2013 renda, n\u00edvel educacional, tamanho da fam\u00edlia e porcentagem de fam\u00edlias chefiadas por mulher com baixo n\u00edvel educacional\u2013 com a estrutura et\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foram identificados tr\u00eas grandes grupos de regi\u00f5es, divididas entre aquelas com pouca ou nenhuma priva\u00e7\u00e3o social, formadas por bairros com melhores condi\u00e7\u00f5es de renda e n\u00edvel educacional e poucas crian\u00e7as ou jovens na fam\u00edlia; as de m\u00e9dia priva\u00e7\u00e3o social, com adultos detentores de renda abaixo da m\u00e9dia, muitas crian\u00e7as e alta mortalidade entre adolescentes; e as de alta priva\u00e7\u00e3o social, com baix\u00edssima renda e mulheres muito jovens e de baixo n\u00edvel educacional \u00e0 frente da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>De acordo com Silveira, os padr\u00f5es de beber pesado ocorrem majoritariamente nas \u00e1reas de maior priva\u00e7\u00e3o social. \u201cIndiv\u00edduos que residem em bairros mais desfavorecidos, com maior exclus\u00e3o e priva\u00e7\u00e3o social, podem estar mais expostos a estresse, dispor de menos recursos de enfrentamento e ter menos op\u00e7\u00f5es de lazer em uma regi\u00e3o de maior densidade de bares, poderiam ser mais propensos ao consumo pesado do \u00e1lcool e consequentemente ao abuso e \u00e0 depend\u00eancia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Considerando-se a renda, a maior concentra\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos que fazem uso pesado de \u00e1lcool est\u00e1 entre aqueles cuja fam\u00edlia ganha menos de US$ 3.918 por ano, cerca de R$ 853 por m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cIsso evidencia ainda mais a forte rela\u00e7\u00e3o do consumo abusivo de \u00e1lcool com as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas dos indiv\u00edduos \u2013 quanto mais limitantes, maiores as chances de exposi\u00e7\u00e3o aos riscos do consumo excessivo de \u00e1lcool\u201d, afirmou Silveira.<\/p>\n<p>Parte dos resultados do estudo foi publicada em artigo na revista PLoS One, dispon\u00edvel em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Diego Freire Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Dos moradores da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo que consomem bebidas alco\u00f3licas, 29% t\u00eam um padr\u00e3o de consumo pesado, caracterizado, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), pela ingest\u00e3o de cinco doses ou mais por homens e de pelo menos quatro por mulheres em uma \u00fanica ocasi\u00e3o, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57585,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-65047","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/analise-economia.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65047\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}